quarta-feira, 28 de junho de 2023

José Cândido da Silva Muricy (Curitiba, 30 de julho de 1863 - Rio de Janeiro, 11 de julho de 1943)

 José Cândido da Silva Muricy (Curitiba30 de julho de 1863 - Rio de Janeiro11 de julho de 1943)


Coronel José Muricy
Tenente José Muricy - 1893
Nome completoJosé Cândido da Silva Muricy
Dados pessoais
Nascimento30 de julho de 1863
Curitiba
Morte11 de julho de 1943 (79 anos)
Rio de Janeiro
Nacionalidadebrasileiro
Vida militar

José Cândido da Silva Muricy (Curitiba30 de julho de 1863 - Rio de Janeiro11 de julho de 1943) foi um políticoescritor e militar brasileiro.

Filho do médico Dr. José Cândido da Silva Murici e Iria Narcisa Ferreira Muricy, nasceu em CuritibaEstado do Paraná e foi um dos sócios fundadores do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, além de oficial do Exército Brasileiro e Comandante Geral da Polícia Militar do Paraná. Participou na Praça da Aclamação do ato que simboliza a Proclamação da República do Brasil, e de diversos combates, ao lado do Governo Legal, na Revolta da Armada e da Revolução Federalista.

Vida militar

Em 5 de março de 1883 assentou praça no 1º Batalhão de Engenheiros, matriculando-se na mesma data na Escola Militar da Praia Vermelha, concluindo os cursos de cavalaria e infantaria.

Ainda como cadete tomou parte nas reuniões que visavam precipitar o movimento revolucionário contra o regime monárquico e a 14 de novembro de 1889 foi escolhido, juntamente com outros alunos militares e oficiais de confiança, para receber dos chefes do movimento as ordens que deveriam ser transmitidas aos Corpos da Guarnição e à Escola Militar (atual AMAN).

No dia 15 de novembro marchou de São Christovão no comando uma pequena tropa militar, participando diretamente do evento que simboliza a Proclamação da República do Brasil.

  • 1906 - Nomeado Chefe do Pessoal do 5º Distrito Militar. Em 1907 foi nomeado Secretário e em seguida, com a remodelação do Exército em 1908, Assistente da Inspeção Permanente.
  • 1910 - Nomeado Chefe do Serviço de Armamento e Material Bélico da 11ª Região de Inspeção Permanente, cargo que exerceu cumulativamente com o de Chefe do Material Bélico do Quartel General da 2ª Brigada Estratégica.
  • 1912 - Chamado ao Rio de Janeiro e nomeado Chefe do Serviço do Armamento e Material Bélico da 9ª Região de Inspeção Permanente.
  • 1913 - Nomeado para a Comissão de Oficiais de Artilharia, que acompanhou o artilhamento do Forte de Copacabana. Em fevereiro foi nomeado chefe interino do Estado Maior do Commando da 9ª Região de Inspeção Permanente.
  • 1914 - Nomeado Sub-Diretor da Fábrica de Pólvora da Estrela, e em 1916, nomeado diretor interino desse mesmo estabelecimento.
  • 1917 - Nomeado comandante do 1º Grupo do 1º Regimento de Artilharia Montada.
  • 1919 - Nomeado para fazer parte da comissão organizadora do Exército de 2ª Linha (denominação dada à antiga Guarda Nacional). Fez parte de diversas comissões encarregadas da remonta de forças montadas do Exército, bem como, representante da 11ª Região de Inspeção junto à Sociedade de Tiro nº 19.

Em 19 de outubro de 1928 foi comissionado no posto de Coronel como Comandante Geral da Polícia Militar do Paraná, cargo que exerceu até 30 de julho de 1931.

Promoções

  • Segundo Tenente de Artilharia - em de janeiro de 1890, sendo nomeado Auxiliar Técnico da Comissão Estratégica do Paraná;
  • Primeiro Tenente - em 7 de abril de 1892, comissionado para estudar o motivo da situação precária em que se achava a Colônia Militar de Foz de Iguaçu;
  • Capitão - em 15 de novembro de 1897;
  • Major - em 11 de maio de 1911;
  • Tenente-coronel - em 1918, por ocasião de sua reforma compulsória aos trinta e seis anos de serviço ativo.

Vida civil

Em 1895 foi eleito Deputado do Congresso Legislativo do Paraná, mantendo-se por cinco legislaturas, até 1905, quando então renunciou ao mandato e apresentou-se ao 6º Regimento de Artilharia.

