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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição

 


Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição
Tipo: Parque Natural Municipal
Panorâmica dos campos de dunas que fazem parte do Parque, em frente às praias da Joaquina e Campeche
País Brasil
EstadoSanta Catarina
MunicípioFlorianópolis
Área706,76 ha (7 070 000 m²)
Criação16 de setembro de 1988 (38 anos)
GestãoFLORAM
Coordenadas27° 37′ 35″ S, 48° 27′ 22″ O
. está localizado em: Brasil
.
Localização do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição
editar - editar código-fonte - editar WikidataDocumentação da predefinição

O Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, é uma área protegida de 706,76 hectares, localizada na região leste da cidade de Florianópolis, no sul do Brasil[1]. É conhecido por suas belas paisagens, compostas de vastos campos de dunas, muitas vezes cobertas por diferentes tipos de vegetação do ambiente de restinga, e recortadas por uma ampla e complexa rede de lagoas e cursos de água[2]. O Parque apresenta grande importância econômica e ecológica, através do intenso turismo que recebe e proteção de diversas espécies de animais, plantas e mananciais.

As chamadas Dunas da Joaquina são as atrações mais famosas localizadas dentro do Parque. São conhecidas assim por estarem em frente à Praia da Joaquina e representam uma das atrações naturais mais importantes da cidade. Devido esta fama, o Parque também é chamado popularmente de Parque das Dunas da Joaquina. Estas dunas, de fácil localização, proporcionam uma paisagem panorâmica de extrema beleza e são ideais para a prática do esporte sandboard, em diferentes níveis de dificuldade, o que atrai diariamente uma grande número de turistas e esportistas do gênero.

Histórico

O Parque foi criado oficialmente em 1988, através do decreto municipal nº 231/1988[3], que visou conter o avanço da urbanização sobre a extensa área de dunas compreendida inicialmente entre Praia da Joaquina e a Lagoa da Conceição, preservando a paisagem natural e destinando o lugar para práticas adequadas de educação, lazer, recreação e pesquisa científica[3]. Anteriormente, desde 1975, esta área já era considerada um patrimônio da cidade, através dos decretos municipais nº1.261/1975 e nº213/1979, de 1979, mas que não conseguiram impedir construções ilegais no local.

Em 2018, completando 30 anos de sua criação, Parque teve sua área ampliada pela lei municipal Nº 10.388/2018[1], acrescentando-se boa parte da restinga localizada ao redor da Praia do Campeche, além de importantes mananciais da região, como a Lagoa Pequena e Lagoa da Chica. Através desta lei, o Parque foi finalmente adequado ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, passando a ser nomeado oficialmente de “Parque Natural Municipal”, e não apenas “Parque Municipal”, como era anteriormente chamado.

Em destaque, as maiores dunas do Parque, em frente à Praia da Joaquina.

Importância

O Parque abriga, além de suas dunas que movimentam a economia local com o turismo, uma rica biodiversidade de animais e plantas, protegendo ainda mananciais superficiais e um importante estoque de água potável subterrâneo, o Aquífero Campeche[4]. Conectadas ao Parque nas suas imediações, localizam-se ainda importantes atrações turísticas da cidade, como a Praia do Campeche, Praia da Joaquina, Lagoa da Conceição e a Avenida das Rendeiras, locais que também desempenham papel importante na economia turística da cidade.

Vegetação do Parque, típica do ambiente de restinga. À direita, a planta sempre-viva-de-mil-flores, e de flores vermelhas, a orquídea Epidendrum fulgens.

Biodiversidade

Na área do Parque, pesquisas científicas já catalogaram pelo menos 326 espécies de plantas vasculares[5], dezenas de espécies de aves e algumas de lagartos, anfíbios e mamíferos[6][7][8][9]. Mais de 150 espécies de insetos já foram encontradas numa única espécie de planta que habita o Parque[10], além de outras dezenas de espécies de formigas, moscas e outros grupos de insetos localizados em outros ambientes do local[11]. As aves migratórias como a marreca-parda encontram nas lagoas do Parque um importante local para se alimentarem e descansar.

Entre as espécies típicas do Parque, temos a bela planta sempre-viva-de-mil-flores, capaz de abrigar dezenas de espécies de insetos em seu interior[10], e o lagartinho-da-areia[8], ambas encontradas no local, mas com distribuição espacial bastante restrita pelo Brasil.

Ameaças

O Parque tem sofrido com a ocupação desordenada da região, especialmente através de construções ilegais, incêndios criminosos, despejo de lixo e invasão das dunas pelo pinheiro Pinus elliottii, uma espécie exótica invasora cuja presença altera profundamente os ecossistemas locais[12].

Panorâmica completa da extensão do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição. Nas imediações, à esquerda as praias da Joaquina e Campeche e à direita a Lagoa da Conceição.

