segunda-feira, 22 de junho de 2026

A Praça do Mercado de Paranaguá.

 A Praça do Mercado de Paranaguá.



(Mantida a grafia da Época)
A 15 de Julho de 1857 a câmara municipal presidida pelo Commendador Manoel Antonio Guimarães (Visconde de Nacar) e composta dos vereadores Joaquim Felix da Silva, Manoel Ricardo Carneiro, Manoel da Cunha Pacheco, João Antonio de Miranda, Manoel Miró, Manoel Cordeiro Gomes, Cypriano Custodio de Araujo e Antonio Pereida da Costa, resolveu mandar construir a praça do Mercado, acceitando a proposta apresentada por Ursolino José da .Silva por ll:000$00ü, sendo o pagamento auxiliado por um emprestimo de 10i:000$000, autorisado pela Lei n. 9 de de 28 de Abril de 1856 A 25 de Dezembro de 1857 foi lançada a pedra fundamental do mercado com toda a solenidade e com assistência das autoridades locaes, sendo bentas pelo Padre Mestre Albino José da Cruz, vigário da vara e vigário da parochia Conego Gregorio José Lopes Nunes.
A primeira pedra foi lançada pelo Commendador M. A. Guimarães (Visconde de Nacar), Dr. Raymundo Ferreira de Araujo Lima, juiz de direito, vereadores Joaquim Felix da Silva e Manoel Ricardo Carneiro; a segunda pedra por Francisco Delrio Cardinas, delegado de policia, Capitão Joaquim Gaetano de Souza, sub-delegado de policia; e a terceira, da porta da face norte do prédio pelo Cap. Antonio José de Carvalho, juiz municipal interino, Major Ricardo Gonçalves Cordeiro e Tenente Coronel José Francisco Correia, juizes de paz. Orou na occasião o Snr. João Caetano de Souza, lendo um discurso assignado pelo emprezario, o portuguez' Ursolino.
A 1º de Outubro de 1859. teve lugar a abertura da praça, sendo a cerimônia presidida pelo Commendador. Guimarães, que proferiu as seguintes palavras: "Está a aberta a Praça do Mercado e os locatários na posse dos quartos que arremataram". Em seguida o fiscal da camara fez entrega das chaves, Ornadas com fitas verdes e amarellas. aos respectivos arrematantes. Pelo contractante foi offerecida uma mesa de doces, convidando os assistentes a tomarem um copo d'agua do poço do Mercado, sendo erguidos vários brindes. e queimadas varias gyrandolas de foguetes. Finda a cerimonia dirigiram-se todos para a Matriz, onde se celebrava a festa da padroeira N. S. do Rosario.
Rodrigo Sartori Jabur sobre a foto: "A Praça do Mercado, em 1870 (inaugurada em 1859)- Em meio aos populares, observa-se do lado direito da fotografia, o mercado com suas janelas em arco e no lado esquerdo está o chalé de pescados em pleno funcionamento."
Em 1896, o mercado foi reconstruído e reinaugurado, pelo Prefeito Dr. Caetano Munhoz da Rocha.

Fonte: LEÃO, Ermelino A. – Dicionário do Paraná – Empreza Graphica Paranaense, volume IV ,1929
Foto colorizada, acervo Cincinatus
Pesquisa: Almir S Silva – IHGP 


UM DOCUMENTO MAIS QUE HISTÓRICO

 UM DOCUMENTO MAIS QUE HISTÓRICO

O mapa de 1653, de Pedro Pereira de Souza, detalhando a baía de Paranaguá, suas adjacências e a existência do povoado de Quereytiba no planalto acho ma.
Nos Campos de Quereytiba as casas significam a existência da vila, a cruz significa a igreja e o pelourinho o princípio de justiça.

Detalhe dos topônimos de cada lugar, rios, baía, ilhas, caminhos, etc, descritos no mapa em legenda.
abela discriminando cada toponimo usado em 1653, registrado no mapa, e seu nome atual.
Detalhe dos canais de entrada da baía, suas profundidades e a ilha do mel na entrada.










