terça-feira, 19 de abril de 2022

ENTRANDO NO BAR PALÁCIO O Bar Palácio fundado em 1930 por Adolfo Bianchi, argentino, de origem italiana, surgiu, primeiramente, com o nome de Café Palácio.

 ENTRANDO NO BAR PALÁCIO
O Bar Palácio fundado em 1930 por Adolfo Bianchi, argentino, de origem italiana, surgiu, primeiramente, com o nome de Café Palácio.


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O segundo endereço do Bar Palácio, à Rua Barão do Rio Branco nº 388.
Foto: Jornal O Estado do Paraná

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A histórica placa "Ao Churrasco Palácio", mostrava que não era apenas um bar. Ela foi levada para o novo endereço à Rua André de Barros como um ícone de parte da história do estabelecimento.

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A fumaça emanada dessa grelha já foi motivo de muitas crônicas de jornalistas. Um deles, Adherbal Fortes de Sá Jr., escreveu com bom humor numa de suas crônicas: "A fumaça da churrasqueira do Palácio deveria ser vendida engarrafada para limpar a cara dos infiéis do leito conjugal. [...] Muitos maridos usaram a fumaça do Palácio como álibi para noitadas de infidelidade: após o motel, uma passada pelo Palácio, para ao chegar em casa ter a desculpa de 'fiquei com a turma jantando no Palácio [...] (MILLARCH, 1991.

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Fachada do Bar Palácio, em 1981, na barão do Rio Branco.
Foto: Jornal O Estado do Paraná

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Antônio Humia Duran, o segundo proprietário.

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Funcionários do Bar Palácio em 1991.
Foto: Jornal O Estado do Paraná
ENTRANDO NO BAR PALÁCIO
O Bar Palácio fundado em 1930 por Adolfo Bianchi, argentino, de origem italiana, surgiu, primeiramente, com o nome de Café Palácio.
Situava-se na rua Barão do Rio Branco, onde hoje é o centro de Convenções de Curitiba (antigo Cine Vitória), ao lado do Hotel Johnscher e bem em frente ao Palácio do Governo, acredita-se que veio daí a Idéia do nome "Palácio" que, desde o início, especializou-se em carnes, apesar de ter recebido os nomes Café Palácio, Bar e Restaurante Palácio. Churrasco Palácio.
Na realidade, jamais foi um Café e nunca atendeu clientes que desejassem somente bebida alcoólica. Uma placa colocada na entrada do estabelecimento pelo sr. Adolfo Bianchi, caracterizava bem a sua especialidade: criadiUas (testículos de boi na grelha) e chin-chilin (tripa grossa de boi recheada). Pode-se dizer que a proposta do sr. Bianchi deu certo. O Palácio se tornou conhecido, passou a constar do roteiro noturno da cidade, pois funcionava das 18 horas às 7 horas da manhã.
Em 1945, o sr. Antonio Humia Durán, funcionário da Companhia Inglesa São Paulo Railway, veio com alguns colegas de trabalho para Curitiba, em férias coletiva. Já eram proprietários de um hotel em São Paulo e de uma transportadora. Aqui em Curitiba, resolveram comprar o Palácio, um outro restaurante na praça Osório e um Bar na rua Mal. Floriano. Terminaram pedindo demissão da São Paulo Railway e ficaram por aqui, administrando seus negócios.
Desfez-se a sociedade, em 1950, e o sr. Durán ficou com o Palácio. Manteve o cardápio e a qualidade de tudo o que era oferecido, manteve o horário de funcionamento e uma norma: "mulher desacompanhada não entra". Mulher sozinha dava enguiço porque sempre havia um engraçadinho entusiasmado ...
Em 1955, o sr. José Fráguas López, o espanhol PEPE, genro de Durán, assumiu o Palácio, dando continuidade aos negócios. Em 1956, passou a funcionar no número 383 da rua Barão, onde permaneceu até 1991, quando mudou para a sua sede própria, na rua André de Barros, 500.
Em seus sessenta e cinco anos de existência, o Restaurante Palácio, conhecido como "Bar Palácio", mudou de local e de dono apenas três vezes. Daí, sem dúvida, uma das razões do êxito do restaurante. Nesse tempo todo não ocorreram mudanças na cozinha; o cardápio é o mesmo, os pratos do dia são de excelente qualidade. Apenas o horário de funcionamento foi alterado: a partir de 1963, passou a abrir das 19 horas às 4 horas da manhã.
O cardápio do Palácio teve no churrasco paranaense o seu "carro-chefe". É um contra-filé grelhado, temperado com sal, vinagre, água e muito alho. Outras iguarias famosas: o filé grisé, acompanhado de batatinhas redondas e miúdas, o frango grelhado, a dobradinha à moda da casa, o frango ao molho pardo, prato esse que atualmente não consta mais do cardápio, em função das dificuldades de aquisição do produto, e algumas sugestões de clientes, como é o filé Fischer.
Consta que o sr. Fischer, assíduo freqüentador do Palácio, tinha algumas exigências para que o seu filé estivesse do agrado. Após algum tempo, e como desse certo, esse filé passou a ser incluído no cardápio com o nome do cliente.
A sobremesa que se tornou mais conhecida e solicitada é o mineiro de botas: uma panqueca recheada com banana, queijo, goiabada, açúcar e flambada com rum.
O Palácio foi e continua sendo um ponto de referência para artistas, intelectuais, boêmios, homens e mulheres comuns que gostam de terminar a noite num lugar simples, sem qualquer sofisticação: as mesas não têm toalhas, e a imensa grelha fica à vista do freguês. A fumaça emanada dessa grelha já foi motivo de muitas crônicas de jornalistas. Um deles, Adherbal Fortes de Sá Jr., escreveu com bom humor numa de suas crônicas:
A fumaça da churrasqueira do Palácio deveria ser vendida engarrafada para limpar a cara dos infiéis do leito conjugal. [...] Muitos maridos usaram a fumaça do Palácio como álibi para noitadas de infidelidade: após o motel, uma passada pelo Palácio, para ao chegar em casa ter a desculpa de 'fiquei com a turma jantando no Palácio ...' (MILLARCH, 1991, p.3)
O Palácio está na memória de todas as pessoas entrevistadas que, sem exceção, referem-se ao Palácio com carinho, como um lugar carismático que virou "ponto", que virou história.
(Compilado de: teses.ufpr.gov.br / Maria do Carmo Marcondes Brandão Rolim Bares e Restaurantes de Curitiba)
Paulo Grani

