segunda-feira, 3 de julho de 2023

LADRÃO ARREPENDIDO " Estávamos no ano 1844; sendo Inspetor da Alfândega de Paranaguá o Dr. João Crisóstomo Pupo, homem íntegro e acatado pela população de nossa terra.

 LADRÃO ARREPENDIDO
" Estávamos no ano 1844; sendo Inspetor da Alfândega de Paranaguá o Dr. João Crisóstomo Pupo, homem íntegro e acatado pela população de nossa terra.


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LADRÃO ARREPENDIDO
" Estávamos no ano 1844; sendo Inspetor da Alfândega de Paranaguá o Dr. João Crisóstomo Pupo, homem íntegro e acatado pela população de nossa terra. A Alfândega, nessa época, funcionava no velho prédio do Colégio dos Jesuítas, adaptado para esse fim .
O "cofre" da repartição ficava isolado numa sala contígua a da Tesouraria, onde só entrava o Inspetor, quando ía depositar ou retirar dinheiro.
No dia 13 de fevereiro desse ano, pela manhã, o Inspetor teve que abrir o "cofre" para retirar dinheiro, a fim de fazer as transações necessárias da Tesouraria. Tudo em ordem.
No dia 14, adoeceu, ficando 7 dias de molho em casa. No dia 21, já bem melhor, voltou à repartição e seu trabalho continuou normalmente. Como não houvesse entrado dinheiro, não foi preciso ir ao "cofre". E assim passaram-se mais 3 dias.
No dia 24, tendo que recolher certa arrecadação; ao chegar ao "cofre", encontrou-o vazio e aberto; apenas com a porta encostada. ... O ilustre senhor perdeu o controle e, atacado por uma crise de nervos, começou a gritar como um louco.
Todos os funcionários correram ao local para saber o que estava acontecendo. O próprio JUIZ MUNICIPAL, que morava no sobrado ao lado (fim da ladeira para o mercado), ouvindo os gritos, também acudiu ao local. Acalmaram o Inspetor e, em seguida, depois de ouví-lo minuciosamente, trataram de fazer o "corpo de delito". Ficou constatado, então, achar-se o "cofre" aberto, tendo sinais de ter sido forçada a fechadura; ou, com outra chave, ou com algum outro instrumento.
O roubo foi avaliado em Rs 32:229$000 (trinta e dois contos, duzentos e vinte nove mil réis), muito dinheiro para a época!... Treis dias infernais passou o Inspetor em sua casa, sem poder dormir, e até sem se alimentar. E não era para menos...
Mas, no dia 27, às 7 horas da manhã, batem à porta de sua casa. O Inspetor vai abri-]a. Era o "amanuense". Vinha comunicar que o "porteiro" da Alfândega, ao abrir a porta de sua casa para ir ao Mercado, achara um pedaço de papel, mal escrito, colocado debaixo da porta, dizendo:
"O DINHEIRO ROUBADO ESTÁ NO PÁTIO DA ALFÂNDEGA".
Quase em seguida, chega o seu amigo, fiador — Joaquim Américo Guimarães — apresentando também um outro pedaço de papel colocado por debaixo da porta de sua casa, e com os mesmos dizeres...
O Inspetor não acreditou muito, pensando fosse uma brincadeira de mau gosto. Contudo, mandou que fosse aberta a Alfândega, mas que ninguém nela entrasse, até ele chegar.
A essa hora toda a cidade já sabia dos bilhetes. De forma que, quando o Inspetor chegou com as autoridades, a onda de curiosos estava enorme.
Entraram no pátio e, lá estava o embrulho no chão. Aberto na presença do Juiz Municipal e das demais autoridades, continha o pacote a quantia de Rs 31:614$000 (trinta e um contos seiscentos e catorze mil réis), faltando apenas a importância de Rs 615$000. (seiscentos e quinze mil réis).
A polícia procurou descobrir como foi feito o roubo; mas era muito difícil, naqueles tempos, uma rigorosa investigação. O Inspetor não duvidou de funcionário algum. O fato, porém, de não se notar sinais de arrombamento, deixava dúvidas.
Mais tarde, descobriu-se que uma das janelas ficara aberta e que o porteiro costumava deixar a chave da porta do quarto onde se achava o "cofre", escondida debaixo de um banco...
No inquérito policial ficou constatado que o ladrão se introduzira no edifício e se ocultara em algum lugar escuro, esperando a noite para poder agir. Ainda mais; que o "cofre" era muito fácil de ser aberto, porque as fechaduras do mesmo eram feitas de ferro fundido. E nada mais se fez. . . "O processo" foi, por fim, arquivado.".
Transcrito do livro "Paranaguá na História e na Tradição", de Manoel Viana.
Paulo Grani.

