Retratos de uma Época: Páginas de Revista de Curitiba em 1956
Retratos de uma Época: Páginas de Revista de Curitiba em 1956
As páginas aqui apresentadas são fragmentos de uma publicação curitibana de 1956 — provavelmente uma revista social ou jornal ilustrado — que capturam com sensibilidade o espírito de uma cidade em transformação. Nelas, não se vê apenas anúncios ou notícias; vê-se a vida cotidiana, os valores familiares, os sonhos de consumo e o orgulho local refletidos em fotografias, textos e ilustrações cuidadosamente compostas.
A década de 1950 era marcada por otimismo, modernidade e um crescente desejo de pertencimento à classe média urbana. Em Curitiba, essa dinâmica se expressava nos casamentos das famílias tradicionais, nas inaugurações de empresas locais e na construção de edifícios que definiam o novo perfil da cidade. Cada página é uma janela para esse universo — elegante, disciplinado e profundamente humano.
Página 4: O Casamento da Mês — Silvane, a Bela Noiva
A imagem central desta página é uma fotografia em preto e branco de uma jovem noiva, Silvane, cujo vestido volumoso e detalhado ocupa quase toda a composição. A legenda, “O casamento da mês”, indica que este evento foi considerado o mais importante do período, merecedor de destaque especial.
Silvane posa com graça, segurando um buquê generoso de flores, seu rosto sereno e sorridente sob o véu. A escolha da fotografia — tirada em estúdio, com fundo neutro e iluminação controlada — revela o cuidado com a representação da imagem social. Não se trata apenas de registrar um casamento, mas de celebrar um momento de transição: o da solteira para a esposa, da juventude para a vida adulta.
A menção ao nome da noiva e ao fato de ela ter sido “especial para ‘a Divulgação’” sugere que a publicação era um veículo de prestígio, onde aparecer significava pertencer a um círculo social reconhecido. Era comum, na época, que as revistas sociais dedicassem páginas inteiras aos casamentos das famílias mais influentes da cidade, transformando-os em eventos públicos de celebração e afirmação de status.
Página 7: Silvane e José Samuel — Primeiros Instantâneos da Vida Conjugal
Na página seguinte, a mesma noiva, Silvane, aparece ao lado de seu marido, José Samuel, em uma foto que retrata os primeiros momentos de sua vida conjugal. O casal está posicionado lado a lado, ele em terno escuro, ela em seu vestido de noiva com cauda longa e véu, ambos olhando para a câmera com expressão calma e confiante.
A presença de um grande arranjo floral ao fundo e a composição simétrica da imagem reforçam a atmosfera de solenidade e beleza. O texto abaixo da foto diz: “Primeiros instantâneos da vida conjugal”, o que sugere que esta fotografia faz parte de uma série, talvez destinada a registrar os principais momentos do casamento — desde a cerimônia até a lua de mel.
Este tipo de registro era comum entre as famílias de classe média e alta, que viam no álbum de casamento um símbolo de memória familiar e de continuidade social. A escolha de publicar essas imagens em uma revista demonstra também o papel da imprensa como guardiã das tradições e dos rituais sociais da época.
Página 18: Enlace Social — Tourinho Mattos e Fontana Junqueira
Esta página traz uma matéria sobre o casamento de Tourinho Mattos e Fontana Junqueira, realizado em fevereiro de 1956. O texto, redigido em tom formal e respeitoso, narra os detalhes da cerimônia, desde a decoração da igreja até a recepção na residência dos noivos.
A fotografia ao lado mostra a noiva, Fontana, em seu vestido de renda e véu, acompanhada por seu pai, Dr. Rui Mattos. A imagem é clara, bem enquadrada, e transmite a dignidade do momento. O texto menciona a presença de autoridades locais e membros da elite curitibana, destacando o caráter público e solene do evento.
O relato inclui informações sobre os padrinhos, os convidados e até mesmo o cardápio do jantar, mostrando que o casamento era visto como um ato social coletivo, envolvendo não apenas os noivos, mas toda a comunidade. A menção a “trajes de gala” e “música de orquestra” reforça a importância dada à aparência e à sofisticação no mundo social da época.
Página 22: Há Meio Século... — A Fábrica de Móveis Ritzmann & Irmão
Aqui, o foco muda para o mundo empresarial. O anúncio da Fábrica de Móveis Ritzmann & Irmão celebra seus 50 anos de atividade, com o slogan “Há meio século...”. A ilustração mostra uma planta industrial imponente, com telhados altos e chaminés, sugerindo força, produção e tradição.
O texto, assinado por Francisco Ritzmann, remonta à fundação da empresa em 1906, quando ainda era uma pequena oficina de marcenaria. Ao longo dos anos, a fábrica expandiu-se, tornando-se referência em móveis de qualidade em Curitiba e região. A menção a “meio século de existência” é um convite à confiança — uma garantia de experiência, seriedade e compromisso com a excelência.
O logotipo circular com o número “50” e a coroa de louros ao redor reforça o caráter comemorativo da página. Trata-se de um testemunho da trajetória de uma empresa local que acompanhou o crescimento da cidade, adaptando-se às mudanças e mantendo-se fiel aos princípios de trabalho e qualidade.
Página 43: Aranha S/A — Engenharia e Construções
A última página apresenta a Aranha S/A, uma empresa de engenharia e construções sediada em Curitiba. O anúncio destaca o papel da companhia no desenvolvimento do Paraná, especialmente na construção de estradas, pontes, usinas e obras públicas.
A fotografia mostra a sede da empresa, um prédio moderno e funcional, com linhas retas e grandes janelas — típico do estilo arquitetônico da época. O texto enfatiza o compromisso da Aranha S/A com o progresso estadual, citando projetos como a construção de estradas de ferro e rodovias, além de obras de saneamento e energia.
A menção à “referência especial” e ao “papel de Aranha S.A. no setor de infraestrutura” revela a importância da empresa na economia local. Seu endereço, na Rua Carlos de Carvalho, e o telefone (802) indicam que a empresa estava bem estabelecida e acessível, pronta para atender tanto ao setor público quanto ao privado.
Conclusão: Memórias de uma Curitiba em Ascensão
Essas páginas, embora simples à primeira vista, são verdadeiros documentos históricos. Elas contam a história de uma cidade que se modernizava, de famílias que celebravam seus laços, de empresas que construíam o futuro e de valores que uniam tradição e progresso.
Em 1956, Curitiba já se afirmava como um centro regional de cultura, indústria e administração. Os casamentos eram eventos sociais grandiosos, as empresas locais conquistavam reconhecimento nacional e a publicidade assumia um papel fundamental na construção da identidade urbana.
Mais do que meros anúncios ou reportagens, estas páginas são testemunhos vivos de uma época em que o futuro parecia promissor, e cada detalhe — desde o véu de uma noiva até o telhado de uma fábrica — era cuidadosamente pensado para refletir a beleza, a ordem e a esperança de um tempo que, mesmo distante, continua a nos encantar.