Este artigo apresenta o mapa de baia de Paranaguá, de 1653, assim como recupera a carta que o descreve. Amplamente conhecido, foi anteriormente atribuído a Eleodoro Ébano Pereira por vários estudiosos. Demonstra-se que o mapa foi executado por Pedro de Souza Pereira, parente do Governador Geral Salvador Correa de Sá e Benevides, e é o mais antigo mapa de recursos minerais da colônia. Nele estão descritos a baía, suas barras, as principais ilhas e 21 localizações de minas de ouro. Com este mapa, Pedro de Souza Pereira procura localizar as lavras e organizar a produção das catas de ouro aluvionar no período 1651-59. Esta organização seria importante para que Salvador Correa pudesse reivindicar privilégios reais como governador das minas. No entanto, o fraco rendimento destas minas e a oposição dos paulistas inviabilizam as lavras. Com a revolta do Rio de Janeiro, em 1660, Salvador Correa perde seu poder na região, e as lavras voltam a ser exploradas sem controle real. As lavras paulistas, entre elas Paranaguá e Curitiba, tiveram uma capital importância na geração de recursos humanos que vieram a descobrir as lavras do século 18.
1 – Descoberta do mapa e os "Campos de Queretiba"
Em 1920, o historiador paranaense Moises Marcondes encontra, na sala do diretor da seção do Archivo da Marinha e Ultramar, da Biblioteca Nacional de Lisboa, um mapa da baia de Paranaguá ( figura 1). Este mapa tem a data de 20/05/1653, e mostra a baía de Paranaguá, suas principais ilhas, alguns dos rios que nela deságuam, bem como a vila de Paranaguá e os campos de “Queretiba”, estes simbolizados por duas casas, uma cruz e um pelourinho na parte superior do mapa.
Neste mapa constam ainda 21 indicações de minas, o que o torna o mais antigo mapa de ocorrências minerais até hoje conhecido no Brasil. Moises Marcondes, intrigado, publica o mapa e uma nota1, onde tenta descobrir o autor do mapa, a importância deste documento para a história da mineração de ouro e para a história do atual estado do Paraná.
Este mapa foi executado em 1653 por Pedro de Souza Pereira. Nomeado provedor-mor das minas, este tinha consigo uma carta régia, com instruções sobre como providenciar o reconhecimento das minas de ouro recém descobertas nestas capitanias do sul do Brasil. Em carta de 20/05/1653, Pedro de Souza Pereira informa ao Rei das diligências realizadas durante esta sua viagem, bem como da carta que havia feito. Este artigo tem como objetivos, dentro de suas limitações, amarrar as duas pontas desta historia3, e estabelecer de nitivamente Pedro de Souza Pereira como o autor da carta e seu contexto histórico em que ela foi feita.
2 – As Minas de Paranaguá
As primeiras entradas conhecidas em busca de ouro na região vicentina, que abrange os atuais estados de São Paulo e Paraná, datam do inicio da colonização. A descoberta de minas de ouro na região de São Paulo é realizada durante o período da União Ibérica (1580-1640), no governo de Dom Francisco de Sousa (1599-1610). Entre 1590 a 1630, são exploradas as jazidas de ouro de aluvião ao redor de São Paulo, na serra do Jaraguá, em Guarulhos e em Itapecerica5. Dom Francisco implanta um modelo “castelhano” de organização econômica, que fo- menta a agricultura para subsidiar a mineração. Quando se dá o trancamento do tra co negreiro e o fechamento do comercio português no Atlântico Sul6, entre 1620 e 1650, São Paulo emerge como um centro produtor de alimentos para a colônia. Aumenta neste período a busca por cativos guarani para trabalhar nestas lavouras, e não é por acaso que este é o período de maior intensidade dos ataques bandeirantes às missões jesuíticas do Guairá, Tape e Itatins.
As jazidas de ouro em toda a região vicentina são muito pequenas e pouco viáveis. No entanto, a partir de meados do século xvii a mineração aurífera se expande para o sul, com a descoberta das minas de Iguape (fundada em 1637) e Paranaguá (1648). No planalto, Curitiba é fundada em 1668.
As jazidas de Paranaguá foram provavelmente descobertas por volta de 1620, mas tiveram seu período mais importante de exploração e lavra entre 1640/1660. Para alguns historiadores, sobretudo paranaenses, numa linha histórica que inclui Vieira dos Santos, Ermelino de Leão, David Carneiro e Reinhardt Maack, afirmam que as descobertas auríferas no atual estado do Paraná são as primeiras deste tipo realizadas no Brasil, por volta de 1570-78, bastante discutível em vista das fontes primarias disponíveis.
O primeiro registro oficial da existência de ouro na região data de 1646, quando o capitão Gabriel de Lara, apresentou à Casa de Fundição de São Paulo rochas que descobriu no “Pernagoa”, as quais, uma vez fundidas, resultaram em 20 oitavas de ouro (70 g). A partir desta notícia aumenta o interesse por esta região, até então secundária, na expansão da Capitania de São Vicente. A vila de N. S. do Rosário de Paranaguá é fundada em 1648, desmembrada e elevada à capitania a partir de 1656.
Já em 1648, logo após o manifesto de Gabriel de Lara, o governador geral Duarte Corrêa Vasqueannes envia a Paranaguá o General Eleodoro Ébano Pereira, com o título de “capitão das canoas de guerra dos mares do sul”, para registrar as minas e organizar a fiscalização e a arrecadação. Numa série de autos que manda fazer, Eleodoro toma o depoimento dos homens bons da vila, a respeito de pesquisas e catas que ele mesmo mandara abrir. Provavelmente, Eleodoro entrou em conflito direto com Gabriel de Lara, o homem forte da vila. Talvez por este motivo, Dom João IV nomeia Pedro de Souza Pereira em lugar de Eleodoro. Uma carta régia, datada de 28/11/1651, instrui Souza Pereira ir a Paranaguá entabolar, isto é, registrar as minas e também a coletar mais e melhores amostras de pedra, visto que as enviadas por Ébano foram de pequena monta e insuficientes para os testes metalúrgicos.
3 – Pedro De Souza Pereira
Pedro de Souza Pereira era fortemente ligado à família Sá, que controlava o Rio de Janeiro no século 17. Em diversos documentos, Salvador Correa de Sá e Benevides refere-se a Pedro de Souza Pereira como primo, o que não necessariamente sugere consangüinidade, mas, principalmente, afinidade. Casou-se, em 1651, com Ana Corrêa de Sá, parente de Salvador Correa. Pedro de Souza Pereira ocupou o cargo de provedor-mor da fazenda, no Rio de Janeiro de 1639 até a sua morte, por volta de 1670. Neste período, foi um dos membros mais importantes da família Correa de Sá, particularmente ligado à Salvador Correa de Sá e Benevides. De fato, na documentação levantada, Pedro de Souza Pereira quase sempre aparece como o preposto ou como o representante de Salvador Correa de Sá e Benevides. [...]
Souza Pereira ocupa o cargo de administrador das minas entre 1652 e 1659. Nos primeiros dois anos no cargo, Pedro de Souza Pereira empreende uma série de viagens as capitanias do sul: nomeado Administrador das Minas Do Sul em dezembro de 1652, trabalha em Paranaguá, Iguape e Itanhaém entre março e maio de 1653; em julho de 1653 está em São Paulo. Em janeiro de 1654 está de volta ao Rio.