CABEÇA DO ENFORCADO, NA FONTE VELHA (Lenda Parnanguara)

 CABEÇA DO ENFORCADO, NA FONTE VELHA
(Lenda Parnanguara)


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CABEÇA DO ENFORCADO, NA FONTE VELHA
(Lenda Parnanguara)
" A Fonte da Cambôa é aureolada, como tudo o que é antigo, de uma "lenda" que data do tempo da "escravidão".
Um escravo matara o seu amo, lá pelos lados do Imbocuí, devido aos maus tratos que há muito vinha sofrendo.
Levado ao Júri foi o infeliz condenado à morte, sumariamente, sendo daí há dias enforcado.
Era uso na época, quanto aos escravos, depois de enforcado, cortar-se a cabeça da vítima e colocá-la num poste, em um lugar bem visível e que fosse freqüentado por outros escravos a fim de servir de exemplo a esses infelizes cativos.
O poste com a cabeça do enforcado foi colocado na Fonte da Cambôa por ser o local diário do vaivém dos serviçais.
Os escravos iam à Fonte buscar água para os seus amos e, quando chegavam na ladeira, baixavam a cabeça para não olhar àquele cabeça pendurada, e o pavor lhes invadia a alma cheia de reçeios e crendices...
Tinham eles verdadeiro horror de descer a ladeira ao anoitecer, pois dizia-se que a visão do corpo sem cabeça vagava, desde o escurecer, até alta madrugada, enlouquecendo as pessoas que por ali passassem...
Para os senhores de escravos essa "lenda" era um meio seguro de obrigar os cativos ao trabalho; ameaçando-os, caso vadiassem, de mandá-los à Fonte durante a noite...
Essa "lenda" continuou viva desde o século XVII (tempos coloniais), até quando foi proclamada a abolição da escravatura (a maior nódoa que o BRASIL guarda em sua História).
Com a Independência do nosso País muitas Leis foram revogadas. Assim, o crânio dali desapareceu, sepultado que f o i . . .
Hoje, depois de mais de 300 anos, nem mais se fala nisso e poucos ouviram falar.
Atualmente o lugar é aprazível, sendo muito visitado pelos turistas.".
(Transcrito do livro "Paranaguá na História e na Tradição", de Manoel Viana.
Paulo Grani.

A CAVEIRINHA (Lenda parnanguara)

 A CAVEIRINHA
(Lenda parnanguara)


