quarta-feira, 24 de junho de 2026

Os Bazares Cobertos de Bucara: Herança da Rota da Seda

 

Entrada sul do Taq-i Zargaron
Tim Abdullakhan
Taq-i Telpak Furushon
Taq-i Sarrafon

Os bazares cobertos de Bucara são um conjunto de bazares cobertos com cúpulas situados na parte histórica da cidade de Bucara, Usbequistão. A construção desses espaços comerciais tradicionais remonta ao século XVI, quando a cidade se tornou a capital do Canato de Bucara, governado pela dinastia xaibânida. Sendo a cidade um ponto importante de troca de mercadorias na Rota da Seda, os bazares, chamados localmente taqs e tims, eram extremamente ativos e encontram-se em algumas das ruas principais. Entre os mais notáveis destacam-se Taq-i Zargaron, Tim Abdullakhan, Taq-i Telpak Furushon e Taq-i Sarrafon.[1]

Taq-i Zargaron

Coordenadas: 39° 46' 35" N 64° 25' E

Também chamado ou grafado Chorsu, Chakhar suk, Taki-Zargaron e Toki-Zargaron, situa-se a norte do conjunto monumental Po-i Kalyan, é o maior e mais antigo bazar coberto de Bucara.[2] Zargar ou zargaron significa "joalheiro" ou ourives, pelo que pode traduzir-se como "Mercado dos Joalheiros" ou "Mercado dos Ourives". Segundo Khafizi Tanysh, um cronista do século XVI, foi construído em 1569–1570 no local onde existia um antigo bazar chamado Chorsu. Em tempos chegou a ter 36 lojas e oficinas.[3] A sua cúpula principal tem a particularidade de ser ligeiramente e ter nervuras salientes verticais.[4] Atualmente, as lojas vendem sobretudo joias, lenços e diversos acessórios domésticos, como maçanetas de portas típicas de Bucara, campainhas, ferraduras para dar sorte, etc.[2]

Tim Abdullakhan

Coordenadas: 39° 46' 32" N 64° 25' 2" E

Situado cerca de cem metros a sul do Taq-i Zargaron, foi construído em 1577, durante o reinado de Abedalá Cã II (r. 1583–1598), o último monarca xaibânida de Bucara, que governou a cidade a partir de 1557.[1] Na altura em que foi construído, a rua onde se situa tinha uma profusão de tendas e caravançarais.[3] A cúpula principal assenta sobre uma base octogonal e é rodeada por uma galeria coberta por pequenas cúpulas.[4] A arquitetura é bastante diferente dos restantes bazares cobertos de Bucara. Foi construído de forma a que tivesse boa iluminação natural, graças a pequenas janelas e orifícios nas cúpulas. e que a temperatura no seu interior se mantivesse fresca durante todo o ano. Durante vários séculos as principais mercadorias comercializadas eram vestuário e tapetes, uma tradição que se mantém,[1] embora atualmente também se vendem muitos outros bens.[4]

Taq-i Telpak Furushon

Coordenadas: 39° 46' 26" N 64° 25' 2.5" E

Também grafado Toki Telpak Furushon, situa-se a sudeste e na na mesma rua do Tim Abdullakhan e dá para mais quatro ruas. As ruas são ligadas no interior do bazar por corredores orientados radialmente, que passam entre os seis pilares que suportam a cúpula central. Esta tem 14,5 metros de diâmetro tem uma claraboia dodecaédrica. Em redor do salão central há galerias com nichos e armazéns dispostas em doze eixos radiais.[3] A planta é hexagonal e tem cerca de 40 metros de diâmetro. O bazar foi construído no fim do século XVI e começou por ser conhecido como Kitab-Furushon, devido a nele se venderem sobretudo livros (kitab significa livro em usbeque). Com o passar do tempo,[2] as lojas de livros passaram a ser lojas de chapéus, lenços e outros adereços de luxo para a cabeça, como gorros bordados a ouro e joias, chapéus de pele e turbantes habilmente enrolados.[3] Atualmente, grande parte do negócio são recordações e artesanato orientado principalmente para turistas.[2]

