Mostrando postagens com marcador Os Bazares Cobertos de Bucara: Herança da Rota da Seda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Os Bazares Cobertos de Bucara: Herança da Rota da Seda. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Os Bazares Cobertos de Bucara: Herança da Rota da Seda

 

Entrada sul do Taq-i Zargaron
Tim Abdullakhan
Taq-i Telpak Furushon
Taq-i Sarrafon

Os bazares cobertos de Bucara são um conjunto de bazares cobertos com cúpulas situados na parte histórica da cidade de Bucara, Usbequistão. A construção desses espaços comerciais tradicionais remonta ao século XVI, quando a cidade se tornou a capital do Canato de Bucara, governado pela dinastia xaibânida. Sendo a cidade um ponto importante de troca de mercadorias na Rota da Seda, os bazares, chamados localmente taqs e tims, eram extremamente ativos e encontram-se em algumas das ruas principais. Entre os mais notáveis destacam-se Taq-i Zargaron, Tim Abdullakhan, Taq-i Telpak Furushon e Taq-i Sarrafon.[1]

Taq-i Zargaron

Coordenadas: 39° 46' 35" N 64° 25' E

Também chamado ou grafado Chorsu, Chakhar suk, Taki-Zargaron e Toki-Zargaron, situa-se a norte do conjunto monumental Po-i Kalyan, é o maior e mais antigo bazar coberto de Bucara.[2] Zargar ou zargaron significa "joalheiro" ou ourives, pelo que pode traduzir-se como "Mercado dos Joalheiros" ou "Mercado dos Ourives". Segundo Khafizi Tanysh, um cronista do século XVI, foi construído em 1569–1570 no local onde existia um antigo bazar chamado Chorsu. Em tempos chegou a ter 36 lojas e oficinas.[3] A sua cúpula principal tem a particularidade de ser ligeiramente e ter nervuras salientes verticais.[4] Atualmente, as lojas vendem sobretudo joias, lenços e diversos acessórios domésticos, como maçanetas de portas típicas de Bucara, campainhas, ferraduras para dar sorte, etc.[2]

Tim Abdullakhan

Coordenadas: 39° 46' 32" N 64° 25' 2" E

Situado cerca de cem metros a sul do Taq-i Zargaron, foi construído em 1577, durante o reinado de Abedalá Cã II (r. 1583–1598), o último monarca xaibânida de Bucara, que governou a cidade a partir de 1557.[1] Na altura em que foi construído, a rua onde se situa tinha uma profusão de tendas e caravançarais.[3] A cúpula principal assenta sobre uma base octogonal e é rodeada por uma galeria coberta por pequenas cúpulas.[4] A arquitetura é bastante diferente dos restantes bazares cobertos de Bucara. Foi construído de forma a que tivesse boa iluminação natural, graças a pequenas janelas e orifícios nas cúpulas. e que a temperatura no seu interior se mantivesse fresca durante todo o ano. Durante vários séculos as principais mercadorias comercializadas eram vestuário e tapetes, uma tradição que se mantém,[1] embora atualmente também se vendem muitos outros bens.[4]

Taq-i Telpak Furushon

Coordenadas: 39° 46' 26" N 64° 25' 2.5" E

Também grafado Toki Telpak Furushon, situa-se a sudeste e na na mesma rua do Tim Abdullakhan e dá para mais quatro ruas. As ruas são ligadas no interior do bazar por corredores orientados radialmente, que passam entre os seis pilares que suportam a cúpula central. Esta tem 14,5 metros de diâmetro tem uma claraboia dodecaédrica. Em redor do salão central há galerias com nichos e armazéns dispostas em doze eixos radiais.[3] A planta é hexagonal e tem cerca de 40 metros de diâmetro. O bazar foi construído no fim do século XVI e começou por ser conhecido como Kitab-Furushon, devido a nele se venderem sobretudo livros (kitab significa livro em usbeque). Com o passar do tempo,[2] as lojas de livros passaram a ser lojas de chapéus, lenços e outros adereços de luxo para a cabeça, como gorros bordados a ouro e joias, chapéus de pele e turbantes habilmente enrolados.[3] Atualmente, grande parte do negócio são recordações e artesanato orientado principalmente para turistas.[2]

