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terça-feira, 23 de junho de 2026

Gioconda Rizzo: Pioneira da Fotografia Feminina no Brasil

 

Gioconda Rizzo
Gioconda Rizzo, em 2003, por Maíra Soares.
Nascimento
Morte
22 de março de 2004 (106 anos)

São Paulo, SP
Nacionalidadebrasileira
ProgenitoresPai: Michele Rizzo
CônjugeOnofre Pasqualucci
OcupaçãoFotógrafa
Principais trabalhosRetrato de Yolanda Pereira
Fotografia da família Da Col - Gattai

Gioconda Rizzo (São Paulo, 18 de abril de 1897 – São Paulo, 22 de março de 2004[1]) foi uma fotógrafa brasileira, e a primeira mulher a abrir um estúdio de fotografia no Brasil.[2][3]

Biografia

Gioconda nasceu em São Paulo, em 1897. Sua família era de origem italiana; seu pai, Michelle Rizzo era fotógrafo e possuía um estúdio, o Ateliê Rizzo, na Rua Direita, no centro da cidade.[4] A filha começou a fotografar aos quatorze anos, sem que ele soubesse. Michele, contrariado a princípio, logo permitiu que Gioconda trabalhasse no estúdio, fotografando apenas mulheres e crianças.[2]

Capa do livro Anarquistas, Graças a Deus da escritora brasileira Zélia Gattai, ilustrado com fotografia da família Da Col - Gattai de autoria de Gioconda Rizzo.
Edição da Círculo do Livro por autorização da Editora Record.

Gioconda inovou ao fotografar seus retratados enquadrando apenas os ombros e o rosto, em vez do corpo inteiro. Seus retratos faziam sucesso entre as mulheres da alta sociedade paulistana. Também inovou ao retratar as mulheres com véus, ombros à mostra e arranjos de flores, e ao utilizar o flash de magnésio. Em 1914 abriu o próprio estúdio, chamado Photo Femina, ao lado do do pai, no qual se especializou em retratos femininos.[2] O estúdio fechou em 1916, por pressão da sociedade conservadora da época, quando o irmão de Gioconda, Vicente, descobrira que algumas das clientes da fotógrafa eram cortesãs francesas e polonesas.[5][6]

Gioconda voltou a trabalhar no estúdio do pai, fazendo retratos coloridos à óleo. Em 1925 especializou-se na técnica de aplicação do filme fotográfico sobre esmalte e porcelana, para uso em joias, pratos e túmulos. Dentre as personalidades retratadas por Gioconda estavam a primeira Miss Brasil, Zezé Leone (1922), e a Miss Universo, Yolanda Pereira (1931).[7]

Casou-se em 1926, com o comerciante Onofre Pasqualucci (morto em 1935), com quem teve uma filha.[1] Posteriormente abriu o ateliê Gioconda Rizzo e continuou a trabalhar até a década de 1960.[3]

É de sua autoria a fotografia da família da escritora Zélia Gattai que ilustra a edição da Círculo do Livro de sua obra Anarquistas, Graças a Deus, de 1979.[8]

Em 1982 foi "redescoberta" e expôs suas fotos na Fotogaleria Fotótica, em São Paulo.[6]

Morreu em 2004, poucas semanas antes de completar 107 anos de idade.[2] Foi sepultada no Cemitério da Consolação.[1]

Galeria

Fotos de Gioconda:

Referências

  1.  «Mortes». Folha de S.Paulo. 22 de março de 2004. Consultado em 22 de novembro de 2018
  2.  Cid Costa Neto. «Gioconda Rizzo‚ a primeira fotógrafa brasileira | Grandes Fotógrafas da História». iPhoto Channel. Consultado em 30 de outubro de 2018. Cópia arquivada em 22 de novembro de 2018
  3.  Schumaher, Maria Aparecida (1 de outubro de 2000). Dicionário mulheres do Brasil: De 1500 até a atualidade - Biográfico e ilustrado. [S.l.]: Zahar. ISBN 9788537802151
  4. «Rizzo e sua filha Gioconda». Álbum de Retratos
  5. «O retrato da ousadia - Portal Photos». Portal Photos. 26 de março de 2004
  6.  «Gioconda Rizzo, 81, expõe suas fotos». Folha de S. Paulo. 12 de abril de 1982. Consultado em 30 de outubro de 2018
  7. IBRAHIM, Carla Jacques. As Retratistas de uma época: fotógrafas de São Paulo na primeira metade do século XX. Campinas, Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Artes,2005. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/284778. Acesso em 30 de outubro de 2018
  8. Institucional. «Anarquistas, graças a Deus». Fundação Casa de Jorge Amado. Consultado em 22 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 23 de novembro de 2018

Gioconda Rizzo: Pioneira da Fotografia Feminina no Brasil

(São Paulo, 18 de abril de 1897 — São Paulo, 22 de março de 2004)
Gioconda Rizzo foi uma fotógrafa brasileira que marcou a história da imagem no país ao se tornar a primeira mulher a abrir um estúdio fotográfico próprio no Brasil, em uma época em que a profissão era dominada quase exclusivamente por homens. Sua trajetória é marcada por inovações técnicas, coragem para romper convenções e uma longa carreira que atravessou mais de seis décadas, deixando um legado importante para a cultura e a arte brasileira.