Taq-i Sarrafon

Coordenadas: 39° 46' 21" N 64° 25' 7" E

Também grafado Toki-Sarrofon e Taq-i Sarrafan, situa-se a sudeste do Taq-i Telpak Furushon, junto ao conjunto monumental Lyab-i Hauz, ao lado dum antigo aryk (vala de irrigação), que atualmente corre num canal de cimento,[3] o Shah Rud. Foi construído no final do século XVI, provavelmente na década de 1580, por Abedalá Cã II, monarca do Canato de Bucara entre 1583 - 1598.[5]

O seu nome significa "mercado dos cambistas", pois era ali que funcionava um dos maiores centros de troca de moeda da Ásia Central, frequentado por mercadores das mais diversas nacionalidades, nomeadamente indianos e chineses.[2] Outro dos negócios do bazar era a usura, uma atividade que era realizada por mercadores hindus e judeus, pois os muçulmanos estavam proibidos de a exercer.[4] Atualmente o principal negócio é a venda de tapetes, lenços e recordações turísticas.[2]

Referências

  1.  «Trading domes of Bhukhara» (em inglês). central-asia.guide. Consultado em 25 de maio de 2021
  2.  «Trading domes, Bukhara» (em inglês). www.advantour.com. Consultado em 9 de janeiro de 2021
  3.  Page, Dmitriy (14 de abril de 2007). «The Guide to Bukhara. History and sights» (em inglês). pagetour.org. Consultado em 9 de janeiro de 2021
  4.  «Trading domes of Bukhara» (em inglês). www.people-travels.com. Consultado em 9 de janeiro de 2021
  5. «Taq-i Sarrafan Dome, Bukhara, Uzbekistan» (em inglês). Asian Historical Architecture. www.orientalarchitecture.com. Consultado em 27 de janeiro de 2021

Os Bazares Cobertos de Bucara: Herança da Rota da Seda

Os bazares cobertos de Bucara formam um conjunto único de espaços comerciais tradicionais, caracterizados por suas imponentes cúpulas e localizados no coração da parte histórica da cidade de Bucara, no Usbequistão. Sua construção remonta ao século XVI, período em que Bucara se tornou a capital do poderoso Canato de Bucara, sob o governo da dinastia xaibânida. Nessa época, a cidade ocupava uma posição estratégica fundamental como ponto de encontro e troca de mercadorias ao longo da famosa Rota da Seda, a rota comercial que ligava a Ásia à Europa e ao Oriente Médio.
Chamados localmente de taqs e tims — termos que designam estruturas cobertas com cúpula, especialmente destinadas ao comércio — esses espaços eram centros econômicos e sociais extremamente movimentados, distribuídos ao longo das principais vias da cidade. Até hoje, mantêm grande parte de sua arquitetura original e continuam em funcionamento, servindo como elo vivo entre o passado glorioso da Rota da Seda e a realidade atual. Entre os mais importantes e bem preservados, destacam-se quatro conjuntos: Taq-i Zargaron, Tim Abdullakhan, Taq-i Telpak Furushon e Taq-i Sarrafon.

Taq-i Zargaron

Também conhecido por grafias variadas como Chorsu, Chakhar Suk, Taki-Zargaron ou Toki-Zargaron, o Taq-i Zargaron é considerado o maior e mais antigo bazar coberto de Bucara. Ele se situa ao norte do famoso conjunto monumental Po-i Kalyan, uma das áreas mais simbólicas da cidade histórica.
Seu nome tem significado direto: zargar ou zargaron significa “joalheiro” ou “ourives”, portanto, o local pode ser traduzido como “Mercado dos Joalheiros” ou “Mercado dos Ourives”. De acordo com o cronista do século XVI Khafizi Tanysh, a construção foi erguida entre 1569 e 1570, no mesmo lugar onde já existia um antigo centro comercial chamado Chorsu. Em seu auge, o bazar abrigava cerca de 36 lojas e oficinas especializadas.
Sua arquitetura apresenta uma característica marcante: a cúpula principal tem formato ligeiramente achatado e é reforçada por nervuras verticais bem salientes, que garantem sua resistência e conferem um visual distinto. Atualmente, embora continue ligado à sua tradição original, o comércio se diversificou: além de joias, os visitantes encontram lenços de tecidos finos, acessórios para decoração e uso doméstico, como maçanetas e campainhas feitas com o estilo tradicional de Bucara, além de ferraduras que, segundo a crença local, trazem boa sorte.