Taq-i Sarrafon

Coordenadas: 39° 46' 21" N 64° 25' 7" E

Também grafado Toki-Sarrofon e Taq-i Sarrafan, situa-se a sudeste do Taq-i Telpak Furushon, junto ao conjunto monumental Lyab-i Hauz, ao lado dum antigo aryk (vala de irrigação), que atualmente corre num canal de cimento,[3] o Shah Rud. Foi construído no final do século XVI, provavelmente na década de 1580, por Abedalá Cã II, monarca do Canato de Bucara entre 1583 - 1598.[5]

O seu nome significa "mercado dos cambistas", pois era ali que funcionava um dos maiores centros de troca de moeda da Ásia Central, frequentado por mercadores das mais diversas nacionalidades, nomeadamente indianos e chineses.[2] Outro dos negócios do bazar era a usura, uma atividade que era realizada por mercadores hindus e judeus, pois os muçulmanos estavam proibidos de a exercer.[4] Atualmente o principal negócio é a venda de tapetes, lenços e recordações turísticas.[2]

Referências

  1.  «Trading domes of Bhukhara» (em inglês). central-asia.guide. Consultado em 25 de maio de 2021
  2.  «Trading domes, Bukhara» (em inglês). www.advantour.com. Consultado em 9 de janeiro de 2021
  3.  Page, Dmitriy (14 de abril de 2007). «The Guide to Bukhara. History and sights» (em inglês). pagetour.org. Consultado em 9 de janeiro de 2021
  4.  «Trading domes of Bukhara» (em inglês). www.people-travels.com. Consultado em 9 de janeiro de 2021
  5. «Taq-i Sarrafan Dome, Bukhara, Uzbekistan» (em inglês). Asian Historical Architecture. www.orientalarchitecture.com. Consultado em 27 de janeiro de 2021

Os Bazares Cobertos de Bucara: Herança da Rota da Seda

Os bazares cobertos de Bucara formam um conjunto único de espaços comerciais tradicionais, caracterizados por suas imponentes cúpulas e localizados no coração da parte histórica da cidade de Bucara, no Usbequistão. Sua construção remonta ao século XVI, período em que Bucara se tornou a capital do poderoso Canato de Bucara, sob o governo da dinastia xaibânida. Nessa época, a cidade ocupava uma posição estratégica fundamental como ponto de encontro e troca de mercadorias ao longo da famosa Rota da Seda, a rota comercial que ligava a Ásia à Europa e ao Oriente Médio.
Chamados localmente de taqs e tims — termos que designam estruturas cobertas com cúpula, especialmente destinadas ao comércio — esses espaços eram centros econômicos e sociais extremamente movimentados, distribuídos ao longo das principais vias da cidade. Até hoje, mantêm grande parte de sua arquitetura original e continuam em funcionamento, servindo como elo vivo entre o passado glorioso da Rota da Seda e a realidade atual. Entre os mais importantes e bem preservados, destacam-se quatro conjuntos: Taq-i Zargaron, Tim Abdullakhan, Taq-i Telpak Furushon e Taq-i Sarrafon.

Taq-i Zargaron

Também conhecido por grafias variadas como Chorsu, Chakhar Suk, Taki-Zargaron ou Toki-Zargaron, o Taq-i Zargaron é considerado o maior e mais antigo bazar coberto de Bucara. Ele se situa ao norte do famoso conjunto monumental Po-i Kalyan, uma das áreas mais simbólicas da cidade histórica.
Seu nome tem significado direto: zargar ou zargaron significa “joalheiro” ou “ourives”, portanto, o local pode ser traduzido como “Mercado dos Joalheiros” ou “Mercado dos Ourives”. De acordo com o cronista do século XVI Khafizi Tanysh, a construção foi erguida entre 1569 e 1570, no mesmo lugar onde já existia um antigo centro comercial chamado Chorsu. Em seu auge, o bazar abrigava cerca de 36 lojas e oficinas especializadas.
Sua arquitetura apresenta uma característica marcante: a cúpula principal tem formato ligeiramente achatado e é reforçada por nervuras verticais bem salientes, que garantem sua resistência e conferem um visual distinto. Atualmente, embora continue ligado à sua tradição original, o comércio se diversificou: além de joias, os visitantes encontram lenços de tecidos finos, acessórios para decoração e uso doméstico, como maçanetas e campainhas feitas com o estilo tradicional de Bucara, além de ferraduras que, segundo a crença local, trazem boa sorte.