Souza Pereira conseguiu fazer as lavras de Paranaguá produzir, e controlou ao menos parcialmente a sonegação, apesar das resistências de Gabriel de Lara e dos outros mineradores. Em 1654, Souza Pereira envia os quintos do ouro a Portugal, na frota de Francisco Brito Freire. Torna a fazer o mesmo em 1657, na frota de Pedro Jacques de Magalhães. Neste período, Pedro de Souza Pereira foi acusado de fazer estancos de aguardentes, vinhos e outras fazendas, para comprar ouro para enviar os quintos. [...]
Com a revolta do Rio de Janeiro, feita contra o poderio da família Sá, Tomé de Souza Alvarenga, Martim Correa Vasques, Pedro de Souza Pereira e respectivas famílias, pessoas da confiança de Salvador Correa, são presos e remetidos a Lisboa. Segundo Boxer, Pedro de Souza Pereira seria reconduzido ao cargo com o fim da revolta. Sua morte pode ter ocorrido por volta de 1670. Existe a documentação informando que seu filho, Tomé de Souza Pereira estava servindo no cargo de provedor em 1674, em razão da morte de Pedro de Souza Pereira.
4 – Caminhos da Baía de Paranaguá
A baía de Paranaguá, de início, despertou pouca atenção nos exploradores, pois não possui grandes rios que possam estabelecer uma comunicação imediata com o interior. Outro fator importante é que a baia de Paranaguá ficava numa região limítrofe entre os estabelecimentos portugueses e castelhanos nesta parte da América. A dubiedade das disposições do tratado de Tordesilhas gerou uma incerteza sobre tais limites. Para os castelhanos, o limite de suas terras estava em Cananéia, que foi ocupada por espanhóis no inicio da colonização. O Adelantado Cabeza de Vaca, ao entrar por terra para o Paraguai, em dezembro de 1541 toma posse daquelas terras para o rei de Espanha.
Para os portugueses, o limite com as terras castelhanas ficava na ilha de Santa Catarina, ou no porto dos Patos (a atual Laguna) ou, mais longe ainda, no estuário do rio da Prata. Após o achamento de Cabral, são remetidas diversas expedições para descobrir e reconhecer as costas da nova terra. Em 1531-32 Martim Afonso de Sousa, em viagem de reconhecimento e tomada de posse da nova terra, envia Pero Lopes de Souza a reconhecer e navegar pelo estuário do Prata. Martim Afonso, em 1531, envia Pero Lobo e 80 arcabuzeiros, rumo ao interior do continente, em busca de tesouros.
Observa-se que o topônimo Superagui é mais freqüente que o topônimo Paranaguá nos relatos de viagens e nos mapas produzidos no inicio da ocupação portuguesa até o começo do século 17. Os caminhos para o litoral paranaense eram primitivamente feitos entre Cananéia e a ilha de Superagui pelo canal do Ararapira. Hans Staden, marinheiro alemão, é o primeiro europeu a citar a ilha de Suprawai (Superagui), onde naufraga em 1549. Onde, aliás, já encontra portugueses, vindos de Cananéia.
O topônimo Paranaguá é encontrado nos mapa-múndi pela primeira vez somente a partir de 1610.. O acesso primitivo à baia era feito por Superagui, pelo canal do Ararapira e pelo Varadouro. A barra de Paranaguá deve ter sido mais usada a partir da fundação da vila, em meados do século 17. E mesmo este acesso não era feito até recentemente pelo pela barra sul, pelo Canal da Galheta, cujo nome primitivo era Vupubetuba. Os acessos à baía de Paranaguá eram o canal norte e, principalmente, o canal de sueste, onde no século 18 foi construída a fortaleza da Ilha do Mel e, no século 19, o Farol das Conchas.
A primeira referência a Paranaguá em documentos escritos é de 1614, com a concessão da sesmaria a Diogo de Unhate. Não obstante, Unhate era morador em Santos em 1636, passando por ser fundador de São Sebastião conjuntamente com João de Abreu. É bastante duvidoso que houvesse tomado posse de sua sesmaria.
A primeira representação cartográfica exclusiva da baia de Paranaguá é o mapa da Capitania de Santo Amaro, no Atlas de Albernás (1631), e representa tão somente as três entradas de sua barra. Feito com base nas observações de Dom Jerônimo Ataíde, e desenhados pelo cartógrafo português João Albernás, o Atlas conta com 36 mapas abrangendo as mais importantes feições habitadas da costa brasílica e suas capitanias. Esta carta representa tão somente as três entradas da barra de Paranaguá, sem qualquer outro detalhe digno de nota. Comparado com os outros mapas deste Atlas (como, por exemplo, a carta da ilha de São Vicente), a completa falta de detalhes desta planta mostra que praticamente nada se conhecia do interior da baia de Paranaguá nesta época, a não ser as barras de sua entrada.
5 – O Mapa da Baía de Paranaguá
Em carta de 20/05/1653, da Vila da Conceição (Itanhaém), Pedro de Souza Pereira informa ao Rei da sua viagem às capitanias do sul. Nesta carta, informa do resultado dos rendimentos dos quintos, de notícias de minas de prata que lhe são fornecidas por Antonio Nunes Pinto, bem como descreve uma vistoria que fez com o Capitão-mor Gabriel de Lara na mina de pedras que este fora descobridor. Critica os que vão às catas “explorar como querião”, bem como indica ser de pouca utilidade a casa de fundição de São Paulo, e indica a casa de fundição de Paranaguá como mais apta a receber e quintar o ouro que vinha daqueles distritos.
Apenso a esta carta está uma descrição das capitanias do sul e um mapa da baia de Paranaguá, feito por Pedro de Souza Pereira ou seus auxiliares. De acordo com a carta, o mapa provavelmente foi executado entre os meses de março e maio de 1653, mostrando a baia, as principais ilhas, alguns dos rios que nela deságuam, bem como a vila de Paranaguá e os campos de Curitiba, estes simbolizados por duas casas, uma cruz e um pelourinho na parte superior do mapa. Para uma discriminação da toponímia do mapa, veja-se a figura 2 e a tabela 1.
Neste mapa, constam ainda 21 indicações de minas, o que o torna o mais antigo mapa de ocorrências minerais até hoje conhecido no Brasil. Os rios auríferos indicados neste mapa são principalmente o Cubatão (atual rio Nhundiaquara), o Cacatu, o Curitibaíva, o Cachoeira e o Faisqueira. Já pelo mapa se depreende que o grosso das faisqueiras ficava no vale do Cubatão, inclusive as “minas de pedra”, manifestadas por Gabriel de Lara em 1646.
O outro rio largo paralelo ao rio Cubatão parece ser o Cacatu. A indicação “caminho de queretiba” pode indicar o rio Curitibaiva, ou “caminho de Curitiba” na língua geral e que foi, efetivamente, o primeiro caminho utilizado para alcançar o planalto. Um dos rios a seguir parece ser o rio Cachoeira, com poucas indicações de minas e um traçado muito impreciso. Outro rio com poucas indicações de minas é o rio Faisqueira, que deságua na ilha dos Guarás (atual ilha das Rosas).
A Baia dos Pinheiros praticamente não aparece no mapa. Provavelmente não foi levantada por Pedro de Souza Pereira, assim como não o deve ter sido o interior da baía de Antonina, com o traçado dos rios que nela deságuam, são muito imprecisos
A ilha dos Guarás, Ibirarema e Guarapirocaba tiveram seus nomes alte- rados no decorrer do tempo, respectivamente, para Ilha do Rosa, do Teixeira e da Ponta Grossa. Por outro lado, as grandes ilhas da porção oriental da baía (ilha do Mel, das Peças, das Cobras, das Gamelas, Rasa), mantiveram seus nomes coloniais. O mesmo acontece com Superagüi e os seus acessos, como o canal do Varadouro, e a barra do Ararapira.