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A CAVEIRINHA
(Lenda parnanguara)
" Um escravo muito tagarela, vinha da Fonte Velha, trazendo um pote dágua à cabeça. Ao atravessar o "Campo Grande", viu, encostado a uma velha figueira, um esqueleto humano. Meio assustado, porém, por brincadeira e com vontade de falar, arriscou-se a dizer ao esqueleto:
— Caveirinha, quem te mato ?
— Foi a "língua"; ouviu ele o esqueleto responder.
•— Achando graça, tornou a perguntar:
— Caveirinha, quem te mato ?
•— Ea resposta não se fez esperar:
— Foi a "língua"...
— Fez o molambo a pergunta pela terceira vez:
— Caveirinha, quem te mato ?
— Foi a "língua"...
O escravo, então, apressou o passo, não por medo, mas para chegar mais cedo à casa do amo; pois estava doidinho para soltar a língua, como sempre fazia, porem, acrescentava as coisas com mentiras descaradas.
Tão logo deixou o pote com água na cozinha, foi, lépido, até a senzala nos fundos do quintal, para contar o caso aos companheiros de cativeiro, que havia falado com uma "caveira".
Alguns começaram a rir, gozando o escravo linguarudo. Outros, nem deram atenção; pois já conheciam as manhas e mentiras do tal. Mas um deles, muito crédulo, aventurou-se a contar ao amo a façanha do fulano marombado, como diziam todos.
O patrão, cansado de saber das invencionices do escravo, mandou-o chamar. Ele veio todo lampeiro. O patrão então perguntou: — Que estória é essa do esqueleto falar, seu mentiroso?
— Meu amo, eu juro que oví a caveira falá...
— Você não perde o costume de soltar a língua. Não se emenda mesmo.
— Mas eu vi a caveira e oví ela falá. Eu juro que não tô mentindo. Ela tá lá...
— Você é um descarado. Não sabe que um esqueleto não tem vida ? Como então poderia ele falar ?
— Falô, sim sinhô, meu amo. Eu tô dizendo a verdade. Mecê pode aquerditá. Desta veis eu não tô mentindo.
— Jura em nome de Deus ?
— Juro, por nosso Sinhô !
— Pois bem. Nós iremos ao Campo Grande. Queremos ver esse esqueleto se ainda lá está lá e também ouví-lo falar com você. Mas fique certo do seguinte: Se o esqueleto não responder à sua pergunta, eu mandarei amarrá-lo ao tronco da figueira, junto ao esqueleto, para receber 100 chicotadas, a fim de nunca mais mentir.
E lá se foram todos, patrão, empregados e escravos, onde, de fato, encontraram um esqueleto encostado a uma figueira, no tal Campo Grande.
— Agora, disse o patrão: Fale, seu sem vergonha; fale com ela.
— E o escravo já meio amedrontado: Caveirinha, quem te mato ?... Nada; o esqueleto não respondia. Tornou a perguntar: Caveirinha, meu bem, quem te mato ?... Nem uma palavra. Já temendo o castigo que ia receber e que por certo não agüentaria, começou a implorar: Caveirinha, minha boa amiguinha, diga, por favô, quem te matô. Diga, senão eu vô apanha muito... O silêncio continuava...
— Pessoal, falou o patrão, amarrem esse marombado ao tronco da figueira e... executem as minhas ordens. E foi-se embora com os demais escravos.
O pobre escravo não agüentou o suplício... morreu... Já era noite quando isso aconteceu.
Depois que os empregados foram embora, deixando o coitado amarrado ao tronco da árvore, ouviu-se uma voz :
- "Eu não te disse que quem me matou foi a língua ? ! . . .
Isso aconteceu no tempo da escravatura. Contavam os negros em suas senzalas, à noite.".
(Texto extraído do livro "Paranaguá na História e na Tradição, de Manoel Viana)
Paulo Grani

CANHÕES DA BARRANCA " A velha cadeia de PARANAGUÁ, sobrado colonial de esquina hoje desaparecida, ficava no local onde hoje estão as ruínas do "Palais Royal", bem em frente ao jardim "Leocádio Pereira", com o busto do "Professor Cleto".


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Jardim Leocádio Pereira à direita onde estão as palmeiras reais.

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Na esquina à esquerda, a velha cadeia de Paranaguá, no final século 19.

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Descida anterior da antiga barranca.

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Descida posterior da antiga barranca.

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À frente da barranca foi construído o Mercado.
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Jardim Leocadio Pereira, juventude parnanguara, década de 1920.

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À esquerda início do Jardim Leocádio Pereira.

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A praça no início dos anos 1900.

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A velha cadeia no final do século 19.

