terça-feira, 16 de dezembro de 2025

“O Centro Cívico: A Nova Capital do Paraná em Construção — Modernidade, Poder e Identidade em Curitiba (1952)”

 

“O Centro Cívico: A Nova Capital do Paraná em Construção — Modernidade, Poder e Identidade em Curitiba (1952)”



O Centro Cívico: A Nova Capital do Paraná em Construção — Modernidade, Poder e Identidade em Curitiba (1952)

Em pleno ano de 1952, Curitiba vivia um momento de transformação sem precedentes. A cidade, até então marcada por seu caráter provinciano e rural, começava a erguer os alicerces de uma nova identidade urbana. Era o início das obras do Centro Cívico, um projeto arrojado que simbolizaria a entrada do Paraná na era moderna. O jornal O Centro Cívico, publicado naquele mesmo ano, funciona como um documento histórico e propagandístico que registra — com entusiasmo, detalhe técnico e visão de futuro — esse marco de renovação institucional, arquitetônica e simbólica. A seguir, uma análise minuciosa de cada uma de suas cinco páginas, revelando não apenas o que se construía no chão, mas também o que se sonhava nos planos do Estado.


Página 1 – A Capa: O Orgulho de um Estado em Ascensão

A primeira página do jornal abre com um título solene: “O Centro Cívico — expressão e orgulho de um grande Estado.” Logo de início, o tom é grandioso e institucional. O governador Munhoz da Rocha Neto é apresentado como o grande arquiteto político dessa empreitada, cuja “visão administrativa arrojada” teria encontrado seu “ponto culminante” na nova sede do poder estadual.

O texto destaca uma ambição continental: Curitiba seria a primeira cidade da América do Sul a centralizar todos os serviços públicos em edifícios gigantescos e integrados. Essa proclamação não era mera retórica — ela posicionava o Paraná como líder em planejamento urbano moderno. Os três grandes prédios anunciados — futuros Palácio Iguaçu, Edifício da Assembleia Legislativa e da Secretaria de Governo — representariam não só eficiência administrativa, mas também uma nova paisagem cívica.

A fotografia central mostra o canteiro de obras em plena atividade: terraplanagem, guindastes e estruturas metálicas emergindo do chão. É a imagem viva de um novo começo — o Paraná deixando para trás seu passado agrário e abraçando a modernidade com concreto, aço e planejamento.


Página 2 – Fundamentos Técnicos: Ciência e Engenharia ao Serviço do Progresso

A segunda página revela o embasamento científico por trás da grandiosidade política. O título faz referência às “investigações nos cursos de dr. Eliseu Ribas” — menção aos estudos geológicos, hidrológicos e topográficos realizados para garantir a estabilidade das fundações.

Fotografias mostram máquinas escavando o solo, técnicos analisando perfis de terra e equipes reunidas sobre plantas detalhadas. O texto enfatiza o rigor das sondagens, ensaios de resistência do solo e análises químicas, realizadas com apoio de especialistas da Escola Politécnica e da Universidade de São Paulo. Essa aliança entre governo e academia conferia credibilidade técnica ao projeto, afastando-o da improvisação.

Um trecho final reforça a existência de um Plano Geral, elaborado pelo C.E.C. (Comissão Executiva do Centro Cívico), cuja execução seguiria fielmente um “Mapa do Centro Cívico” e um “Plano de Ação” detalhado. A mensagem é clara: esta não era uma obra qualquer — era o produto de um projeto racional, ordenado e visionário.


Página 3 – A Obra em Andamento: Concreto, Aço e uma Nova Civilização

Na terceira página, o foco está na materialidade da construção. Uma fotografia mostra vigas de aço e formas de concreto sendo montadas, com o texto ao lado afirmando, ainda que de forma um tanto imprecisa, que a “alvenaria feita de concreto e armadura” teria capacidade para abrigar 60 mil habitantes — número que, na verdade, refere-se à população futura da região administrativa servida pelo complexo.

