Krait-de-faixas | |||||||||||||||||||
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||||
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||
| Bungarus fasciatus (Schneider, 1801) | |||||||||||||||||||
| Distribuição geográfica | |||||||||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||||||||
Bungarus fasciatus, comumente conhecida como krait-de-faixas,[2] é uma espécie de serpente elapídea extremamente venenosa, endêmica da Ásia, encontrada desde o subcontinente indiano até o sudeste asiático e o sul da China.[1][3][4] Com um comprimento máximo superior a 2 m, é a maior espécie de serpente do gênero Bungarus [en], caracterizada por seu padrão distinto de faixas douradas e pretas.[5] Apesar de geralmente ser considerada tímida e dócil, como outras espécies do mesmo gênero, seu veneno é altamente neurotóxico e potencialmente letal para humanos. Embora a toxicidade de B. fasciatus, com base em experimentos de LD50 em camundongos, seja menor que a de outras serpentes do mesmo gênero, a quantidade de veneno que ela pode injetar é a maior devido ao seu tamanho.[6]
Descrição
B. fasciatus é facilmente reconhecível por suas faixas alternadas pretas e dourado, que circundam completamente o corpo. A cabeça é larga, achatada e não se distingue claramente do pescoço. Seus olhos são pretos, e ela apresenta marcas amarelas em forma de ponta de flecha em sua cabeça preta, e os lábios, região loreal, queixo e garganta são amarelos.[7] A cauda é relativamente curta, correspondendo a cerca de um décimo do comprimento total da serpente.
O maior exemplar registrado media 2,25 m de comprimento, embora o tamanho mais comum seja cerca de 1,8 m.[5]
Escamação: Possui 15 fileiras de escamas dorsais na região média do corpo; escamas subcaudais indivisas, variando de 23 a 39; a fileira dorsal mediana (escamas vertebrais) é hexagonal e fortemente alargada, tão larga quanto ou mais larga que longa; escama anal indivisa; extremidade da cauda arredondada; apresenta uma crista vertebral distinta ao longo do dorso, formada pelos processos neurais das vértebras; escamas ventrais variam de 200 a 234.[8]
O nome Bungarum Pamah foi registrado por Patrick Russell para um espécime de "Mansoor Cottah", e ele também recebeu espécimes de Bengala.[9] O nome científico do gênero deriva de bangarum em télugo (e também em canará), que significa "ouro", em referência às faixas douradas ao redor de seu corpo.[7]
Distribuição e habitat
A Bungarus fasciatus é encontrada em toda a sub-região indo-chinesa, na Península Malaia, no arquipélago indonésio e no sul da China.[5] Na Índia, é comum nos estados de Bengala Ocidental, Odisha, Mizoram, Assam, Manipur e Tripura, tornando-se progressivamente menos comum em direção ao oeste do país.[7]
Foi registrada a leste da Índia central, passando por Nepal, Bangladesh, Mianmar, Camboja, Tailândia, Laos, Vietnã e sul da China (incluindo Hainan e Hong Kong), Malásia e nas principais ilhas da Indonésia, como Bornéu, Java e Sumatra, além de Singapura.
Na Índia, foi registrada em Andhra Pradesh,[10] Bihar, Chhattisgarh, Jharkhand, Madhya Pradesh, Maharashtra,[11] nordeste da Índia, Odisha, Tamil Nadu e Bengala Ocidental.[5] Recentemente, foi registrada no distrito de Hassan, em Karnataka, Chalkari, distrito de Bokaro, Jharkhand, Trivandrum, Kerala, e Amalapadu, distrito de Srikakulam, Andhra Pradesh.[12]
As krait-de-faixas podem ser encontradas em diversos habitats, desde florestas até áreas agrícolas. Habitam montes de cupins e tocas de roedores próximas à água, frequentemente vivendo perto de assentamentos humanos, especialmente vilarejos, devido à abundância de roedores e água. Preferem as planícies abertas do interior. Em Mianmar, foi encontrada em altitudes de até 1.500 m.[5]
Comportamento
As krait-de-faixas são tímidas, raramente vistas e predominantemente noturnas. Quando perturbadas, geralmente escondem a cabeça sob suas espirais e não tentam morder,[4] embora à noite sejam mais ativas e consideradas mais perigosas.