Em 14 de setembro de 1906, a convite do Comando do 5º Distrito, serviu de examinador no concurso realizado para o preenchimento das cadeiras de Física e Química do Ginásio Paranaense e da Escola Normal.

Revolta da Armada e Revolução Federalista

Em 1893 prestava serviço no 3º Regimento de Artilharia, em Curitiba, sendo então nomeado comandante da Fortaleza de Santana na cidade de Desterrocapital do Estado de Santa Catarina, para defender a cidade e ilha.

Comandou uma expedição a Canavieiras para desalojar os navios da esquadra revolucionária lá fundeada, realizando bombardeio contra o Cruzador República e os navios artilhados, Pallas e Meteoro.

Com a capitulação da guarnição em Santa Catarina, ao ser informado de que seria forçado a pegar em armas a favor dos revolucionários e contra o governo do Marechal Floriano Peixoto, fugiu em um pequeno palhabote para o Paraná e se apresentou ao Comando das Forças Legais.

No Paraná recebeu o comando de uma bateria destinada a defender a Estrada da Mata, com o objetivo de impedir que os federalistas atacassem a retaguarda das tropas do General Argolo, que se encontravam em combate com as forças do General Piragibe.

Atacadas as forças do General Argolo em janeiro de 1894, concorreu com sua artilharia para o dispersão das tropas inimigas; recebendo do comandante da coluna o seguinte elogio oficial:

Em 1894, Janeiro: No combate de 11, em Tijucas, substituindo o 1º Tenente Commandante da divisão de artilharia, que fora ferido gravemente e recolhido ao hospital, cheio de coragem e muita calma, passou a dirigir o fogo, fazendo sobre o inimigo tiros certeiros, salientando-se pela bravura com que se portou, sendo especificado nominalmente dentre os que se portaram com bravura, tornando-se por isso mais digno do louvor do Chefe da expedição e da gratidão da Patria.

Produção literária

  • A Foz do Iguassu - publicada pela Impressora Paranaense;
  • A Revolução de 1893 - publicada pela Biblioteca Militar (atual BibliEx);
  • Poesias;
  • Viagem à República Theocrática do Guayra;
  • D. Maricota;
  • Contos e Phantasias.

Escreveu ainda diversos artigos sobre a revolução federalista, artilharia, pecuária, e equitação, nos jornais da imprensa paranaense: A RepúblicaDiário da Tarde e Comércio do Paraná.

Referências

  • 130 Anos de Vida Parlamentar Paranaense - de 1854 a 1984; de Maria Nicolas; Arquivo da Assembléia Legislativa do Paraná.

Pierre Henri Clostermann (Curitiba, 28 de fevereiro de 1921 – Montesquieu-des-Albères, França, 22 de março de 2006)

 Pierre Henri Clostermann (Curitiba28 de fevereiro de 1921 – Montesquieu-des-AlbèresFrança22 de março de 2006)


Pierre Clostermann
Nascimento28 de fevereiro de 1921
CuritibaPRBrasil
Morte22 de março de 2006 (85 anos)
Montesquieu-des-Albères, Pirenéus OrientaisFrança
SepultamentoYvelines
Nacionalidadebrasileiro / francês
CidadaniaFrança
Filho(s)Jacques Clostermann
Alma mater
Ocupaçãomilitarescritorengenheiro
Prêmios

Pierre Henri Clostermann (Curitiba28 de fevereiro de 1921 – Montesquieu-des-AlbèresFrança22 de março de 2006) foi um piloto de caçaás condecorado da Segunda Guerra Mundialescritorengenheiro e político franco-brasileiro.

Ás da aviação

Filho de diplomata francês em serviço no Brasil, um ano após seu nascimento, seus pais retornaram a França, mas durante sua juventude passava suas férias no Brasil. Em 1937 voltou mais uma vez ao país para estudar no Liceu Franco-Brasileiro, no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, passou a escrever colunas para o jornal Correio da Manhã e obteve seu brevet de piloto no Aeroclube Brasileiro.[1] Com fim da Batalha de França, vencida pela Alemanha, recebeu um telegrama de seu pai com a mensagem:

Junte-se ao general de Gaulle ou não será mais meu filho.[2]

Em 1940 seguiu para a Inglaterra para juntar-se à força aérea da França Livre como parte da RAF, entrando combate em 1942. Em 11 de junho de 1944, ele e seu companheiro Jacques Remlinger foram os primeiros pilotos da França Livre a pousarem em solo francês libertado.[2]

Tinha um distante primo alemão piloto da Luftwaffe, chamado Bruno Klostermann, que faleceu em 14 de janeiro de 1945 durante um combate aéreo, pilotando um Messerschmitt Bf 109.[3]

Voando com Hawker Tempest e Spitfire, Pierre Clostermann torna-se ás da aviação com 33 vitórias aéreas até o fim da guerra, sendo considerado como o "Primeiro Ás da França".