A segunda imagem apresenta caminhões transportando estruturas pesadas, com o texto evocando poeticamente a transição entre o antigo e o novo:

“Em baixos de barrancos e ao redor de banheiros e tradicional Campo do Paraná, deverão ser construídos os primeiros blocos do Centro Cívico. É que a Fazenda do Jau é hoje o que dará nome à nova civilização.”

Aqui, a linguagem ganha contornos mitológicos: a Fazenda do Jau, até então um espaço rural, torna-se o berço de uma “nova civilização”. O jornal não apenas informa — sacraliza a obra, apresentando-a como um ato fundador da identidade paranaense moderna.


Página 4 – Logística, Orçamento e Parcerias: A Engrenagem do Estado Moderno

A quarta página dedica-se à gestão operacional do empreendimento. Uma vista elevada do canteiro revela a escala da intervenção urbana. O texto destaca o papel da Comissão Executiva das Obras da Comunicação (C.E.O.C.), já em pleno funcionamento antes mesmo do início oficial das obras.

A colaboração com o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) é mencionada, indicando que o projeto contava com apoio federal — essencial para obras de tal magnitude. O orçamento total é anunciado como 20 milhões de cruzeiros, valor considerável para a época, mas apresentado como um investimento racional e bem aplicado.

Destaque também para a dimensão social da obra: “centenas de trabalhadores” estariam envolvidos, gerando emprego e movimentando a economia local. Assim, o Centro Cívico aparece não só como símbolo de poder, mas também como motor de desenvolvimento econômico e social.


Página 5 – Cultura, Moda e Civilização: O Estilo da Nova Era

A última página surpreende por seu tom cultural e cosmopolita. Longe de se limitar à engenharia ou à política, o jornal dedica espaço à vida civilizada que o novo Centro Cívico prometia atrair.

À esquerda, um anúncio elegante da loja Menilmontant, “a casa de modas mais moderna do Estado”, localizada na Praça Osório. A imagem de uma modelo com vestido longo, luvas e chapéu remete à sofisticação parisiense, sugerindo que Curitiba estaria em sintonia com os grandes centros metropolitanos.

À direita, um anúncio enigmático intitulado “O Peixe — Uma auspiciosa realidade ao alcance de sua mão”, acompanhado de uma ilustração estilizada. Embora metafórico, o “peixe” simboliza prosperidade, abundância e oportunidade — valores centrais ao discurso desenvolvimentista da época.

No centro, um toque literário: a publicação do soneto “O Brolho de Coral”, de J.M. de Heredia, traduzido por Emiliano de Menezes. A inclusão de poesia clássica reforça a ideia de que a nova capital não seria apenas funcional, mas também refinada, culta e humanista.


Conclusão: Mais que Prédios — Um Projeto de Nação Regional

O jornal O Centro Cívico de 1952 é muito mais que um boletim de obras. É um manifesto de modernidade, uma peça de propaganda política e, ao mesmo tempo, um documento de fé no futuro. Em suas cinco páginas, vemos entrelaçados:

  • A visão de Estado de um governador visionário;
  • O rigor técnico de engenheiros e geólogos;
  • A força do trabalho coletivo;
  • A esperança de progresso econômico;
  • E o anseio por cultura, elegância e civilização.

O Centro Cívico não estava apenas sendo construído no mapa de Curitiba — estava sendo erguido na imaginação do povo paranaense como o coração de um novo Paraná: moderno, organizado, próspero e digno de orgulho.

Em 1952, enquanto os operários moldavam o concreto, o jornal moldava uma narrativa de identidade — e, sete décadas depois, essa narrativa ainda ressoa nas avenidas, prédios e alma da capital paranaense.











