ALEXANDRA DA DINAMARCA E SUAS FILHAS: UMA FAMÍLIA REAL ENTRE O AMOR MATERNO E O DEVER DINÁSTICO
ALEXANDRA DA DINAMARCA E SUAS FILHAS: UMA FAMÍLIA REAL ENTRE O AMOR MATERNO E O DEVER DINÁSTICO
Um Retrato de Família: A Princesa de Gales e Suas Três Filhas
Fotografia digitalmente colorida de Alexandra da Dinamarca, princesa de Gales, sentada ao centro, cercada por suas três filhas com Bertie, príncipe de Gales (futuro rei Edward VII). Da esquerda para a direita: Maud, nascida em 1869; Victoria, nascida em 1868; e Louise, nascida em 1867. O registro foi feito na Dinamarca, em 1893, durante uma visita de Alexandra ao seu pai, o rei Christian IX.
Esta imagem captura um momento precioso de uma família real em sua relativa simplicidade doméstica, antes que os destinos de cada um deles fossem traçados pelos compromissos dinásticos que definiram a Europa do início do século XX. Alexandra, com sua beleza lendária e postura elegante, aparece rodeada por suas filhas, cada uma delas destinada a desempenhar papéis importantes na história da realeza europeia.
ALEXANDRA DA DINAMARCA: A ROSE DA DINAMARCA
Alexandra Caroline Marie Charlotte Louise Julia nasceu em 1 de dezembro de 1844, no Palácio Amarelo, em Copenhague. Era a filha mais velha do príncipe Christian de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg e de sua esposa, a princesa Louise de Hesse-Kassel. Quando Alexandra tinha apenas 16 anos, seu pai foi escolhido para suceder ao trono dinamarquês, tornando-se o rei Christian IX em 1863.
No mesmo ano, Alexandra foi escolhida como noiva do príncipe Albert Edward de Gales, conhecido carinhosamente como "Bertie", filho mais velho da rainha Vitória do Reino Unido. O casamento foi realizado em 10 de março de 1863 na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor, marcando o início de uma nova era para a família real britânica.
Alexandra rapidamente conquistou o coração do público britânico com sua beleza deslumbrante, graça e dedicação aos deveres reais. Ela se tornou uma figura extremamente popular, conhecida por seu estilo elegante e por seu trabalho filantrópico. No entanto, por trás da fachada perfeita, Alexandra enfrentava desafios pessoais significativos, incluindo a saúde frágil de alguns de seus filhos e as infidelidades notórias de seu marido.
BERTIE, PRÍNCIPE DE GALES: UM MARIDO COMPLICADO
Albert Edward, príncipe de Gales, era o filho mais velho da rainha Vitória e do príncipe Albert. Desde jovem, Bertie foi conhecido por seu charme, seu amor pelos prazeres da vida e sua relutância em se dedicar aos estudos e aos deveres reais com a seriedade que sua mãe esperava.
O casamento de Alexandra e Bertie foi, em muitos aspectos, um casamento típico da realeza europeia da época: uma união política destinada a fortalecer alianças entre nações. Alexandra trouxe consigo conexões valiosas com as casas reais do norte da Europa, enquanto Bertie representava o futuro do trono britânico.
No entanto, Bertie era notório por seus casos extraconjugais, que começaram antes mesmo do casamento e continuaram ao longo de toda a sua vida. Alexandra, apesar de estar ciente das infidelidades do marido, escolheu manter a dignidade e o silêncio, focando em seus filhos e em seus deveres reais. Essa decisão lhe rendeu o respeito e a admiração do público britânico, que via nela uma figura de virtude e resistência.
AS TRÊS PRINCESAS: DESTINOS DIVERGENTES
Alexandra e Bertie tiveram seis filhos no total, mas apenas três filhas sobreviveram até a idade adulta: Louise, Victoria e Maud. Cada uma delas teve um destino diferente, moldado pelas circunstâncias políticas da época e pelas decisões de seus pais.
Princesa Louise (1867-1931): A Primogênita
Louise Victoria Alexandra Dagmar nasceu em 20 de fevereiro de 1867, sendo a filha mais velha do casal. Desde jovem, Louise foi conhecida por sua personalidade calma e reservada. Em 27 de julho de 1889, ela se casou com Alexandre Duff, 1.º duque de Fife, um nobre escocês que não era de sangue real.
Este casamento foi considerado incomum para a época, pois Louise se casou com um súdito britânico em vez de um príncipe estrangeiro. No entanto, a rainha Vitória aprovou a união, e em 1900, o duque de Fife foi elevado à categoria de príncipe, permitindo que Louise e suas filhas mantivessem o título de princesa.
Louise e Alexandre tiveram duas filhas: Alexandra, que mais tarde se casou com o rei Constantino I da Grécia, e Maud, que herdou o ducado de Fife. Louise viveu uma vida relativamente tranquila, longe dos holofotes da corte britânica, e morreu em 1931, aos 63 anos.