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Aquarela do pintor Dimanche Koslosk, retratando a luta dos parnanguaras contra a Esquadra Federalista, comandada pelo almirante Custódio de Melo, ao tomar a cidade, desembarcando no rio Itiberê, em 1894.
CANHÕES DA BARRANCA
" A velha cadeia de PARANAGUÁ, sobrado colonial de esquina hoje desaparecida, ficava no local onde hoje estão as ruínas do "Palais Royal", bem em frente ao jardim "Leocádio Pereira", com o busto do "Professor Cleto".
Esse jardim, de frente à lúgubre cadeia, era, há 80 anos passados, uma "barranca"; seguindo-se daí uma ladeira, que ia até ao mercado, onde estão, ainda firmes, os tamarindeiros. No término dessa ladeira é que ficava o cais de desembarque.
Na célebre "barranca" estiveram colocados dois "canhões", como guardas da Cidade. E só duas vezes eles ali apareceram, para soltar de suas bocas as "balas" de alegria e de tristeza...
Quando terminou a guerra do Paraguai, em 1870, foi no então cais da rua da praia que desembarcaram os soldados paranaenses. Na ocasião desse desembarque, os "dois canhões' soltaram suas "balas" em regozijo à volta dos heróis aos seus lares.
A cidade inteira, reunida ali no cais, assistiu, embevecida, a saudação desses "canhões", como testemunho vivo da Pátria agradecida !
Foi essa a primeira vez que "eles" soltaram de suas bocas o fogo da paz ! . . . Cena de civismo tão sugestiva, calando fundo na alma do povo de nossa terra.
Passados alguns dias, não mais se viu essas duas peças de artilharia na célebre "barranca". Talvez tivessem ficado na velha cadeia.
O País então entrou em calma e a paz reinou, por quase duas décadas, para a felicidade dos brasileiros.
Com a libertação dos escravos, em 1888, e conseqüente proclamação da República, em 1889, os partidos políticos se agitaram também em nossa PARANAGUÁ. O Brasil, livre da escravidão, feia nódoa que manchou a nossa terra, estava também liberto da deca- dente monarquia.
Mas... fato notório; os "canhões da barranca" não apareceram para saudar esses dois eventos, que tanto abalaram a Nação Brasileira, mudando completamente a vida social, política e econômica do País ?! Por quê ? Todos nós sabemos.. . Não é preciso dizer.
Agitações continuaram, até 1894, quando a Esquadra Federalista. comandada pelo almirante — Custódio de Melo — entrou em nossa baía e, na manhã de 16 de janeiro, desembarcou e tomou completamente a Cidade...
Foi então quandos os "dois canhões" reapareceram, pela 2ª vez, na "barranca", em defesa de PARANAGUÁ e da REPÚBLICA !...
A noite de 15 para 16 de janeiro ficou marcada na História de nossa terra, pelo ribombar dos "dois canhões", que, a todo o custo, procuravam deter os revoltosos...
Nessa segunda vez, porém, de suas bocas saíram o fogo da guerra... Tudo em vão... Ao amanhecer do dia 16, os "canhões" emudeceram. .. A Cidade estava já em poder dos revolucionários federalistas...
Os "canhões" emudeceram para sempre. .. e, para sempre, também, desapareceram de PARANAGUÁ. Os anos continuaram passando; as gerações se sucendendo, e os históricos "canhões", onde teriam ido parar ?...
Ninguém viu, ninguém soube... mas "eles" sumiram...
A "ladeira", com o tempo, também desaparaceu, dando lugar ao "Mercado de frutas", que hoje é só do bom cafezinho das manhãs e dos gostosos petiscos feitos por hábeis cozinheiras (No centro desse Mercado é que estava o "Pelourinho").
Na "barranca", uma plataforma foi feita. Nela temos hoje um singelo jardim, ostentando apenas algumas palmeiras reais; porém, engalanado com o busto do emérito "Professor CLETO".
Como seria edificante se, de cada lado desse histórico jardim, palco de luta final entre irmãos de u'a mesma Pátria, estivessem os "dois canhões" desaparecidos, como um marco sagrado, lembrando sempre as duas únicas vezes em que, de suas bocas saíram o fogo da "paz e o fogo da "guerra. ...".
(Transcrito do livro "Paranaguá na História e na Tradição", de Manoel Viana).
Paulo Grani.

