| Colubroidea | |
|---|---|
| Pantherophis alleghaniensis | |
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Reptilia |
| Ordem: | Squamata |
| Subordem: | Serpentes |
| Clado: | Colubroides |
| Superfamília: | Colubroidea Oppel, 1811 |
| Families | |
| |
| Sinónimos[1] | |
Xenophidia | |
Colubroidea é uma superfamília da subordem Serpentes. Inclui mais de 85% de todas as espécies de serpentes extantes,[2] A maior ds famílias que lhe pertence é Colubridae, mas inclui pelo menos outras seis famílias.[3] Descobriu-se ser um grupo monofilético.[2]
Famílias
- Atractaspididae[4] actualmente geralmente despromovida a Atractaspidinae incluída em Lamprophiidae[3]
- Colubridae
- Dipsadidae, em algumas classificações incluída em Colubridae[5]
- Elapidae
- Homalopsidae
- Lamprophiidae (inclui Pseudoxyrhophiinae na maioria das classificações)
- Natricidae, em algumas classificações incluída em Colubridae, noutras classificações inclui Natricinae, Dipsadinae e Pseudoxenodontinae[6]
- Pareatidae
- Viperidae
- Xenodermatidae
Notas
- «Scientific name: Xenophidia». The Taxonomicon. Consultado em 19 de dezembro de 2016
- Lawson, Robin; Slowinski, Joseph B.; Crother, Brian I.; Burbrink, Frank T. (2005). «Phylogeny of the Colubroidea (Serpentes): new evidence from mitochondrial and nuclear genes» (PDF). Molecular Phylogenetics & Evolution. 37 (2): 581–601. PMID 16172004. doi:10.1016/j.ympev.2005.07.016. Consultado em 24 de janeiro de 2018. Arquivado do original (PDF) em 19 de agosto de 2014
- Pyron, R. Alexander; et al. (2011). «The phylogeny of advanced snakes (Colubroidea), with discovery of a new subfamily and comparison of support methods for likelihood trees» (PDF). Molecular Phylogenetics and Evolution 58.2: 329–342. Arquivado do original (PDF) em 3 de outubro de 2013
- Pough, F. Harvey; et al. (2004). Herpetology Third ed. Upper Saddle River, New Jersey: Pearson (Prentice Hall). ISBN 978-0-13-100849-6
- Vidal, N.; et al. (2008). «Dissecting the major African snake radiation: a molecular phylogeny of the Lamprophiidae Fitzinger (Serpentes, Caenophidia)». Zootaxa (1945): 51–66
- Dowling, Herndon G.; Jenner, Janann V. (1988). Snakes of Burma: Checklist of reported species and bibliography. Col: Smithsonian Herpetological Information Service #76. Washington, D.C.: Division of Amphibians and Reptiles, National Museum of Natural History, Smithsonian Institution. OCLC 23345387
Colubroidea: O Império das Serpentes Modernas
Uma exploração profunda da superfamília que domina os ecossistemas terrestres e aquáticos do planeta
Quando pensamos em serpentes, é quase certo que estamos a pensar num membro da superfamília Colubroidea. Este grupo taxonómico não é apenas numeroso; é avassaladoramente dominante. Representando mais de 85% de todas as espécies de serpentes extantes, os Colubroidea são os verdadeiros soberanos da subordem Serpentes.
Desde as vibrantes cobras-corais das Américas até às víboras silenciosas da África, passando pelas inofensivas cobras-rato dos jardins urbanos, a história evolutiva dos Colubroidea é uma narrativa de adaptação, diversificação e sucesso biológico sem precedentes. Este artigo detalha a taxonomia complexa, a evolução revolucionária e a importância ecológica deste grupo monofilético que conquistou todos os continentes (exceto a Antártida).
1. Definição e Posição Taxonómica
A Colubroidea é uma superfamília dentro da subordem Serpentes (cobras). A sua definição moderna baseia-se fortemente em análises filogenéticas moleculares (DNA) que confirmaram o seu status como um grupo monofilético.
- Monofilia: Isso significa que todas as espécies dentro de Colubroidea descendem de um único ancestral comum exclusivo, que não é ancestral de nenhum outro grupo de serpentes (como as boas ou pítons).
- Diversidade: Estima-se que existam mais de 2.900 espécies divididas nesta superfamília.
