Denominação inicial: Grupo Escolar de Arapoti
Denominação atual: Escola Municipal Infantil Telêmaco Carneiro
Endereço: Rua Emiliano Carneiro, 1333
Cidade: Arapoti
Classificação (Uso): Casa Escolar, Grupo
Período: 1945-1951
Projeto Arquitetônico
Autor: Divisão de Projetos e Edificações da Secretaria de Viação e Obras Públicas
Data: 18/04/1947
Estrutura:
Tipologia: U
Linguagem: Neocolonial
Data de inauguracao:
Situação atual:
Uso atual: Edifício escolar
Escola Municipal Infantil Telêmaco Carneiro em 2012 Fonte: https://www.google.com.br/maps. Acesso em 14 de janeiro de 2017
Do Grupo à Infância: A Trajetória do Grupo Escolar de Arapoti
No coração de Arapoti, onde o sol do Paraná ilumina terras férteis e histórias de superação, ergue-se na Rua Emiliano Carneiro, número 1333, um edifício que carrega em suas paredes o peso e a leveza de duas missões: formar cidadãos e acolher crianças. Esta é a crônica do Grupo Escolar de Arapoti, hoje conhecido como Escola Municipal Infantil Telêmaco Carneiro.
Mais do que um endereço, este é um ponto de encontro entre gerações. Onde antes ecoavam as vozes de alunos aprendendo as primeiras letras em um Brasil que se reconstruía, hoje ressoam risadas de crianças em fase de descoberta. O prédio mudou de nome, adaptou seus espaços, mas manteve intacta sua essência: ser um templo de educação.
O Contexto de Uma Nova Era: 1945-1951
O mundo respirava aliviado após o fim da Segunda Guerra Mundial. No Brasil, e especialmente no Paraná, os olhos se voltavam para o interior. Era tempo de expandir não apenas fronteiras agrícolas, mas também fronteiras do saber.
Foi nesse clima de esperança e reconstrução que Arapoti recebeu seu Grupo Escolar. Entre 1945 e 1951, o estado investiu na criação de escolas padronizadas, levando educação formal a municípios que até então dependiam de iniciativas isoladas. O Grupo Escolar de Arapoti não foi apenas uma construção; foi um símbolo de que o progresso também se mede em alfabetização.
A educação primária, organizada em "Grupos", representava a modernidade pedagógica da época. Não era mais uma sala única para todas as idades; era um espaço pensado para acolher diferentes etapas do aprendizado, com salas específicas, pátios para recreio e uma arquitetura que inspirava respeito e seriedade.
A Assinatura do Estado: A Divisão de Projetos e Edificações
Diferente de obras assinadas por arquitetos individuais, o projeto do Grupo Escolar de Arapoti carrega uma assinatura institucional: Divisão de Projetos e Edificações da Secretaria de Viação e Obras Públicas.
Datado de 18 de abril de 1947, este documento oficial representa a máquina pública em ação. Não havia espaço para improvisos. Cada traço, cada medida, cada detalhe foi pensado por uma equipe técnica que buscava padronizar a qualidade do ensino em todo o estado.
Essa padronização não significava falta de cuidado. Pelo contrário: era a garantia de que uma criança em Arapoti teria acesso a um espaço escolar tão digno e funcional quanto uma criança em Curitiba. Era a democracia através da arquitetura.
Embora o nome de cada engenheiro ou desenhista tenha se perdido nos arquivos, a competência coletiva está impressa em cada parede. O projeto de 1947 foi o mapa que guiou a construção de um sonho coletivo.
A Arquitetura do Acolhimento: Neocolonial em Forma de "U"
Ao observar a edificação, dois elementos saltam aos olhos: a linguagem Neocolonial e a tipologia em "U".
O estilo Neocolonial, tão caro ao Brasil da primeira metade do século XX, foi uma escolha estética e política. Ao recuperar elementos da arquitetura colonial — telhados de quatro águas, platibandas discretas, janelas generosas —, o estado buscava criar uma identidade visual que conectasse o novo Brasil republicano às suas raízes históricas. Em Arapoti, terra de tradições, esse estilo conversava diretamente com a população, transmitindo familiaridade e pertencimento.
Já a tipologia em "U" é uma lição de arquitetura humanizada. Diferente de um bloco fechado, o formato em "U" cria um pátio interno protegido, um espaço de convivência seguro para as crianças. Os dois braços do edifício se estendem como um abraço, acolhendo quem entra. Era ali, nesse pátio, que o recreio ganhava vida, que as brincadeiras aconteciam, que as amizades se formavam.