HQ "Caranchico ou um aniversário na vida do Chico Bento"

 

HQ "Caranchico ou um aniversário na vida do Chico Bento"


Dia primeiro de julho é o aniversário do Chico Bento e então mostro uma história de 30 anos atrás em que o Chico vira caranguejo bem no dia do seu aniversário. Com 16 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 194' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Chico Bento Nº 194' (Ed. Globo, 1994)

Chico Bento acorda bem na hora que sua mãe, Dona Cotinha, estava enfeitando seu bolo de aniversário. Ela esconde com o avental em frente da mesa, fala que o filho acordou cedo, o café não está pronto e manda dar uma volta. Chico sai e comenta que todo ano é a mesma coisa, a mãe querendo fazer surpresa pensando que ele não sabe que é o dia do aniversário dele.

Rosinha aparece, comenta que hoje é o aniversário e que ele é caranguejo. Chico diz que não é dia para xingá-lo, Rosinha conta que é signo, os nascidos no dia dele são de caranguejo. Chico não acredita nessas besteiras, Rosinha fala que ele é do jeitinho que diz a revista "Destino", são carinhosos, gostam de ajudar os outros, são muito conservadores e apegados à família, enquanto Chico dava carinho ao porco Torresmo, ajudava a mulher carregar compras e dava bênçãos para o pai.  

Chico se irrita e grita que não acreditas nessas besteiras e Rosinha fala que os nativos de caranguejo mudam de humor muito fácil. Chico comenta sozinho que não quer saber de horóscopo, ele não é caranguejo, é menino. Uma bruxa ouve, acha divertido e gosta de aprontar com quem não acredita no sobrenatural e, assim, o transforma em um caranguejo de verdade nas próximas duas horas para ter certeza o que é. 

Chico como caranguejo fica debaixo do chapéu e estranha ficar tudo escuro, quando sai se espanta como ficou dentro do chapéu, acha que encolheu e vai ver seu reflexo no riacho. Estranha que só anda de lago, vê o reflexo e pensa que tinha um caranguejo na frente e se toca que era ele próprio. Fica desesperado, se queixa que isso que dá ser personagem de história em quadrinhos, quando é preso em uma rede pelo Zé Lelé para fazer croquete de carne de caranguejo no jantar.

Chico lamenta que Zé Lelé não ouve e é uma sina morrer na mão de um amigo. Zé Lelé se pergunta como se mata caranguejo, se é com paulada ou tiro e resolve tacá-lo vivo dentro da água quente. Quando ia tacar, Zé da Roça aparece, mandando parar com tudo que estava fazendo porque o Seu Bento avisou que a festa de aniversário do Chico vai começar. Zé Lelé desiste de ferver o caranguejo e resolve dá-lo de presente para o Chico.

Zé Lelé pergunta se a festa vai começar, Dona Cotinha diz que ainda falta o mais importante. Zé Lelé diz que as comidas e a barriga vazia estão tudo lá e Dona Cotinha diz que falta o aniversariante, o Chico Bento. O pai fala que procurou em tudo que é canto e não encontrou e Dona Cotinha chora que o filho sumiu e queria que ele tivesse uma festa surpresa.

Zé Lelé vai comer para não ficar de barriga vazia, Chico aproveita para fugir e aparece em frente à Rosinha, que se assusta, pensando que era uma aranha. Um menino pega uma vassoura para matá-lo. Chico avança e vai parar em cima do cabelo da Dona Cotinha, que se desespera e põe a mão para ele sair de  lá. Chico cai em cima da mesa da festa, os meninos tentam pegá-lo e Chico entra no bolo. 

Seu Bento pega a espingarda, dizendo que o caranguejo vai virar patê e na mesma hora, a Bruxa fala que o encanto vai acabar. Todos cercam o bolo para matar o caranguejo, quando Chico volta ao normal. Seu Bento quer saber como o filho foi parar dentro do bolo, Chico diz que é uma história comprida e que ainda bem acabou e Hiro fala que o Chico quem fez a surpresa para eles.


Zé Lelé quer saber onde está o caranguejo, Chico fala que ele está ali e logo emenda que o signo de caranguejo e Rosinha estranha porque ele disse que não acreditava nessas coisas. No final, todos cantam Parabéns para o Chico, que se emociona e chora, e Rosinha conta que os nativos de caranguejo também são muito sentimentais.
 