O SOMBRA DA XV Lembro-me quando o "sombra" apareceu na XV de Novembro, Curitiba, no final da década de 1980, com sua performance em simular o andar e atitudes dos transeuntes. Foi um sucesso imediato, tinha público garantido desde as calçadas até nas janelas dos prédios no entorno.

 O SOMBRA DA XV
Lembro-me quando o "sombra" apareceu na XV de Novembro, Curitiba, no final da década de 1980, com sua performance em simular o andar e atitudes dos transeuntes. Foi um sucesso imediato, tinha público garantido desde as calçadas até nas janelas dos prédios no entorno.


Pode ser uma imagem de 1 pessoaO SOMBRA DA XV

Lembro-me quando o "sombra" apareceu na XV de Novembro, Curitiba, no final da década de 1980, com sua performance em simular o andar e atitudes dos transeuntes. Foi um sucesso imediato, tinha público garantido desde as calçadas até nas janelas dos prédios no entorno.

Seu desempenho era tão sutil que alguns transeuntes só percebiam que estavam sendo imitados quando ouviam os risos da platéia. A maioria levava na esportiva, outros saiam de fininho. Tinham os que invocavam e, a coisa ficava pior porque a mímica do sombra acompanhava a mudança de humor da pessoa. De vez em quando alguém apelava e queria partir para as vias de fato, porém, com grande habilidade de fazer humor, o sombra, acalmava o enfezado.

Mas, quem é esse personagem tão cativante que, ainda hoje, atua ali próximo do bondinho?

Ele é o artista de rua Carlos Roberto Telles (42) que, aos sete anos de idade saiu de casa para ir à escola e não voltou mais para o convívio da família. Ele sofria constantes agressões dos pais e passava muita fome. Naquele dia, um colega disse que, se Telles fosse até o Centro da cidade pedir dinheiro, conseguiria comprar comida para a família e até um sapato. A tentativa não foi bem-sucedida e, com medo de apanhar, Telles decidiu viver nas ruas, onde passou a cheirar cola, fumar maconha e usar todo o tipo de drogas que a vida oferecia naquela época.

