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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

ENTRANDO NO BAR MIGNON, DE CURITIBA

 ENTRANDO NO BAR MIGNON, DE CURITIBA




O Bar Mignon, assim chamado em função de seu tamanho, começou em 1925, com o italiano Heitor Amatuzzi, que imigrou para o Brasil trazendo receitas infalíveis de como agradar seus clientes. Originário da região da Calábria (sul da Itália), ele formou um cardápio básico de sanduíches, que com o decorrer dos anos aumentou seguindo as preferências e costumes do curitibano.

As especialidades da casa sempre foram o famoso pernil de porco com cebolinha verde, o cachorro-quente (pão com vina e mostarda), além do filé de alcatra com arroz, tomate e cebola, a salada de maionese, a lingüiça calabresa no palitinho e uma invenção de um freguês: pão com vina cortada, lingüiça e muita cebolinha verde. Esse sanduíche foi batizado com o nome do inventor, "Marchand", na época, diretor do Coritiba Football Club, uma pessoa bem relacionada. Como muita gente queria um sanduíche igual ao do "seu" Marchand, o incluímos no cardápio com esse nome, diz Heitor Amatuzzi Jr.
Com seus setenta anos de existência, o Bar Mignon faz parte da história da capital paranaense, pois foi sempre um reduto da boémia, já que não fechava durante a madrugada, nem nos dias de Natal e Ano Novo. O Mignon foi sempre administrado pela família Amatuzzi, simbolizando o sucesso de um empreendimento que passou de pai para filho.
Comenta-se que os estreitos e enfumaçados corredores do Bar Mignon serviram de bastidores de uma grande parcela dos fatos políticos do Paraná, desde o interventor Manoel Ribas.
Segundo Heitor Amatuzzi Jr.: "todos os governadores, sem exceção, foram fregueses nossos. Falavam de poder e ainda hoje, sempre que podem, matam a vontade do ponto de encontro. [...] Getúlo Vargas já freqüentou o bar, após um conturbado comício, realizado na década de 50 em Curitiba."
O jornal O Estado do Paraná (23/07/1995), ao referir-se aos quatro meses em que o Mignon ficou fechado para reformas, para depois reabrir suas portas dentro de um estilo mais arrojado, também comenta sobre a clientela:
"O bar tem freqüentadores que podem até ter posições políticas divergentes, mas não esquecem do Mignon, freqüentado desde quando eram estudantes: é o caso do governador Jaime Lerner e do senador Roberto Requião. [...] Entre tantos anônimos, passaram pelos balcões e mesas do Mignon figuras ilustres, como Dalva de Oliveira, Orlando da Silva, Dercy Gonçalves e Luis Inácio Lula da Silva (Lula), entre tantas outras. Quando a Rua XV ainda não tinha calçadão e havia tráfego de carros em frente ao bar, que até 1943 funcionou no número 80, depois passou para o predinho de nº 42, o Mignon recebeu também os presidentes Juscelino Kubitscheck e Getúlio Vargas.
No início de 1995, o Bar Mignon foi totalmente reformado, sendo tudo trocado, do piso ao teto. As mesas internas agora estão em maior número, pois graças a um mezanino, foram criados dois ambientes, e a chopeira está renovada. Importada da Itália, é em porcelana e com pinturas em dourado, sendo capaz de servir o chope na temperatura ideal para consumo. Heitor Amatuzzi acredita que o Mignon é o primeiro bar da cidade com estas características."
(Extraído de: Teses UFPR, de Maria do Carmo Marcondes Brandão Rolim, Bares e Restaurantes de Curitiba 1950/60 / Fotos: Internet)
Paulo Grani

sábado, 23 de maio de 2026

RELEMBRANDO O HOTEL BRAZ, DE CURITIBA

 RELEMBRANDO O HOTEL BRAZ, DE CURITIBA

A origem do Braz Hotel foi em uma pequena casa de madeira no município de Três Barras, onde Maria Braz, casada com Luiz Braz, servia refeições. Ainda na mesma cidade, mas em uma casa maior, começaram a hospedar pessoas em quatro quartos. A casa foi sendo ampliada e chegou a ter doze quartos. Depois mudaram-se para São Mateus onde montaram um hotel com 25 quartos.
Mais tarde vieram para Curitiba onde montaram o Braz Hotel na Praça Tiradentes nº 39. Um anúncio de 31/10/1931, divulgava o Hotel na Praça Tiradentes com diárias de 12$000, banhos quentes e frios (sem pagamento adicional).
Em junho de 1935, o hotel mudou de endereço para a antiga Rua João Pessoa Nº 24, (atual Av. Luiz Xavier), quase em frente ao endereço atual. Em um anúncio que informava a mudança de endereço, diziam: “… prédio construído especialmente para este fim. Dispondo de 80 confortáveis quartos, todos servidos por elevador, água corrente, campainhas e telefones, offerecendo a seu hospede o máximo conforto. …”. A empresa na época chamava-se Luiz Braz & Filhos.
Em 08/09/1940, era comemorada a inauguração do hotel em novo prédio construído especificamente para ser um hotel, em cuja ocasião o interventor Manoel Ribas cortou a fita inaugural e discursou. Depois foi servido um coquetel aos convidados.
Em um notícia publicada no dia seguinte no jornal “O Dia", o hotel foi descrito assim: “ … O edificio de nove andares tem a adorná-lo artisticamente o mármore negro, sendo que a sua entrada moderna, dispõe de uma porta-giratória de vidro, a primeira de Curitiba. …”.
Além da porta-giratória, outra coisa que as notícias nos jornais destacavam era o salão para banquetes e festas no último andar e “dois grandes salões para refeitório, sala de leitura e bar”, no primeiro andar. Falavam também que o prédio era servido por três elevadores, o que parece, era novidade também.
A senhora Maria Braz faleceu em maio de 1937 e o senhor Luiz, em abril de 1942. Tiveram três filhos, Joaquim, Francisco e Emilia Braz.
O hotel sempre hospedou artistas e outros viajantes ilustres. Um deles foi Getúlio Vargas por ocasião da sua visita à cidade em dezembro de 1953 para as comemorações do centenário da emancipação do Paraná. Naquela ocasião o então presidente fez um discurso na sacada do primeiro andar para a multidão reunida na rua em frente. Como uma espécie de comemoração ao evento, o bar atualmente ali instalado chama-se Bar Getúlio.
O Braz Hotel fechou em 1978. Mais tarde o imóvel foi arrendado por uma rede de hotéis da cidade e abriu novamente em 1991.
(Fonte: Fotografando Curitiba)
Paulo Grani
Hotel Braz em Cartão Postal de Curitiba, início da década de 1940.
Foto: Arquivo Público do Paraná
O Hotel BRAZ em dstaque em foto da década de 1950.
Foto final década de 1930. O prédio da direita abrigou o primeiro endereço do Hotel Braz, na então Av. João Pessoa, nº 24 (hoje Av Luiz Xavier).
O BRAZ Hotel, em foto da década de 1950.