No mapa consta inclusive a profundidade das barras da baia de Parana- guá, sondada por Pedro de Souza Pereira. A barra de Vubupetuba apresenta uma profundidade medida de 2 braças a duas braças e meia em todo o canal. A barra norte apresenta profundidades de 6 a 7 braças no interior da baia, 8 braças na barra e 10 braças defronte a ilha do Mel.
Os campos de Curitiba são representados por uma árvore, dois casebres, um cruzeiro e um pelourinho. Esse fato provocou inúmeras controvérsias sobre a real data de ocupação do planalto, afinal a vila de Curitiba só seria inicialmente fundada em 1668. No entanto, para Sergio Buarque de Holanda, esta representação não teve um caráter de exatidão, mas sim marcava os indícios de povoamento recolhidos pelo elaborador da carta. No entanto, a denominação “povoação nova” pode marcar a indicação dos antigos arranchamentos na região do Atuba (Vila Dos Cortes?).
A vila do Pernagoa aparece representada com riqueza de detalhes: casario, igreja, pelourinho. As pessoas ali figuradas, segundo Marcondes poderiam ser uma representação simbólica das autoridades da terra. Também a representação da Cruz seria um marco divisor do rocio, que seria demarcado logo a seguir, em 1654. De todo o modo, a representação de um navio indica claramente o antigo porto da vila. O barco representado com a proa embicando na foz do Cubatão é uma clara manifestação da mais óbvia das vias de penetração. Os barcos representados na barra norte e no canal do Varadouro também pode ser uma indicação da maior navegabilidade destes canais.
Afora a vila de Paranaguá, existe uma concentração de casas representa- das na ilha da Cotinga, indicando serem a “Primeira Povoação”. Conforme a tradição, a primeira povoação situava-se nesta vila, tendo se mudado por ocasião da fundação da vila, para as margens do rio Taguaré (atual Itiberê). Existe uma pequena concentração de casas a oeste da vila, sem denominação, mas situadas próximas à ilha de Ibirarema (do Teixeira). Por analogia, pode representar um primeiro núcleo de povoação próximo do que hoje é a colônia Alexandra. No outro lado da baia uma casa pode indicar, da mesma forma, um núcleo de povoamento próximo a atual colônia de pescadores de Eufrosina.
Depois da ilha de Ibirarema/Teixeira, há a indicação de uma casa, com a denominação, na legenda, de “casa de onde começam as minas” ( figura 2). No mapa está igualmente indicado: “daqui começam as minas” ( figura 3). Por se situar a oeste desta ilha, pode ser uma antiga povoação já na foz do rio Cubatão/Nhundiaquara. Esta casa poderia se tratar de um posto fiscal ou equivalente, embora seja somente uma suposição. Nada existe nos documentos que possa sugerir esta hipótese. De todo modo, essa denominação, duplamente reforçada, parece re etir alguma importância alem da mera localização geográfica.
Há três representações de animais na carta: a primeira é a de um cavalo, no interior da ilha do Mel. A segunda e a terceira ocorrem na “tromba da Serra da Guararabi” (Marumbi), e são uma cabra e uma garça. À primeira vista, podem ser somente elementos decorativos.
Característica destas cartas todas é a tentativa de representação tridimensional das baias e portos representados. A perspectiva quase sempre é a de quem entra na baia, o que mostra o seu caráter prático, visando auxiliar a abordagem a partir do mar. Já o mapa de Pedro de Souza Pereira não guarda escalas, nem proporções.
Para Moisés Marcondes33, esta característica da carta indica que “não foi elaborado por cartógrafo profissional, mas com capricho e amor ao detalhe”. Por outro lado, a legenda do mapa de Pedro de Souza Pereira, embora completa, denuncia uma tarefa feita às pressas, com os itens mais novos se acumulando à esquerda, devido à falta de previsão de espaço, se tornando quase ilegíveis.
Segundo uma carta citada por Charles Boxer, em junho de 1653 o mapa de Pedro de Souza Pereira – ou uma de suas cópias – foram apreendidas por piratas holandeses, que então faziam uma intensa guerra de corso contra os na- vios portugueses – estamos aqui passando pelos episódios nais da insurreição pernambucana. Esse era um dos principais preocupações das autoridades por- tuguesas, citada inclusive pelo rei, que em carta de 28/11/1651 sugere a Pedro de Souza Pereira precauções em caso das cartas e das amostras serem capturadas por piratas. Em 1722, o governador D. Rodrigo Cezar de Menezes manda suspender as atividades de mineração na região de Paranaguá, em não só pelo seu pouco resultado, mas pelo perigo da região sofrer “pela invasão do inimigo e estrangeiros, pois se acha aquella villa na costa do mar, sem fortaleza, nem defesa alguma".
6 – Conclusões
O mapa da baia de Paranaguá, publicado por Moises Marcondes e também na coleção Mapas Históricos Brasileiros foi executado por Pedro de Souza Pereira, conforme provam as cartas citadas.
O referido mapa não é um documento cartográfico de fino acabamento. No entanto, tem riqueza de detalhes cartográficos e é bastante preciso nos nomes topográficos. O mapa foi utilizado para informar Lisboa sobre as minas descobertas, sobre a localização e o acesso e das minas de Paranaguá. Juntamente com a carta, informam também detalhes sobre o tipo das lavras, as formas de ocorrência do ouro e os trabalhos em execução. Com base neste documento, poderiam ter sido tomadas decisões importantes, como a organização das defesas da costa contra invasões, o ordenamento do território, e muitas outras.
Durante todo o período da mineração em terras vicentinas, áreas de mineração igualmente importantes, como as lavras ao redor de São Paulo e de Iguape, não tiveram executados, ao que se saiba, mapas similares. Os paulistas, a todo o tempo, procuravam evitar fazer publicidade de suas descobertas, com medo que tinham de perder sua liberdade, conforme os depoimentos da época.
Pedro de Souza Pereira, vinculado a Salvador Correa de Sá, estava interessado no direito às lavras. É com base neste interesse que Eleodoro Ébano Pereira veio a Paranaguá em 1648/49, uma vez que Salvador Correa estava neste tempo reconquistando Angola aos holandeses. Salvador havia sido nomeado governador das minas de São Paulo já no tempo do rei espanhol Felipe iv, nomeação esta confirmada pelo novo rei português, Dom João IV em 1643. Apesar da viva oposição dos paulistas, Salvador tenta assenhorar-se da minas e obter, assim, privilégios reais.
Durante o período de Pedro de Souza Correa como administrador das minas, como preposto de Salvador Correa, observa-se um movimento visando organizar a produção e institucionalizá-la, com a cobrança dos impostos e a organização das catas. Depois da visita de Salvador Correa as minas em 1660, ocorre um desestimulo geral. Parte porque Salvador não viu grande vantagem nas lavras parnanguaras. E, principalmente, porque a revolta do Rio de Janeiro, neste mesmo ano, acaba com o poderio de salvador Correa no sul do Brasil.
O mapa da baia de Paranaguá de Pedro de Souza Pereira representa, portanto, um importante documento deste período. Por meio deste mapa temos que a maior parte da baía achava-se já conhecida e devassada, mantendo desde então a mesma toponímia. Representou uma etapa importante da mineração vicentina, a qual foi muito importante em conhecimento e desenvolvimento de técnicas exploratórias que propiciaram os gold rushes do século 18 em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso."

