Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia - O Último Apito (Cid Destefani, 14/01/1996)
" (...) Várias indústrias possuíam suas enormes chaminés e apitos, principalmente as ligadas ao beneficiamento da erva-mate.
As madeireiras todas tinham. Outras indústrias como Todeschini, Mueller, Trevisan, Cruzeiro e Brahma possuíam seus apitos. Os moradores das redondezas das fábricas conheciam esses apitos pelos sons, sabendo perfeitamente que horas estavam apontando cada um deles.
A cidade inteira se baseava nos apitos da fábricas, excluindo-se aí, o centro. Entretanto, a poucas quadras da Praça Tiradentes já se podiam ouvir os estridentes marcadores dos horários. Eram centenas deles espalhados pelos bairros e arrabaldes.
(...) No começo da noite, todos os apitos das fábricas eram acionados. A zoeira era infernal e permanecia por mais de meia hora, quando os sons iam sumindo conforme o vapor nas caldeiras ia sendo consumido.
Existiam ocasiões especiais quando estes apitos eram todos acionados. durante a última guerra mundial, quando se faziam exercícios de Black out, quando a cidade ficava totalmente às escuras, eles sinalizavam o início e o final destes exercícios, quando era proibido acender qualquer tipo de luz, até um palito de fósforo. Quando a guerra terminou os apitos tocaram festivamente o seu fim.
Com o passar do tempo as fábricas foram sendo desativadas, os engenhos de erva-mate e as serrarias foram desaparecendo e, junto com eles, os sons estridentes que marcavam os horários dos curitibano dos anos quarenta (...).”
(“Postado por João Cândido jcm às 16:41” )
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Lembro-me, também, no bairro da Água Verde, da Industria de Malas Pinton, na rua Silveira Peixoto, entre a Avenida Iguaçu e a Getúlio Vargas. Meio dia apitava... Era nossa hora (de ansiedade) de nos preparar para ir para a escola no período da tarde. Ás 18 horas, apitava novamente... aí a ansiedade já passara a espera de um novo dia... Era bem assim! Todos, com raríssimas exceções, íamos, a pé, para as nossas classes de sala de aula. Com toda a ansiedade, mesmo assim, éramos muito felizes, ... e sabíamos disso...
Bairro: "Rebouças, Avenida Iguaçu, 7 de abril de 1950. Foto: Domingos Foggiato. Acervo:Cide Destefani, Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia (14/01/1996)"