História legal em que uma bruxa transforma o Chico Bento em caranguejo porque ele não acreditava em signos do Horóscopo. Chico passa sufoco com o Zé Lelé que queria comê-lo, fazendo croquete de caranguejo, e depois na sua festa quando todos queriam matá-lo por ter visto um caranguejo atrapalhando. Volta ao normal e aí passa a acreditar em Horóscopo e ao se emocionar quando cantam Parabéns para ele, confirma que tem todas as características do signo do caranguejo.

Se Chico não comentasse que não acreditava em Horóscopo em voz alta, a bruxa não saberia e aí não viraria caranguejo. Foi salvo pelo Zé da Roça de ir parar na panela quente e morrer. Zé Lelé foi bem malvado mesmo se fosse um caranguejo verdadeiro, ia sofrer para morrer. Todos na festa também perversos querendo acabar com o caranguejo de qualquer jeito. Chico preferiu não contar que ele era o caranguejo, se contasse, ninguém ia acreditar e ia passar por louco, preferiu omitir. 

Foram engraçadas tiradas como a Dona Cotinha disfarçando bolo com o avental, a forma que o Chico descobriu que virou caranguejo, a fala do Chico que isso que dá ser personagem em quadrinhos, sinal que era normal que podia acontecer de tudo com eles, Zé Lelé achar que mais importante na festa era a comida e não o aniversariante, Rosinha confundir caranguejo com aranha. MSP gostava de histórias de personagens se transformando em alguma coisa, já se transformaram de tudo e sempre bem divertido. Dessa vez aproveitaram o signo de Câncer que tem símbolo de caranguejo para o Chico se transformar em um. 

Curioso que a revista "Destino" que a Rosinha lia para o Chico existia na época, revista que falava de previsões de signos, tarôs, Numerologia, Ufologia e outros assuntos esotéricos, estava em circulação nas bancas e não teve nome parodiado nesta história. Nem sempre os nomes famosos não eram parodiados na época e como a revista "Destino" era da Editora Globo também deve ter ajudado a não terem parodiado dessa vez.

Os traços ficaram muito bons e do estilo de 3 linhas e até 6 quadros por página que davam destaque aos desenhos, porém história ocupava mais páginas no gibi em relação se fosse enquadramento normal. É incorreta atualmente por intenção de matar para comer caranguejo, maltrato a animais, personagem preso dentro de rede, Seu Bento com espingarda, mãe aparecer de avental porque não pode mais dar ideia que mães são donas-de-casa, criança como Rosinha se interessar uma revista esotérica como "Destino", além da palavra "janta" não pode mais, sempre alteram para "jantar" para ficar de acordo com a norma culta da Língua Portuguesa.

Foi a primeira história de aniversário fixo do Chico Bento, então, são 30 anos que personagens tiveram datas de aniversário fixos, datas foram escolhidas de acordo com a Numerologia das características dos personagens. Desde então, são obrigados a todo ano colocarem histórias de aniversários dos personagens em seus respectivos meses, antes tinham histórias assim só de vez em quando e podiam sair em qualquer mês, quando bem entendessem.

Também hoje, primeiro de julho, marca 30 anos do Plano Real no Brasil, a revista é do segundo semestre de junho, por isso ainda com o preço em URV na capa, mas era o valor que foi adotado nos gibis quinzenais em Real, era a mesma coisa. Essa revista chegou atrasada na época e comprei no dia primeiro de julho de 1994, então bem no dia do aniversário do Chico e foi a primeira revista que comprei em cédula de Real.

FELIZ ANIVERSÁRIO, CHICO BENTO!!!