Tim Abdullakhan

Localizado aproximadamente 100 metros ao sul do Taq-i Zargaron, o Tim Abdullakhan foi concluído em 1577, durante o governo de Abedalá Cã II — o último monarca da dinastia xaibânida, que exerceu o poder efetivo sobre Bucara de 1557 a 1598. Na época de sua construção, a rua onde ele se encontrava já era uma via muito movimentada, repleta de tendas, depósitos e caravançarais, locais de parada e hospedagem para mercadores e suas caravanas.
Sua estrutura arquitetônica difere bastante dos demais bazares cobertos da cidade. A cúpula principal repousa sobre uma base de formato octogonal e é cercada por uma ampla galeria, coberta por pequenas cúpulas secundárias. Os construtores projetaram o espaço com grande atenção ao conforto térmico e à iluminação: pequenas janelas e aberturas nas cúpulas permitem a entrada de luz natural suficiente, ao mesmo tempo que mantêm o ar fresco no interior durante todo o ano, mesmo nos meses mais quentes.
Durante séculos, o Tim Abdullakhan foi o principal centro de comércio de vestuário e tapetes, produtos que ainda hoje são encontrados em suas lojas. Ao longo do tempo, a variedade de mercadorias aumentou, incluindo também artigos artesanais e produtos regionais que atendem tanto aos moradores quanto aos turistas.

Taq-i Telpak Furushon

Também grafado como Toki Telpak Furushon, esse bazar fica a sudeste do Tim Abdullakhan, na mesma rua, e se destaca por sua localização estratégica: ele funciona como um ponto de encontro para mais quatro vias principais da cidade. Internamente, as ruas são conectadas por corredores dispostos de forma radial, que passam entre seis grandes pilares que sustentam a cúpula central.
Essa cúpula tem 14,5 metros de diâmetro e é perfurada por uma claraboia em formato dodecaédrico, que ilumina todo o salão principal. Ao redor desse espaço central, existem galerias com nichos e áreas de armazenamento organizadas em doze eixos radiais. No total, o edifício tem planta hexagonal e cerca de 40 metros de diâmetro, o que lhe confere uma dimensão imponente.
Construído no final do século XVI, ele recebeu inicialmente o nome de Kitab-Furushon, pois ali se comercializavam principalmente livros e manuscritos — kitab significa “livro” no idioma usbeque. Com o passar dos anos, a atividade comercial mudou: as lojas de livros deram lugar a estabelecimentos especializados em chapéus, lenços, gorros bordados com fios de ouro, joias, chapéus de pele e turbantes confeccionados com técnicas tradicionais. Hoje, a maior parte do comércio é voltada ao turismo, com a venda de lembranças, artesanato local e produtos típicos da cultura da Ásia Central.

Taq-i Sarrafon

Conhecido também como Toki-Sarrofon ou Taq-i Sarrafan, esse bazar situa-se mais a sudeste, próximo ao Taq-i Telpak Furushon e ao conjunto monumental Lyab-i Hauz. Ele foi construído no final do século XVI, provavelmente na década de 1580, por ordem de Abedalá Cã II. Ao lado do edifício corre o canal Shah Rud, antigo sistema de irrigação que originalmente era uma vala natural, hoje revestida de concreto, mas que ainda faz parte da paisagem da região.
Seu nome significa “Mercado dos Cambistas”, pois, durante séculos, ele foi um dos maiores centros de troca de moeda de toda a Ásia Central. Mercadores de diversas nacionalidades — indianos, chineses, persas e europeus — convergiam ali para realizar transações e converter suas moedas. Além do câmbio, o local também era conhecido pela prática de empréstimos e juros, atividade exercida principalmente por comerciantes hindus e judeus, já que as leis religiosas muçulmanas da época proibiam a cobrança de juros.
Com o fim da Rota da Seda e as mudanças econômicas ao longo dos séculos, sua função original deixou de existir. Atualmente, o Taq-i Sarrafon continua ativo, com lojas que vendem tapetes, tecidos, lenços e uma ampla variedade de lembranças e produtos artesanais para visitantes.

