quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A Casa de Alcebíades Dall’Estella: Uma Joia Moderna de Concreto Armado na Curitiba dos Anos 1930

 Denominação inicial: Projéto de casa para o Snr. Alcebíades Dall'Estella

Denominação atual: Residência

Categoria (Uso): Residência e Comércio
Subcategoria: Residência de Pequeno Porte

Endereço: Rua Ivahy esquina Nunes Machado

Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 140,00 m²
Área Total: 140,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Concreto Armado

Data do Projeto Arquitetônico: 08/03/1936

Alvará de Construção: N° 1066/1936

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de casa para residência e comércio. Alvará de Construção com Memória de Cálculo para uso do Concreto Armado e fotografia do imóvel.

Situação em 2012: Existente


Imagens

1 – Projeto Arquitetônico.
2 – Concreto Armado - Construção.
3 - Alvará de Construção.
4 – Fotografia do imóvel em 2012.

Referências: 

1 e 2 - CHAVES, Eduardo Fernando. Projéto de casa para o Snr. Alcebíades Dall'Estella. Planta do pavimento térreo, fachadas frontais voltadas para as duas ruas, corte e implantação; projeto das estruturas em concreto armado, apresentados em duas pranchas. Microfilme digitalizado.
3 - Alvará n.º 1066
4 – Fotografia de Elizabeth Amorim de Castro (2012).

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba.

A Casa de Alcebíades Dall’Estella: Uma Joia Moderna de Concreto Armado na Curitiba dos Anos 1930

Na esquina das ruas Ivahy e Nunes Machado, em Curitiba, ergue-se desde 1936 uma construção que, à primeira vista, pode passar despercebida — mas que, aos olhos da história da arquitetura, é um marco silencioso da modernização urbana da capital paranaense. Trata-se da residência de Alcebíades Dall’Estella, projetada pelo arquiteto Eduardo Fernando Chaves e construída com uma técnica ainda rara na época: concreto armado.

Mais do que uma simples casa de pequeno porte, com seus modestos 140 m² em um único pavimento, este imóvel representa um momento de virada — quando Curitiba deixava para trás as estruturas de alvenaria tradicional e abraçava os materiais e princípios da construção moderna, antecipando tendências que só se consolidariam plenamente nas décadas seguintes.


Alcebíades Dall’Estella: O Homem por Trás do Nome

Embora os registros históricos não revelem muitos detalhes sobre a vida pessoal de Alcebíades Dall’Estella, seu nome vinculado a um projeto arquitetônico com memória de cálculo estrutural e fotografia preservada até 2012 indica que era, no mínimo, um cidadão atento às inovações do seu tempo. Ao optar por uma casa de uso misto — residência e comércio — em uma esquina privilegiada do centro urbano, Alcebíades demonstrava visão prática e empreendedora.

A localização na confluência de duas ruas sugere que o térreo abrigava uma atividade comercial — talvez uma pequena loja, escritório ou oficina — enquanto o restante do espaço servia como lar. Essa dualidade era comum na Curitiba do entre-guerras, quando a cidade crescia economicamente e a classe média urbana buscava integrar trabalho e vida doméstica com eficiência e dignidade.


O Projeto de Eduardo Fernando Chaves: Precursor da Modernidade

Assinado em 8 de março de 1936, o projeto arquitetônico, hoje preservado em microfilme digitalizado, revela a maestria de Eduardo Fernando Chaves, um dos profissionais mais atuantes na Curitiba da primeira metade do século XX. O documento inclui:

  • Planta do pavimento térreo, com distribuição funcional para uso residencial e comercial;
  • Fachadas frontais voltadas para ambas as ruas, respeitando a condição de esquina e garantindo visibilidade;
  • Corte e implantação, demonstrando o diálogo com o terreno e o entorno;
  • Projeto estrutural em concreto armado, com prancha dedicada exclusivamente aos cálculos — algo extraordinário para uma residência de pequeno porte na época.