HQ "Cascão o inteligente"

 

HQ "Cascão o inteligente"


Compartilho uma história em que o Cascão fica inteligente após ficar debaixo de um invento de um cientista que deixava as pessoas inteligentes. Com 12 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cascão Nº 70' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Cascão Nº 70' (Ed. Abril, 1985)

O cientista Souza apresenta para o chefe Garibaldi seu invento "Mata-Burro", máquina que vai revolucionar o ensino, meninos não iriam repetir na escola, adeus às notas baixas e às perguntas cretinas para os professores. Garibaldi quer saber para que serve a geringonça e ordena que funcione senão ele vai para a rua, ninguém gasta tempo dele à toa.

Souza explica que a invenção amplifica 20 vezes a inteligência de qualquer um, é só ficar embaixo dela e ligar que até o menino mais burro vai ficar superinteligente e quer que o chefe seja o primeiro a testar. Garibaldi dá um soco na cabeça do Souza, grita que está chamando o patrão e dono da firma que trabalhava de burro, Souza diz que se com a inteligência normal ficou rico, imagine depois de usar a máquina.

Nessa hora, Cascão foge de uma nuvem escura, passa em frente à firma e rouba a invenção por ter formato de guarda-chuva enquanto Garibaldi e Souza continuam discutindo e nem veem. Garibaldi fica animado que pode ficar trilionário com a máquina, quando percebem que sumiu e leem um bilhete do Cascão, dizendo que pegou o guarda-chuva emprestado e daqui a pouco devolve. Garibaldi manda Souza ir atrás do Cascão e avisa que é bom encontrar o mata-burro senão vai ser demitido.

Cascão comenta que a nuvem quase o pegou desprevenido se não fosse o guarda-chuva esquisito e vai passar em casa para pegar o dele e devolver aquele, quando se esbarra com o Cebolinha, que estava fazendo plano infalível contra a Mônica. Cebolinha faz cara que queria chamar o Cascão para o plano, Cascão recusa, Cebolinha fala que esse é bom, Cascão completa que bom como os outros 120 que falharam e aciona o botão do Mata-Burro sem querer, recebendo carga de raios de inteligência.

Cebolinha acha que Cascão está com cara esquisita, Cascão dá olhada nos planos e rasga os papeis, manda testar o que ele acabou de criar e diz que vão se encontrar daqui 6 minutos. Cebolinha acha que o amigo está doidão e que negócio de não tomar banho ia afetar o cérebro dele. O nome do plano é "Mônica com a cara na lama" e diz que "quando avistar a Mônica, colocar um palito no chão e esperar".

Cebolinha avista a Mônica e com medo faz como Cascão escreveu e põe o palito no chão. Uma minhoca tropeça no palito, um pássaro quer comer a minhoca, que se segura na pedra ao lado e faz com que a Mônica tropece na minhoca esticada e caia na lama. Cebolinha aparece exatos 6 minutos, feliz que o plano deu certo, só que ela está atrás furiosa. Cascão cria o plano "Lata de tinta na cabeça" que era só jogar uma moeda para o alto.

Cebolinha joga a moeda, a mulher na janela do prédio pega a moeda, derruba o vaso de flores, que cai na cabeça do pintor que pintava a fachada do prédio e a lata de tinta cai em cima da cabeça da Mônica. Cebolinha quer saber como criar planos infalíveis, Cascão fala que não sabe, simplesmente ficou fácil de derrotar a Mônica e que já criou mais um plano infalível.

Enquanto cientista Souza procura emprego no jornal por não ter encontrado o mata-Burro, vê Mônica correndo dos meninos enquanto eles ovacionam Cascão como novo dono da rua e mandam criar mais um plano infalível. Souza ouve nome de Cascão e vai atrás. Os meninos encurralam a Mônica, que decide entregar o Sansão pra eles. Cascão quer executar seu plano tacando tijolo nela, quando Souza aparece e pega o mata-burro de volta.