Galeria de fotos


Referências

  1. Lei Municipal Nº 10.388, de 05 de Junho de 2018. Prefeitura Municipal de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. 5 de Junho de 2018. Acesso ao conteúdo online em 04 de agosto de 2018.
  2. Güttler, F.N. 2006. Mapeamento da Vegetação do Parque Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, Florianópolis – SC. Monografia de Conclusão do Curso de Ciências Biológicas da UFSC.
  3. Decreto Municipal Nº231, de 16 de setembro de 1988. Prefeitura Municipal de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. 16 de setembro de 1988. Acesso ao conteúdo online em 04 de agosto de 2018.
  4. Bastos, M. D. A. 2004. Mapa Hidrográfico. Atlas do município de Florianópolis. IPUF, Florianópolis, p. 32-33. Acesso ao conteúdo online em 04 de agosto de 2018.
  5. Guimarães, T. B. 2006. Florística e fenologia reprodutiva de plantas vasculares na restinga do Parque Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição,  Florianópolis,  SC.  Dissertação  (Mestrado  em    Biologia  Vegetal) – UFSC, Florianópolis, 107pp. Acesso ao conteúdo online em 04 de agosto de 2018.
  6. Medeiros Junior,  R. G. S. 2008. Diversidade e abundância de aves em fragmentos  isolados  de  Eucaplyptus  sp.  na  restinga  da  praia  da Joaquina, Ilha de Santa Catarina - Brasil. Monografia (Graduação  em  Ciências  Biológicas) - UFSC, Florianópolis, 44 pp. Acesso ao conteúdo online em 04 de agosto de 2018.
  7. Rocha, C. F. D.; Ariani, C. V.; Menezes, V. A.; Vrcibradic, D.  2008. Effects of a fire on a population of treefrogs (Scinax cf. alter, Lutz) in a restinga habitat in southern Brazil. Brazilian Journal of Biology, 68(3): 539-543. Acesso ao conteúdo online em 04 de agosto de 2018.
  8. Da Silva, C. M. 2006. Filogeografia e diferenciação morfológica das populações  de  Liolaemus  occipitalis  Boulenger,  1885  (Iguania: Liolaemidae)  ao  longo  de  seu  domínio  geográfico.    Dissertação (Mestrado  em Biologia Animal)  -  Instituto  de Biociências da UFRGS, Porto Alegre. 101 pp.
  9. Graipel, M. E.; Cherem, J. J.; Ximenez, A. 2001. Mamíferos  terrestres não voadores da Ilha de Santa Catarina, sul do Brasil. Biotemas, 14(2): 109-140. Acesso ao conteúdo online em 04 de agosto de 2018.
  10. Martins, A. G. 2013. Uma planta, um universo: compreendendo a biodiversidade associada à sempre-viva-de-mil-flores, Actinocephalus polyanthus (Eriocaulaceae), em dunas no Sul do Brasil. Monografia de Conclusão  de Curso. Curso  de Ciências Biológicas da UFSC. Acesso ao conteúdo online em 04 de agosto de 2018.
  11. Bonnet, A.; Lopes, B.C. 1993. Formigas de dunas e restingas da Praia da Joaquina,    Ilha    de    Santa    Catarina,    SC    (Insecta:    Hymenoptera).  Biotemas, 6(1): 107-114. Acesso ao conteúdo online em 01 de agosto de 2018.
  12. Barbosa, T. C. P. 2003. ECOLAGOA - Um breve documento  sobre  a  Ecologia  da  Bacia  Hidrográfica  da  Lagoa  da Conceição. Pallotti, Florianópolis, p. 52.

Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição

O Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição é uma unidade de conservação municipal de 706,76 hectares, situada na porção leste do município de Florianópolis, Ilha de Santa Catarina, sul do Brasil. Protege um ecossistema singular formado por vastos campos de dunas móveis e fixas, extensas áreas de restinga, e uma rede complexa de lagoas, canais e cursos d'água que conectam o sistema lagunar da Lagoa da Conceição ao oceano Atlântico. É uma das principais áreas protegidas da capital catarinense, reconhecida tanto por sua riqueza biológica quanto por sua importância cultural, turística e hídrica para a cidade. 🌿

Origem e denominação

O nome refere-se à sua localização — junto à porção norte e leste da Lagoa da Conceição — e à formação geológica dominante: os grandes campos de dunas que se estendem entre a lagoa e o mar. A porção mais visitada e famosa é conhecida popularmente como Dunas da Joaquina, por estar em frente à Praia da Joaquina, razão pela qual o parque também é frequentemente chamado de Parque das Dunas da Joaquina.

