terça-feira, 23 de junho de 2026

Gioconda Rizzo: Pioneira da Fotografia Feminina no Brasil

 

Gioconda Rizzo
Gioconda Rizzo, em 2003, por Maíra Soares.
Nascimento
Morte
22 de março de 2004 (106 anos)

São Paulo, SP
Nacionalidadebrasileira
ProgenitoresPai: Michele Rizzo
CônjugeOnofre Pasqualucci
OcupaçãoFotógrafa
Principais trabalhosRetrato de Yolanda Pereira
Fotografia da família Da Col - Gattai

Gioconda Rizzo (São Paulo, 18 de abril de 1897 – São Paulo, 22 de março de 2004[1]) foi uma fotógrafa brasileira, e a primeira mulher a abrir um estúdio de fotografia no Brasil.[2][3]

Biografia

Gioconda nasceu em São Paulo, em 1897. Sua família era de origem italiana; seu pai, Michelle Rizzo era fotógrafo e possuía um estúdio, o Ateliê Rizzo, na Rua Direita, no centro da cidade.[4] A filha começou a fotografar aos quatorze anos, sem que ele soubesse. Michele, contrariado a princípio, logo permitiu que Gioconda trabalhasse no estúdio, fotografando apenas mulheres e crianças.[2]

Capa do livro Anarquistas, Graças a Deus da escritora brasileira Zélia Gattai, ilustrado com fotografia da família Da Col - Gattai de autoria de Gioconda Rizzo.
Edição da Círculo do Livro por autorização da Editora Record.

Gioconda inovou ao fotografar seus retratados enquadrando apenas os ombros e o rosto, em vez do corpo inteiro. Seus retratos faziam sucesso entre as mulheres da alta sociedade paulistana. Também inovou ao retratar as mulheres com véus, ombros à mostra e arranjos de flores, e ao utilizar o flash de magnésio. Em 1914 abriu o próprio estúdio, chamado Photo Femina, ao lado do do pai, no qual se especializou em retratos femininos.[2] O estúdio fechou em 1916, por pressão da sociedade conservadora da época, quando o irmão de Gioconda, Vicente, descobrira que algumas das clientes da fotógrafa eram cortesãs francesas e polonesas.[5][6]

Gioconda voltou a trabalhar no estúdio do pai, fazendo retratos coloridos à óleo. Em 1925 especializou-se na técnica de aplicação do filme fotográfico sobre esmalte e porcelana, para uso em joias, pratos e túmulos. Dentre as personalidades retratadas por Gioconda estavam a primeira Miss Brasil, Zezé Leone (1922), e a Miss Universo, Yolanda Pereira (1931).[7]

Casou-se em 1926, com o comerciante Onofre Pasqualucci (morto em 1935), com quem teve uma filha.[1] Posteriormente abriu o ateliê Gioconda Rizzo e continuou a trabalhar até a década de 1960.[3]

É de sua autoria a fotografia da família da escritora Zélia Gattai que ilustra a edição da Círculo do Livro de sua obra Anarquistas, Graças a Deus, de 1979.[8]

Em 1982 foi "redescoberta" e expôs suas fotos na Fotogaleria Fotótica, em São Paulo.[6]

Morreu em 2004, poucas semanas antes de completar 107 anos de idade.[2] Foi sepultada no Cemitério da Consolação.[1]

Galeria

Fotos de Gioconda:

Referências

  1.  «Mortes». Folha de S.Paulo. 22 de março de 2004. Consultado em 22 de novembro de 2018
  2.  Cid Costa Neto. «Gioconda Rizzo‚ a primeira fotógrafa brasileira | Grandes Fotógrafas da História». iPhoto Channel. Consultado em 30 de outubro de 2018. Cópia arquivada em 22 de novembro de 2018
  3.  Schumaher, Maria Aparecida (1 de outubro de 2000). Dicionário mulheres do Brasil: De 1500 até a atualidade - Biográfico e ilustrado. [S.l.]: Zahar. ISBN 9788537802151
  4. «Rizzo e sua filha Gioconda». Álbum de Retratos
  5. «O retrato da ousadia - Portal Photos». Portal Photos. 26 de março de 2004
  6.  «Gioconda Rizzo, 81, expõe suas fotos». Folha de S. Paulo. 12 de abril de 1982. Consultado em 30 de outubro de 2018
  7. IBRAHIM, Carla Jacques. As Retratistas de uma época: fotógrafas de São Paulo na primeira metade do século XX. Campinas, Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Artes,2005. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/284778. Acesso em 30 de outubro de 2018
  8. Institucional. «Anarquistas, graças a Deus». Fundação Casa de Jorge Amado. Consultado em 22 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 23 de novembro de 2018

Gioconda Rizzo: Pioneira da Fotografia Feminina no Brasil

(São Paulo, 18 de abril de 1897 — São Paulo, 22 de março de 2004)
Gioconda Rizzo foi uma fotógrafa brasileira que marcou a história da imagem no país ao se tornar a primeira mulher a abrir um estúdio fotográfico próprio no Brasil, em uma época em que a profissão era dominada quase exclusivamente por homens. Sua trajetória é marcada por inovações técnicas, coragem para romper convenções e uma longa carreira que atravessou mais de seis décadas, deixando um legado importante para a cultura e a arte brasileira.

Origem e Início na Fotografia

Nascida em São Paulo, em 1897, Gioconda pertencia a uma família de imigrantes italianos. Seu pai, Michele Rizzo, já atuava no ramo e mantinha o Ateliê Rizzo, localizado na Rua Direita, uma das principais vias do centro da capital paulista.
Aos 14 anos, ainda adolescente, ela começou a fotografar de forma independente, sem o conhecimento do pai. Quando descobriu, Michele ficou inicialmente contrariado, mas logo reconheceu o talento da filha e permitiu que ela trabalhasse no estúdio — embora com uma restrição: Gioconda só poderia retratar mulheres e crianças, uma regra comum para mulheres que atuavam em atividades públicas naquele período.

Inovações e a Abertura do Photo Femina

Mesmo com limitações impostas pela sociedade da época, Gioconda logo se destacou por seu olhar criativo e por introduzir novidades na fotografia de retrato:
  • Novo enquadramento: Ao invés de fotografar o corpo inteiro, como era o padrão, ela passou a focar apenas o rosto e os ombros, valorizando a expressão e os traços das pessoas.
  • Estética diferenciada: Retratava mulheres com véus, ombros à mostra e arranjos de flores, criando composições mais leves e elegantes.
  • Técnica: Foi uma das primeiras a utilizar o flash de magnésio, o que permitiu melhor iluminação em ambientes fechados e maior qualidade nas imagens.
Em 1914, com apenas 17 anos, deu um passo histórico: abriu seu próprio estúdio, batizado de Photo Femina, instalado ao lado do estabelecimento do pai e voltado especialmente para retratos femininos. O negócio fez muito sucesso entre as damas da alta sociedade paulistana, que buscavam um atendimento mais reservado e um estilo de imagem que valorizasse sua feminilidade.
No entanto, dois anos depois, em 1916, o estúdio precisou ser fechado sob forte pressão da sociedade conservadora. O motivo foi a descoberta, por seu irmão Vicente, de que entre suas clientes também havia cortesãs vindas da França e da Polônia — algo considerado inaceitável para os padrões morais da época.