Com 10 anos, ouviu dizer que em São Paulo era muito fácil roubar relógios e para lá viajou. "Cheguei à Praça da Sé e o primeiro relógio que roubei foi do padre Júlio Lancellotti, que era da Pastoral da Criança. Ele me segurou, disse que não chamaria a polícia e me mandou para um colégio, onde tive aulas de teatro", conta. Esse primeiro contato com a arte foi o início do que viria a se tornar o ganha-pão de Telles. Para quem não está ligando o nome à pessoa, ele é o "Palhaço Chameguinho", o "Sombra" da Rua XV de Novembro.

Depois de viver alguns meses em São Paulo, Telles foi mandado de volta para a capital paranaense pelos órgãos de assistência social. Ele foi engraxate, trabalhou em feira e fez de um tudo para se manter, mas continuou dormindo nas ruas. Um dia resolveu: não queria mais usar drogas nem ser um menino de rua. Entrou em uma farmácia e pegou um lápis e uma pomada Minancora. Pintou-se de branco e começou a fazer shows, como "sombra", na Rua XV. Com o dinheiro, ajudou a mãe a construir uma casa. Também criou o Projeto Jovem Cidadão, com palestras e shows nas escolas para contar a sua história e prevenir o uso de drogas.

Hoje, aos 42 anos de idade, tendo completado 33 anos de verdadeiros shows naquela calçada, e ainda continua, executa o programa "Doutores do Sorriso para Todos", realizando apresentações em hospitais, asilos e creches, além de dar treinamento para grupos que queiram multiplicar a iniciativa. Tem interesse? Ligue para: 99924-7332.

(Adaptado da Gazeta do Povo / Foto: gazetadopovo.com.br)

Paulo Grani.

HISTÓRIA DO CIRCO "IRMÃOS QUEIROLO" Graça, Cor, Harmonia, Versatilidade, Energia, Talento, Alegria... Atrás da cara de palhaço tem história, história de amor à arte. Como a história do Circo Irmãos Queirolo, que começou assim:

 HISTÓRIA DO CIRCO "IRMÃOS QUEIROLO"
Graça, Cor, Harmonia, Versatilidade, Energia, Talento, Alegria... Atrás da cara de palhaço tem história, história de amor à arte. Como a história do Circo Irmãos Queirolo, que começou assim:


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Pode ser uma imagem de 3 pessoasHISTÓRIA DO CIRCO "IRMÃOS QUEIROLO"
Graça, Cor, Harmonia, Versatilidade, Energia, Talento, Alegria... Atrás da cara de palhaço tem história, história de amor à arte. Como a história do Circo Irmãos Queirolo, que começou assim:
Foi em 1942, que os irmãos Queirolo se estabeleceram em Curitiba, mas a história da família circense começou bem antes e fora do Brasil. O casamento do cantor lírico José Queirolo e da artista circense Petrona Salas, no final do século 19, deu início à segunda geração de artistas de circo.
O casal, que se apresentava em companhias circenses do Uruguai, teve oito filhos. A família foi contratada por uma companhia para excursões na Espanha. Com a morte de José Queirolo, em 1900, aos 51 anos, (consequência de um câncer na garganta), Petrona, com 48 anos, passou a ensinar números de acrobacia aos pequenos, que começaram a se apresentar nas ruas para depois ganhar picadeiros e palcos em diversos países.
Em 1917, os irmãos Queirolo compram o Circo Spinelli, no Rio de Janeiro. A primeira apresentação acontece no dia 14 de julho daquele ano. Dois anos depois, decidem excursionar por Curitiba, por onde passaram em anos seguintes, antes de se instalar em definitivo na Capital paranaense, com apenas três dos irmãos: Julian (o clown Harris), Otelo (Chic-Chic) e Ricardo (Negrito entre os familiares).
Em uma das passagens por Curitiba, em 1940, depois da morte da mãe Petrona um ano antes, os irmãos Queirolo, que já na terceira geração formavam a troupe de malabaristas ''Os Cinco Diabos Brancos'', fizeram várias apresentações no Cassino do Ahú. O grupo era formado pelos por Ricardo e Julião (filhos de Ricardo), Sérgio (filho de Julian), Lídia (filha de Otelo) e Henricredo Coelho (filho de um funcionário do circo).
Em 10 de outubro de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, é inaugurado, em Curitiba, o Pavilhão Carlos Gomes, trazendo como atração principal os artistas da companhia Irmãos Queirolo. As apresentações dos palhaços Harris e Chic-Chic eram as mais disputadas, mas a companhia fazia números teatrais com adaptações como ''O Morro dos Ventos Uivantes'' e peças religiosas como ''Paixão de Cristo''.
Em 1960, com a inauguração da TV na cidade, os Queirolo participaram das primeiras experiências no novo veículo em programas como ''Fiorela'', ''Cirquinho Canal 6'', ''Cirquinho do Chic-Chic'' e mais tarde ''Clube do Capitão Furacão''.
Com o declínio da arte circense no final da década de 70, a Prefeitura de Curitiba tenta reerguê-la doando um circo novo para o grupo, mas a tentativa não deu certo. Os Queirolo devolveram a lona após chegar à conclusão de que os tempos realmente haviam mudado. Hoje, os integrantes da quarta e da quinta geração ainda tentam manter viva a tradição em alguns espetáculos e serviços culturais.
(Adaptado de: folhadelondrina.com.br - Fotos: Pinterest e queirolo.com.br)
Paulo Grani