Durante o dia, repousam em gramíneas, buracos ou valas. São letárgicas e lentas, mesmo quando provocadas. São mais frequentemente avistadas durante a estação chuvosa.[7]
Alimentação
B. fasciatus alimenta-se principalmente de outras serpentes, mas também consome peixes, rãs, lagartos e ovos de serpentes. Entre as serpentes consumidas estão:[7]
- Xenopeltis unicolor
- Enhydris enhydris[13]
- Cylindrophis ruffus[13]
- Fowlea piscator (Dorso-de-quilha-quadriculada)
- Amphiesma stolatum (Dorso-de-quilha-de-listras-amarelas)
- Ptyas mucosa (Cobra-rato ou dhaman)
- Ptyas korros (Cobra-rateira-chinesa)
- Boiga trigonata
- Daboia russelii (Víbora-de-russell)
- Bungarus caeruleus
A presa é engolida com a cabeça primeiro, após ser imobilizada pelo veneno.[7]
Hábitos de reprodução
Pouco se sabe sobre seus hábitos reprodutivos. Em Myanmar, uma fêmea foi encontrada incubando uma ninhada de oito ovos, dos quais quatro eclodiram em maio. Os filhotes, ao nascer, medem entre 298 e 311 mm. Acredita-se que a serpente atinja a maturidade no terceiro ano de vida, com aproximadamente 914 mm de comprimento.[14]
Veneno
O veneno contém principalmente neurotoxinas (pré e pós-sinápticas) com valores de LD50 de 2,4 mg/kg[6] a 3,6 mg/kg[15] por via subcutânea, 1,289 mg/kg por via intravenosa e 1,55 mg/kg por via intraperitoneal.[15] A quantidade de veneno injetada varia, em média, de 20 a 114 mg.[15] Engelmann e Obst (1981) indicam um rendimento de veneno de 114 mg (peso seco).[16] Os principais efeitos clínicos do veneno incluem vômitos, dor abdominal, diarreia e tontura. Envenenamentos graves podem levar à insuficiência respiratória, e a morte pode ocorrer por asfixia.[17] O veneno pode causar danos aos rins se injetado.[18]
Um estudo de toxicologia clínica indica uma taxa de mortalidade sem tratamento de 1 a 10%, possivelmente devido ao raro contato com humanos e à baixa taxa de envenenamento em mordidas defensivas.[4] Atualmente, soros antiofídicos polivalentes estão disponíveis na Índia e na Indonésia.
Nomes comuns
- Língua manipuri – linkhak
- Língua mizo – chawnglei, tiangsir
- Língua canaresa – kattige haavu (ಕಟ್ಟಿಗೆ ಹಾವು)
- Língua karbi – maipam, rui-teron
- Língua assamesa – xokha (শখা), xongkhosur (শংখচোৰ), gowala (গোৱালা), bandphora
- Língua bengali – shankhini (শঙ্খিনী), shankhamooti shaanp (শাঁখামুঠি) e rajsap (serpente rei) no Distrito Birbhum কুসাপা (রাজবংশি ভাষায়)
- Língua birmanesa – ငန်းတော်ကျား ngān taw kyā
- Língua hindi – ahiraaj saamp[8]
- Língua indonésia – welang
- Língua ho – Sakombiń
- Língua malaiala – manjavarayan (മഞ്ഞവരയൻ)
- Língua marata – patteri manyar, पट्टेरी मण्यार agya manyar, sataranjya
- Língua oriá – rana (ରଣା)[7]
- Língua tâmil – kattu viriyan (கட்டுவிரியன்), yennai viriyan, yettadi viriyan
- Língua télugo – katla paamu (కట్ల పాము) ou bangaru paamu (బంగారు పాము), que significa "serpente dourada"[7]
- Língua tulu – kadambale
- Língua tailandesa – ngu sam liam, งูสามเหลี่ยม, que significa "serpente triangular"[5]
- Língua vietnamita – rắn cạp nong
- Língua nepali – गनगलि, गनग्वली, राजा साप वा सर्प gangali, gan gwali e Rajasaap (rei das serpentes) no Nepal
- Língua maitili – मैथिली – गन गुआर
Galeria
Ver também
Referências
- Stuart, B.; Nguyen, T.Q.; Thy, N.; Vogel, G.; Wogan, G.; Srinivasulu, C.; Srinivasulu, B.; Das, A.; Thakur, S.; Mohapatra, P. (2013). «Bungarus fasciatus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2013: e.T192063A2034956. doi:10.2305/IUCN.UK.2013-1.RLTS.T192063A2034956.en
. Consultado em 20 de junho de 2025 - «Krait-de-faixas (Bungarus fasciatus)». iNaturalist. Consultado em 30 de junho de 2025
- Bungarus fasciatus at the Reptarium.cz Reptile Database
- «Clinical Toxinology-Bungarus fasciatus». Consultado em 20 de junho de 2025. Arquivado do original em 4 de março de 2016
- Smith, Malcolm A. Fauna of British India...Vol III - Serpentes, pages 411 to 413
- Venom and toxin research group (1990). Snake of medical importance: Banded krait. Singapore: [s.n.] ISBN 9971-62-217-3
- Daniels, J.C. (2002), Book of Indian Reptiles and Amphibians, pp. 134-135.