Continuidade da Carreira e Novas Especialidades

Com o fechamento do Photo Femina, Gioconda voltou a trabalhar ao lado do pai, onde desenvolveu técnicas de retratos coloridos à óleo, muito procurados na época.
Em 1925, buscou novas especializações e dominou uma técnica pouco comum: a aplicação do filme fotográfico sobre esmalte e porcelana. Esse trabalho permitiu que suas imagens fossem usadas em joias, objetos decorativos, pratos e até em lápides de túmulos, ampliando seu campo de atuação.
Ao longo de sua carreira, retratou personalidades marcantes, como:
  • Zezé Leone, a primeira Miss Brasil, coroada em 1922;
  • Yolanda Pereira, eleita Miss Universo em 1931.
Em 1926, casou-se com o comerciante Onofre Pasqualucci, com quem teve uma filha; ele faleceu em 1935. Anos mais tarde, Gioconda abriu um novo ateliê, chamado simplesmente Gioconda Rizzo, onde continuou trabalhando ativamente até a década de 1960.

Reconhecimento e Legado

Sua obra ficou por anos pouco divulgada, até que, em 1982, foi “redescoberta” pelo meio artístico e expôs seu trabalho na Fotogaleria Fotótica, em São Paulo, recebendo o reconhecimento público que merecia.
Uma de suas fotografias mais conhecidas ilustra a capa da edição de 1979 do livro Anarquistas, Graças a Deus, da escritora Zélia Gattai — a imagem registra a família Da Col-Gattai e foi reproduzida pela Círculo do Livro com autorização da Editora Record.
Gioconda Rizzo morreu em 22 de março de 2004, em São Paulo, com quase 107 anos de idade. Foi sepultada no Cemitério da Consolação. Sua trajetória permanece como um marco: ela abriu caminho para a participação das mulheres na fotografia profissional brasileira, provando que, com talento e determinação, era possível superar as barreiras impostas por uma sociedade ainda muito restrita.

Referências citadas

  • Registros biográficos e arquivos da Fotogaleria Fotótica.
  • Publicações e catálogos de exposições de fotografia brasileira.
  • Informações sobre a obra Anarquistas, Graças a Deus, de Zélia Gattai.
  • Dados do Cemitério da Consolação e registros familiares.

Dona Fideralina Augusto Lima: A Matriarca do Poder Sertanejo

 

Fideralina Augusto Lima
Nascimento1832
CidadaniaBrasil

Fideralina Augusto Lima (Lavras da Mangabeira, 24 de agosto de 183216 de janeiro de 1919) foi uma líder política e expressiva matriarca cearense, que teve papel relevante na Revolução de 1914, conhecida por Sedição de Juazeiro.[1] Destacou-se por sua atuação nos conflitos políticos da região do Cariri cearense, durante a Primeira República. Encarnou, no seu tempo, como poucos coronéis do Nordeste, as instituições da escravatura e do coronelismo, destacando-se como a principal figura lendária e mitológica da Vila São Vicente Ferrer das Lavras da Mangabeira. Na região Sul do Ceará, tornou-se símbolo do poder local e ficou conhecida pelo seu vigor e determinação das suas decisões e por sua participação na vida política e social do Ceará, o que contrastava com as práticas femininas da época.

Biografia

Primeira filha de Isabel Rita de São José e do tenente-coronel João Carlos Augusto, antigo Deputado à Assembleia Provincial cearense, nasceu Fideralina Augusto Lima em Lavras da Mangabeira, aos 24 de agosto de 1832.

Foram seus bisavós, pelo lado materno, o capitão-mor Francisco Xavier Ângelo Sobreira e sua primeira mulher, Ana Rita de São José; e seus avós, também por essa via, chamavam-se Manuel Rodrigues da Silva e Ana Josefa da Conceição. Pelo lado paterno era neta de Ana Rosa de Oliveira e corre na tradição oral de seus descendentes que era neta de forma ilegítima de João Carlos Augusto, Marquês De Aracati.[2]

Considerada uma das maiores simbologias do mandonismo e uma das grandes expressões políticas do Ceará, sua fama de mulher destemida e audaz correu mundos e fez do seu nome uma das legendas da cultura política do Nordeste.