Princesa Victoria (1868-1935): A FILHA QUE NUNCA SE CASOU
Victoria Alexandra Alice Mary nasceu em 6 de julho de 1868, sendo a segunda filha do casal. Ao contrário de suas irmãs, Victoria nunca se casou. Esta decisão foi resultado de uma combinação de fatores, incluindo a insistência de sua mãe, Alexandra, que queria uma das filhas por perto para lhe fazer companhia na velhice.
A princesa de Gales demonstrou certa relutância em permitir que a mais velha e a mais nova das filhas se casassem também, mas essa decisão não cabia a ela e sim ao pai das princesas, Bertie. No caso de Victoria, no entanto, houve um acordo mútuo. Victoria, por sua vez, concordou em permanecer solteira, acompanhando sua mãe na velhice dela.
Victoria dedicou sua vida ao cuidado de sua mãe e ao trabalho filantrópico. Ela era conhecida por sua personalidade gentil e generosa, e foi muito amada por aqueles que a conheciam. Após a morte de Alexandra em 1925, Victoria continuou a viver uma vida discreta, longe dos holofotes da corte. Ela morreu em 1935, aos 66 anos, sem nunca ter se casado ou tido filhos.
Princesa Maud (1869-1938): A RAINHA DA NORUEGA
Maud Charlotte Mary Victoria nasceu em 26 de novembro de 1869, sendo a filha mais nova do casal. Destas três princesas, Maud foi aquela que alcançou o destino mais extraordinário. Em 22 de julho de 1896, ela se uniu em matrimônio com o príncipe Carl da Dinamarca, seu primo em primeiro grau.
O príncipe Carl era filho do rei Frederico VIII da Dinamarca, irmão de Alexandra. Em 1905, quando a Noruega se separou da Suécia e se tornou um reino independente, o príncipe Carl foi convidado a se tornar o primeiro rei da Noruega moderna. Ele aceitou o trono e adotou o nome de Haakon VII, tornando Maud a rainha consorte da Noruega.
Maud desempenhou um papel importante na consolidação da monarquia norueguesa, usando sua popularidade e conexões com a família real britânica para fortalecer a posição de seu marido e de seu filho, o futuro rei Olav V. Ela morreu em 1938, aos 68 anos, em Londres, durante uma visita à sua família britânica.
O REI CHRISTIAN IX: O SOGRO DA EUROPA
A fotografia de 1893 foi tirada durante uma visita de Alexandra ao seu pai, o rei Christian IX da Dinamarca. Christian IX é frequentemente chamado de "o sogro da Europa" devido aos casamentos estratégicos de seus filhos com membros de outras casas reais europeias.
Além de Alexandra, que se tornou rainha consorte do Reino Unido, Christian IX teve outros filhos que se casaram em casas reais importantes: seu filho Frederico sucedeu ao trono dinamarquês; sua filha Dagmar se casou com o czar Alexandre III da Rússia, tornando-se a imperatriz Maria Feodorovna; e sua filha Thyra se casou com o príncipe Ernesto Augusto de Hanôver.
Essas alianças familiares tornaram a Dinamarca um ponto central na rede de relações da realeza europeia, e as visitas de Alexandra ao seu pai na Dinamarca eram momentos preciosos de reunião familiar em meio às obrigações reais.
O LEGADO DE UMA FAMÍLIA REAL
A família de Alexandra e Bertie deixou um legado duradouro na história da realeza europeia. Seus descendentes incluem membros das casas reais do Reino Unido, Noruega, Dinamarca, Grécia e outros países. O atual rei Carlos III do Reino Unido é bisneto de Alexandra e Bertie, assim como o rei Harald V da Noruega é bisneto de Maud e Haakon VII.
A fotografia de 1893, colorida digitalmente por Rainhas Trágicas, nos permite ver essa família em um momento de tranquilidade, antes que as guerras, as revoluções e as mudanças políticas do século XX transformassem para sempre o mapa da realeza europeia.
Alexandra da Dinamarca morreu em 20 de novembro de 1925, aos 80 anos, tendo vivido para ver seu marido se tornar o rei Edward VII em 1901 e seu neto se tornar o rei George V em 1910. Ela foi uma das rainhas consortes mais amadas da história britânica, conhecida por sua beleza, graça e dedicação aos deveres reais.
REFLEXÕES FINAIS
A história de Alexandra da Dinamarca e suas três filhas nos oferece um vislumbre fascinante da vida da realeza europeia no final do século XIX e início do século XX. Vemos uma mãe que queria manter uma filha por perto, um pai que tomava as decisões finais sobre os casamentos das filhas, e três mulheres que seguiram caminhos muito diferentes.
Louise encontrou a felicidade em um casamento fora da realeza tradicional. Victoria escolheu o sacrifício pessoal para cuidar de sua mãe. Maud alcançou o ápice do destino dinástico, tornando-se rainha de uma nação. Cada uma delas, à sua maneira, contribuiu para a história da realeza europeia.
Que a memória de Alexandra da Dinamarca e suas filhas continue a inspirar aqueles que se interessam pela história da realeza, lembrando-nos de que por trás dos títulos e das coroas, havia seres humanos com sonhos, sacrifícios e destinos entrelaçados.
Texto: Renato Drummond Tapiaga Neto
Imagem: Colorizado por Rainhas Trágicas.
Imagem: Colorizado por Rainhas Trágicas.
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