Massacre da Construtora Pacheco Fernandes Dantas
8 de fevereiro de 1959 — 67 anos de uma tragédia silenciada
Massacre da Construtora Pacheco Fernandes Dantas
8 de fevereiro de 1959 — 67 anos de uma tragédia silenciada
O episódio ficou conhecido como um dos eventos mais tristes e violentos da construção de Brasília, marcado pela exploração dos trabalhadores e pela repressão brutal contra quem ousou reclamar de condições desumanas.
Contexto: A construção da nova capital
No final da década de 1950, milhares de operários vindos de todas as regiões do Brasil foram contratados para erguer, em apenas alguns anos, a futura capital federal. Muitos viviam em canteiros de obras isolados, sem estrutura adequada, sob regras rigorosas impostas pelas empresas responsáveis pela construção. A Construtora Pacheco Fernandes Dantas era uma das principais contratadas para as obras, e seus alojamentos ficavam próximos à área onde surgiria a Cidade Livre — hoje o bairro Núcleo Bandeirante —, o único ponto de convívio e lazer para os trabalhadores.
Os acontecimentos no Carnaval de 1959
Para impedir que os operários deixassem os alojamentos durante o feriado de Carnaval, a direção da empresa adotou medidas coercitivas:
- Corte do abastecimento de água: Sem água para se limpar ou tomar banho, a intenção era dificultar a saída dos homens.
- Retenção de salários: O pagamento que deveria ser feito no sábado foi suspenso, privando-os de recursos para se deslocar ou se divertir.
No domingo, dia 8 de fevereiro, a situação se agravou: a cantina do canteiro serviu comida estragada. A reclamação imediata dos trabalhadores evoluiu para um confronto, com quebra de objetos e instalações.
A empresa chamou a Guarda Especial de Brasília (GEB), força policial criada para manter a ordem no canteiro de obras. Ao invés de mediar o conflito, os agentes partiram para a agressão, espancando os envolvidos. A violência generalizada revoltou também quem não havia participado do protesto, levando a uma reação coletiva contra os policiais, que se retiraram do local ameaçando se vingar.
A repressão noturna
Horas depois, durante a madrugada, a GEB retornou em grande número, agora armada com fuzis e metralhadoras. Invadiram os alojamentos onde os trabalhadores já dormiam e abriram fogo contra os beliches, sem distinção.
Foi uma ação de retaliação premeditada, contra pessoas desarmadas e indefesas.
O silêncio oficial
Um dos traços mais marcantes dessa tragédia é a falta de transparência e de responsabilização:
- O número exato de mortos e feridos nunca foi divulgado oficialmente.
- Os corpos foram retirados e enterrados sem identificação ou registro público.
- O canteiro de obras ficava numa região isolada, longe do alcance da imprensa, da Justiça e da opinião pública das grandes cidades. Por isso, o caso ficou pouco conhecido durante décadas.
Memória e lembrança
Hoje, o episódio é lembrado como símbolo da dura realidade enfrentada por quem construiu Brasília: trabalho árduo, condições precárias e poucos direitos. Frases como “Jamais esqueceremos dos 67 anos do massacre na construtora Pacheco Fernandes Dantas” reforçam a importância de não deixar que a história seja apagada, mantendo viva a memória dos trabalhadores que perderam a vida ou sofreram repressão por exigir dignidade.
Fonte: Memorial da Democracia