Quando a Alma Abraça o Mundo

 

Quando a Alma Abraça o Mundo


🌊 Quando a Alma Abraça o Mundo

Sentir o vento no rosto, olhar o mar se encontrar com o céu e ver a vida se abrir diante dos olhos… é mais do que uma paisagem, é um encontro com o divino.
A imensidão do mar nos lembra que somos parte de algo muito maior. Cada onda que chega à costa traz uma lição: fluir, recomeçar, se entregar ao ritmo da vida. A natureza nos acolhe, nos silencia e nos mostra que tudo está interligado — terra, água, céu e nós, todos filhos da mesma criação.
Nesse momento, o coração se enche de gratidão. Entendemos que viver é isso: se abrir, sentir, se conectar. É perceber que a paz que procuramos não está longe, mas sim dentro de nós, refletida em cada cor, em cada brisa, em cada horizonte que nos convida a ser mais, a sentir mais, a viver com a alma leve e livre.

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Caminhos de Alma e Amor

 

Caminhos de Alma e Amor

Caminhos de Alma e Amor

Caminhar pela natureza é muito mais do que percorrer trilhas… é caminhar dentro de si mesmo. E quando temos um cachorro ao lado, cada passo ganha um sentido espiritual único.
Ele não pergunta para onde vamos, não reclama do cansaço, não se importa com o caminho difícil. Ele só está lá: presente, fiel, coração aberto. Seus passos sincronizam com os nossos, como se já soubesse que essa jornada é também uma conexão de almas.
Na imensidão das montanhas, no silêncio do vento, na beleza simples do mundo ao redor, percebemos: ele é um espírito de luz que veio nos ensinar o que é amor incondicional. Não precisa de palavras, só de presença. Ele nos mostra que o melhor da vida não está na chegada, mas em quem caminha com você.
É na estrada, em meio à natureza que nos acolhe, que entendemos: ele não é só um animal, é um companheiro de alma, um anjo de quatro patas que escolheu caminhar ao seu lado, para te lembrar que amar é estar junto, em qualquer caminho.