- Boulenger, George A., (1890), The Fauna of British India including Ceylon and Burma, Reptilia and Batrachia. page 388.
- Russell, Patrick (1796). An account of Indian serpents, collected on the coast of Coromandel : containing descriptions and drawings of each species, together with experiments and remarks on their several poisons. [S.l.: s.n.] 3 páginas
- Srinivasulu, C; D. Venkateshwarlu; M. Seetharamaraju (2009). «Rediscovery of the Banded Krait Bungarus fasciatus (Schneider 1801) (Serpentes: Elapidae) from Warangal District, Andhra Pradesh, India». Journal of Threatened Taxa. 1 (6): 353–354. doi:10.11609/jott.o1986.353-4

- Khaire, NeelimKumar (2008) [2006]. Snakes of Maharashtra, Goa and Karnataka. Pune: Indian Herpetological Society. p. 40
- «Slithering wonder in black and yellow». Deccan Herald. 2012
- Knierim, Tyler., Barnes, Curt H., Hodges, Cameron., (2017), Natural History Note: Banded Krait (Bungarus fasciatus) diet. Herpetological Review 48(1):204 · March 2017
- Evans, G.H. (1906):Breeding of the banded krait (Bungarus fasciatus) in Burma. J. Bombay nat. Hist. Soc. 16:519-520 as mentioned in Daniels, J.C. (2002), Book of Indian Reptiles and Amphibians References, ser no 28, pg 219.
- «LD50 Scores for various snakes». Consultado em 20 de junho de 2025. Arquivado do original em 1 de fevereiro de 2012
- Engelmann, Wolf-Eberhard (1981). Snakes: Biology, Behavior, and Relationship to Man. Leipzig; English version NY, USA: Leipzig Publishing; English version published by Exeter Books (1982). pp. 51. ISBN 0-89673-110-3
- Davidson, Terence. «IMMEDIATE First aid for bites by Kraits». Snakebites First Aid. University of California, San Diego. Consultado em 20 de junho de 2025. Arquivado do original em 2 de abril de 2012
- Sarkar, Naren; Basu, Souvik; Chandra, Preeti; Chowdhuri, Soumeek; Mukhopadhyay, Partha Pratim (29 de janeiro de 2018). «Nephrotoxicity in krait bite: a rare case series of three fatalities in consecutive bites by a single snake». Egyptian Journal of Forensic Sciences. 8 (1). 12 páginas. ISSN 2090-5939. doi:10.1186/s41935-018-0040-3

Bibliografia
- Boulenger, George A. (1890), The Fauna of British India including Ceylon and Burma, Reptilia and Batrachia. Taylor and Francis, London.
- Daniels, J.C. (2002), Book of Indian Reptiles and Amphibians. BNHS. Oxford University Press. Mumbai.
- Knierim, Tyler., Barnes, Curt H., Hodges, Cameron (2017), Natural History Note: Banded Krait (Bungarus fasciatus) diet. Herpetological Review 48(1):204 · March 2017
- Smith, Malcolm A. (1943), The Fauna of British India, Ceylon and Burma including the whole of the Indo-Chinese Sub-region, Reptilia and Amphibia. Vol I - Loricata and Testudines, Vol II-Sauria, Vol III-Serpentes. Taylor and Francis, London.