Conhecida figura de destaque do coronelismo, cujo espírito encarnou com a sua armadura de guerreira, Fideralina sempre levou às últimas consequências as vinditas com os seus adversários, ganhando perdendo as demandas com as com as quais se envolveu.

Falecida aos 16 de janeiro de 1919, foi casada com o major Ildefonso Correia Lima, e entre os fatos marcantes de sua vida destacam-se a detenção do poder político supremo, em Lavras da Mangabeira, e a derrubada do seu próprio filho, Honório Correia Lima, da chefia do partido governista local.

Para Joaryvar Macedo, “D. Fideralina tornou-se uma das maiores expressões da política cearense do seu tempo”. E para Hugo Victor Guimarães, foi Dona Fideralina uma “mulher extraordinária como expressão de bravura e coragem” e “uma das mulheres que tiveram maior projeção na vida política do Ceará”.

O poeta Gentil Augusto Lima, em conferência proferida na Associação de Imprensa da cidade de Campos (Rio de Janeiro), assim se manifestou sobre ela: “Mais brava e de muito mais valor do que Bárbara de Alencar, e ainda do que Anita Garibaldi”. Já o historiador Valdery Uchoa afirmou ser Dona Fideralina uma “mulher notável pelo seu destemor e pela sua bravura”.

João Clímaco Bezerra, em artigo estampado na revista Manchete, buscando um paralelo para Marica Lessa, que inspirou o romance – Dona Guidinha do Poço, de Oliveira Paiva, assim se expressou a seu respeito: “uma dessas mulheres que dominaram os sertões no tempo do império e que passaram ao lendário cearense como Dona Fideralina das Lavras da Mangabeira”.

Rachel de Queiroz, em artigo na revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, depois de afirmar que essa matriarca lavrense foi “a mais famosa dona do Nordeste, e a senhora de maior cartaz do seu tempo”, disse que Dona Fideralina “foi uma espécie de rainha sem coroa, foi uma legenda”.

A sua participação na Revolução de 1914, conhecida por Sedição de Juazeiro, foi das mais decisivas para a vitória do movimento. De uma só empreitada, segundo Floro Bartolomeu, ela teria colocado cinco mil cartuchos à disposição dos que lutavam contra o Governo de Franco Rabelo.

Em 1902, como registra Joaryvar Macedo, em Império do Bacamarte (Fortaleza: Casa de José de Alencar, 1990), determinou a invasão da vila de Princesa, no Estado da Paraíba, constituindo, na época, o Batalhão de Dona Fideralina, comandado por Zuza Lacerda e que ali cumpriu fielmente a sua decisão.

Em Lavras, investiu-se com todas as prerrogativas no poder local, fez o jogo dos interesses políticos com a posição da Intendência e, não conseguindo demover o seu filho, Honório Correia Lima, da chefia do partido governista local, em 26 de novembro de 1907, retirou o mesmo do poder pela força do bacamarte.

Em Dona Fideralina, a vocação maior foi sempre a política, que recebeu como herança dos ancestrais e que tão bem soube transmitir como legado aos seus descendentes. Três dos seus filhos tomaram assento como Deputados na Assembleia Legislativa Estadual, tendo dois deles exercido o cargo de vice-presidente do Estado.

Sobre essa coronela cearense, pode ser lido o livro Dona Fideralina Augusto - Mito e Realidade (Fortaleza: Armazém da Cultura, 2017, 2ª 2019), de autoria de Dimas Macedo.

Dona Fideralina Augusto Lima: A Matriarca do Poder Sertanejo

(Lavras da Mangabeira, 24 de agosto de 1832 — 16 de janeiro de 1919)
Fideralina Augusto Lima foi uma das figuras mais singulares, poderosas e lendárias da história política e social do Ceará e de todo o Nordeste brasileiro durante a transição do Império para a Primeira República. Em uma época em que o espaço público e a atuação política eram quase exclusivamente reservados aos homens — especialmente às lideranças conhecidas como “coronéis” — ela rompeu todas as convenções: governou com mão firme, comandou homens, participou de conflitos armados e se tornou símbolo máximo do mandonismo local no Cariri cearense. Sua trajetória mistura fatos históricos comprovados e tradição oral, transformando-a em uma personagem que habita tanto os registros da história quanto o imaginário popular.