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O Amor Que Tem Quatro Patas

 

O Amor Que Tem Quatro Patas

O Amor Que Tem Quatro Patas

Você já parou para reparar no jeito que o seu cachorro te olha? É um olhar que vai muito além do que os olhos podem ver… como se ele conseguisse decifrar cada palavra que você não consegue dizer em voz alta, cada sentimento que você tenta esconder, cada dor ou alegria que mora no seu coração.
Por milênios, os cães caminharam ao lado dos seres humanos como parceiros de sobrevivência: foram caçadores destemidos, guardiões corajosos, pastores atentos. Eram ferramentas da nossa luta para viver, companheiros de jornada nas florestas, nos campos, nos caminhos difíceis. Mas com o tempo, tudo mudou — e a maior mudança aconteceu bem dentro de casa. Hoje, eles não precisam mais enfrentar perigos ou proteger rebanhos. Tudo o que eles precisam… é de você. E talvez você não perceba, mas precise tanto deles quanto eles precisam de você.
A ciência só veio confirmar o que o nosso coração já sabia desde sempre: nossos cães sentem conosco, vivem conosco, se conectam conosco de uma forma que poucas coisas no mundo conseguem. Biologicamente, eles são feitos para nos amar: são sensíveis ao nosso toque, ao nosso tom de voz, até ao nosso silêncio. Quando nós nos sentimos amados ou carinhosos, o hormônio do amor — a oxitocina — aumenta em nós… e aumenta também no corpo deles. É como se, ao longo de toda a nossa história juntos, a vida, ou o Criador, tivesse afinado cada um dos seus sentidos, só para que eles pudessem nos amar com uma profundidade ainda maior.
E se olharmos com o coração, do ponto de vista espiritual, não é exagero nenhum dizer: muitos cães são espíritos de luz, que vieram até nós com uma missão única e preciosa: a missão do amor. Eles chegam às nossas vidas para nos ensinar o que é presença de verdade, o que é fidelidade sem condições, o que é amar sem pedir nada em troca. Eles nos mostram como um coração simples, sem malícias ou segundas intenções, tem o poder de transformar uma casa vazia em um lar cheio de vida.
Eles percebem a nossa tristeza antes mesmo que ela vire lágrima no nosso rosto. Sabem quando estamos cansados, quando estamos tristes, quando só precisamos de um pouco de paz. Nos dias difíceis, eles não saem de perto: deitam ao nosso lado, encostam o corpo no nosso, como se quisessem dividir o peso que carregamos. Eles não julgam os nossos erros, não cobram as nossas falhas, não pedem explicações sobre os nossos caminhos. Eles só ficam ali… e, naquele momento, isso é tudo o que precisamos.
Num mundo que corre cada vez mais rápido, onde tudo é passageiro e tudo tem um preço, eles vieram nos lembrar de algo essencial, que quase esquecemos: o amor puro, o amor verdadeiro, o amor que não pede nada e dá tudo… ele ainda existe. E às vezes, ele tem quatro patas, olhos brilhantes que só brilham assim por você, e um rabo que balança com tanta alegria, só de te ver chegar.



domingo, 21 de junho de 2026

Frederico Schmidlin, em sociedade com Wilherm Tamm, montou sua loja, em prédio próprio, na esquina da Rua Riachuelo X Rua São Francisco. Imagem das duas fachadas da Casa Porcellana, a primeira do fim Século XIX, e a segunda, do início de 1900, ambas no mesmo prédio da Rua Riachuelo.

 Frederico Schmidlin, em sociedade com Wilherm Tamm, montou sua loja, em prédio próprio, na esquina da Rua Riachuelo X Rua São Francisco. Imagem das duas fachadas da Casa Porcellana, a primeira do fim Século XIX, e a segunda, do início de 1900, ambas no mesmo prédio da Rua Riachuelo.



Relembrando, o magnífico Prédio do Banco do Brasil, na Praça Tiradentes, substituído pelo atual, aqui resgistrado no ano de 1927.

 Relembrando, o magnífico Prédio do Banco do Brasil, na Praça Tiradentes, substituído pelo atual, aqui resgistrado no ano de 1927.



A imagem contempla ao fundo, a Praça Zacarias. na esquina com a Rua Desembargador Westphalen em 1950.

 A imagem contempla ao fundo, a Praça Zacarias. na esquina com a Rua Desembargador Westphalen em 1950.


Veículo de Comando do Caça-Tanques Hetzer: Os Olhos e Ouvidos da Unidade

 

Hetzer Tank Destroyer Condutor




Visão geral

No início da Segunda Guerra Mundial, o exército alemão desenvolveu e operou um veículo de comando que passou por uma grande reformulação, como a remoção da torre de um veículo de combate existente e sua substituição por uma sala de combate fixa. Na Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de encurtar o período de desenvolvimento e melhorar a eficiência da produção, passou a operar um simples veículo de comando que agregava um rádio e uma antena ao veículo de combate existente.
O tipo de veículo de comando do caça-tanques Hetzer que surgiu na segunda metade da guerra também é um veículo de comando criado por uma simples reforma baseada no mesmo conceito e adicionando um rádio e uma antena ao tipo normal.

O tipo de veículo de comando do caça-tanques Hetzer é um veículo implantado no quartel-general do batalhão ou da empresa da unidade equipado com o caça-tanques Hetzer e se destina a ser usado para comunicação com organizações de alto escalão localizadas atrás da linha de frente.
O tipo de veículo de comando é um rádio Fu.8 com capacidade de transmissão de longo alcance além do rádio Fu.5 (combinação de transmissor 10W.Sc e receptor de ondas ultracurtas U.Kw.Ee) que é o equipamento padrão do normal A maior mudança é a adição de (combinação de transmissor 30W.Sa e receptor de onda média Mw.Ec).