CONHECENDO CARLOS CAVALCANTI Dia da posse do presidente do Paraná, Carlos Cavalcanti de Albuquerque, em 25/02/1912.

 CONHECENDO CARLOS CAVALCANTI
Dia da posse do presidente do Paraná, Carlos Cavalcanti de Albuquerque, em 25/02/1912.


Nenhuma descrição de foto disponível.CONHECENDO CARLOS CAVALCANTI

Dia da posse do presidente do Paraná, Carlos Cavalcanti de Albuquerque, em 25/02/1912. Momento em que a população e autoridades se aproximam do Grande Hotel de Curitiba, na esquina da antiga Rua da Imperatriz (atual XV de Novembro com a Rua da Liberdade (atual Barao do Rio Branco), para a solenidade.

Carlos Cavalcanti de Albuquerque, nasceu a 22 de março de 1864, no Rio de Janeiro. Seu pai morreu em combate na Guerra do Paraguai. Desde menino Carlos foi influenciado pelos feitos de seus maiores e inevitavelmente seguiria a carreira das armas. Fez o curso de humanidades em Neves e Vitória. Mais tarde, trazido para Curitiba por seu tio, padrinho e protetor, general José de Almeida Barreto, freqüentou o Colégio Serapião, de onde saiu para Porto Alegre concluir curso na Escola de Cadetes, em 1879.

Transferido para a Escola Militar da Praia Vermelha, formou-se engenheiro militar, titulando-se bacharel em ciências físicas e matemáticas. Exerceu, como oficial, inúmeras comissões técnicas e militares, sempre com eficiente correção.

Casou-se em Curitiba com Francisca, irmã de Caetano Munhoz da Rocha. Iniciou-se na política em 1890, como oficial de gabinete do governador provisório, Inocêncio Serzedelo Correia. Contribuiu no episódio da deposição de Generoso Marques dos Santos, após a queda de Deodoro, e se elegeu à Constituinte estadual de 1892. Após a Revolução Federalista, foi elevado (1900) à Câmara Federal, reelegendo-se em 1903 e 1909.

Integrou várias comissões técnicas, com reconhecido brilho. Em 1910, no seu terceiro mandato federal,insurgiu-se contra a política ferroviária da União, que favorecia Santa Catarina em detrimento dos interesses paranaenses. Em dramático gesto de indignação, renunciou ao mandato parlamentar. Essa atitude emocionou o Paraná e lhe deu ampla notoriedade. Foi recebido em Curitiba como verdadeiro herói, em meio a manifestações de apreço e simpatia.

Quando se tratou da sucessão de Xavier da Silva ao governo do Estado, seu nome surgiu com naturalidade como solução conciliatória no Partido Republicano. Eleito sem adversários em 1911 após vencer algumas resistências internas, representadas pelas lideranças de Alencar Guimarães e Generoso Marques dos Santos, que se opunham ao seu vice Affonso Camargo, procurou governar acima dos partidos à semelhança de um magistrado. E, realmente, o fez.