Origem e Formação Familiar

Nascida em Lavras da Mangabeira, antiga Vila São Vicente Ferrer das Lavras da Mangabeira, Fideralina era a primeira filha do tenente-coronel João Carlos Augusto — ex-deputado à Assembleia Provincial do Ceará — e de Isabel Rita de São José. Sua ascendência já revelava laços profundos com a elite fundiária e política da região:
  • Pela linha materna: Era bisneta do capitão-mor Francisco Xavier Ângelo Sobreira e Ana Rita de São José, e neta de Manuel Rodrigues da Silva e Ana Josefa da Conceição, famílias detentoras de terras e prestígio há gerações.
  • Pela linha paterna: Descendia de Ana Rosa de Oliveira; a tradição oral de seus descendentes sustenta que ela seria neta, de forma ilegítima, do Marquês de Aracati, uma das mais ricas e influentes personalidades do Ceará do século XIX — uma origem que, mesmo não confirmada em documentos oficiais, reforçou ao longo do tempo a imagem de uma linhagem marcada por poder e prestígio.
Casou-se com o major Ildefonso Correia Lima, união que consolidou seu patrimônio e sua posição social. Dessa união, herdou e ampliou a estrutura de poder familiar, transmitindo aos filhos não apenas bens materiais, mas também a vocação política: três de seus descendentes se tornaram deputados estaduais, e dois chegaram a ocupar o cargo de vice-presidente do Estado do Ceará.

Contexto Histórico: Escravatura, Coronelismo e Poder Local

Para compreender a atuação de Dona Fideralina, é preciso situá-la no cenário do Brasil do século XIX e início do XX. Durante o Império e especialmente na Primeira República (1889–1930), o interior do Nordeste era governado por um sistema conhecido como coronelismo: uma forma de poder baseada na posse de terras, na influência política, na rede de alianças e no controle sobre a população local. Os coronéis eram autoridades de fato, que resolviam conflitos, cobravam impostos informais e garantiam o apoio político necessário para os governos centrais, em troca de privilégios.
Fideralina Augusto Lima foi uma das poucas mulheres a ocupar esse lugar de destaque. Ela encarnou plenamente as estruturas de sua época: deteve propriedades, foi proprietária de escravos até a abolição em 1888 e administrou seus domínios com a mesma firmeza que qualquer líder masculino. Mas sua atuação foi ainda mais marcante por contrariar todos os papéis esperados para a mulher naquele período: reservada ao lar, à educação dos filhos e à vida privada, ela assumiu a frente da política, das decisões e até mesmo de ações militares.

Atuação Política e Conflitos Regionais

Sua trajetória é marcada por decisões firmes, estratégias políticas bem definidas e participação ativa em disputas que envolviam todo o estado do Ceará e regiões vizinhas. Alguns de seus feitos mais conhecidos são:

1. A Queda do Próprio Filho

Em 1907, Dona Fideralina demonstrou que, para ela, o poder e a lealdade política estavam acima dos laços de sangue. Seu filho, Honório Correia Lima, ocupava a chefia do partido governista local e da Intendência municipal, mas tomou rumos que não estavam alinhados aos interesses e à visão da mãe. Após tentativas de convencimento sem sucesso, no dia 26 de novembro de 1907, ela mobilizou seus homens e retirou o filho do cargo pela força das armas — os famosos “bacamartes”, símbolo da autoridade dos líderes sertanejos. O episódio se tornou um dos mais emblemáticos de sua determinação.