BONDINHOS DE PARANAGUÁ, SÓ RESTOU SAUDADES

 BONDINHOS DE PARANAGUÁ, SÓ RESTOU SAUDADES


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Quando criança, lembro-me dos trilhos de trem que serpenteavam as ruas e avenidas da cidade, tentando dizer algo de um tempo que tinha se passado sobre eles.
Conforme crescia, percebia que os trilhos e calçamentos iam desaparecendo dando lugar ao negrume dos asfaltos, trazendo consigo novos meios de locomoção.
Indagações perscrutavam em minha mente, buscando respostas: Que papel esses trilhos cumpriram em sua existência? O quê circulou sobre eles? Quem os usou?
Saudoso de um momento tão ímpar da evolução da nossa cidade, resgatei algumas memórias daquela época.
Aqueles trilhos contavam a história de uma epopéia ocorrida quando bondinhos eram puxados por mulas que cruzavam a cidade, levando e trazendo as pessoas, sem distinção de classes, cor ou raça. Era um tempo em que todos viviam alegremente, sem medo de assaltos, quando sequer era preciso conceituar o "direito de ir e vir". Todos iam e vinham, de onde, para onde, quando e como queriam.
Nos bondinhos não havia as super-lotações que hoje se observam nos coletivos. Ninguém tinha pressa e nem podia tê-la, porque o bondinho não corria mais do que permitiam as pernas heróicas dos quadrúpedes que, embora chicoteadas pelo "cocheiro", não saíam daquele trotezinho sossegado. Contudo, aquilo era agradável. Pagava-se alguns "réis" pelo trajeto e tinha-se o direito de embarcar naqueles toscos bancos e tagarelar à vontade com os demais, apreciar a bela natureza ou até dormir sossegadamente durante o trajeto, se quisesse.
Os percursos não eram feitos de um só fôlego pelos burricos. Havia, em vários pontos do trajeto, lugares de parada obrigatória, chamados "mudas". Ali, o bondinho parava da sua caminhada e mudavam-se os burros do percurso por burros descansados que ficavam à espera, atrelados e resignados. Substituídos os animais, lá seguia o veículo, até o fim do trajeto, onde outras "mudas" aguardavam para fazer o percurso inverso.
O sistema foi implantado em 02/04/1892, ligando o Porto D.Pedro II (era na antiga Rua da Praia) ao centro da cidade. Em 07/12/1893, a "Empreza de Transportes de Paranaguá" adquiriu duas locomotivas a vapor, de 20 hp's, e inaugurou uma linha de 5 km, estendendo o trajeto até ao bairro do Rocio. As duas locomotivas eram usadas em dias de grande movimento.
Em 1912, o empreendimento recebeu mais alguns bondes de tração animal e a vapor, vindos de Curitiba por ocasião da eletrificação deles na capital. Nessa ocasião, o sistema possuía 11 bondes, para carga e passageiros, puxados por 33 burros e mulas. O percurso até ao Rocio havia se tornado atração turística e permaneceu funcionando até 1938.
É possível que ainda haja pessoas vivas que se lembrem desses bondinhos com seus heróicos burros e seus cocheiros de apito na boca, alardeando sua passagem pelas quadras afora. Seus surrados lombos ajudaram a dar a qualidade de vida da cidade, naquela época, bem como contribuíram com o seu progresso.
Paulo Grani.
Agradecimento especial ao IHGP, à Guadalupe Vivekananda, Moisés da Costa Soares e José Maria Freitas, pela prestimosa colaboração.
LINHAS E PERCURSOS:
1a. Linha - Saia do paço do bebedouro atrás do Mercado do Peixe, passava em frente ao Mercado Geral, seguia pela Rua General Carneiro (Rua da Praia) até a Praça Glicério (Guincho), prosseguia até a Praça Joao Guilherme (Capitania dos Portos) e virava à esquerda entrando na Boullevard Serzeoelld (Av. Cel. José Lobo), prosseguia até chegar à Praça Ubaldino (frente à Alfândega). De lá entrava na Rua Dr. Munhoz da Rocha (Manoel Bonifácio) até alcançar a Av. Bento Rocha, prosseguindo até o Santuário do Rocio.
2a. Linha - Saia frente da Escola Humanitária (atual IHGP) percorria a Rua XV de Novembro até chegar à Igreja de São Francisco da Penitência (atual Igreja da Ordem), entrava na Rua Presciliano Correa e, dobrando na esquina com a Rua Visconde de Nacar, passava em frente ao Paço Municipal (Palácio Visconde de Nacar) até chegar à Boullevard Serzeoelld (Av. Cel. José Lobo), onde interligava-se à 1a linha.