Histórico de criação e ampliação

A proteção formal da área começou antes mesmo da criação oficial do parque:
  • 1975 e 1979: decretos municipais nº 1.261/1975 e nº 213/1979 declararam a região como patrimônio municipal, mas não impediram ocupações irregulares e construções clandestinas.
  • 16 de setembro de 1988: criado oficialmente pelo Decreto Municipal nº 231/1988, com o objetivo de conter a expansão urbana sobre as dunas entre a Praia da Joaquina e a Lagoa da Conceição, preservar a paisagem natural e destinar o espaço à educação, lazer, recreação e pesquisa científica. À época chamava-se apenas Parque Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição.
  • 2018: no trintário de sua criação, a Lei Municipal nº 10.388/2018 ampliou significativamente seus limites, incorporando trechos de restinga ao redor da Praia do Campeche, a Lagoa Pequena e a Lagoa da Chica. Com isso, passou a integrar formalmente o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e adotou a denominação atual: Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição. 🏞️

Características geográficas e paisagem

O parque ocupa uma faixa de terra com orientação geral noroeste–sudeste, entre a margem leste da Lagoa da Conceição e o litoral atlântico. Suas paisagens se dividem em três grandes domínios interligados:
  • Campos de dunas: depósitos arenosos formados pela ação eólica e marinha, com altura que chega a dezenas de metros. As maiores concentrações ficam voltadas para a Praia da Joaquina, formando um cenário de areia branca e dourada em constante movimento.
  • Restinga: formações vegetais que se desenvolvem sobre solos arenosos, pobres e sujeitos à influência salina, com diferentes fases de sucessão — desde formações abertas e rasteiras até arbustos e árvores de médio porte.
  • Sistema hídrico: compreende corpos d'água de água doce e salobra, entre os quais se destacam a Lagoa Pequena, a Lagoa da Chica e trechos da própria Lagoa da Conceição, além de nascentes e cursos d'água que alimentam o complexo lagunar.

Importância e papel regional

Ecológica

O parque funciona como um corredor ecológico entre a restinga litorânea e o sistema lagunar, protegendo:
  • O Aquífero Campeche: um dos principais reservatórios subterrâneos de água potável de Florianópolis, cuja recarga depende diretamente da vegetação nativa e da permeabilidade do solo arenoso preservado.
  • Mananciais superficiais que abastecem a região.
  • Habitats que servem de refúgio, alimentação e rota de passagem para espécies endêmicas, ameaçadas ou de distribuição restrita.

Turística e econômica

As dunas da Joaquina são um dos cartões postais mais reconhecidos da cidade. O parque recebe milhares de visitantes anualmente e é um dos principais destinos para prática de sandboard, com percursos de diferentes níveis de dificuldade, além de caminhadas, passeios ao entardecer e observação de paisagem. Nas imediações situam-se a Praia da Joaquina, a Praia do Campeche, a Lagoa da Conceição e a Avenida das Rendeiras — vias e bairros onde o turismo movimenta pousadas, restaurantes, comércio local e serviços.

Biodiversidade

Pesquisas realizadas no parque já registraram:
  • Pelo menos 326 espécies de plantas vasculares, distribuídas pelas diferentes fisionomias da restinga.
  • Dezenas de espécies de aves, além de répteis, anfíbios e mamíferos.
  • Mais de 150 espécies de insetos associadas a uma única planta símbolo da região — a sempre-viva-de-mil-flores — além de dezenas de espécies de formigas, moscas e outros grupos.

Espécies destacadas

Tabela
EspécieCaracterística
Sempre-viva-de-mil-flores (Actinocephalus polyanthus)Planta símbolo do parque, com distribuição descontínua — ocorre tanto em campos de altitude quanto em restingas litorâneas. Suas inflorescências conservam-se por muito tempo sem murchar, daí o nome. Abriga em sua estrutura interna dezenas de espécies de invertebrados.
Lagartinho-da-areia (Liolaemus occipitalis)Réptil endêmico das dunas do litoral sul do Brasil, com distribuição restrita e fortemente associado a ambientes arenosos abertos.
Orquídea Epidendrum fulgensEspécie de flores vermelhas e amarelas, comum nas restingas do parque, importante recurso para polinizadores.
Marreca-parda (Anas georgica)Ave migratória que utiliza as lagoas do parque como ponto de parada, alimentação e repouso.

Ameaças e desafios de conservação

Apesar de protegido, o parque enfrenta pressões constantes:
  • Ocupação desordenada e construções irregulares: a proximidade com bairros consolidados gera pressão imobiliária e ocupações dentro dos limites da unidade.
  • Espécies exóticas invasoras: o pinheiro-americano (Pinus elliottii) é uma das maiores ameaças — sua rápida disseminação altera a composição do solo, sombreia e elimina a vegetação nativa de restinga.
  • Incêndios, muitos de origem criminosa, que comprometem a regeneração natural da vegetação.
  • Despejo de resíduos sólidos e circulação de veículos fora de trilhas autorizadas.
  • Erosão e compactação do solo causadas por circulação desordenada de visitantes.

Gestão e visitação

O parque é administrado pela Fundação Municipal de Meio Ambiente de Florianópolis (FLORAM). A visitação é livre em áreas definidas, com recomendações de preservação: permanecer nas trilhas, não coletar plantas ou animais, não acender fogo e não deixar resíduos. A prática de sandboard concentra-se nas dunas da Joaquina, com uso preferencialmente nas áreas já consolidadas para evitar danos à vegetação rasteira.