- Whitaker, Romulus (2002), Common Indian Snakes: A Field Guide. Macmillan India Limited, ISBN 0-333-90198-3.
Bungarus fasciatus: O Krait-de-Faixas — A Serpente Dourada e Letal das Florestas Asiáticas
🐍 Introdução
🔬 Taxonomia e Nomenclatura
- Reino: Animalia
- Filo: Chordata
- Classe: Reptilia
- Ordem: Squamata
- Subordem: Serpentes
- Família: Elapidae
- Gênero: Bungarus
- Espécie: Bungarus fasciatus (Schneider, 1801)
Nomes Comuns em Diversas Línguas
📏 Descrição Morfológica Detalhada
Padrão de Coloração e Identificação Visual
- Faixas corporais: alternância regular de bandas pretas e dourado-amareladas que circundam completamente o corpo, criando um contraste visual extraordinário;
- Cabeça: larga, achatada dorsoventralmente, sem distinção nítida do pescoço — característica típica de elapídeos;
- Marcações faciais: olhos negros, com marcas amarelas em forma de ponta de flecha sobre a cabeça preta; lábios, região loreal, queixo e garganta de coloração amarela;
- Cauda: relativamente curta, representando aproximadamente 10% do comprimento total, com extremidade arredondada.
Escamação Diagnóstica
Dimensões Corporais
- Comprimento máximo registrado: 2,25 metros;
- Tamanho médio de adultos: cerca de 1,8 metros;
- Porte: é a maior espécie do gênero Bungarus, superando em tamanho o krait-comum (Bungarus caeruleus) e outras espécies congêneres;
- Filhotes ao nascer: medem entre 29,8 e 31,1 cm de comprimento total.
📌 Dimorfismo sexual: diferenças externas entre machos e fêmeas são sutis, com machos ocasionalmente apresentando caudas proporcionalmente mais longas.
🌍 Distribuição Geográfica e Habitat
Área de Ocorrência
- Índia: Bengala Ocidental, Odisha, Assam, Manipur, Tripura, Mizoram, Andhra Pradesh, Bihar, Chhattisgarh, Jharkhand, Madhya Pradesh, Maharashtra, Tamil Nadu, Karnataka, Kerala;
- Nepal, Bangladesh, Sri Lanka (registros limitados).
- Mianmar, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã, sul da China (incluindo Hainan e Hong Kong).
- Malásia (Península Malaia), Singapura, Indonésia (Sumatra, Java, Bornéu).
Preferências de Habitat
- Florestas tropicais e subtropicais: habitat primário, especialmente áreas com dossel fechado e umidade elevada;
- Áreas agrícolas e arrozais: adapta-se bem a ambientes modificados, especialmente onde há abundância de presas;
- Proximidade com água: frequenta margens de rios, lagoas e áreas alagadas;
- Abrigos naturais: utiliza montes de cupins, tocas de roedores, fendas em rochas e vegetação densa para repouso diurno;
- Assentamentos humanos: pode ser encontrada perto de vilarejos, atraída pela disponibilidade de roedores e água;
- Altitude: registrada desde o nível do mar até aproximadamente 1.500 metros em Mianmar.
🌿 Comportamento de microhabitat: prefere planícies abertas do interior, mas também ocupa áreas florestais secundárias e bordas de cultivos.
🦎 Comportamento e Estratégias de Sobrevivência
Atividade e Temperamento
- Predominantemente noturna: mais ativa ao entardecer e durante a noite, quando realiza caça e deslocamentos;
- Tímida e evasiva: durante o dia, repousa em gramíneas, valas, tocas ou sob vegetação, raramente se expondo;
- Letárgica quando perturbada: mesmo quando provocada, tende a ser lenta em suas reações, preferindo esconder a cabeça sob as espirais do corpo a atacar.
Postura Defensiva
- Ocultação da cabeça: enrola o corpo e esconde a cabeça sob as espirais — comportamento defensivo passivo;
- Imobilidade estratégica: permanece imóvel, contando com a camuflagem e o padrão de faixas para dissuasão visual;
- Mordida como último recurso: raramente morde em situações defensivas, mas quando o faz, pode inocular veneno significativo.
