| Luís Vieira da Silva | |
|---|---|
| Nascimento | 1735 |
| Cidadania | Brasil |
Cônego Luís Vieira da Silva (Passagem de Ouro Branco-Soledade[1], 1735 - Paraty, 1809) foi um sacerdote da Igreja Católica, cônego do Cabido da Catedral de Mariana, professor de Filosofia no Seminário de Mariana e um dos principais articuladores do movimento revoltoso conhecido como Inconfidência Mineira.[2]
Destacou-se por sua oratória. Nunca foi casado, mas teve uma filha. Considerado um dos mais bem instruídos inconfidentes, era um letrado pobre, brasileiro ilustrado, intelectual, católico, enciclopedista, ideólogo, orador erudito, aplicado estudante dos estudos históricos e defensor de um governo independente na América Portuguesa. Por conta do seu grande acervo de livros com conteúdos revolucionários, foi acusado de conspirar contra a Coroa Portuguesa.[3]
Nascimento, estudos e trajetória eclesiástica
Filho do alferes português Luís Vieira Passos, que vivia da lavoura e de seu ofício de carpinteiro, e da portuguesa Josefa Maria do Espírito Santo. Foi batizado na Paróquia de Congonhas do Campo, em 21 de fevereiro de 1735. Seus pais viviam na fazenda do Guido, região hoje pertencente a Ouro Branco e à época pertencente à Vila Rica.
Em 17 de agosto de 1750, com 15 anos de idade, matriculou-se no Seminário de Nossa Senhora da Boa Morte, em Mariana, onde permaneceu por dois anos. Em dezembro de 1752, seguiu para o Colégio dos Jesuítas, em São Paulo, para cursar filosofia e teologia moral, concluindo os estudos em 1757. Posteriormente, regressou à Mariana e assumiu, antes do seu ordenamento, o cargo de professor de Filosofia do seminário, cadeira que ocuparia por 32 anos, até sua prisão em 1789.[4]
Ordenou-se padre da arquidiocese de Mariana em 23 de março de 1759, e em 24 de março de 1783 tomou posse como cônego. Como um prático da medicina, dava instruções à população sobre como cuidar da higiene e da saúde, em regiões sem a presença de médicos. Valia-se dos textos de ciências baseados na experimentação e na prática clínica, da sua biblioteca. Seguia a medicina moderna, adaptando as possibilidades de tratamento das doenças à disponibilidade de cuidados presentes em Minas Gerais.
Participação na conjuração mineira
Ao longo dos 32 anos de exercício como professor do seminário de Mariana, foi constituindo a sua ilustre livraria, que lhe foi sequestrada e minuciosamente descrita pelo escrivão José Luís França Lira, no processo-crime denominado "Autos da Devassa da Inconfidência", aberto para julgar e punir os envolvidos no movimento rebelde de 1789, conhecido como a Inconfidência Mineira. Em 22 de junho de 1789, dia da sua prisão, além da sua biblioteca, procedeu-se o sequestro de outros bens materiais. Foram apreendidos seus móveis, roupas, um escravizado de nome Cipriano, dois cavalos, utensílios domésticos, uma luneta e treze mapas emoldurados.[4] O levantamento dos livros confiscados durante o julgamento revelam a variedade das obras em sua livraria, cerca de 270, além de 800 volumes, com conteúdos científicos e filosóficos.[3]
Levando em consideração seus interrogatórios no processo-crime "Autos da Devassa da Inconfidência", Luís Vieira possuía um caráter forte e ideias sólidas, mas nunca confessou ter participado das ações idealizadas para a derrubada do governo português. Era abertamente um dos "apoiadores do projeto de instauração do sistema de governo republicano que passou a ser debatido na capitania de Minas Gerais", contudo, esclareceu que apenas debatia sobre o tema em diferentes lugares e com diferentes interlocutores, em caráter de debate político, sem a pretensão de sublevação contra a monarquia.[5]
Por participar desses debates políticos, somado ao seu acervo livresco e a sua inteligência, foi considerado um dos responsáveis pela elaboração das leis e dos planos militares idealizados para a futura "República de Minas Gerais".[6] Ser amigo dos poetas Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa, também pesou contra ele, assim como a confissão de ter ouvido alguns dos discursos de sublevação do alferes Joaquim José da Silva Xavier. Por não ter denunciado o movimento, foi acusado de ser desleal à Coroa Portuguesa.[5]