Dos três protótipos de caça-tanques Hetzer concluídos em março de 1944, o segundo protótipo (corpo número de série 321002) foi fabricado como um tipo de veículo de comando, com uma antena em forma de estrela e sua base no lado esquerdo da sala de máquinas. tampa blindada para proteger a base da antena foi anexada.

Como você pode ver a partir disso, o caça-tanques Hetzer foi considerado para operação do tipo veículo de comando desde o início da produção e, no momento da produção, uma abertura para puxar o fio da antena para dentro do veículo é fornecida no lado esquerdo do casa de máquinas e blindagem também são fornecidas antes e depois.Ao fazer orifícios para parafusos para fixar a tampa, foi fácil remodelá-la em um tipo de veículo de comando.
No tipo normal, uma placa de aço circular era soldada para fechar a abertura, mas ao remodelá-la em um tipo de veículo de comando, a placa de aço era removida e uma antena em forma de estrela e sua base eram fixadas.

Os orifícios dos parafusos feitos na frente e atrás da abertura foram fechados inserindo parafusos no tipo normal, mas no tipo de veículo de comando, a tampa da blindagem era fixada com parafusos.
O rádio Fu.8 adicionado ao tipo de veículo de comando é um rádio de onda média que usa a banda de frequência de 0,83 a 3 MHz, e a distância de comunicação quando parado foi de 50 km para comunicação de voz e 120 km para comunicação de chave elétrica. foi reduzido para 15km e 50km durante a condução.

O rádio Fu.8 é alojado em um rack dividido em frente e verso na placa de manga no lado esquerdo da sala de batalha, e um gerador GC400 é adicionalmente instalado no chão dessa parte para fornecer energia.
O número de tipos de veículos de comando produzidos e a relação de produção não foram divulgados, mas considerando o número de unidades equipadas com caça-tanques Hetzer, parece que pelo menos 100 veículos foram implantados como tipos de veículos de comando.


<Hetzer Tank Destroyer Condutor tipo de veículo>

comprimento total: 6,27 M
comprimento do corpo: 4,87 M
largura total: 2,63 M
Altura: 2,17 M
peso bruto: 16,0 T
ocupante: 4 pessoas
Motor: Praga AC2800 4 tempos reto de seis cilindros refrigerado a líquido gasolina
Potência máxima: 160Hp / 2.800 rpm
Velocidade máxima: 40km / h
Alcance de cruzeiro: 180km
Armados: 48 calibre 7,5cm metralhadora PaK39 × 1 (41 tiros)
        7,92mm Metralhadora MG34 × 1 (600 tiros)
Espessura da armadura: 8 -60mm


<Referências>

・ "World Tank Illustrated 14 Type 38 Hetzer Hetzer 1944-1945" por Hillary Doyle / Tom Jentz
 Dainippon Painting

・ "Light Destroyer Tank" por Walter J. Spielberger Dainippon Painting
・ "Grand Power Outubro de 2001 Hetzer (1) Hetzer Development and Structure "por Koichi Akira Delta Publishing
・" Grand Power Dezembro 2001 Hetzer (3) Hetzer Unit Deployment and Battle History "Koichi Akira notável delta out
 version 

-" Grand power 2013 junho destruidor de tanques Hetzer "Autor Hitoshi Goto Galileo publicação 
," Panzer agosto Edição de 2011 do caça-tanques alemão Hetzer "Autor Yukio Kume Argonaut 
," caça-tanques alemão Hetzer "revista diminuída

Veículo de Comando do Caça-Tanques Hetzer: Os Olhos e Ouvidos da Unidade

Visão Geral

Durante a Segunda Guerra Mundial, a doutrina militar alemã valorizava profundamente a comunicação rápida e eficaz entre as unidades, pois isso permitia coordenação precisa, resposta ágil e aproveitamento máximo das oportunidades de combate. Para suprir essa necessidade, o exército desenvolveu veículos de comando baseados em modelos já existentes, evitando projetos totalmente novos e acelerando a produção.
O Veículo de Comando do Caça-Tanques Hetzer segue exatamente esse conceito: não se tratou de um projeto independente, mas sim de uma versão modificada do famoso caça-tanques leve Hetzer, adaptada para funcionar como centro de comunicação e coordenação nos quartéis-generais de companhia e batalhão. Mantendo toda a capacidade de combate do modelo padrão, ganhou equipamentos de rádio de longo alcance, permitindo que comandantes se deslocassem junto às tropas e ao mesmo tempo mantivessem contato com escalões superiores, mesmo atrás das linhas de frente.
Essa versão foi desenvolvida já na fase final da guerra, quando a Alemanha precisava de soluções simples, rápidas e eficientes. Por ser baseada em um veículo já testado, confiável e de produção simplificada, a conversão foi fácil e rápida, tornando-se um elemento essencial nas unidades equipadas com o Hetzer.