Tim Abdullakhan

Localizado aproximadamente 100 metros ao sul do Taq-i Zargaron, o Tim Abdullakhan foi concluído em 1577, durante o governo de Abedalá Cã II — o último monarca da dinastia xaibânida, que exerceu o poder efetivo sobre Bucara de 1557 a 1598. Na época de sua construção, a rua onde ele se encontrava já era uma via muito movimentada, repleta de tendas, depósitos e caravançarais, locais de parada e hospedagem para mercadores e suas caravanas.
Sua estrutura arquitetônica difere bastante dos demais bazares cobertos da cidade. A cúpula principal repousa sobre uma base de formato octogonal e é cercada por uma ampla galeria, coberta por pequenas cúpulas secundárias. Os construtores projetaram o espaço com grande atenção ao conforto térmico e à iluminação: pequenas janelas e aberturas nas cúpulas permitem a entrada de luz natural suficiente, ao mesmo tempo que mantêm o ar fresco no interior durante todo o ano, mesmo nos meses mais quentes.
Durante séculos, o Tim Abdullakhan foi o principal centro de comércio de vestuário e tapetes, produtos que ainda hoje são encontrados em suas lojas. Ao longo do tempo, a variedade de mercadorias aumentou, incluindo também artigos artesanais e produtos regionais que atendem tanto aos moradores quanto aos turistas.

Taq-i Telpak Furushon

Também grafado como Toki Telpak Furushon, esse bazar fica a sudeste do Tim Abdullakhan, na mesma rua, e se destaca por sua localização estratégica: ele funciona como um ponto de encontro para mais quatro vias principais da cidade. Internamente, as ruas são conectadas por corredores dispostos de forma radial, que passam entre seis grandes pilares que sustentam a cúpula central.
Essa cúpula tem 14,5 metros de diâmetro e é perfurada por uma claraboia em formato dodecaédrico, que ilumina todo o salão principal. Ao redor desse espaço central, existem galerias com nichos e áreas de armazenamento organizadas em doze eixos radiais. No total, o edifício tem planta hexagonal e cerca de 40 metros de diâmetro, o que lhe confere uma dimensão imponente.
Construído no final do século XVI, ele recebeu inicialmente o nome de Kitab-Furushon, pois ali se comercializavam principalmente livros e manuscritos — kitab significa “livro” no idioma usbeque. Com o passar dos anos, a atividade comercial mudou: as lojas de livros deram lugar a estabelecimentos especializados em chapéus, lenços, gorros bordados com fios de ouro, joias, chapéus de pele e turbantes confeccionados com técnicas tradicionais. Hoje, a maior parte do comércio é voltada ao turismo, com a venda de lembranças, artesanato local e produtos típicos da cultura da Ásia Central.

Taq-i Sarrafon

Conhecido também como Toki-Sarrofon ou Taq-i Sarrafan, esse bazar situa-se mais a sudeste, próximo ao Taq-i Telpak Furushon e ao conjunto monumental Lyab-i Hauz. Ele foi construído no final do século XVI, provavelmente na década de 1580, por ordem de Abedalá Cã II. Ao lado do edifício corre o canal Shah Rud, antigo sistema de irrigação que originalmente era uma vala natural, hoje revestida de concreto, mas que ainda faz parte da paisagem da região.
Seu nome significa “Mercado dos Cambistas”, pois, durante séculos, ele foi um dos maiores centros de troca de moeda de toda a Ásia Central. Mercadores de diversas nacionalidades — indianos, chineses, persas e europeus — convergiam ali para realizar transações e converter suas moedas. Além do câmbio, o local também era conhecido pela prática de empréstimos e juros, atividade exercida principalmente por comerciantes hindus e judeus, já que as leis religiosas muçulmanas da época proibiam a cobrança de juros.
Com o fim da Rota da Seda e as mudanças econômicas ao longo dos séculos, sua função original deixou de existir. Atualmente, o Taq-i Sarrafon continua ativo, com lojas que vendem tapetes, tecidos, lenços e uma ampla variedade de lembranças e produtos artesanais para visitantes.

Importância Histórica e Cultural

Os bazares cobertos de Bucara não são apenas edifícios antigos: eles representam um testemunho vivo da riqueza, da diversidade e da troca cultural que marcaram a Rota da Seda. Suas estruturas bem conservadas, adaptadas ao clima e às necessidades comerciais da época, mostram a engenhosidade da arquitetura da Ásia Central. Hoje, continuam sendo espaços de encontro, onde a tradição do comércio convive com o turismo, mantendo viva a memória de um dos períodos mais brilhantes da história de Bucara.