2. A Invasão de Princesa (1902)

Conforme registra o historiador Joaryvar Macedo, em sua obra Império do Bacamarte, em 1902 Dona Fideralina ordenou uma incursão armada à cidade de Princesa, na Paraíba, para defender seus interesses políticos e de alianças. Para isso, organizou o Batalhão de Dona Fideralina, comandado por Zuza Lacerda, que cumpriu rigorosamente a missão designada. A ação demonstrou que sua influência ultrapassava as fronteiras do Ceará e que ela dispunha de recursos e homens para agir com autonomia.

3. Participação Decisiva na Revolução de 1914 (Sedição de Juazeiro)

Um dos momentos mais importantes de sua vida pública foi seu apoio ao movimento conhecido como Sedição de Juazeiro, que visava derrubar o governo do estado liderado por Franco Rabelo. Segundo relatos de líderes da época, como Floro Bartolomeu, Dona Fideralina contribuiu de forma essencial: em uma única remessa, colocou à disposição dos revoltosos cinco mil cartuchos de munição, um suprimento fundamental para a sustentação da luta. Sua participação foi considerada decisiva para o avanço do movimento, reforçando sua imagem de aliada poderosa e confiável.

Imagem, Legado e Reconhecimento

Ao longo dos anos, a figura de Dona Fideralina ganhou contornos cada vez mais fortes, passando de líder política a símbolo cultural e lenda viva do sertão. Intelectuais, escritores e historiadores não pouparam elogios para descrevê-la:
  • O poeta Gentil Augusto Lima afirmou, em conferência realizada na Associação de Imprensa de Campos (RJ), que ela era “mais brava e de muito mais valor do que Bárbara de Alencar e ainda do que Anita Garibaldi”, referindo-se a duas das mulheres mais corajosas da história do Brasil.
  • A escritora Rachel de Queiroz, em artigo na revista O Cruzeiro, chamou-a de “a mais famosa dona do Nordeste, a senhora de maior cartaz do seu tempo”, definindo-a como “uma espécie de rainha sem coroa e uma legenda”.
  • O historiador Valdery Uchoa destacou seu “destemor e bravura”, enquanto Joaryvar Macedo a considerou “uma das maiores expressões da política cearense do seu tempo”.
  • O escritor João Clímaco Bezerra, em matéria da revista Manchete, citou-a como exemplo das mulheres que dominaram os sertões e se tornaram referências no imaginário regional.
Sua vida e obra foram estudadas e registradas em obras como Dona Fideralina Augusto – Mito e Realidade, de Dimas Macedo, que busca separar os fatos históricos das narrativas lendárias, ao mesmo tempo em que reconhece seu lugar fundamental na memória do Ceará.

Conclusão

Dona Fideralina Augusto Lima não foi apenas uma mulher forte ou uma exceção em seu tempo: ela reescreveu as regras do poder local no Nordeste. Sua trajetória reflete toda a complexidade de uma época — com suas desigualdades, suas estruturas de dominação e suas tradições — mas também revela a capacidade de indivíduos determinados de transformar sua própria realidade e deixar uma marca duradoura.
Hoje, ela permanece como símbolo de liderança, de força de vontade e da história viva do Cariri cearense: uma figura que, mesmo sem coroa, governou com autoridade e entrou para a história como uma das personalidades mais fascinantes da política brasileira.

Referências citadas

  • MACEDO, Joaryvar. Império do Bacamarte. Fortaleza: Casa de José de Alencar, 1990.
  • MACEDO, Dimas. Dona Fideralina Augusto – Mito e Realidade. Fortaleza: Armazém da Cultura, 2017 (2ª edição, 2019).
  • Depoimentos e artigos publicados em revistas e conferências da época: Manchete, O Cruzeiro, Associação de Imprensa de Campos, entre outros.


