quarta-feira, 8 de julho de 2026

Ana de Ávila Chagas, Baronesa de Candiota (Herval, Rio Grande do Sul, c. 1820 — Porto Alegre, 14 de outubro de 1897), foi uma nobre, estancieira e filantropa brasileira, cuja trajetória se destaca pela liderança no meio rural e por doações que marcaram a educação e a história do Rio Grande do Sul.

 

Ana de Ávila Chagas
Baronesa de Candiota
Dados pessoais
Nascimento1820
Herval, Rio Grande do Sul
Morte1897
Porto Alegre

Ana de Ávila Chagas, baronesa de Candiota (Herval, Rio Grande do Sul, c.1820 — Porto Alegre, 14 de outubro de 1897) foi uma nobre, estancieira e filantropa brasileira.

Origens

Filha do estancieiro e militar farroupilha Francisco Antônio de Ávila, morto em 1837 enquanto prisioneiro das forças imperiais a bordo de navio ancorado no porto de Rio Grande,[1] Ana de Ávila casou-se em 1841 com seu primo Luís Gonçalves das Chagas, futuro barão de Candiota.[2] Era irmã do senador Henrique Francisco d'Ávila, presidente da então Província do Rio Grande do Sul nos anos de 1880 e 1881.[3]

Proprietária rural

Com base na herança de seu pai e em posteriores aquisições, Ana de Ávila Chagas construiu, ao lado de seu marido, um dos maiores patrimônios rurais da história do Rio Grande do Sul, com propriedades nos atuais municípios de São Gabriel, Santa Maria, São Vicente do Sul, Lavras do Sul, Bagé, Pinheiro Machado e Candiota.[4]

Prédio histórico da Escola de Engenharia

Patrocinadora da Escola de Engenharia de Porto Alegre

Em 1896, Ana de Ávila Chagas doou o patrimônio inicial necessário para a fundação da Escola de Engenharia de Porto Alegre e a contratação de 50 professores estrangeiros, principalmente alemães.[5] A primeira lista de doadores também incluiu sua filha Emília Gonçalves das Chagas Ribeiro.[6] Cerca de quarenta anos depois, a faculdade de engenharia serviria de núcleo principal para a criação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).[7]

Família

A baronesa e o barão de Candiota tiveram onze filhos que chegaram à idade adulta, entre os quais Francisco Gonçalves das Chagas, primeiro prefeito de São Gabriel.[8] Os descendentes do casal incluem o economista Dênio Chagas Nogueira, primeiro presidente do Banco Central do Brasil, o almirante Sérgio Gitirana Florêncio Chagasteles, último ministro de Estado da Marinha e primeiro comandante da Marinha do Brasil, e o executivo João Augusto Chagas Pestana, formado na Escola de Engenharia da UFRGS e primeiro presidente do conselho da Rio Grande Energia.[9]

Referências

  1. "O Povo", Piratini, 26 de setembro de 1838.
  2. CARVALHO, Mario Teixeira de. "Nobiliário Sul-Riograndense". Porto Alegre, Livraria do Globo, 1937.
  3. «Página de A Nobreza Brasileira de A a Z». Consultado em 31 de julho de 2017. Arquivado do original em 19 de janeiro de 2012
  4. FIGUEIREDO, Osório Santana. "Barão de Candiota: Vila de Tiaraju". Santa Maria, edição do autor, 2014
  5. CUNHA, Luiz Antônio. “A universidade temporã: o ensino superior da Colônia à era Vargas”. São Paulo, Editora da UNESP, 2007, parcialmente disponível em https://books.google.co.jp/books?id=Y9AjCgAAQBAJ&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false
  6. "Folha do Norte", 14 de dezembro de 1896.
  7. CUNHA, Luiz Antônio. Op.cit.
  8. CARVALHO, Mario Teixeira de. Op.cit.
  9. Vide Nosce te Ipsum.

Ana de Ávila Chagas, Baronesa de Candiota

Ana de Ávila Chagas, Baronesa de Candiota (Herval, Rio Grande do Sul, c. 1820 — Porto Alegre, 14 de outubro de 1897), foi uma nobre, estancieira e filantropa brasileira, cuja trajetória se destaca pela liderança no meio rural e por doações que marcaram a educação e a história do Rio Grande do Sul.

Origens e Família

Ana de Ávila era filha do estancieiro e militar Francisco Antônio de Ávila, que participou da Revolução Farroupilha e morreu em 1837, enquanto prisioneiro das forças imperiais a bordo de um navio ancorado no porto de Rio Grande. Em 1841, casou-se com seu primo Luís Gonçalves das Chagas, que viria a receber o título de Barão de Candiota.
Pertencia a uma das famílias mais influentes da província: era irmã de Henrique Francisco d’Ávila, senador e presidente da Província do Rio Grande do Sul em 1880 e 1881.

Propriedade Rural e Atividade Econômica

A partir da herança paterna e de sucessivas aquisições de terras, Ana de Ávila Chagas e seu marido construíram um dos maiores patrimônios rurais da história gaúcha. Suas propriedades se espalharam por uma vasta região, abrangendo os territórios dos atuais municípios de:
  • São Gabriel
  • Santa Maria
  • São Vicente do Sul
  • Lavras do Sul
  • Bagé
  • Pinheiro Machado
  • Candiota
Sua atuação como administradora e estancieira consolidou a fortuna familiar e tornou o casal referência na economia pastoril da região Sul do Brasil no século XIX.

Ação Filantrópica: Patrocínio à Educação

Sua contribuição mais duradoura deu-se no campo da educação: em 1896, Ana de Ávila Chagas doou o patrimônio inicial necessário para a fundação da Escola de Engenharia de Porto Alegre, além de recursos para a contratação de 50 professores estrangeiros, em sua maioria alemães — especialistas reconhecidos na época.
Sua filha, Emília Gonçalves das Chagas Ribeiro, também constou na lista de doadores pioneiros. Quatro décadas depois, a Escola de Engenharia tornou-se o núcleo principal para a criação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), uma das instituições de ensino superior mais importantes do Brasil.

Descendência

O casal teve onze filhos que chegaram à idade adulta, entre eles Francisco Gonçalves das Chagas, que foi o primeiro prefeito do município de São Gabriel.
Seus descendentes mantiveram destaque em diversas áreas da vida nacional:
  • Dênio Chagas Nogueira: economista e primeiro presidente do Banco Central do Brasil;
  • Sérgio Gitirana Florêncio Chagasteles: almirante, último Ministro da Marinha e primeiro Comandante da Marinha do Brasil;
  • João Augusto Chagas Pestana: engenheiro formado pela própria Escola de Engenharia da UFRGS e primeiro presidente do conselho da Rio Grande Energia.

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