Importância Histórica e Cultural

Os bazares cobertos de Bucara não são apenas edifícios antigos: eles representam um testemunho vivo da riqueza, da diversidade e da troca cultural que marcaram a Rota da Seda. Suas estruturas bem conservadas, adaptadas ao clima e às necessidades comerciais da época, mostram a engenhosidade da arquitetura da Ásia Central. Hoje, continuam sendo espaços de encontro, onde a tradição do comércio convive com o turismo, mantendo viva a memória de um dos períodos mais brilhantes da história de Bucara.

A distribuição é o número de municípios do Paraná em 1948 era muito diferente em comparação com os dias de hoje.

 A distribuição é o número de municípios do Paraná em 1948 era muito diferente em comparação com os dias de hoje.


As velhas e boas locomotivas a vapor - Maria Fumaça e funcionários da Rede Ferroviária de Ponta Grossa.

 As velhas e boas locomotivas a vapor - Maria Fumaça e funcionários da Rede Ferroviária de Ponta Grossa.


1849-1894 - BARÃO DO SERRO AZUL

 1849-1894 - BARÃO DO SERRO AZUL



Por ocasião do primeiro aniversário de falecimento do Barão do Serro Azul, Ildefonso Pereira Correia (Paranaguá, 6 de agosto de 1849 – Morretes, 20 de maio de 1894), a sua esposa, a Baronesa do Serro Azul, fez publicar no semanário “Commercio de Iguape”, editado na cidade paulista de igual nome, em sua edição de número 966, de 19 de maio de 1895, o seguinte comunicado:

“Barão do Serro Azul – A Baroneza do Serro Azul (ausente), fervorosa devota do Senhor Bom Jesus, manda rezar nos dias 20, 21, 22, 23 e 24 do corrente, na Matriz desta cidade, às 8 horas da manhã, missas por alma de seu falecido esposo Barão do Serro Azul, seguindo-se apóz a ultima missa no dia 24, encommendação e Liberamé, findo o qual destribuir-se-ão esmolas para vinte e cinco pobres.” (Grafia da época)

Durante a Revolução Federalista, o Barão do Serro Azul, juntamente com outras cinco destacadas pessoas de Curitiba, por ordem do general Éwerton de Quadros, foram sumariamente executadas, sem qualquer processo legal, ou mesmo acusação formal.
Pesquisa: Roberto Fortes (Iguape)
Foto: Composição AlmirSS (recorte de jornal/foto do acervo IHGP) 

Deus, eu não sei se o Senhor tem Facebook, se tem tempo livre para ler palavras escritas por mãos humanas, ou se ao menos sabe, lá no alto, que eu existo. Mas hoje eu quero falar só de uma coisa: do meu cachorro, o Lennon.

 

Deus, eu não sei se o Senhor tem Facebook, se tem tempo livre para ler palavras escritas por mãos humanas, ou se ao menos sabe, lá no alto, que eu existo. Mas hoje eu quero falar só de uma coisa: do meu cachorro, o Lennon.