Desenvolvimento e Características Principais

Conceito e Modificações

Desde o início do desenvolvimento do Hetzer, em 1943-1944, os engenheiros já previram a necessidade de uma versão de comando. Prova disso é que, dos três protótipos iniciais concluídos em março de 1944, o segundo (número de série 321002) já foi fabricado diretamente como modelo de comando.
As alterações em relação ao Hetzer padrão foram mínimas, mas estratégicas:
  • Preparação de Fábrica: No lado esquerdo da casa de máquinas, já existiam aberturas e furações para fixação de peças, que nos modelos normais eram tampadas com placas de aço soldadas ou parafusos. Para transformar o veículo em versão de comando, bastava remover essas tampas e instalar a base da antena e uma cobertura blindada para proteger a instalação.
  • Sistema de Rádio Principal: Além do rádio padrão Fu.5 (usado para comunicação dentro da unidade, curto alcance), foi adicionado o potente rádio Fu.8, composto por transmissor de 30W e receptor de ondas médias. Esse equipamento operava na faixa de 0,83 a 3 MHz e permitia comunicações muito mais longas:
    • Parado: 50 km em comunicação de voz e até 120 km em código morse.
    • Em movimento: 15 km em voz e 50 km em código.
  • Instalação Interna: O rádio Fu.8 foi montado em um suporte especial na parede esquerda da cabine de combate, com um gerador adicional GC400 instalado no piso para fornecer a energia extra necessária.
  • Identificação Externa: A marca mais visível era a antena em forma de estrela instalada no lado esquerdo, diferente das antenas de haste simples usadas nos modelos normais. Essa antena ficava protegida por uma tampa blindada aparafusada, que evitava danos e protegia a base contra estilhaços.

Quantidade Produzida

Não há registros exatos sobre quantos veículos foram convertidos ou fabricados como versão de comando, nem a proporção em relação ao modelo padrão. No entanto, considerando que cada batalhão de caça-tanques precisava de pelo menos 3 a 5 veículos de comando, e que centenas de Hetzer foram produzidos, estima-se que pelo menos 100 unidades dessa versão tenham sido disponibilizadas para as unidades de combate.

Dados Técnicos Completos

Dimensões e Peso

  • Comprimento total: 6,27 m
  • Comprimento da carroceria: 4,87 m
  • Largura total: 2,63 m
  • Altura total: 2,17 m
  • Peso em ordem de combate: 16,0 toneladas
  • Tripulação: 4 homens (comandante, artilheiro, carregador, motorista — com um membro treinado adicionalmente para operar os rádios)

Desempenho Mecânico

  • Motor: Praga AC2800, 4 tempos, 6 cilindros em linha, a gasolina, refrigerado a líquido
  • Potência máxima: 160 cavalos a 2.800 rotações por minuto
  • Velocidade máxima em estrada: 40 km/h
  • Autonomia máxima: 180 km
  • Suspensão: Sistema de molas de lâmina, simples e robusto, ideal para produção em massa e manutenção fácil

Armamento

Manteve exatamente o mesmo armamento do modelo padrão, permitindo que o veículo participasse ativamente do combate, não ficando restrito apenas a funções de comunicação:
  • Canhão principal: PaK 39 de 7,5 cm calibre 48, com 41 projéteis armazenados. Capaz de destruir a maioria dos tanques médios aliados e soviéticos em distâncias médias.
  • Armamento secundário: Metralhadora MG34 de 7,92 mm, com 600 cartuchos, instalada na frente da cabine para defesa contra infantaria.

Blindagem

Proteção equivalente ao modelo padrão, projetada para resistir a armas antitanque leves e estilhaços:
  • Frente: 60 mm (inclinada, oferecendo proteção efetiva superior a 100 mm)
  • Lados e traseira: 20 mm
  • Topo e assoalho: 8 mm

Função Operacional e Uso em Combate

O Veículo de Comando Hetzer era atribuído diretamente aos quartéis-generais de companhia e batalhão. Sua função principal era:
  1. Coordenar Ações: Receber ordens do comando superior e transmitir instruções para os outros veículos da unidade.
  2. Relatar Situação: Enviar informações sobre a posição inimiga, danos sofridos e necessidades de suprimento para retaguarda.
  3. Comando Direto: Permitir que o oficial comandante se deslocasse com a tropa, avaliasse o terreno e tomasse decisões no momento exato, com segurança e mobilidade.
Por ter o mesmo visual e capacidade de combate dos outros Hetzer, ele não se destacava como alvo prioritário, diferente de outros veículos de comando que eram versões de tanques maiores e mais visíveis. Sua blindagem inclinada e perfil baixo continuavam sendo suas maiores vantagens, permitindo operar em emboscadas e posições ocultas com segurança.
Atuou em todas as frentes onde o Hetzer foi empregado: na Frente Oriental contra a União Soviética, na Frente Ocidental contra os Aliados e na defesa da Alemanha até o fim da guerra, provando ser uma peça fundamental na organização e eficácia das unidades de caça-tanques leves alemãs.

Importância Histórica

O Veículo de Comando do Hetzer é um exemplo perfeito da engenharia militar alemã na fase final da guerra: simples, funcional e eficiente. Ele mostrou que, mesmo com recursos limitados, era possível adaptar equipamentos existentes para suprir necessidades operacionais críticas.
Sem perder capacidade de combate, ele adicionou uma camada essencial de organização às unidades, garantindo que, mesmo em meio ao caos da batalha, a comunicação — fator decisivo para o sucesso militar — continuasse fluindo. Hoje, é lembrado como uma das versões mais importantes e úteis da famosa família Hetzer.

Referências

  • World Tank Illustrated 14 — Type 38 Hetzer 1944-1945 — Hillary Doyle / Tom Jentz, Dainippon Painting
  • Destruidor de Tanques Leve — Walter J. Spielberger, Dainippon Painting
  • Grande Potência — Edição de outubro de 2001: Hetzer (1) — Desenvolvimento e Estrutura — Koichi Akira, Delta Publishing
  • Grande Potência — Edição de dezembro de 2001: Hetzer (3) — Desdobramento de Unidades e História de Batalha — Koichi Akira, Delta Publishing
  • Grande Potência — Edição de junho de 2013: Caça-Tanques Hetzer — Hitoshi Goto, Galileo Publishing
  • Panzer — Edição de agosto de 2011: Caça-Tanques Alemão Hetzer — Yukio Kume, Argonaute
  • Caça-Tanques Alemão Hetzer — Revista de Estudos Militares