Político, escritor e executivo

Em 1946 elege-se pela primeira vez deputado francês, sendo reeleito seguidamente. Dois anos depois inicia a atividade de escritor, lançando Le Grand Cirque (O Grande Circo),[4] sucesso de vendas na época e traduzido para várias línguas. Já formado engenheiro aeronáutico e num período de pausa na política, ocupou cargos executivos nas empresas de aviação Max Holste e Cessna Aircraft Company.

Homenagens

Dentre as diversas homenagens que recebeu como a Grã Cruz da Legião de Honra, a Silver Star, a Distinguished Service Cross (Estados Unidos da América), recebeu também em 2004 a Medalha do Mérito Santos-Dumont brasileira, ato registrado no documentário Um Brasileiro no Dia D.

Livros

Títulos traduzidos para o português:

  • O Grande Circo, Editora Flamboyant, 1961[5]
  • Fogo no Céu, Editora Flamboyant, 1966
  • Episódios da Guerra Aérea na Argélia, Editora Flamboyant, 1961

Livros em francês

  • Le Grand Cirque : mémoires d'un pilote de chasse FFL dans la RAF, éditions Flammarion, Paris, 1948, 307 p., (notice BnF no FRBNF19536861). Nombreuses rééditions, dont, au format de poche : Éditions J'ai lu, coll. « Leur aventure » no A42/43. Adaptation en bande dessinée par Christian Mathelot en 1950, aux éd. Flammarion.
  • Feux du ciel, éditions Flammarion, Paris, 1951, 278 p., (notice BnF no FRBNF31953684). Réédition au format de poche : Éditions J'ai lu, coll. « Leur aventure » no A6.
  • Appui-feu sur l'oued Hallaïl, éditions Flammarion, coll. « L'Aventure vécue », Paris, 1960, 221 p., (notice BnF no FRBNF32952497).
  • Des poissons si grands, Flammarion, 1963
  • Spartacus, l'espadon, Paris, Flammarion, 1989 (ISBN 978-2-08-066421-1)
  • Clostermann et Daniel Costelle, Une sacrée guerre! : Daniel Costelle questionne et enregistre les réponses de l'auteur sur sa vie, sa guerre et ses aventures, 1921-1945, Paris, Flammarion, coll. « Fiction Française », 1990 (ISBN 978-2-08-066445-7 et 2-080-66445-X)
  • Mémoires au bout d'un fil, Paris, Arthaud, 1994, 351 p. (ISBN 978-2-7003-1040-5)
  • L'histoire vécue : un demi-siècle de secrets d'État, Paris, Flammarion, 1998, 321 p., + 8 p. de planches illustrées (ISBN 2-08-067586-9, notice BnF no FRBNF36991180).
  • Le Grand Cirque 2000 : mémoires d'un pilote de chasse FFL dans la RAF, Paris, J'ai lu, 2002 (ISBN 978-2-290-32430-1) (édition refondue de l'ouvrage de 1948)
  • Une vie pas comme les autres : mémoires, Paris, Flammarion, 2005 (ISBN 978-2-08-068824-8)

Aterragem de emergência em Vila Real

Em 1958, um avião pilotado por Pierre Clostermann foi obrigado a fazer uma aterragem de emergência na Campeã, uma localidade perto de Vila Real. O piloto, que terá saído ileso dessa arriscada aterragem, foi para Vila Real, onde se hospedou por uns dias no Hotel Tocaio. A cidade pacata que Vila Real então era ficou em polvorosa com a presença de Clostermann.[6]

Ver também

Referências

  1.  «Livro de Pierre é leitura obrigatória para pilotos»Paraná online, consultado em 29 de novembro de 2015.
  2. ↑ Ir para:a b «Primeiro francês a pousar na Normndia»O Explorador, consultado em 29 de novembro de 2015 [ligação inativa].
  3.  «WW2 aces». E-mon site. Consultado em 25 de abril de 2010. Arquivado do original em 29 de agosto de 2010
  4.  O grande circo, Najack, consultado em 29 de novembro de 2015 .
  5.  «Biblioteca especializada reúne memórias de pilotos de caça», Folha da manhã, Folha de S. Paulo, consultado em 29 de novembro de 2015 .
  6.  «Clostermann em Vila Real»