terça-feira, 7 de julho de 2026

Agripino Alves Ether (São Luís do Quitunde, Alagoas, 21 de julho de 1885 — Rio de Janeiro, 20 de outubro de 1954)

 

Agripino Ether
Nome completoAgripino Alves Ether
Outros nomesDr. Agripino Ether, Professor Agripino Ether
Conhecido(a) porSer um dos fundadores da Academia Alagoana de Letras e por ser um poeta, escritor e dentista
Nascimento
São Luís do Quitunde, Alagoas,  Brasil
Morte
20 de outubro de 1954 (71 anos)

Rio de Janeiro,  Brasil
Nacionalidadebrasileiro
Educação
Formado em Letras, Odontologia e Direito
OcupaçãoProfessor, Dentista e Poeta

Agripino Alves Ether (nasceu em São Luís do Quitunde, Alagoas em 21 de julho de 1885 - Rio de Janeiro 20 de outubro de 1954), foi um dentista, Professor e poeta.[1]

Era filho do Comandante da Guarda Nacional, Subcomissário de policia e Coronel Olympio Ether e de sua primeira esposa, Ursulina Alves Tosta.[2]

A sua irmã Astrogilda Alves Ether também era poeta. Ela era casada com o Dr. Antonio Nunes Leite, filho do comendador Jacintho Nunes Leite.[3]

Concluiu o curso de filosofia em Maceió e bacharelou-se em Letras. Em 1906 Agripino Participou como amador de uma peça de teatro em Bebedouro.[4][1]

Em Março de 1907 se tornou professor da Escola Noturna. Em abril foi aprovado para o curso de Odontologia em Salvador na Bahia, se formou no final de 1909.

Em 14 de agosto de 1910 participou da fundação do Club Alagoano de Regatas.[5] A partir de março de 1911 passou a ser anunciado nos jornais como Cirurgião-Dentista, atendia das 10h às 17 horas na Rua do Comércio. Ele foi pioneiro no uso de equipamentos eletrodentários em Alagoas.[5]

Em 1911 participou dos comícios que apoiavam Clodoaldo da Fonseca e Fernandes Lima que disputavam pelo governo de Alagoas, participou por meio do comitê Marechal Hermes.

Foi orador da diretoria do Montepio dos Artistas. Em março de 1913 foi um dos fundadores do jornal O Semeador.

Academia Alagoana de Letras - Monumento

Ele participou da assembleia que fundou a Academia Alagoana de Letras em 1 de novembro de 1919, ele junto com Auryno Maciel e Arthur Acioly deram a redação final dos estatutos. Agripino Ether ocupou a cadeira numero 28, cujo patrono era Franco Jatobá,[6][7] e foi redator do Diário de Maceió.

Em setembro de 1920 representou Alagoas entre os dias 18 e 23 no 1° Congresso Odontológico Latino Americano em Montevidéu. Após o congresso se tornou delegado em Alagoas da Associação Central Brasileira de Cirurgiões-Dentistas. Em dezembro de 1921 publicou no Boletim Odontológico da associação o artigo "Ligeiras observações sobre o dente dos seis anos".

Em 21 de novembro de 1923 foi eleito 1° secretário da Associação Central Brasileira de Cirurgiões-Dentistas.

Agripino era convidado para dar palestras frequentemente, uma delas foi realizada em 21 de setembro de 1923 na Associação dos Empregados do Comércio, no qual divulgava a importância da assistência dentária infantil. Agripino conseguiu o apoio do deputado federal Costa Rego para a aprovação do projeto que cedeu um terreno para a construção de um prédio para a Assistência Dentária Infantil. Em maio de 1924 Agripino organizou uma homenagem para Costa Rego no Rio de Janeiro. Agripino Ether foi redator da revista Brasil Odontológico durante esse período.

Participou do 2° Congresso Odontológico Latino Americano em outubro de 1925 em Buenos Aires. Também participou do 3° congresso que foi realizado no Rio de Janeiro em 1929 como secretário da Comissão Organizadora.[6] Foi diplomado em Direito em 1930.