Bastava haver contribuído como realmente contribuiu para a fundação da Universidade, concretizando o sonho de 1892, e já seu nome como homem de Estado estaria consagrado. Contraiu empréstimo externo para reequilibrar as finanças combalidas; reconstruiu a estrada de Graciosa, criou o Corpo de Bombeiros, implantou escolas e semeou obras. Seu governo atravessou momentos angustiantes, todavia. [...]

Recusou-se a celebrar acordos com Santa Catarina que representassem mutilação do território paranaense. Nisso foi radical. Pregava a necessidade de arbitramento par ao litígio com o vizinho Estado. Aliás, era a tese de Ubaldino do Amaral desde que assumiu o patrocínio da causa paranaense. Mas, dizia “os políticos não deixavam”. Alencar Guimarães, por exemplo, desejava um plebiscito. Outros queriam recorrer à força.

Em 1921, Carlos Cavalcanti de Albuquerque é eleito senador, reelegendo-se em 1924 e 1927, interrompendo sua carreira somente em 1930 com a Revolução da Aliança Liberal. Incentivou as artes, dando proteção aos talentos e vocações capazes de melhorar o nível cultural do Estado.

Seu desempenho parlamentar, ao longo dos anos, trouxe enormes benefícios ao país, já que se especializou em temas de defesa nacional. Exerceu ainda cargos de chefe de gabinete da Administração do Exército e do Ministério da Guerra, chefe do Estado-Maior da 1ª Região Militar e comandante do 1º Regimento de Infantaria da Vila Militar. Professor catedrático de Economia Política da Faculdade de Engenharia do Paraná.

Intelectual ilustre, orador fluente, poeta e professor, passou o últimos dias de vida no Rio de Janeiro, onde faleceu a 23 de fevereiro de 1935.
(Fonte: História biográfica da república no Paraná de David Carneiro e Túlio Vargas, 1994).
Foto: Galeria do Salão dos Governadores do Palácio Iguaçu.

Paulo Grani

Registro fotográfico da década de 1940, no bairro Mercês, mostra típica casa de madeira construída em meio a generosos lotes propiciando que as famílias pudessem ter agricultura de subsistência.

 Registro fotográfico da década de 1940, no bairro Mercês, mostra típica casa de madeira construída em meio a generosos lotes propiciando que as famílias pudessem ter agricultura de subsistência.

Registro fotográfico da década de 1940, no bairro Mercês, mostra típica casa de madeira construída em meio a generosos lotes propiciando que as famílias pudessem ter agricultura de subsistência.

A floresta de pinheiros infelizmente foi sendo dizimada pela ocupação humana, tempo em que, devido a grande abundância das araucárias, as pessoas não se davam conta que sua reposição levaria até um século.
(Foto: Curitiba.pr.gov.br)

Paulo Grani

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Quartel da Força Militar do Estado, instalado na Av. Marechal Floriano esquina com Av. Getulio Vargas, década de 1910, atual Polícia Militar. (Foto: Arquivo Gazeta do Povo) Paulo Grani

 Quartel da Força Militar do Estado, instalado na Av. Marechal Floriano esquina com Av. Getulio Vargas, década de 1910, atual Polícia Militar.

(Foto: Arquivo Gazeta do Povo)
Paulo Grani


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O ANTIGO "PALÁCIO DO GOVERNO" Cartão Postal de 1914, contempla a "Palácio do Governo", antiga sede do governo do Paraná, sito na então Rua da Lyberdade, atual Barão do Rio Branco. (Foto: Arquivo Público do Paraná) Paulo Grani.

 O ANTIGO "PALÁCIO DO GOVERNO"
Cartão Postal de 1914, contempla a "Palácio do Governo", antiga sede do governo do Paraná, sito na então Rua da Lyberdade, atual Barão do Rio Branco.
(Foto: Arquivo Público do Paraná)
Paulo Grani.


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segunda-feira, 18 de abril de 2022

ENTRANDO NO RESTAURANTE ILE DE FRANCE O Restaurante Ile de France, existente até hoje, estabelecimento que sempre primou pelo seu requinte foi fundado pelo casal francês, Emile e Janine Decock, provenientes da região da Normandia.

