sexta-feira, 17 de julho de 2026

Leandro Gomes de Barros: O Rei da Poesia do Sertão e Pai da Literatura de Cordel Brasileira

 

Leandro Gomes de Barros
Fotografia de Leandro Gomes de Barros (início do século XX)
Nascimento
Leandro Gomes de Barros


Morte
4 de março de 1918 (52 anos)

Nacionalidadebrasileiro
Ocupaçãopoeta e cordelista
Gênero literárioLiteratura de cordel, conto
Movimento literárioMovimento Armorial
Magnum opusBatalha de Oliveiros com Ferrabrás
A Mulher Roubada

Leandro Gomes de Barros (Pombal, 19 de novembro de 1865Recife, 4 de março de 1918) foi um poeta de literatura de cordel brasileiro.[1]

Em 19 de novembro é comemorado o Dia do Cordelista, em homenagem ao nascimento de Leandro Gomes de Barros.[2]

Biografia

É considerado como o primeiro escritor brasileiro de literatura de Cordel, tendo escrito aproximadamente 240 obras. No seu tempo, era cognominado "O Primeiro sem Segundo",[3] e ainda é considerado o maior poeta popular do Brasil de todos os tempos, autor de vários clássicos e campeão absoluto de vendas, com muitos folhetos que ultrapassam a casa dos 3 milhões de exemplares vendidos.

Compôs obras-primas que eram utilizadas em obras de outros grandes autores, como por exemplo Ariano Suassuna que em sua peça Auto da Compadecida, se inspirou em dois de seus folhetos: O Dinheiro, também chamado de O Testamento do Cachorro e O Cavalo que Defecava Dinheiro.[4][5][3]

Depois de fundar uma pequena gráfica, em 1906, seus folhetos se espalharam pelo Nordeste, sendo considerado por Câmara Cascudo o mais lido dos escritores populares.[6]

Em 1909, Leandro Gomes de Barros publicou seus poemas na seção "Lyra Popular" no jornal O Rebate de Juazeiro do Norte, Ceará.[7][8]

Inspirado em poemas medievais, escreveu o romance Batalha de Oliveiros contra Ferrabrás, inspirado nos romances de cavalaria conhecidos como Ciclo Carolíngio ou Matéria de França.[9][10]

Segundo Carlos Drummond de Andrade, Leandro Gomes de Barros foi "o rei da poesia do sertão e do Brasil".[11]

Segundo Permínio Ásfora, teria sido preso no ano de 1918 porque o chefe de polícia considerou afronta às autoridades alguns dos versos da obra O Punhal e a Palmatória, trama que tratava de um senhor de engenho assassinado por um homem em quem teria dado uma surra e deixando-o sangrando os olhos. A estrofe considerada desrespeitosa:

Nós temos cinco governos

O primeiro o federal
O segundo o do Estado
Terceiro o municipal
O quarto a palmatória
E o quinto o velho punhal

Sebastião Nunes Batista, na Antologia da Literatura de Cordel, dá como causa da morte do cordelista a gripe espanhola.[12]

É o patrono da cadeira número um da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

Obra

Capa do famoso cordel: Batalha de Oliveiros com Ferrabraz, edição de 1913.
  • O Cachorro dos Mortos;
  • O Cavalo que Defecava Dinheiro;
  • História de Juvenal e o Dragão ;
  • História do Boi Misterioso;
  • Batalha de Oliveiros com Ferrabrás;
  • Branca de Neve e o Soldado Guerreiro;
  • A Confissão de Antônio Silvino;
  • A Vida de Pedro Cem;
  • Os Sofrimentos de Alzira;
  • Como Antônio Silvino Fez o Diabo Chocar;
  • História de João da Cruz;
  • Vida e Testamento de Cancão de Fogo;
  • A Mulher Roubada;
  • Suspiros de um Sertanejo;
  • O Soldado Jogador;
  • Donzela Teodora.

Referências

  1. Biografia na Fundação Casa de Rui barbosa
  2. Dia do Cordelista
  3.  Casarin, Rodrigo (novembro de 2015). «O príncipe dos poetas brasileiros». Aventuras na História (148): 48-51
  4. «O auto da Compadecida – Resumo da obra de Ariano Suassuna». Guia do Estudante. Consultado em 4 de março de 2021
  5. Haurélio, Marco. Breve História da Literatura de Cordel. [S.l.: s.n.]
  6. Leandro Gomes de Barros, o Príncipe dos Poetas
  7. «Liras populares - Verso». Diário do Nordeste. Consultado em 9 de dezembro de 2019
  8. O cordel do Juazeiro
  9. «A batalha de Oliveiros com Ferrabrás: cordel clássico em quadrinhos». Universo HQ. 30 de junho de 2011. Consultado em 4 de março de 2021
  10. Luzdalva S. Magi (2014). «Das cantigas trovadorescas ao cordel». Editora Escala. Conhecimento Prático Literatura (54): 44-49. ISSN 1984-3674
  11. Pernambuco, Diario de; Pernambuco, Diario de (15 de setembro de 2015). «O fogo encantado do cordel toma conta do Museu Cais do Sertão». Diario de Pernambuco. Consultado em 4 de março de 2021
  12. BATISTA. Sebastião Nunes, Antologia da Literatura de Cordel. Natal; Fundação José Augustol, 1977

Leandro Gomes de Barros: O Rei da Poesia do Sertão e Pai da Literatura de Cordel Brasileira

Leandro Gomes de Barros (Pombal, 19 de novembro de 1865 — Recife, 4 de março de 1918) é reconhecido como o maior nome da literatura de cordel no Brasil, considerado o primeiro e mais influente autor desse gênero tão ligado à cultura e à identidade do povo nordestino. Tamanha foi sua importância que a data de seu nascimento, 19 de novembro, é comemorada em todo o país como o Dia do Cordelista, em sua homenagem.