- Distribuição: Cosmopolita. Encontram-se em todos os continentes, desde florestas tropicais densas até desertos áridos e oceanos abertos.
A descoberta da monofilia dos Colubroidea foi um marco na herpetologia, permitindo aos cientistas traçar uma linha clara entre as serpentes "modernas" (Caenophidia) e as linhagens mais primitivas.
2. A Complexidade das Famílias: Um Quebra-Cabeças em Evolução
A taxonomia dos Colubroidea é dinâmica. À medida que a tecnologia de sequenciamento genético avança, a classificação das famílias muda para refletir melhor as relações evolutivas reais. O que antes era considerado uma única família gigante (Colubridae), hoje é frequentemente dividido em múltiplas famílias distintas.
Abaixo, detalhamos as principais famílias e as nuances classificatórias atuais:
2.1. Colubridae (Os Colubrídeos Típicos)
- Status: A maior e mais diversa família da superfamília.
- Características: Muitas vezes chamadas de "cobras típicas". A maioria é não venenosa ou possui venom traseiro (opistóglifas) inofensivo para humanos.
- Distribuição: Global, exceto Antártida.
- Exemplos: Cobra-rato (Pantherophis), Cobra-liga (Thamnophis).
- Nota Taxonómica: Historicamente, era um "taxon de lixo" onde se colocava qualquer cobra que não fosse víbora, elapídeo ou boídeo. Hoje, muitas subfamílias foram elevadas a famílias próprias.
2.2. Elapidae (Os Elapídeos)
- Status: Família de grande importância médica e ecológica.
- Características: Possuem presas de venom fixas na parte frontal da boca (proteróglifas). O venom é geralmente neurotóxico.
- Distribuição: Principalmente hemisfério sul (Austrália, África, Ásia, Américas).
- Exemplos: Cobras-rei, Mambas, Cobras-corais, Serpentes-marinhas.
2.3. Viperidae (Os Viperídeos)
- Status: Conhecidas pelas presas mais longas e especializadas.
- Características: Presas longas e móveis que se dobram para trás na boca (solenóglifas). Muitas possuem fossetas loreais para detecção de calor.
- Subfamílias:
- Viperinae: Víboras do Velho Mundo (sem fossetas de calor).
- Crotalinae: Cascavéis e jararacas (com fossetas de calor).
- Azemiopinae: Víbora-de-feathers (uma linhagem basal peculiar).
- Distribuição: Global, exceto Austrália e Antártida.
2.4. Lamprophiidae (Os Lamprofídeos)
- Status: Família predominantemente africana e asiática.
- Características: Extremamente diversa em comportamento e morfologia.
- Inclusões Recentes:
- Atractaspidinae: Anteriormente classificada como família Atractaspididae (cobras-toupeira), agora geralmente despromovida a subfamília dentro de Lamprophiidae devido a evidências genéticas.
- Pseudoxyrhophiinae: Serpentes de Madagáscar.
- Exemplos: Cobra-caseira-africana, Cobra-toupeira.
2.5. Natricidae (Os Natrídeos)
- Status: Antigamente subfamília Natricinae dentro de Colubridae.
- Características: Muitas são semi-aquáticas. Possuem glândulas de venom Duvernoy (geralmente inofensivas).
- Debates: Em algumas classificações, ainda incluída em Colubridae. Noutras, é elevada a família, podendo incluir grupos como Dipsadinae e Pseudoxenodontinae dependendo do autor.
- Exemplos: Cobra-de-água-europeia (Natrix).
2.6. Dipsadidae (Os Dipsadídeos)
- Status: Majoritariamente do Novo Mundo (Américas).
- Características: Inclui muitas espécies com venom traseiro especializado para anfíbios.
- Debates: Frequentemente incluída em Colubridae em classificações mais antigas, mas reconhecida como família distinta na taxonomia molecular moderna.
- Exemplos: Cobra-cipó, Cobra-verde.
2.7. Homalopsidae (As Cobras-de-Lama)
- Status: Família especializada em ambientes aquáticos e estuarinos.
- Distribuição: Sudeste Asiático e Austrália.
- Características: Narinas valvulares para submersão, olhos no topo da cabeça.
- Exemplos: Cobra-de-lama-indonésia.
2.8. Pareatidae (Os Pareatídeos)
- Status: Família pequena e especializada.
- Dieta: Quase exclusivamente caramujos e lesmas.