 ENTRANDO NO RESTAURANTE ILE DE FRANCE
O Restaurante Ile de France, existente até hoje, estabelecimento que sempre primou pelo seu requinte foi fundado pelo casal francês, Emile e Janine Decock, provenientes da região da Normandia.


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Fachada do casarão onde funcionou o restaurante Ile de France, na Rua Dr. Muricy no inicio dos anos 1950.

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O casal Emile e Janine Decock

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ENTRANDO NO RESTAURANTE ILE DE FRANCE
O Restaurante Ile de France, existente até hoje, estabelecimento que sempre primou pelo seu requinte foi fundado pelo casal francês, Emile e Janine Decock, provenientes da região da Normandia. Lá, administravam um hotel-restaurante, sendo que alguns de seus fregueses eram diplomatas brasileiros. Nas conversas, comentavam sobre o Brasil, e eles foram tomando conhecimento sobre este país. Então, tomaram a decisão de vir para cá, depois que sua cidade foi bombardeada, em plena Segunda Guerra Mundial.
Por volta de 1948 chegaram no Paraná, a princípio, com o interesse de plantar linho, na região de Ponta Grossa. Iniciaram essa atividade, mas não deu certo e em 1951, abriram um bar, na rua Cruz Machado, esquina com a praça Tiradentes. Chamava-se Bar Normandie. Era um local mais sofisticado, em estilo europeu, que servia aperitivos e alguns pratos da culinária francesa. Funcionou de 1951 a 1953.
Em fevereiro de 1953, alugaram uma casa na rua Dr. Muricy, onde fixaram residência e ao mesmo tempo montaram um novo bar-restaurante, o "Ile de France".
Os jornais da época comentaram a inauguração do Ile de France: "Ontem (18/02/1953), às 17:00 horas, foi oferecido, à sociedade curitibana um 'cocktail', para inauguração do novo bar e restaurante 'Ile de France'. Magnificamente recepcionados pelos proprietários, casal Jeanine-Emile Decock, os convidados, em sua maioria membros da colonia francesa aqui residente, tiveram a melhor das impressões. O Dr. Newton Carneiro, Presidente da 'Alliance Française', que também esteve presente, ergueu um brinde pela prosperidade daquele estabelecimento que orgulha nossa cidade, e que será por certo, o ponto de reunião da elite curitibana, que sente o 'chic' francês, desde o 'menu' elegante até a simples e gostosa ornamentação das duas salas de refeições e do bar acolhedor. Renovamos ao casal Decock [...] nossos sinceros votos de progresso para o simpático bar e restaurante da rua Dr. Muricy, 302." (O Estado do Paraná, 19/02/1953).
Por ocasião da inauguração, a cronista social Rosy Sá Cardoso escreveu no jornal O Estado do Paraná: "... O 'Ile de France', bar e restaurante ontem inaugurado. [....] a magnífica impressão que tive, verificando o bom gôsto da decoração, estilo provençal que enfeita aquele estabelecimento; [...], o 'menu', confeccionado em ótimo papel com evocação de Paris e Fontainebleau, e anunciando unicamente pratos franceses; [...], dizer do bar de cadeiras de alto espaldar, do espelho encimado por bandeirinhas de todas as províncias da França; [...], tentar descrever as duas salas de refeição, com o total de apenas doze mesas, com toalhas simples, cadeiras rústicas, paredes enfeitadas com madeira, tapeçaria e utensílios de cozinha em cobre; [...], a grande lareira enfeitada com ladrilhos sugestivos, o enorme relógio, e as alegres cortinas e folhagens que enfeitam todas aquelas três salas. [...]. O novo restaurante que o casal Emile Decock, em muito boa hora resolveu inaugurar. E se escolheu êste assunto para êste comentário mundano e social, é por julgar que a sociedade fará do 'Ile de France' o seu ponto de reunião, à bôa moda francesa, frente a pratos típicos regados a saborosos vinhos." (CARDOSO, 19fev. 1953).