Biografia: A Trajetória do "Primeiro sem Segundo"

Natural de Pombal, na Paraíba, Leandro Gomes de Barros construiu uma carreira sem precedentes na história da poesia popular. É apontado como o primeiro escritor brasileiro dedicado exclusivamente à literatura de cordel, tendo produzido cerca de 240 obras ao longo de sua vida. Na época em que viveu, ficou conhecido pelo cognome de "O Primeiro sem Segundo", título que permanece até hoje como referência: muitos estudiosos e críticos, incluindo Carlos Drummond de Andrade, o definiram como "o rei da poesia do sertão e do Brasil".
Seu sucesso editorial foi extraordinário para os padrões do início do século XX: seus folhetos tornaram-se campeões absolutos de venda, com alguns títulos ultrapassando a marca de 3 milhões de exemplares comercializados. Em 1906, deu um passo fundamental para a difusão de sua obra ao fundar uma pequena gráfica própria, o que permitiu que seus poemas chegassem a todos os cantos do Nordeste brasileiro. Como registrou o folclorista Luís da Câmara Cascudo, ele era, sem dúvida, o mais lido dos escritores populares de seu tempo.
Em 1909, sua presença ficou ainda mais forte na imprensa: passou a publicar seus versos na seção Lyra Popular, do jornal O Rebate, editado em Juazeiro do Norte, no Ceará. Para compor suas histórias, ele buscava inspiração em fontes variadas: desde os antigos romances de cavalaria medievais — como no caso de sua célebre obra Batalha de Oliveiros contra Ferrabrás, baseada no Ciclo Carolíngio — até fatos do dia a dia, lendas, causos e críticas sociais.
Sua obra teve tamanha força que serviu de referência para grandes nomes da literatura posterior. Ariano Suassuna, por exemplo, inspirou-se diretamente em dois folhetos de Leandro Gomes de Barros — O Dinheiro (também chamado de O Testamento do Cachorro) e O Cavalo que Defecava Dinheiro — para escrever sua peça-prima Auto da Compadecida.

Polêmica e Falecimento

Sua trajetória não foi livre de conflitos. Segundo o pesquisador Permínio Ásfora, em 1918, pouco antes de morrer, ele chegou a ser preso: o chefe de polícia da época considerou que versos de sua obra O Punhal e a Palmatória eram uma afronta às autoridades. O trecho questionado fazia uma crítica direta às estruturas de poder:
Nós temos cinco governos
O primeiro o federal
O segundo o do Estado
Terceiro o municipal
O quarto a palmatória
E o quinto o velho punhal
A trama da obra contava a história de um senhor de engenho assassinado por um homem que ele havia espancado e deixado com ferimentos graves. Já o pesquisador Sebastião Nunes Batista, em sua Antologia da Literatura de Cordel, registra que a causa oficial da morte do autor, ocorrida no Recife em 4 de março de 1918, foi a gripe espanhola, doença que assolou o mundo naquele período.
Como reconhecimento eterno de sua contribuição, Leandro Gomes de Barros é o patrono da cadeira número 1 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

Principais Obras de Leandro Gomes de Barros

Sua produção reúne narrativas de aventura, mistério, ensinamento e crítica social, tornando-se marcos do gênero:
  • Batalha de Oliveiros com Ferrabrás
  • O Cavalo que Defecava Dinheiro
  • O Cachorro dos Mortos
  • História de Juvenal e o Dragão
  • História do Boi Misterioso
  • Branca de Neve e o Soldado Guerreiro
  • A Confissão de Antônio Silvino
  • A Vida de Pedro Cem
  • Os Sofrimentos de Alzira
  • Como Antônio Silvino Fez o Diabo Chocar
  • História de João da Cruz
  • Vida e Testamento de Cancão de Fogo
  • A Mulher Roubada
  • Suspiros de um Sertanejo
  • O Soldado Jogador
  • Donzela Teodora

Importância e Legado

Leandro Gomes de Barros transformou o cordel em uma forma de arte respeitada e capaz de chegar às camadas mais simples da população. Ele preservou tradições orais, registrou a realidade do sertão nordestino e deu voz a críticas e valores que fazem parte da cultura brasileira até hoje. Graças ao seu trabalho, a literatura de cordel passou a ser reconhecida como patrimônio cultural imaterial, e sua figura permanece como símbolo maior da criatividade e da expressão do povo brasileiro.


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