Em 1926 se tornou professor da Faculdade de Farmácia e Odontologia do Rio de Janeiro. Em 1930 foi contratado como Dentista do Prefeitura do Rio de Janeiro, sua efetivação ocorreu em 31 de outubro de 1936.[6]

Em 1931 recebeu do governo de Cuba a insígnia de Cavalheiro da Cruz Vermelha Nacional. E em 1932 foi admitido como membro da Academia Internacional de Odontologia.[6] Em setembro de 1933 foi escolhido como paraninfo do formandos da Faculdade de Odontologia e Farmácia da Fluminense. Em 1934 a Faculdade de Farmácia e Odontologia da Universidade do Rio de Janeiro se separou da Faculdade Fluminense de Medicina e a aula inaugural foi ministrada por Agripino que foi saudado como um dos "gigantes da odontologia nacional".[6][1]

Em dezembro de 1935 foi aprovado no concurso de livre docência da cadeira de Prótese Buco Facial, e assumiu no mesmo ano a secretaria geral do Instituto Brasileiro de Estamotologia, e foi professor honorário da Faculdade e Farmácia e Odontologia de Manaus.[6][8] Em 1936 foi o paraninfo de 3 turmas de formandos no Rio de Janeiro. Também foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Odontologia.[8][9][10]

Agripino Ether se casou com Maria Soares de Araújo com quem teve 2 filhos, depois de sua esposa passar a viver com o seu irmão mais novo, Alberico da Silva Ether, diretor da fábrica de Caramelos Busi [11], Agripino se casou com Angelina da Silva.

Faleceu no Rio de Janeiro em 22 de outubro de 1954.

Homenagens e Prêmios

Foram criadas em sua homenagem medalhas para o IV e VI Congresso Internacional de Odontologia, e o Diretório Acadêmico Agripino Ether - DAAE, na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal Fluminense.[12]

Em 1931 recebeu do governo de Cuba a insígnia de Cavalheiro da Cruz Vermelha Nacional.[6]

Patrono da cadeira 98 da Academia Nacional de Ciências Farmaceuticas do Brasil. O seu filho Stenio ocupou a cadeira 97.[13]

Patrono da cadeira número 12 da Academia Maceioense de Letras[14]

Obras

Inverno, 1920 (palestra literária);

Ninféia, 1920 (palestra literária);

O Molar dos Seis Anos, conferência na Associação Médica Cirúrgica de Alagoas, 1922;

Homenagem à Memória de Rui Barbosa. Discursos Pronunciados na Academia Alagoana de Letras, Maceió, 1923;

Rui Barbosa, 1923 (estudo crítico);

Infecções em Foco, Revista Brasil Odontológico, 1925;

O Mercúrio nas Obturações Metálicas, Revista Brasil Odontológico, 1925;

Cinzas (poesia);

Mentira (poesia);

Rictus Faciais no Crime;

Silêncio, Rio de Janeiro, Empresa Número, 1931;

Moldagem em Prótese Buco-Facial, Rio de Janeiro, Ed. Pongetti, 1935;

Escute, Rio de Janeiro, Ed. Borsoi, 1938;

Odontologia ou Estomatologia, tese ao 2o. Congresso,

Teria deixado inéditos: Urubu e Florilégio.

e muitos outros títulos científicos.[1]

Descendência

Agripino Alves Ether teve 2 filhos com Maria Soares de Araújo.

Dr. Stenio Soares Ether, foi professor formado em Odontologia, escreveu 1232 artigos científicos e 5 livros.