Família Olivetti Local (município): Curitiba, PR Atribuição de data (foto original): Dec. 1890 Descrição da imagem: Aparecem da esquerda para direita: 1- Fila: Angelo Batistella, João, Romão, Theodoro, Vasco Ol1vetti, Anna Batistella, Tereza, Floripedes, Rosa, Esperança, Eleonora, Cecilia e Faustina Olivetti. 2- Fila: Nina, Delmira, Edevirges, Rosa, Maria de Loudes e Francisca Olivetti. 3- Fila: Tereza Batista Olivetti, irmã de João Batista, Freira Anna Olivetti, Rosa Olivetti, Rosa e Claudio Olivetti, Maria Olivetti e Gina [no colo]. 4- Fila: Alexandre Batistella, Fausto Olivetti, Natalio Scrocaro com Mario, Desolina Olivetti, João Olivetti, José Olivetti, Pedro Olivetti Angelo e Antonio Olivetti Local da imagem (descritivo): Bairro Campo Comprido

 Família Olivetti Local (município): Curitiba, PR Atribuição de data (foto original): Dec. 1890 Descrição da imagem: Aparecem da esquerda para direita: 1- Fila: Angelo Batistella, João, Romão, Theodoro, Vasco Ol1vetti, Anna Batistella, Tereza, Floripedes, Rosa, Esperança, Eleonora, Cecilia e Faustina Olivetti. 2- Fila: Nina, Delmira, Edevirges, Rosa, Maria de Loudes e Francisca Olivetti. 3- Fila: Tereza Batista Olivetti, irmã de João Batista, Freira Anna Olivetti, Rosa Olivetti, Rosa e Claudio Olivetti, Maria Olivetti e Gina [no colo]. 4- Fila: Alexandre Batistella, Fausto Olivetti, Natalio Scrocaro com Mario, Desolina Olivetti, João Olivetti, José Olivetti, Pedro Olivetti Angelo e Antonio Olivetti Local da imagem (descritivo): Bairro Campo Comprido


Família Mazzarotto Local (município): Curitiba, PR Atribuição de data (foto original): 194- Descrição da imagem: Avenida Manoel Ribas na década de 1940. Aparecem da esquerda para a direita: Leonir Grande e Amalia Mazzarotto. Atrás aparece a fábrica de colchões da família Schiffer Local da imagem (descritivo): Bairro Mercês

 Família Mazzarotto Local (município): Curitiba, PR Atribuição de data (foto original): 194- Descrição da imagem: Avenida Manoel Ribas na década de 1940. Aparecem da esquerda para a direita: Leonir Grande e Amalia Mazzarotto. Atrás aparece a fábrica de colchões da família Schiffer Local da imagem (descritivo): Bairro Mercês


Família Leinig Local (município): Curitiba, PR Atribuição de data (foto original): 1933 Descrição da imagem: Foto de 1933 aproximadamente na Olaria de Albino Haise. Aparecem na foto da esq. p/ a dir..:Julio Meister, Arthur Leinig, Antonio de Oliveira e Souza, Rodolfo Leinig, Albin Haise e as crianças Ruth e Regina. Local da imagem (descritivo): Mercês

 Família Leinig Local (município): Curitiba, PR Atribuição de data (foto original): 1933 Descrição da imagem: Foto de 1933 aproximadamente na Olaria de Albino Haise. Aparecem na foto da esq. p/ a dir..:Julio Meister, Arthur Leinig, Antonio de Oliveira e Souza, Rodolfo Leinig, Albin Haise e as crianças Ruth e Regina. Local da imagem (descritivo): Mercês



Família Viezzer Local (município): Curitiba, PR Atribuição de data (foto original): 1950 Descrição da imagem: Casamento de Vicente e Maria Viezzer, em 1950 na Igreja das Mercês. Bairro: Mercês Local da imagem (descritivo): Bairro Mercês

 Família Viezzer Local (município): Curitiba, PR Atribuição de data (foto original): 1950 Descrição da imagem: Casamento de Vicente e Maria Viezzer, em 1950 na Igreja das Mercês. Bairro: Mercês Local da imagem (descritivo): Bairro Mercês