⚠️ Atenção noturna: embora dócil durante o dia, a espécie pode tornar-se mais reativa e perigosa à noite, quando está naturalmente ativa. Encontros noturnos exigem cautela redobrada.
🍽️ Dieta e Estratégias de Caça
Presas Principais
Técnica de Caça
- Caça noturna ativa: percorre seu território em busca de presas, utilizando olfato e detecção de vibrações;
- Imunidade parcial a venenos: como outros elapídeos, possui certa resistência a toxinas de outras serpentes, permitindo-lhe predar espécies venenosas;
- Inoculação e imobilização: aplica veneno neurotóxico para paralisar a presa rapidamente;
- Deglutição cefálica: engole a presa sempre pela cabeça, facilitando a passagem pelo esôfago.
🐍 Especialização evolutiva: a capacidade de predar outras serpentes, incluindo espécies venenosas, posiciona B. fasciatus como um predador de topo em microescala nos ecossistemas que habita.
☠️ Veneno e Importância Médica
Características Toxicológicas
Mecanismo de Ação
- Neurotoxinas pré-sinápticas: bloqueiam a liberação de acetilcolina nas terminações nervosas;
- Neurotoxinas pós-sinápticas: impedem a ligação da acetilcolina aos receptores musculares;
- Efeito cumulativo: paralisia progressiva dos músculos esqueléticos, incluindo os respiratórios.
Sintomas Clínicos do Envenenamento
- Fase inicial: vômitos, dor abdominal, diarreia, tontura, visão turva;
- Progressão: ptose palpebral (queda das pálpebras), dificuldade de fala e deglutição, fraqueza muscular generalizada;
- Fase grave: paralisia respiratória, insuficiência respiratória, risco de asfixia;
- Complicações: possível dano renal secundário devido à mioglobinúria ou hipotensão prolongada.
Taxa de Mortalidade e Tratamento
- Mortalidade sem tratamento: estimada entre 1% e 10%, relativamente baixa comparada a outras elapídeas — possivelmente devido à timidez da espécie e à baixa taxa de envenenamento efetivo em mordidas defensivas;
- Soros antiofídicos disponíveis: soros polivalentes são comercializados na Índia e na Indonésia, eficazes contra venenos de Bungarus e outras elapídeas regionais;
- Suporte vital: ventilação assistida é crítica em casos de paralisia respiratória; recuperação completa é possível com tratamento adequado e oportuno.
🩺 Nota de segurança: apesar de sua reputação, B. fasciatus raramente causa acidentes graves devido ao seu comportamento evasivo. A maioria dos encontros não resulta em mordida. Contudo, manipulação inadequada ou perturbação noturna aumenta significativamente o risco.
🥚 Reprodução e Desenvolvimento
Conhecimento Atual
- Reprodução: ovípara (postura de ovos);
- Tamanho da ninhada: registrado um caso de 8 ovos, dos quais 4 eclodiram com sucesso;
- Período de eclosão: em Mianmar, eclosão observada no mês de maio, sugerindo reprodução sazonal associada ao clima;
- Cuidado parental: há registros de fêmeas incubando ou permanecendo próximas aos ovos, comportamento incomum entre elapídeos;
- Maturidade sexual: acredita-se que seja atingida no terceiro ano de vida, quando o indivíduo alcança aproximadamente 91,4 cm de comprimento total.
Desenvolvimento Juvenil
- Filhotes ao nascer: 29,8 a 31,1 cm de comprimento, já exibindo o padrão característico de faixas pretas e douradas;
- Independência: jovens são totalmente autônomos desde a eclosão, com veneno funcional e capacidade de caça;
- Crescimento: desenvolvimento rápido nos primeiros dois anos, com aumento significativo de massa e comprimento.
🐣 Desafios de pesquisa: a natureza noturna e evasiva da espécie dificulta observações diretas de comportamento reprodutivo em ambiente natural.