Sua prisão deu-se a mando do Luís António Faro, Visconde de Barbacena. Ele foi preso e enviado para Lisboa, onde ocorreria o processo. Como pena, o rei D. João VI ordenou que fosse preso nas fortalezas de São Julião da Barra, na Capital portuguesa, por 4 anos. Não há registro do que aconteceu com ele após seu retorno ao Brasil.[6]
Referências
- «Autos da Devassa - Imprensa Oficial» (PDF). Junho de 1978. Consultado em 20 de outubro de 2021
- «Câmara de Congonhas: Biografia de Cônego Luís Vieira». Arquivado do original em 26 de janeiro de 2010
- Frieiro, Eduardo (1981). «O Diabo na Livraria do Cônego: Como era Gonzaga? E outros temas mineiros». Editora Itatiaia - Universidade de São Paulo
- Rodrigues, Figueiredo André (2020). «Livros Científicos, Saberes Ilustrados e Condutas "Sediciosas" de Leitura na Livraria do Cônego Luís Vieira da Silva (Minas Gerais, Brasil, 1789)». Scielo
- Martins Filho, Alcimar Vianna; et al. (2013). Novo Dicionário Biográfico de Minas Gerais: 300 Anos. Belo Horizonte: Instituto Cultural Alcimar Martins. p. 457
- Figueiredo, Lucas (2018). O Tiradentes - Uma Biografia de Joaquim José da Silva Xavier. São Paulo: Companhia das Letras
Cônego Luís Vieira da Silva: Intelectual, Orador e Ideólogo da Inconfidência Mineira
Figura central do Iluminismo na América Portuguesa, o Cônego Luís Vieira da Silva (1735–1809) destacou-se não apenas pelos seus profundos saberes teológicos, filosóficos e científicos, mas sobretudo pelo papel intelectual de relevo que desempenhou na articulação da Inconfidência Mineira (1789).
📍 Dados Biográficos e Trajetória Eclesiástica
Nascimento e Origens: Nascido na Passagem de Ouro Branco (região à época pertencente a Vila Rica) em 1735 e batizado em Congonhas do Campo a 21 de fevereiro do mesmo ano, era filho do alferes e carpinteiro português Luís Vieira Passos e de Josefa Maria do Espírito Santo.
Percurso Académico e Docência: Em 1750, ingressou no Seminário de Nossa Senhora da Boa Morte, em Mariana. Prosseguiu os estudos no Colégio dos Jesuítas em São Paulo e, de regresso a Mariana, assumiu a cadeira de professor de Filosofia do seminário antes mesmo de se ordenar — cargo que exerceu durante 32 anos, até ser detido em 1789.
Sacerdócio e Prática Médica: Ordenou-se sacerdote em 1759 e tomou posse como cônego do Cabido da Catedral de Mariana em 1783. Distinguiu-se também pelo exercício empírico da medicina, orientando as populações locais em regiões desprovidas de clínicos com base nos compêndios científicos da sua vasta biblioteca.
📚 A Livraria Revolucionária e o Pensamento Ilustrado
Considerado um dos inconfidentes mais eruditos, o cônego construiu ao longo de décadas um acervo bibliográfico notável que refletia as ideias iluministas e enciclopedistas da época.
O Sequestro dos Bens: No âmbito da devassa instaurada em 1789, a sua prisão a mando do Visconde de Barbacena foi acompanhada pelo confisco de móveis, cavalos, do seu escravizado Cipriano e, crucialmente, da sua livraria composta por cerca de 270 títulos e 800 volumes.
Ideias e Envolvimento Político: Embora nos interrogatórios dos "Autos da Devassa" tenha negado a participação direta em planos práticos de derrubada do governo, o cônego era abertamente defensor de um governo independente e republicano. A sua amizade com poetas inconfidentes como Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa, bem como os debates políticos que liderava, valeram-lhe a acusação de coautor na conceção de leis e planos para a proyectada república mineira.
⚖️ Julgamento, Exílio e Morte
Após a prisão em Mariana e o envio do processo para Portugal, o rei D. João VI condenou-o a quatro anos de prisão nas fortalezas de São Julião da Barra, em território português. Regressou posteriormente ao Brasil, vindo a falecer na cidade de Paraty em 1809.