Denominação inicial: Grupo Escolar Cristo Rei
Denominação atual: Colégio Estadual Professor Elias Abrahão
Endereço: Av. Souza Naves, 1221 - Cristo Rei
Cidade: Curitiba
Classificação (Uso): Casa Escolar, Grupo
Período: 1945-1951
Projeto Arquitetônico
Autor: Divisão de Projetos e Edificações da Secretaria de Viação e Obras Públicas
Data: 1948
Estrutura: padronizado
Tipologia: E
Linguagem: Neocolonial
Data de inauguracao:
Situação atual: Edificação existente com alterações
Uso atual: Edifício escolar
Grupo Escolar do Cristo Rei - s/d
Acervo: Colégio Estadual Professor Elias Abrahão
Do Sonho Neocolonial ao Legado Educativo: A História do Grupo Escolar Cristo Rei em Curitiba
Entre as avenidas arborizadas do bairro Cristo Rei, em Curitiba, ergue-se um edifício que, embora discreto à primeira vista, carrega em suas paredes o peso simbólico de uma era — aquela em que o Estado paranaense apostava na escola pública como pilar da modernização e da cidadania. Trata-se do antigo Grupo Escolar Cristo Rei, hoje conhecido como Colégio Estadual Professor Elias Abrahão, uma construção que nasceu nos anos imediatamente posteriores à Segunda Guerra Mundial e que, desde então, tem moldado gerações.
Uma Escola para o Povo: O Contexto Histórico
Nos anos 1940, o Paraná vivia um momento de intensa expansão urbana e reformulação de sua política educacional. Inspirado pelos ideais da Escola Nova e pela necessidade de universalizar o ensino primário, o governo estadual lançou um ambicioso programa de construção de grupos escolares — instituições que iam além da simples alfabetização, oferecendo educação integral, higiene, alimentação e formação cívica.
Foi nesse cenário que surgiu, entre 1945 e 1951, o Grupo Escolar Cristo Rei, localizado na Avenida Souza Naves, 1221, coração de um dos bairros mais emblemáticos de Curitiba. Embora a data exata de inauguração não conste nos registros disponíveis, sabe-se que seu projeto foi elaborado em 1948 pela Divisão de Projetos e Edificações da Secretaria de Viação e Obras Públicas, órgão responsável por padronizar a arquitetura escolar no estado.
Arquitetura com Identidade: O Estilo Neocolonial
O prédio do Grupo Escolar Cristo Rei seguiu a Tipologia E, um modelo padronizado adotado pelo governo paranaense para garantir funcionalidade, economia e identidade visual às novas escolas. Sua linguagem arquitetônica escolhida foi o Neocolonial — um estilo que, na época, simbolizava tradição, solidez e brasilidade.
Caracterizado por telhados de quatro águas, beirais salientes, janelas com molduras emolduradas e uso de elementos inspirados na arquitetura luso-brasileira do século XVIII, o Neocolonial buscava criar um senso de pertencimento nacional, especialmente importante num período de reconstrução pós-guerra e consolidação da identidade brasileira.
Apesar das alterações sofridas ao longo das décadas — adaptações necessárias para atender às demandas pedagógicas contemporâneas —, o edifício mantém sua estrutura essencial e continua a funcionar como espaço escolar, testemunhando mais de sete décadas de história educacional.
Da Fé ao Nome do Educador: Uma Mudança Simbólica
Originalmente batizado como Grupo Escolar Cristo Rei, o nome fazia referência direta ao bairro onde foi construído — uma homenagem à devoção católica que marcava fortemente a cultura curitibana da época. No entanto, com o tempo e conforme as políticas públicas passaram a valorizar figuras ligadas à educação e ao serviço público, a instituição recebeu nova denominação: Colégio Estadual Professor Elias Abrahão.
Embora pouco se saiba publicamente sobre a trajetória do professor Elias Abrahão, seu nome perpetuado na fachada da escola é um tributo silencioso a todos os educadores anônimos que dedicaram suas vidas à formação de crianças e jovens no Paraná. Essa mudança reflete também a laicização progressiva do ensino público brasileiro, sem apagar, contudo, as raízes culturais e comunitárias do lugar.
Um Patrimônio Vivo
Hoje, o prédio segue em pleno uso como edifício escolar, abrigando centenas de alunos anualmente. Classificado como Casa Escolar do tipo Grupo, sua função original permanece essencialmente a mesma: ser um espaço de aprendizado, convivência e transformação social.
Apesar das intervenções ao longo dos anos — novas salas, refeitórios ampliados, acessibilidade adaptada —, o espírito do projeto de 1948 ainda respira nas paredes do colégio. Cada corredor ecoa vozes de gerações passadas; cada pátio guarda memórias de recreios, festas juninas e apresentações de fim de ano.
Conclusão: Mais que Tijolos e Telhas
O Colégio Estadual Professor Elias Abrahão — outrora Grupo Escolar Cristo Rei — não é apenas um imóvel listado em acervos históricos ou um exemplo de arquitetura neocolonial padronizada. É um patrimônio vivo da educação paranaense, um símbolo da crença de que a escola pública pode, sim, ser instrumento de justiça, inclusão e esperança.
Num tempo em que tantos questionam o valor da escola, lembrar-se de construções como essa é um ato de resistência. Porque ali, desde os anos 1940, crianças entraram analfabetas e saíram leitoras; entraram inseguras e saíram cidadãs.
E esse legado — assim como o teto de quatro águas que os protegeu — continua de pé.