Diney Soares Ether:

Referências

  1.  Ticianeli (1 de abril de 2024). «Agripino Ether, o poeta dentista». História de Alagoas. Consultado em 15 de junho de 2024
  2. Pedrosa, José Fernando de Maya (1998). Histórias do velho Jaraguá. [S.l.: s.n.]
  3. «Gazeta de Noticias (RJ) - 1900 a 1919 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 15 de junho de 2024
  4. «Gutenberg : Orgão da Associação Typographica Alagoana de Socorros Mutuos (AL) - 1881 a 1911 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 16 de junho de 2024
  5.  «Gutenberg : Orgão da Associação Typographica Alagoana de Socorros Mutuos (AL) - 1881 a 1911 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 15 de junho de 2024
  6.  «Jornal do Brasil (RJ) - 1930 a 1939 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 15 de junho de 2024
  7. Alagoas, Gazeta de (4 de novembro de 2019). «Academia Alagoana de Letras comemora 100 anos | Gazeta de Alagoas». https://www.gazetadealagoas.com.br/. Consultado em 3 de maio de 2025
  8.  «Correio da Manhã (RJ) - 1936 a 1939 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 15 de junho de 2024
  9. «HISTÓRIA – AcBO». Consultado em 3 de maio de 2025
  10. «ACADÊMICOS FUNDADORES – AcBO». Consultado em 3 de maio de 2025
  11. «Revista do Rádio (RJ) - 1948 a 1970 - DocReader Web». memoria.bn.gov.br. Consultado em 21 de fevereiro de 2026
  12. «Diretório Acadêmico Agripino Ether (Daae)». Universidade Federal Fluminense. 11 de julho de 2016. Consultado em 15 de junho de 2024
  13. «Acadêmicos – Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil». Consultado em 3 de maio de 2025
  14. «ABC DAS ALAGOAS». abcdasalagoas.com.br. Consultado em 3 de maio de 2025

Agripino Alves Ether

(São Luís do Quitunde, Alagoas, 21 de julho de 1885 — Rio de Janeiro, 20 de outubro de 1954)
Agripino Alves Ether foi uma figura multifacetada e de destaque no Brasil da primeira metade do século XX: dentista pioneiro, professor renomado, intelectual, poeta e homem de atuação social e política. Sua trajetória percorreu desde a formação em Alagoas até o reconhecimento nacional e internacional nas áreas da odontologia, das letras e da educação.

Origem e Formação

Era filho do Coronel Olympio Ether — comandante da Guarda Nacional e subcomissário de polícia — e de sua primeira esposa, Ursulina Alves Tosta. Tinha uma irmã, Astrogilda Alves Ether, também poeta, casada com o Dr. Antônio Nunes Leite, filho do comendador Jacintho Nunes Leite.
Iniciou seus estudos em Alagoas, concluindo o curso de Filosofia e obtendo o bacharelado em Letras em Maceió. Em 1906, já demonstrava interesse pelas artes, participando como amador de uma peça teatral na localidade de Bebedouro.
Em abril de 1907, foi aprovado para o curso de Odontologia na Faculdade de Medicina da Bahia, em Salvador, concluindo a graduação no final de 1909. Anos mais tarde, ampliou sua formação acadêmica: em 1930, diplomou-se também em Direito.