A estrutura, embora não detalhada nos registros públicos, seguia os padrões de solidez da época: alvenaria robusta, pé-direito alto para ventilação natural, janelas amplas para iluminação. Era uma escola feita para durar — e durou.
A Inauguração Silenciosa e os Primeiros Passos
Embora a data exata da inauguração não conste nos registros consultados, é possível situá-la entre o final da década de 1940 e o início da década de 1950. Imagine o dia: autoridades locais, pais ansiosos, crianças com uniformes novos, o discurso emocionado do diretor, o corte da fita simbólica.
Daquele dia em diante, o Grupo Escolar de Arapoti tornou-se o coração pulsante da comunidade. Foi ali que gerações de arapotienses aprenderam a ler, escrever, contar e, acima de tudo, a conviver. Professores dedicados, muitas vezes vindos de outras cidades, plantaram sementes de conhecimento que floresceriam em médicos, professores, agricultores, líderes comunitários.
As paredes testemunharam lições de português, exercícios de aritmética, cantorias cívicas, festas juninas. Cada marca no assoalho, cada rabisco nas carteiras (hoje substituídas) é uma memória viva de uma infância que se foi, mas que deixou sua marca no tecido social da cidade.
A Metamorfose: De Grupo Escolar a Escola Infantil
O tempo é um arquiteto silencioso que nunca para de reformar. Com as mudanças na legislação educacional, especialmente após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1961 e suas atualizações, a organização do ensino primário se transformou. Os "Grupos Escolares" deram lugar a novas nomenclaturas e estruturas pedagógicas.
Em Arapoti, essa evolução se materializou na transformação do antigo Grupo Escolar na Escola Municipal Infantil Telêmaco Carneiro.
A mudança de nome não foi apenas burocrática. Ao incorporar "Infantil", a escola sinalizou um foco renovado na primeira infância, etapa fundamental do desenvolvimento humano. E ao homenagear Telêmaco Carneiro — provavelmente uma figura local de relevância histórica, talvez ligada à família Carneiro, tradicional na região —, a comunidade reafirmou seu compromisso com a memória e com os valores que construíram Arapoti.
Hoje, o uso atual do edifício permanece fiel à sua vocação original: edifício escolar. Embora a situação física específica não esteja detalhada nos registros, a continuidade do uso educacional é, por si só, um triunfo. Significa que o prédio de 1947 ainda serve, ainda ensina, ainda acolhe.
O Registro Visual: A Memória em Imagem
Em 2012, fotografias da Escola Municipal Infantil Telêmaco Carneiro foram capturadas e disponibilizadas via Google Maps, acessadas em 14 de janeiro de 2017. Essas imagens são mais do que registros técnicos; são janelas para o presente que dialogam com o passado.
Nelas, é possível observar como o edifício em "U" se mantém, mesmo que com adaptações. Talvez novas cores na fachada, talvez jardins cuidados, talvez brinquedos no pátio interno. Cada detalhe conta uma história de manutenção, de cuidado, de amor pelo patrimônio.
Essas fotos também nos lembram que a preservação não é apenas responsabilidade do poder público. É um compromisso coletivo. Cada pai que deixa seu filho na porta, cada professor que entra com sua turma, cada funcionário que zela pela limpeza está contribuindo para que este edifício continue vivo.
Conclusão: Um Abraço de Tijolos que Ensina
O Grupo Escolar de Arapoti, hoje Escola Municipal Infantil Telêmaco Carneiro, é mais do que um patrimônio arquitetônico. É um patrimônio afetivo.
Localizado na Rua Emiliano Carneiro, 1333, ele continua sendo um farol de esperança para as famílias de Arapoti. O estilo Neocolonial nos conecta às nossas raízes. A forma em "U" nos ensina que a educação deve ser acolhedora. E a transformação de nome nos lembra que as instituições, como as pessoas, precisam evoluir para continuar servindo.
Muitos dos alunos que passaram por ali entre 1950 e 1980 já são avós hoje. Muitos dos professores já descansam. Mas o edifício permanece. E enquanto houver uma criança cruzando seus portões com a mochila nas costas e o brilho da curiosidade nos olhos, a missão de 1947 estará sendo cumprida.
Este prédio não é feito apenas de tijolos e cimento. É feito de sonhos realizados, de lições aprendidas, de futuros construídos. É, em sua essência, um abraço de tijolos que ensina — e que continuará ensinando, por muitas gerações ainda.
Em homenagem a todos os educadores, alunos e famílias de Arapoti que, desde 1947, transformaram este edifício em um lar de saber e afeto. Que a Escola Municipal Infantil Telêmaco Carneiro continue a ser, por muitos anos, o primeiro grande amor de muitas crianças pelo conhecimento.