👥 Interação com Seres Humanos
Aspectos Culturais e Simbólicos
- Mitologia regional: em diversas culturas do Sul e Sudeste Asiático, serpentes do gênero Bungarus são associadas a divindades, proteção espiritual e sabedoria ancestral;
- Folclore e nomes: o epíteto "raj sap" (rei das serpentes) em bengali e nepali reflete o respeito e temor que a espécie inspira;
- Uso tradicional: em algumas comunidades, partes da serpente são utilizadas em práticas medicinais folclóricas, embora sem comprovação científica de eficácia.
Conflitos e Percepções
- Medo e desinformação: o padrão visual marcante e a reputação de perigo levam à perseguição e morte preventiva em áreas rurais;
- Encontros acidentais: mordidas ocorrem principalmente quando a serpente é pisada acidentalmente à noite ou manipulada indevidamente;
- Educação como solução: programas comunitários que ensinam identificação, comportamento e conduta segura reduzem conflitos e promovem coexistência.
Segurança em Encontros
- Conduta recomendada:
- Não tente capturar, manusear ou provocar a serpente;
- Afaste-se lentamente se avistar um indivíduo, especialmente à noite;
- Use calçados fechados e lanterna ao caminhar em áreas de ocorrência conhecida;
- Em caso de mordida, busque atendimento médico imediato e, se possível, registre características da serpente para identificação.
🛡️ Status de Conservação
Principais Pressões
- Desmatamento e fragmentação: conversão de florestas em áreas agrícolas ou urbanas reduz habitats críticos;
- Atropelamentos: mortalidade frequente em estradas que cortam áreas florestais e rurais;
- Perseguição por medo: morte intencional devido à reputação de perigo, mesmo sem risco iminente;
- Comércio ilegal: captura ocasional para venda em mercados de animais ou uso em medicina tradicional.
Estratégias de Conservação
- Proteção de corredores ecológicos: conectar fragmentos florestais para permitir fluxo gênico e deslocamento seguro;
- Educação comunitária: campanhas que esclareçam o comportamento tímido da espécie e seu papel ecológico;
- Mitigação de atropelamentos: sinalização em estradas de alta mortalidade e passagens de fauna;
- Pesquisa e monitoramento: estudos populacionais para detectar declínios locais e avaliar eficácia de medidas de proteção.
💡 Curiosidades e Fatos Marcantes
- Bungarus fasciatus possui uma crista vertebral proeminente — uma elevação dorsal formada pelos processos neurais das vértebras — que é uma característica diagnóstica do gênero e facilita a identificação em campo;
- Apesar de ser a maior espécie de Bungarus, seu veneno tem toxicidade relativa menor que a de espécies menores como B. caeruleus, mas compensa pelo volume inoculado significativamente maior;
- A espécie é capaz de predar víboras venenosas como Daboia russelii, demonstrando resistência parcial a venenos alheios — uma adaptação evolutiva notável;
- Em cativeiro, indivíduos podem exibir comportamento de reconhecimento de cuidadores e antecipação à alimentação, sugerindo capacidade cognitiva superior à esperada para répteis;
- O padrão de faixas pretas e douradas serve tanto como camuflagem em ambientes de luz filtrada quanto como sinal de advertência (aposematismo) para predadores potenciais.
📚 Fontes Consultadas
- The Reptile Database
- IUCN Red List of Threatened Species
- Catalogue of Life
- Publicações acadêmicas das revistas Toxicon, Journal of Herpetology, Asian Herpetological Research, Toxins e Wilderness & Environmental Medicine
- Guias de campo como Snakes of India: The Field Guide, Snakes of Southeast Asia, A Field Guide to the Snakes of Borneo e obras regionais sobre a fauna do Sul e Sudeste Asiático
- Trabalhos de referência em toxicologia de serpentes, incluindo estudos sobre LD50, composição de venenos e protocolos clínicos de atendimento a envenenamentos
✨ Nota do autor: Este artigo foi elaborado com base em fontes científicas revisadas e observações de campo, adaptando informações para fins educativos e de conservação. Bungarus fasciatus é uma espécie peçonhenta e protegida em diversas jurisdições — nunca a manipule, provoque ou mantenha em cativeiro sem autorização legal e treinamento adequado. Em caso de encontro na natureza, observe à distância, permita que o animal se afaste naturalmente e, se possível, registre em plataformas de ciência cidadã para contribuir com o conhecimento sobre a biodiversidade asiática.
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