Deus, eu não sei se o Senhor tem Facebook, se tem tempo livre para ler palavras escritas por mãos humanas, ou se ao menos sabe, lá no alto, que eu existo. Mas hoje eu quero falar só de uma coisa: do meu cachorro, o Lennon.
Ele é aquele cão majestoso, sempre com um sorriso no rosto e de uma beleza que encanta, naquela foto que guardo com tanto carinho. Tão bonito, aliás, que não conquistou só os corações de nós, pessoas: até os outros cães pareciam olhar para ele com admiração, segui-lo e querer ser como ele.
E eles tinham toda a razão. O Lennon levou a sério, com toda a sua alma, a sua vocação de cão pastor. Ele cuidou de mim, guiou os meus passos e me protegeu de tudo o que pudesse me fazer mal. Ficou ao meu lado, atento e forte, mesmo nos dias em que ninguém mais queria estar perto. Para ele, eu era o rebanho mais precioso de todos — e fui guardado com uma lealdade sem limites, uma firmeza que nunca vacilou e, sim, até com um ciúme doce e protetor, que parecia não ter fim.
Assim como o seu amor por mim, ele fazia de tudo só para me ver feliz. Prestava atenção a cada palavra que eu dizia, com aqueles olhos grandes e brilhantes, como se entendesse cada sentimento, mesmo que não compreendesse as palavras. Dançava, se jogava e rolava pelo chão, fazia as maiores palhaçadas — mesmo sendo um dos seres mais inteligentes e nobres que eu já conheci. Caminhava ao meu lado sem precisar de guia ou coleira, pulava no meu colo como se fosse um filhote pequeno, chegava até a comer mesmo sem ter fome, só para me agradar, e depois olhava de lado, com aquele olhar doce, como um filho esperando a minha aprovação. É impossível não se sentir amado e especial quando se recebe o carinho de uma criatura tão pura e linda.
Estou contando tudo isso, Deus, porque hoje o câncer o levou para longe dos meus braços. Eu e minha namorada fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para segurá-lo mais tempo com a gente. Preparávamos comidas especiais, uma atrás da outra, para vencer a perda de apetite que a quimioterapia causava. Dávamos remédio e alimento na boca, com todo o cuidado. Nos seus últimos dias, eu o carreguei nos meus braços por todos os cantos da casa, como se quisesse guardar cada segundo ao seu lado. Falei baixinho no seu ouvido o quanto ele era amado e que eu nunca, em hipótese alguma, o deixaria sozinho. Fui forte por ele, assim como tantas vezes ele foi a minha força. Segurei a sua patinha, que já estava fraca e trêmula, e fiquei ali, junto dele, até o último batimento do seu coração bondoso.
Ele já deve estar chegando aí, onde o Senhor mora. Peço de todo o coração: brinque com ele, deixe-o correr por gramados verdes e infinitos, role com ele, cante aquelas musiquinhas bobas que ele tanto gostava, tire muitas “selfies” e coce bem a sua barriga — sabe, todas essas coisas simples, pequenas, mas que enchiam os nossos dias de tanta alegria.
Por favor, cuide bem do meu cãozinho, com todo o carinho que ele merece, até chegar o dia em que eu também possa ir para aí e abraçá-lo de novo.
E para ser merecedor desse reencontro, eu prometo: vou me esforçar cada dia para ser um homem melhor. Vou levar comigo o exemplo do Lennon, porque ele foi, sem dúvida nenhuma, o melhor de todos os meninos.


terça-feira, 23 de junho de 2026

Rua Ubaldino do Amaral - Alto da Rua XV Ano 1949

 Rua Ubaldino do Amaral - Alto da Rua XV Ano 1949


A Rua XV de Novembro, com automóveis pioneiros, em 1918.

 A Rua XV de Novembro, com automóveis pioneiros, em 1918.


O primeiro predinho da Estação Ferroviária de Curitiba, em foto de Marc Ferrez, da década de 1880. Foto: Acervo Biblioteca Nacional,

 O primeiro predinho da Estação Ferroviária de Curitiba, em foto de Marc Ferrez, da década de 1880. Foto: Acervo Biblioteca Nacional,


ÍNDIOS COROADOS DO PARANÁ

 ÍNDIOS COROADOS DO PARANÁ



Foto inserida no Almanach do Paraná de 1902, pelo editor Romário Martins, com o título "Índios Coroados". Em breve texto, ele diz:

"Uma das mais bellas e enérgicas raças selvagens do nosso Estado, é, sem duvida, a dos Coroados.
O seo mais prestigioso chefe é, decerto, o Cacique , que a diversas commissões exploradoras do nosso sertão de Oeste tem prestado o seo profícuo e decidido concurso. Ainda ultimamente auxiliou a construcção da nova estrada á Colonia Militar do Iguassú.
O Governo do Estado, vem de ceder-lhe e a sua gente, (mais de 500 pessoas) um tracto de terras de 15.000 hectares.".

Paulo Grani. 

