
Benta Pereira (1675 - 1760) nascida na vila de São Salvador, no Campo dos Goytacazes no Rio de Janeiro. Filha de Domingos da Cerveira e de Izabel de Souza, ela participou ativamente do Levante de 21 de maio de 1748 também conhecido como "Revolta de Benta Pereira", porém ainda há dúvidas se sua participação foi somente na liderança e na coordenação da revolta ou se de fato pegou em armas.[1]
Biografia
Benta Pereira nasceu em 1675 na vila de São Salvador, filha de Domingos Pereira da Cerveira e Izabel de Souza. Foi casada com Pedro Manhães Barreto até o dia da morte dele, em 1713, com quem teve seis filhos.[1]

Após se tornar viúva Benta pereira se torna uma mulher muito influente e dona de terras. Ela construiu uma rede de influência casando suas filhas com figuras importantes da região.[1]
Seus filhos também participaram do levante contra o Visconde de Asseca, o 4° donatário da capitânia, que já estavam no poder por quatro gerações Manuel Manhães Barreto foi à Câmara Municipal com cartas expressando o descontentamento dos fazendeiros com a posse do 4º Donatário da capitânia, o Visconde de Asseca, porém foi expulso da Câmara municipal e suas cartas ignoradas. Em repercussão disto, fazendeiros se reuniram em frente a Câmara Municipal dispostos a pegar em armas, tendo como figura central dessa manifestação Mariana de Souza Barreto, outra filha de Benta Pereira.[1]
Benta Pereira participou da revolta articulando e coordenando seu grupo familiar que se opôs a família Asseca. Sua posição de influência devido às terras e os casamentos de suas filhas a auxiliaram na coordenação da revolta.[1]
A Revolta
O levante de 21 de maio de 1748 foi uma resposta de moradores e fazendeiros que se indignaram com a tirania do donatário da capitânia de Paranaíba do Sul, o Visconde de Asseca, da Família Correia de Sá. O visconde frequentemente acusava moradores de ocuparem áreas irregularmente, enviava suas tropas para atear fogo em suas propriedades.[1]
Em abril de 1748, surgiram boatos que o donatário iria à cidade, na câmara municipal, para empossar o novo donatário, o Quarto Visconde de Asseca. Ao saber disso, Manuel Manhães Barreto preparou um requerimento que visava barrar a posse do novo donatário. No entanto, a Câmara era favorável a família do visconde e o expulsou causando uma revolta na população que liderada por Mariana de Souza Barreto, invadiu a Câmara e conseguiu suspender a posse do donatário.[2]
No dia 21 de maio de 1748, o capitão-mor da vila de São Salvador, Antônio Teixera Nunes, planejou dar a força a posse ao Visconde de Asseca o que transforma a Vila de São Salvador em um campo de batalha. Benta Pereira passa comandar os rebeldes que atacam a casa do capitão-mor, o que resulta em sua prisão.[2]
O governador da capitânia do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade, ao ficar sabendo dessa revolta, ordena que o general João Almeida e Souza reunisse cerca de 200 tropas para retomar a Vila de São Salvador. Os revoltados que não fugiram foram derrotados e presos e condenados a prisão e o degredo para a África, entre estes estavam Mariana de Souza Barreto, filha de Benta Pereira.[2]
Em 1752, para evitar uma nova revolta, o rei José I de Portugal concede perdão régio para os revoltosos. Em 1754, a capitânia foi incorporada pelo rei, deixando de ser privada e sendo empossada por Sebastião da cunha Coutinho Rangel.[2]
Referências
- «Benta Pereira». Impressões Rebeldes. Consultado em 11 de dezembro de 2024
- «Revolta de Benta Pereira». Impressões Rebeldes. Consultado em 11 de dezembro de 2024
Benta Pereira: A Patriarca Matriarca e a Revolta Contra o Visconde de Asseca
Benta Pereira (1675 — 1760) foi uma figura central, corajosa e de imensa influência na história colonial do norte do estado do Rio de Janeiro. Nascida na vila de São Salvador, no Campo dos Goytacazes, ela notabilizou-se por liderar a resistência política e familiar contra os abusos do poder donatário na célebre Revolta de 21 de maio de 1748 — um marco de contestação antinobiliárquica que ficou conhecido como a "Revolta de Benta Pereira".
🌳 Biografia e Ascensão Social
Benta Pereira nasceu em 1675 na vila de São Salvador, sendo filha de Domingos Pereira da Cerveira e de Izabel de Souza.
Viúvez e Poder Económico: Foi casada com Pedro Manhães Barreto até o falecimento deste em 1713, união da qual resultaram seis filhos. Após a morte do marido, Benta consolidou-se como uma mulher de negócios astuta, tornando-se proprietária de terras e construindo uma sólida rede de influência regional através de alianças matrimoniais estratégicas das suas filhas com figuras de destaque local.
O Clã em Ação: A oposição à tirania do donatário mobilizou toda a família. O seu filho, Manuel Manhães Barreto, e a sua filha, Mariana de Souza Barreto, destacaram-se na linha da frente da contestação política que abalaria a capitânia.
⚔️ O Contexto e a Revolta de 21 de Maio de 1748
A revolta nasceu da profunda indignação popular e dos fazendeiros contra o domínio opressor do Visconde de Asseca (da poderosa família Correia de Sá), o 4.º donatário da capitânia de Paraíba do Sul. Os donatários tiranizavam a região, acusando falsamente os moradores de ocupação irregular de terras e enviando tropas para incendiar propriedades.
A Cronologia do Levante
Abril de 1748: Ao saber que o 4.º Visconde de Asseca pretendia tomar posse formal na Câmara Municipal, Manuel Manhães Barreto preparou um requerimento de repúdio. Contudo, a Câmara — alinhada aos interesses do donatário — expulsou-o. Em resposta, a população revoltou-se, liderada por Mariana de Souza Barreto, invadindo a Câmara e suspendendo temporariamente a posse.
O Estopim de 21 de Maio de 1748: O capitão-mor da vila, Antônio Teixeira Nunes, tentou impor a força a posse do Visconde, transformando a Vila de São Salvador num verdadeiro campo de batalha. É neste momento que Benta Pereira assume o comando direto dos revoltosos, orquestrando o ataque à residência do capitão-mor e resultando na sua prisão. Embora persista o debate historiográfico sobre se Benta pegou diretamente em armas ou se exerceu uma brilhante liderança estratégica e de coordenação, o seu papel de comandante do grupo familiar e rebelde é inegável.
⚖️ A Repressão e o Desfecho Histórico
A reação do Estado colonial não tardou. Ao tomar conhecimento do levantamento, o governador da Capitânia do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade, ordenou ao general João Almeida e Souza que marchasse sobre a Vila de São Salvador à frente de cerca de 200 soldados.
Derrota e Degredo: Os revoltosos que não conseguiram fugir foram capturados. Entre os presos encontrava-se Mariana de Souza Barreto, filha de Benta, que acabou condenada à prisão e ao degredo para a África.
A Amnistia Régia (1752): Temendo novos rastos de insurreição na zona campista, o rei D. José I de Portugal concedeu o perdão régio aos revoltosos em 1752.
Fim da Capitânia Privada (1754): A pressão exercida pela revolta surtiu efeito duradouro: em 1754, a capitânia foi finalmente incorporada à Coroa portuguesa, deixando de ser um domínio privado e sendo administrada por Sebastião da Cunha Coutinho Rangel.
Benta Pereira viria a falecer em 1760, aos 85 anos, deixando gravado o seu nome na história como símbolo de resistência feminina, tenacidade e defesa implacável da terra contra o arbítrio senhorial.