Carreira Profissional e Pioneirismo na Odontologia

Em março de 1911, passou a atuar oficialmente como Cirurgião-Dentista, com consultório na Rua do Comércio, em Maceió, atendendo ao público das 10h às 17h. Destacou-se como pioneiro no uso de equipamentos eletrodentários em Alagoas, modernizando a prática odontológica no estado.
Sua atuação ultrapassou os limites do consultório:
  • 1910: Participou da fundação do Clube Alagoano de Regatas.
  • 1911: Integrou movimentos políticos, apoiando as candidaturas de Clodoaldo da Fonseca e Fernandes Lima ao governo de Alagoas, por meio do Comitê Marechal Hermes.
  • 1913: Foi um dos fundadores do jornal O Semeador e orador da diretoria do Montepio dos Artistas.
  • 1920: Representou o Brasil no 1º Congresso Odontológico Latino-Americano, em Montevidéu, tornando-se em seguida delegado em Alagoas da Associação Central Brasileira de Cirurgiões-Dentistas.
  • 1921: Publicou o artigo Ligeiras observações sobre o dente dos seis anos no Boletim Odontológico.
  • 1923: Foi eleito 1º secretário da Associação Central Brasileira de Cirurgiões-Dentistas; defendeu a assistência odontológica infantil, obtendo apoio do deputado Costa Rego para a construção de um prédio destinado a esse fim.
  • 1925 e 1929: Participou do 2º Congresso Odontológico Latino-Americano, em Buenos Aires, e do 3º, no Rio de Janeiro, onde atuou como secretário da Comissão Organizadora.
Em 1926, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu a docência na Faculdade de Farmácia e Odontologia. Em 1930, foi nomeado dentista da Prefeitura do Rio de Janeiro, com efetivação em 1936. Em 1935, conquistou o título de livre-docente para a cadeira de Prótese Buco-Facial, além de ocupar a Secretaria-Geral do Instituto Brasileiro de Estomatologia e receber o título de professor honorário da Faculdade de Farmácia e Odontologia de Manaus. Também foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Odontologia.

Atividade Intelectual e Literária

Paralelamente à carreira na área da saúde, Agripino Ether teve uma trajetória marcante no campo das letras:
  • 1919: Participou da assembleia de fundação da Academia Alagoana de Letras, colaborando com Auryno Maciel e Arthur Acioly na redação final dos estatutos. Ocupou a Cadeira nº 28, cujo patrono era Franco Jatobá. Também atuou como redator do jornal Diário de Maceió.
  • Mais tarde, foi nomeado patrono da Cadeira nº 12 da Academia Maceioense de Letras.

Principais Obras

Sua produção inclui trabalhos científicos, conferências, estudos críticos e poesia:
  • Literatura e Conferências: Inverno (1920), Ninféia (1920), Homenagem à Memória de Rui Barbosa (1923), Rui Barbosa (1923), Silêncio (1931), Escute (1938).
  • Científicas e Odontológicas: O Molar dos Seis Anos (1922), Infecções em Foco (1925), O Mercúrio nas Obturações Metálicas (1925), Moldagem em Prótese Buco-Facial (1935), Odontologia ou Estomatologia.
  • Poesias: Cinzas, Mentira, Rictus Faciais no Crime.
  • Inéditos: Deixou os trabalhos Urubu e Florilégio, nunca publicados.

Reconhecimentos e Homenagens

Ao longo da vida, recebeu diversas distinções no Brasil e no exterior:
  • 1931: Insígnia de Cavalheiro da Cruz Vermelha Nacional, concedida pelo governo de Cuba.
  • 1932: Membro da Academia Internacional de Odontologia.
  • 1933 e 1936: Foi paraninfo de turmas de formandos em faculdades de odontologia do Rio de Janeiro e do estado do Rio de Janeiro.
  • Patrono: Cadeira nº 98 da Academia Nacional de Ciências Farmacêuticas do Brasil.
  • Em sua memória, foram criadas medalhas com seu nome para o IV e VI Congresso Internacional de Odontologia, além do Diretório Acadêmico Agripino Ether (DAAE), vinculado à Faculdade de Odontologia da Universidade Federal Fluminense.

Vida Pessoal e Descendência

Casou-se pela primeira vez com Maria Soares de Araújo, com quem teve dois filhos:
  • Dr. Stenio Soares Ether: Seguiu os passos do pai, tornando-se professor e dentista, autor de mais de 1.200 artigos científicos e 5 livros; ocupou a Cadeira nº 97 da Academia Nacional de Ciências Farmacêuticas.
  • Diney Soares Ether: Informações mais detalhadas sobre sua trajetória não foram registradas nas fontes consultadas.
Após a separação, Agripino Alves Ether casou-se com Angelina da Silva.
Faleceu no Rio de Janeiro em 20 de outubro de 1954, deixando um legado que combina avanços técnicos na odontologia, contribuições à cultura e à educação, e uma trajetória de dedicação ao desenvolvimento científico e intelectual do Brasil.

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