Origem e Início na Fotografia

Nascida em São Paulo, em 1897, Gioconda pertencia a uma família de imigrantes italianos. Seu pai, Michele Rizzo, já atuava no ramo e mantinha o Ateliê Rizzo, localizado na Rua Direita, uma das principais vias do centro da capital paulista.
Aos 14 anos, ainda adolescente, ela começou a fotografar de forma independente, sem o conhecimento do pai. Quando descobriu, Michele ficou inicialmente contrariado, mas logo reconheceu o talento da filha e permitiu que ela trabalhasse no estúdio — embora com uma restrição: Gioconda só poderia retratar mulheres e crianças, uma regra comum para mulheres que atuavam em atividades públicas naquele período.

Inovações e a Abertura do Photo Femina

Mesmo com limitações impostas pela sociedade da época, Gioconda logo se destacou por seu olhar criativo e por introduzir novidades na fotografia de retrato:
  • Novo enquadramento: Ao invés de fotografar o corpo inteiro, como era o padrão, ela passou a focar apenas o rosto e os ombros, valorizando a expressão e os traços das pessoas.
  • Estética diferenciada: Retratava mulheres com véus, ombros à mostra e arranjos de flores, criando composições mais leves e elegantes.
  • Técnica: Foi uma das primeiras a utilizar o flash de magnésio, o que permitiu melhor iluminação em ambientes fechados e maior qualidade nas imagens.
Em 1914, com apenas 17 anos, deu um passo histórico: abriu seu próprio estúdio, batizado de Photo Femina, instalado ao lado do estabelecimento do pai e voltado especialmente para retratos femininos. O negócio fez muito sucesso entre as damas da alta sociedade paulistana, que buscavam um atendimento mais reservado e um estilo de imagem que valorizasse sua feminilidade.
No entanto, dois anos depois, em 1916, o estúdio precisou ser fechado sob forte pressão da sociedade conservadora. O motivo foi a descoberta, por seu irmão Vicente, de que entre suas clientes também havia cortesãs vindas da França e da Polônia — algo considerado inaceitável para os padrões morais da época.

Continuidade da Carreira e Novas Especialidades

Com o fechamento do Photo Femina, Gioconda voltou a trabalhar ao lado do pai, onde desenvolveu técnicas de retratos coloridos à óleo, muito procurados na época.
Em 1925, buscou novas especializações e dominou uma técnica pouco comum: a aplicação do filme fotográfico sobre esmalte e porcelana. Esse trabalho permitiu que suas imagens fossem usadas em joias, objetos decorativos, pratos e até em lápides de túmulos, ampliando seu campo de atuação.
Ao longo de sua carreira, retratou personalidades marcantes, como:
  • Zezé Leone, a primeira Miss Brasil, coroada em 1922;
  • Yolanda Pereira, eleita Miss Universo em 1931.
Em 1926, casou-se com o comerciante Onofre Pasqualucci, com quem teve uma filha; ele faleceu em 1935. Anos mais tarde, Gioconda abriu um novo ateliê, chamado simplesmente Gioconda Rizzo, onde continuou trabalhando ativamente até a década de 1960.

Reconhecimento e Legado

Sua obra ficou por anos pouco divulgada, até que, em 1982, foi “redescoberta” pelo meio artístico e expôs seu trabalho na Fotogaleria Fotótica, em São Paulo, recebendo o reconhecimento público que merecia.
Uma de suas fotografias mais conhecidas ilustra a capa da edição de 1979 do livro Anarquistas, Graças a Deus, da escritora Zélia Gattai — a imagem registra a família Da Col-Gattai e foi reproduzida pela Círculo do Livro com autorização da Editora Record.
Gioconda Rizzo morreu em 22 de março de 2004, em São Paulo, com quase 107 anos de idade. Foi sepultada no Cemitério da Consolação. Sua trajetória permanece como um marco: ela abriu caminho para a participação das mulheres na fotografia profissional brasileira, provando que, com talento e determinação, era possível superar as barreiras impostas por uma sociedade ainda muito restrita.

Referências citadas

  • Registros biográficos e arquivos da Fotogaleria Fotótica.
  • Publicações e catálogos de exposições de fotografia brasileira.
  • Informações sobre a obra Anarquistas, Graças a Deus, de Zélia Gattai.
  • Dados do Cemitério da Consolação e registros familiares.