As colocações acima permitem que se tenha uma idéia de como foi concretizado o ambiente interno do restaurante na época, e se perceba a influência francesa na decoração que, inclusive, se manteve posteriormente, quando o Ile de France, em 1957, mudou para sua sede própria, na praça 19 de Dezembro, 538, onde está até hoje, e conserva muitas das peças decorativas utilizadas na época.
No início, o casal Decock contava com um cozinheiro francês, trazido de São Paulo, mas que não ficou um ano trabalhando. A partir dessa experiência, o sr. Emile resolveu assumir a cozinha, aí ficando até 1968, quando sua esposa faleceu. Ela era quem administrava o salão. Cuidava do caixa, recebia as reservas e os clientes que chegavam na recepção. Dada a necessidade de realizar essa tarefa, o sr. Decock, que já contava com ajudantes, por ele treinados, passou a função de cozinheiro para uma dessas pessoas. A troca não causou problemas, o cozinheiro demonstrou aptidões e, inclusive, está até hoje à frente do fogão do Ile de France.
Continuando essa trajetória, em 1981, o sr. Emile Decock veio a falecer e o Ile de France passou a ser dirigido pelo filho Jean Paul Decock e sua mulher Clara. Em entrevista, ele afirmou que os pratos tradicionais, a maioria criados na época de seus pais, são os que se mantiveram em todos esses anos.
O prato mais pedido pela clientela é o steak au poivre (filé com molho de pimenta moída), seguido do estrogonofe de carne e de camarão. Embora o estrogonofe seja um prato comum hoje em dia, diz Jean Paul, "acho que foram os meus pais que começaram, pelo menos em Curitiba."
Segundo Leônidas Hoffmann, que trabalha no Ile há vinte anos: "O estrogonofe da casa é tão famoso porque é diferente. Só nós fazemos assim. Inclusive já vieram alguns franceses aqui experimentar. O segredo é que em vez do ketchup, que todo mundo usa, nós utilizamos massa de tomate. Só que o resto eu não posso contar...."
Em entrevista, o sr. Jean Paul disse que há muitos clientes que estiveram presentes na inauguração do Ile de France, na rua Dr. Muricy, e que acompanharam a mudança de local e hoje freqüentam o restaurante com seus filhos e netos. E ele observa que os pratos pedidos são sempre os mesmos. Inclusive, os filhos que vêm com suas namoradas, também escolhem no cardápio a mesma coisa que o pai costuma escolher: "Às vezes acontece que a pessoa pede outra coisa e depois diz, ah! não gostei, preferia ter pedido o de sempre! Já acostumou com aquele gosto, comer aquele prato com aquele sabor. Ai experimenta outra coisa e não gosta. Acho que o cliente que vem aqui já sabe o que vai pedir. Pensa: vou ao Ile de France comer aquilo: um filé com aspargos, ou um steak au poivre. Pensa em carne! Ou um peixe, ou um camarão! Ele chega aqui sabendo o que quer: comer aquela determinada comida com o mesmo sabor. Esse é o seu prazer!" (Jean Paul Decock, entrevista).
Os pratos de sucesso no Ile de France e que conquistaram o paladar dos clientes, bem como o cardápio, como um todo, estão inseridos na chamada cozinha tradicional francesa. Jean Paul afirmou que eles sempre procuraram fazer os chamados pratos tradicionais e nunca entraram em modismos, nunca adaptaram alguma coisa da nouvelle cuisine.
Nessa opção pelo sabor da comida, Jean Paul disse que a utilização do fogão à lenha e de panelas de ferro é fundamental: "Vejo muita importância no uso do fogão à lenha. As vezes eu faço o mesmo prato em casa, em panela de alumínio e fogão à gás, fica diferente. 'Panela velha é que faz comida boa'. Alguma coisa tem, não sei porque, mas tem. Principalmente o fogão à lenha, a chapa. Acho que é porque não esquenta tão rápido, alguma coisa assim. As panelas de ferro também, mantém o calor, né?"