- Características: Mandíbula inferior assimétrica para extrair caramujos da concha.
- Distribuição: Sudeste Asiático.
2.9. Xenodermatidae (Os Xenodermatídeos)
- Status: Conhecidas como "cobras-de-escamas-estranhas".
- Características: Escamas dorsais muito diferentes das ventrais, dando uma aparência rugosa.
- Distribuição: Ásia.
- Exemplos: Cobra-arroz (Xenodermus javanicus).
3. A Revolução do Venom e Dentição
Um dos fatores chave para o sucesso dos Colubroidea é a evolução sofisticada dos sistemas de venom e dentição. Embora nem todos sejam venenosos para humanos, a maioria possui glândulas de venom derivadas de um ancestral comum venenoso.
- Agliofas (Aglyphous): Sem presas especializadas (ex: muitas Colubridae).
- Opistóglifas (Opisthoglyphous): Presas de venom na parte traseira da boca (ex: Dipsadidae, algumas Colubridae).
- Proteróglifas (Proteroglyphous): Presas fixas na frente (ex: Elapidae).
- Solenóglifas (Solenoglyphous): Presas longas, móveis e canalizadas na frente (ex: Viperidae).
Esta diversidade permitiu que os Colubroidea explorassem nichos de predação inacessíveis a outras serpentes, desde a imobilização rápida de mamíferos até a digestão lenta de moluscos.
4. A Dança Taxonómica: Por que as Classificações Mudam?
O leitor atento notará que a lista de famílias pode variar conforme o livro ou artigo científico consultado. Isso ocorre devido à taxonomia filogenética.
- O Caso Atractaspididae: Geneticamente, descobriu-se que estas "cobras-toupeira" estavam aninhadas dentro do grupo Lamprophiidae. Para manter a monofilia (grupos que incluem todos os descendentes), a família foi despromovida para subfamília (Atractaspidinae).
- O Caso Colubridae vs. Natricidae/Dipsadidae: O antigo "Colubridae" era parafilético (não incluía todos os descendentes). Para corrigir isso, cientistas "fatiaram" a família antiga em várias novas (Natricidae, Dipsadidae, etc.). Contudo, alguns herpetólogos tradicionais ainda preferem a classificação mais ampla por estabilidade nomenclatural.
- O Caso Pseudoxenodontinae: Frequentemente movido entre Colubridae, Natricidae ou tratado como grupo irmão, dependendo da análise de DNA utilizada.
Esta fluidez não é um erro, mas sim um sinal de ciência viva, ajustando-se constantemente para refletir a verdadeira história evolutiva.
5. Ecologia e Importância Global
A dominância dos Colubroidea não é acidental. Eles desempenham papéis ecológicos vitais:
- Controlo de Pragas: Muitas espécies (Colubridae, Viperidae) alimentam-se de roedores, protegendo colheitas e reduzindo a transmissão de doenças.
- Indicadores de Saúde Ambiental: Serpentes aquáticas (Homalopsidae, Natricidae) são sensíveis à poluição da água, servindo como bioindicadores.
- Cadeia Alimentar: Servem de presa para aves de rapina, mamíferos e outras serpentes, transferindo energia através do ecossistema.
- Medicina: O venom dos Elapidae e Viperidae é a base para medicamentos anti-hipertensivos, anticoagulantes e analgésicos.
6. Conclusão: Os Arquitetos da Evolução Serpentina
A superfamília Colubroidea representa o ápice da evolução das serpentes. Com mais de 85% de todas as espécies vivas, elas demonstraram uma capacidade extraordinária de adaptação a quase todos os ambientes da Terra.
Desde as complexas disputas taxonómicas que refinam a nossa compreensão das suas relações familiares, até ao poder bioquímico dos seus venens, os Colubroidea continuam a ser o foco central da herpetologia moderna. Estudar este grupo é estudar a própria história do sucesso evolutivo dos répteis.
Enquanto novas técnicas de DNA continuam a reorganizar as suas famílias (como a absorção de Atractaspididae em Lamprophiidae), uma coisa permanece certa: os Colubroidea são, e continuarão a ser, os governantes indiscutíveis do mundo das serpentes.
Ficha Técnica Resumo: Colubroidea
Nota: A classificação das serpentes está em constante revisão. Este artigo reflete o consenso científico mais recente baseado em filogenia molecular, mas variações podem existir em literatura mais antiga.