O CARNAVAL EM CURITIBA ANTIGAMENTE

 O CARNAVAL EM CURITIBA ANTIGAMENTE



"O carnaval era comemorado em Curitiba antes mesmo da emancipação política da província, em 1853. Até aquele momento, o Carnaval era conhecido como “entrudo”, e os participantes se limitavam a molhar uns aos outros. “As pessoas não se organizavam em blocos nem usavam fantasias: apenas passavam o carnaval atirando todo o tipo de líquido uns nos outros durante os dias de festa”, escreveu Felipe Ferreira no “Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro” (Rio de Janeiro: Ediouro, 2004).

Em 1868, ainda inspirado pelo entrudo, surge em Curitiba o Bando Carnavalesco do Mahomet e, em 1875, Os Títeres do Diabo e Os Bohêmios. O espírito selvagem que caracterizava as brincadeiras do entrudo desapareceu gradativamente. Colaborou para isso o fato de que as autoridades passaram a policiar comportamentos excessivos como comprova a declaração assinada em 14 de fevereiro de 1868 pelo secretário de polícia João Ricardo Guimarães e que foi publicada no jornal 19 de Dezembro. O texto recomendava aos foliões a fiel observância do art. 86 da lei nº 79 de 11 de junho de 1861, que proibia a venda de “limão de cheiro” pelo Entrudo, assim como os mais jogos destes, declarando que os contraventores seriam punidos com as penas do mesmo artigo e nas mais que porventura incorressem.

O jornalista Jorge Narozniak escreveu sobre a festa em Curitiba: “imperava o entrudo desabrido, entrando em cena os limões, os baldes e até as pipas de água. Assim foram as farras enaltecedoras de Momo aqui realizadas de 1853 a 1862”. Apesar disso, no dia 27 de fevereiro de 1854 (Sábado de Aleluia) foi realizado o primeiro baile de máscaras de Curitiba, que contou com a presença de membros da elite local. “O evento aconteceu no Teatro de Curitiba na rua Direita, ou rua dos Alemães – a atual rua 13 de Maio. De acordo com o jornal O Dia, o baile foi alegrado por uma boa orquestra, pondo termo às danças um vertiginoso Galope Infernal”. Galope Infernal era o nome de um tema musical-performático do maestro Philippe Musard, que eletrizou o público parisiense em 1839, e foi um dos primeiros modismos musicais franceses a ser copiado em outros países. Quase trinta anos depois, a moda foi celebrada em Curitiba.

Mas até 1894 ainda era possível encontrar referências ao entrudo na imprensa local, como foi o caso de uma nota lançada no 19 de Dezembro. “Seguindo a mesma norma do ano precedente, o tríduo carnavalesco e folgazão aboliu o uso da água, dos pés, das seringas e das laranjinhas. Também foi acrescido o número de pessoas travestidas e mascaradas nas ruas. O animador dos festejos foi o doutor Tertuliano Teixeira de Freitas. Destaque para os blocos Beduínos e Zuaces, que distribuíam máximas e pensamentos impressos. Queriam ser úteis até mesmo brincando”, destacou o jornalista e pesquisador Jorge Narozniak.

Independente disso, os bailes carnavalescos ganhavam forças nos clubes, inclusive os formados por imigrantes. Bailes de carnaval se tornaram obrigatórios “no Clube Curitibano, na Sociedade Verein Thalia, no 14 de Janeiro, no Clube dos Democráticos, no Cassino Curitibano, no Vítor Emanuel III, no Elite Clube, no Clube XV de Novembro e no Teatro Hauer”. O repertório musical dessas tertúlias consistia em valsas, polcas e modinhas.

Corso
O corso era um desfile alegórico de veículos caracterizados com temas carnavalescos. Neles desfilavam os foliões. A tradição teve início no final do século XIX e atingiu seu auge nos anos 20 e 30 do século XX. O local escolhido para o desfile foi a rua XV de Novembro. Segundo Vanessa Maria Rodrigues Viacava em seu estudo “Samba Quente, Asfalto Frio: uma etnografia entre as escolas de samba de Curitiba”, as janelas e sacadas dos prédios laterais eram alugadas para famílias inteiras que assistiam os desfiles. A procura era tanta que a prefeitura chegou a cobrar uma taxa por esses aluguéis. Um bom exemplo visual desse período pode ser visto no filme O Carnaval em Curityba, de 1910, de Aníbal Requião. O tema seria retomado em 1926 por João Baptista Groff (A Cinemateca de Curitiba exibirá o filme neste sábado, dia 14).