Tudo no restaurante é feito no fogão à lenha. O gás é para alguma coisa mais rápida. O sucesso do Ile de France em todos esses anos de sua existência está ligado ao fato de os proprietários realizarem um acompanhamento constante, no dia- a-dia do restaurante, seja na supervisão direta da cozinha, seja na seletividade e controle de qualidade dos produtos utilizados, seja no atendimento personalizado dado ao cliente. Diz Jean Paul: "Faço questão de receber todos os clientes pessoalmente. E um costume que herdei de meus pais, que também faziam assim. A maioria dos clientes eu conheço pelo nome. São de Curitiba. E quando são de fora, muitas vezes dizem: sou do Rio, mas fulano mandou eu vir aqui. [...] Circulo nas mesas, tiro pedidos quando o movimento está intenso, enfim, faço de tudo um pouco. Acho que isso faz a casa!"
Desde o início, o horário de funcionamento do Ile de France é das 19 horas até meia-noite, ou uma hora, dependendo do movimento. Sempre fechou aos domingos e feriados.
"Mas nesses quarenta e dois anos, o Ile de France fechou apenas uma vez, para um determinado grupo comemorar. Foi por ocasião da inauguração do Supermercado Carrefour em Curitiba. Sempre estivemos com as portas abertas para todos os clientes", diz Jean Paul.
(Compilado de: teses.ufpr.gov.br / Maria do Carmo Marcondes Brandão Rolim Bares e Restaurantes de Curitiba)
Paulo Grani
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Em seus quarenta e dois anos de funcionamento o cardápio do Ile de France sofreu poucas modificações. A sua configuração básica é a seguinte:
LE COUVERT
HORS D'OEUVRES: Salades, Melouaujambon (melãocompresunto), Cocktail de crevettes (coquetel de camarão), Crevettes mayonnaise (maionese de camarão).
ENTRÉES: Consommé (caldo de carne), Crème d'asperges (creme de aspargos), Vol au vent (folheado recheado com frango, camarão ou cogumelos), Champignons à la crème, Champignons provençale (cogumelos ao molho de alho), Omelette fines herbes (omelete com salsinha), Omelette champignons, Omelette jambon (omelete com presunto), Moules farcies (mariscos ao molho de alho).
VOLAILLES: Canard aux pommes (pato com maçã), Poulet grillé (frango grelhado), Poulet cocotte grand mère (frango refogado com cebolas e batatas), Poulet Vallée d' Auge (frango com molho queimado com Calvados).
FRUITS DE MER: Crevettes provençale (camarão ao molho de alho), Brochettes de crevettes s/tartare (camarão com molho tártaro), StrogonofF de crevettes (estrogonofe de camarão), Filet de poisson meunière, Filet de poisson aux câpres (filé de peixe com alcaparras), Filet de poisson aux amandes (filé de peixe com amêndoas), Filet de poisson bonne femme (filé de peixe com camarão e cogumelos) Coquille Saint Jacques (vieira), Coquille Normande (concha de peixe e camarão).
LEGUMES: Petits pois à la française (ervilhas com manteiga), Tomates provençale (tomates com cebola e alho), Asperges au beurre (aspargos na manteiga).
VIANDES: Tournedos béarnaise (filé grelhado com molho de manteiga), Filet à la moutarde (filé com molho de mostarda), Filet marchand de vin (filé com vinho e cebolas), Tournedos madère champignons (filé com vinho madeira e cogumelos) Médaillons périgourdine (medalhões com legumes), Boeuf provençale (filezinhos ao alho e óleo), Médaillons congolais (medalhões com pimenta verde e conhaque), Filet Strogonoff, Grenadin de veau Niçoise (filé de vitela com azeitonas), Escalope de veau à la crème (vitela com molho de creme), Côte de porc charcutière (costeleta de porco com molho picante), Civet de lapin (coelho ao vinho), Rognons sauce madère (rins ao molho de vinho madeira), Langue sauce tomate (língua com molho de tomate).
FROMAGES: Camembert.
DESSERTS: Profiterolles au chocolat, Crème caramel (pudim de leite), Pèche melba (pêssego com sorvete), Coupe Armenonville (sorvete com chocolate quente) Glace (sorvete), Fraises chantilly (morangos com nata), Omelette au rhum, Tarte aux pommes (torta de maçãs), Crêpes suzette, Fruits de saison, Ananas surprise.
SPÉCIALITÉS DE LA MAISON: Paté maison (patê da casa), Soupe à l'oignon (sopa de cebola)
Escargots dz 'A dz, Crevettes sauce mornay (camarão gratinado com queijo), Steak au poivre (filé com molho de pimenta moída) Blanquette de veau (vitela ensopada), Coq au vin (frango ao vinho).