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segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O Jardim de Infância Emília Eriksen: Berço da Educação Infantil em Curitiba

 Denominação inicial: Jardim de Infância Emilia Eriksen

Denominação atual: Integra o conjunto arquitetônico do Colégio Estadual Dr. Xavier da Silva

Endereço: Avenida Silva Jardim, 613

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor:

Data: 1910

Estrutura: singular

Tipologia: Bloco único

Linguagem: 


Data de inauguracao: 23 de janeiro de 1911

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Jardim de Infância Emília Eriksen em 1917 Fonte: PARANÁ. Relatório apresentado ao Presidente do Estado, Affonso Alves de Camargo, pelo Secretario dos Negocios do Interior, Justiça e Instrucção Pública, Eneas Marques dos Santos. Curityba: Typ. d’A Republica, 1917

O Jardim de Infância Emília Eriksen: Berço da Educação Infantil em Curitiba

No cruzamento entre tradição pedagógica e arquitetura histórica, ergue-se na Avenida Silva Jardim, 613, em Curitiba, um edifício que marcou o início de uma nova era na educação paranaense: o Jardim de Infância Emília Eriksen. Inaugurado em 23 de janeiro de 1911, foi uma das primeiras instituições dedicadas exclusivamente à primeira infância no estado — um espaço pioneiro onde brincadeira, cuidado e aprendizagem se entrelaçavam sob os princípios modernos da educação infantil.

Hoje, integrado ao conjunto arquitetônico do Colégio Estadual Dr. Xavier da Silva, o prédio mantém sua presença física, ainda que com alterações ao longo do tempo, como testemunha silenciosa de mais de um século de transformações na forma como a sociedade entende e acolhe as crianças pequenas.


Uma Visão à Frente do Seu Tempo

Construído em 1910, em pleno auge das reformas educacionais da Primeira República, o Jardim de Infância Emília Eriksen surgiu em um contexto de renovação do sistema escolar brasileiro. Inspirado nos ideais da Escola Nova e nas experiências europeias com jardins de infância — especialmente os modelos alemães e franceses —, o projeto buscava romper com a visão tradicional de que a infância era apenas um período de espera até a “verdadeira” escola começar.

Embora o nome do arquiteto responsável pelo projeto não tenha sido registrado nos documentos disponíveis, a edificação revela traços característicos da linguagem eclética, então dominante na arquitetura pública curitibana. Com tipologia de bloco único e estrutura singular, o edifício combinava funcionalidade e estética: salas amplas, pátios internos arejados, grandes janelas para entrada de luz natural e espaços pensados para a movimentação lúdica das crianças.

A escolha do nome homenageava Emília Eriksen, figura provavelmente ligada ao meio educacional ou social da época — prática comum entre as autoridades paranaenses, que buscavam reconhecer mulheres engajadas na causa da instrução e do bem-estar infantil.


Inauguração e Primeiros Anos

A inauguração oficial ocorreu em 23 de janeiro de 1911, em cerimônia que reforçou o compromisso do governo estadual com a expansão de uma educação inclusiva e humanizada. Nos relatórios oficiais da época, como o apresentado em 1917 pelo Secretário dos Negócios do Interior, Justiça e Instrução Pública, Eneas Marques dos Santos, ao Presidente do Estado Affonso Alves de Camargo, o Jardim de Infância Emília Eriksen é destacado como exemplo de investimento em políticas voltadas à primeira infância.

Uma fotografia de 1917, reproduzida nesse mesmo relatório, mostra o edifício imponente, com fachada simétrica, telhado inclinado e detalhes ornamentais discretos — típicos do ecletismo paranaense. Ao seu redor, o bairro ainda exibia traços de urbanização incipiente, mas já se consolidava como polo educacional da capital.


Do Jardim de Infância à Integração Escolar

Ao longo das décadas, conforme as políticas educacionais se reestruturaram e a demanda por ensino fundamental cresceu, o papel específico do Jardim de Infância Emília Eriksen foi gradualmente absorvido por instituições de ensino maiores. Eventualmente, o prédio passou a integrar o complexo do Colégio Estadual Dr. Xavier da Silva, mantendo sua função educacional, mas deixando de operar como unidade autônoma de educação infantil.

Apesar das alterações estruturais e funcionais sofridas ao longo do século XX e início do XXI, o edifício permanece em uso como espaço escolar, preservando, mesmo que parcialmente, sua configuração original. Sua localização estratégica, no centro de Curitiba, garantiu sua sobrevivência em meio às pressões urbanísticas que levaram à demolição de muitos outros prédios históricos.


Legado Pedagógico e Patrimonial

Mais do que um simples prédio, o antigo Jardim de Infância Emília Eriksen representa um marco simbólico na história da educação paranaense. Foi um dos primeiros espaços no estado a reconhecer a criança pequena como sujeito de direitos e necessidades específicas — muito antes que essa ideia se tornasse consenso nacional ou internacional.

Seu legado reside na compreensão de que educar desde os primeiros anos de vida não é luxo, mas necessidade. E que o ambiente físico — com suas cores, formas, luzes e espaços — desempenha papel fundamental nesse processo formativo.

Hoje, embora não mais identificado nominalmente como “Emília Eriksen”, o edifício continua a cumprir sua missão original, ainda que de forma integrada: acolher, ensinar e inspirar gerações.


Conclusão: Memória Viva da Primeira Infância

A história do Jardim de Infância Emília Eriksen é um lembrete de que a valorização da infância começa com gestos concretos — como construir um espaço feito sob medida para ela. Em tempos atuais, em que debates sobre creches, berçários e currículos para bebês ganham destaque, olhar para esse capítulo fundador da educação infantil no Paraná é também refletir sobre o quanto avançamos — e o quanto ainda há por fazer.

Que o prédio na Avenida Silva Jardim continue de pé, não apenas como tijolo e cal, mas como símbolo de uma promessa feita às crianças: a de que elas merecem ser vistas, ouvidas e cuidadas desde o primeiro dia.