Cascão volta ao normal, esquece como era o plano, resolve tacar tijolo pra cima e cai no Cebolinha. Depois, tenta girar o tijolo e cai no pé dele. Mônica vê que o plano não deu certo e corre atrás dos meninos. Garibaldi vê a correria das crianças pela janela, Mônica fica feliz que tudo voltou ao normal, só que no final, vimos que o cientista Souza virou o chefe do Garibaldi, que passou a ser faxineiro da firma.

História muito engraçada em que o Cascão pega a invenção do cientista que faz uma pessoa ficar inteligente pensando que era guarda-chuva e fica inteligente a ponto de bolar planos realmente infalíveis contra a Mônica sem precisar grandes esforços. Quase consegue derrotá-la por completa se não fosse o cientista pegar de volta o seu invento. 


Interessante que os planos do Cascão precisava apenas de um objeto para tudo fluir naturalmente até a Mônica se dar mal. Apenas um palito no chão e depois uma moeda no alto acontecia tudo. Com a sabedoria adquirida pelo invento, Cascão teve uma mistura de inteligência com vidente e previsão do futuro. Como no primeiro plano, por exemplo, ele saberia que uma minhoca ia passar ali bem na hora, se não passasse, ia acontecer nada. 

Foi engraçado ver tiradas como Cascão dizer que plano é bom como todos os outros 120 que falharam (na verdade, nunca fizeram levantamento quantos planos infalíveis foram criados, colocavam qualquer número alto para dar graça), Cebolinha dizer que negócio de não tomar banho ia afetar o cérebro do Cascão, os planos cada um com nomes, a Mônica se dar mal e correr dos meninos.


Foi bem legal a trama à parte do chefe Garibaldi com o cientista Souza, o papo inicial entre eles com o chefe humilhando o funcionário e que no final a situação se inverteu com o Souza se tornando patrão e Garibaldi, faxineiro. 

Ficava superinteligente quem ficava debaixo do "Mata-Burro", mas se sai ou desliga o botão,  volta com a inteligência normal que tem. Com um invento desse, era mais fácil testar nele mesmo, só que não queria ser cobaia, aí como Souza viu que funcionou com o Cascão, aí usou para mudar vida dele. Bem que podia ter um "mata-burro na vida real para todos ficarem inteligentes, e para crianças seria bom já que ficavam inteligentes, então nem precisariam mais professores ensinando, não precisariam ir para escola. O nome do cientista podia ter sido outro porque confunde com o núcleo "Os Souza" que ainda existia na época, a não ser que esse cientista fosse parente deles. 

Apesar do foco não ser história do Cascão sobre banho, mas precisou da invenção ter formato de guarda-chuva e o medo do Cascão da nuvem para roubar a invenção e desenrolar a história, muitas vezes a sua característica principal era só citada, sem ser o foco principal. Legal o Zé Luís participando do plano, mesmo sendo adolescente e não criança como os outros e era muito comum ele participar dos planos infalíveis, isso quando ele não criava os planos como nos anos 1970 e inicio dos anos 1980.

Incorreta hoje em dia por ter violência como soco na cabeça do Souza, tentativa de dar tijolada na Mônica, Cascão ter pancada de tijolo no pé, pintor levar vaso de flor na cabeça, Mônica cair na lama e ter lata de tinta na cabeça, Cebolinha trocando letras em pensamento seria alterado hoje em dia, assim como a palavra "louco", que também é proibida hoje, provavelmente para não confundirem com o personagem Louco. 


Traços ficaram bonitos, quase parecido com a fase consagrada, sendo que as bochechas com curvaturas ainda levemente diferentes. Detalhe de brilho azul nos cabelos de personagens como Zé Luís e Titi em vez de branco, coisa bem característica nos gibis de 1985. Propaganda inserida na história, muito comum nos gibis da Editora Abril, dessa vez foi do lápis "Labra" na lateral da primeira página. Foi republicada depois em 'Almanaque do Cascão Nº 28' (Ed. Globo, 1994). Termino mostrando a capa desse almanaque.

Capa de 'Almanaque do Cascão Nº 28' (Ed. Globo, 1994)