VIAGEM INAUGURAL DA ESTRADA DE FERRO PARANAGUÁ-CURITIBA

 VIAGEM INAUGURAL DA ESTRADA DE FERRO PARANAGUÁ-CURITIBA

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Ilustração. Pessoal operacional envolvido.

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"Vencendo a Serra do Mar, no dia 19 de dezembro de 1884, às 17h30min, chegou finalmente à estação de Curitiba, a primeira locomotiva de serviço. Era a Estrada de Ferro, obra feita realidade, feito notável, chegando para exercer a inevitável influência social, econômica e cultural e, concretamente, participar do desenvolvimento da população.
O relevante acontecimento contou, em meio à recepção popular, com as seguintes presenças:
- Conselheiro Manuel Francisco Correia Neto
- Manuel Antônio Guimarães
- Visconde de Nácar
- Comendador Joaquim José Alves
- Cônego Linhares
- outras autoridades.
Ruas embandeiradas e Banda de Música. No dia 1.° de fevereiro de 1885, partiu de Curitiba um trem especial, conduzindo o Presidente da Província, Dr. Brasílio Augusto Machado de Oliveira, o Senador Pedro Leão Veloso, o Conselheiro Dr. Jesuíno Marcondes de Oliveira e Sá e um grupo de engenheiros, chefiado pelo Dr. João Teixeira Soares.
Em Paranaguá, pelo navio "América", especialmente fretado para trazer os convidados, vindos da Corte. Entre eles, no dia 2, às 7h, no porto Dom Pedro II, desembarcaram:
- Ministro da Agricultura, Antônio Carneiro da Rocha -
Conselheiro Manuel Francisco Correia Neto
- Ministros da França, Bélgica e Rússia
- Dr. João Lins Vieira de Cansanção Sinimbu Júnior
- e mais de cinqüenta e tantas personalidades convidadas, além de sete jornalistas, um historiador, João Capistrano de Abreu, representando o jornal "Gazeta de Notícias" e o fotógrafo Marc Ferrez.
No dia 2 de fevereiro de1885, às lOh, o trem inaugurou, conduzindo as autoridades e ilustres convidados, partiu de Paranaguá, fazendo parada em Morretes. Cadeado foi atingido às 14h, sendo servido um lauto almoço, coroado por nada menos que oito discursos. Partindo da estação de Cadeado, chegou em Curitiba às 19h, onde mais de 5.000 pessoas esperavam na estação enfeitada de bandeiras e folhagens. Às 20h, começou o banquete, dentro da estação. Mais de 15 discursos e mais um brinde feito a Dom Pedro II, pelo Ministro da Agricultura."
(Transcrito do livro "História de Paranaguá - Das Origens à Atualidade", de Waldomiro Ferreira de Freitas).
Fotos: Gazeta do Povo, Wikipedia, nostrilhos.org, Curitiba.pr.gov.br, Arquivo Público do Paraná).
Paulo Grani

Cartão Postal Curitiba, PR. Rua Liberdade. Circulado em 1904. 07 12581. Ed. Cezar Schutz.

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Cartão Postal Curitiba, PR - Estádio do Mundial de 1950 - Durival Britto e Silva. Editora Postais do Brasil, ref. SC 058.

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Cartão Postal Curitiba, PR. Praça Tiradentes, Bondes. Foto A.H. 862.

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Cartão Postal Curitiba, PR. Novo Edifício do Correio e Telégrafo. Foto A. H. 860.

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