Viacava lembra que em 1919 um folião contou as alegorias, que passaram pela rua XV: foram 623, ao todo, sendo 573 automóveis, 39 caminhões e 11 carrocinhas. Dez anos depois, isso inspirou a Câmara Municipal a sugerir a cobrança de uma taxa sobre os veículos que participassem do evento, com o objetivo de destinar a renda auferida ao Asilo São Luz, mas a possibilidade foi rechaçada pelo então prefeito Eurides Cunha, que classificou a proposta como antipática e odiosa. Segundo ele, além da cobrança configurar uma bitributação, o asilo já recebia donativos oficiais.

“O corso em Curitiba teve seus períodos áureos. Os carros desfilavam num circuito entre a Praça Ozório, a rua XV e a praça Santos Andrade, onde as batalhas de confete e serpentina eram tão violentas que, por vezes, era necessária uma trégua provisória para que os garis da prefeitura limpassem o campo de batalha”, lembrou José Cadilhe de Oliveira, fundador da escola de samba Embaixadores da Alegria.

Uma personagem que marcou o carnaval curitibano foi o jornalista e ilustrador Alceu Chichorro, autor das personagens Fumaça, Marcelina e Totó. Chichorro tinha o costume de desenhar figuras públicas caracterizadas com trajes carnavalescos e sempre em companhia dos três personagens que alcançaram sucesso inclusive em jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Lorde Kananga
Figuras típicas que se dedicaram à tradição do corso ficaram marcadas na memória da população de Curitiba, como o caso da família Reis, composta pelo patriarca João e pelos filhos Cláudio, Moacir, Raul, Dionéia e Iná, que montavam carros alegóricos em um barracão na Cândido de Abreu que eles denominavam “A Caverna”. Segundo o jornalista Cid Destefani, muitas alegorias foram montadas neste local. João Reis planejava os carros no Londres Bar, que ficava na esquina das ruas XV com Barão do Rio Branco. Os trabalhos contavam com a ajuda dos integrantes da Associação dos Cronistas Policiais, e os encontros eram marcados por lautas refeições. João pertencia à sociedade carnavalesca Kananga do Japão, o que lhe rendeu o apelido de “Lorde Kananga” (uma espécie de Rei Momo daquela época).

Em 1936, a Câmara Municipal auxiliou financeiramente, por meio de dois decretos, o clube Kananga do Japão com três contos de réis para a confecção de corsos e também os Vassourinhas da Água Verde, com quinhentos mil réis (além do jornal O Dia). Era o reconhecimento público da importância da festa popular que, desde o começo do século, promovia suas críticas políticas. Basta lembrar que em 1915 o chamado “Corso Maldito” propôs severas piadas contra o então prefeito Cândido de Abreu.

Em 1946, Curitiba presenciou o último desfile de um corso, naquele que ficou conhecido como o “Carnaval da Vitória”. Dois anos depois surgia a primeira escola de samba de Curitiba – a Colorado, fundada por Maé da Cuíca. Nesse ano ainda, a Rua XV passa a ser ocupada pelo desfile de grupos organizados.

Não há como negar que o Carnaval em Curitiba já vivenciou momentos de fervor extremo, como nos conta Euclides Bandeira em uma crônica de 1925 (citada no Boletim da Casa Romário Martins nº. 70, de 1983): “Os Títeres do Diabo, de camiseta vermelha e os Bohemios, de casaca foram talvez nossas primeiras sociedades carnavalescas. Rivais, acabaram num entrevero funesto. Na praça onde hoje se localiza o Paço Municipal, estava sendo construída a casa do Mourinha. Havia pilhas de pedras e tijolos. A pugna, em lugar tão propício, foi renhida e contundente, enquanto as respectivas bandas musicais regidas pelos mestres Décio Mesquita e Generoso dos Santos furiosamente resfolegavam marchas guerreiras, concitando os lutadores à vitória”.

(Autor: João Cândido Martins / Extraído de: curitiba.pr.leg.br)

Paulo Grani