O uso de concreto armado — material associado a grandes obras de infraestrutura ou edifícios públicos — em uma casa tão modesta é, por si só, surpreendente. Indica que Alcebíades e seu arquiteto estavam à frente do seu tempo, adotando uma tecnologia que oferecia maior resistência, durabilidade e liberdade de formas. O alvará de construção (nº 1066/1936) incluía até uma memória de cálculo, exigência técnica rara para residências particulares na década de 1930.

Essa escolha técnica não era apenas estética: era estratégica. O concreto armado permitia vãos maiores, menos paredes estruturais e, portanto, maior flexibilidade no uso do espaço — ideal para uma residência que também era local de trabalho.


A Casa em 2012: Testemunha Viva da História

Felizmente, ao contrário de tantos outros projetos da época que desapareceram sob o progresso urbano, a casa de Alcebíades Dall’Estella ainda existia em 2012. Uma fotografia registrada pela pesquisadora Elizabeth Amorim de Castro nesse ano confirma sua presença, ainda que possivelmente adaptada às necessidades contemporâneas.

A imagem — parte do acervo documental — mostra uma edificação simples, mas sólida, com traços que sugerem a permanência de elementos originais: talvez janelas em proporções clássicas, platibandas discretas ou o ritmo rítmico de aberturas típico da arquitetura funcional dos anos 1930. Mesmo sem ornamentos excessivos, a casa exala dignidade construtiva — o verdadeiro luxo da era moderna.


Um Legado de Inovação e Simplicidade

A residência de Alcebíades Dall’Estella é mais do que um imóvel. É um documento tridimensional da transição arquitetônica de Curitiba. Num momento em que a cidade ainda dialogava com estilos ecléticos e neocoloniais, este projeto ousou abraçar a racionalidade do concreto, a clareza funcional e a integração urbana.

E, ao contrário de obras monumentais assinadas por arquitetos famosos, é justamente na modéstia dessa casa que reside seu valor histórico. Ela prova que a modernidade não foi apenas um movimento de elites ou de grandes capitais, mas algo que também tocou a vida cotidiana de comerciantes, profissionais liberais e famílias de classe média que, como Alcebíades, acreditaram no futuro — e o construíram com aço, cimento e visão.


Preservar o Cotidiano: Por que Esta Casa Importa

Hoje, em meio à pressão imobiliária e à perda acelerada do patrimônio edificado do século XX, construções como a de Alcebíades Dall’Estella merecem atenção. Não são palacetes, nem igrejas, nem teatros — mas são pedaços autênticos da memória coletiva, onde viveram pessoas reais, trabalharam, sonharam e inovaram.

Que esta casa, erguida com concreto armado e coragem em 1936, continue em pé — não apenas como tijolo e viga, mas como lembrança viva de que a verdadeira modernidade começa nas esquinas do cotidiano.


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“A modernidade não está apenas nos arranha-céus, mas nas casas que ousaram pensar diferente — mesmo com 140 metros quadrados.”

A Casa que Nunca Foi Encontrada: O Projeto Arquitetônico de Gregório Affonso Garcez em Curitiba (1914)

 Denominação inicial: Projecto de casa para o Snr. Gregório Affonso Garcez

Denominação atual:

Categoria (Uso): Residência e Comércio
Subcategoria: Residência de Médio Porte

Endereço: 

Número de pavimentos: 2
Área do pavimento: 400,00 m²
Área Total: 400,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 29/08/1914

Alvará de Construção: Talão Nº 914; N° 6308/1914

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de casa para residência e comércio.

Situação em 2012: Não localizada


Imagens

1 - Projeto Arquitetônico.

Referências: 

CHAVES, Eduardo Fernando. Projecto de casa para o Snr. Gregório Affonso Garcez. Planta do pavimento térreo, corte e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.

A Casa que Nunca Foi Encontrada: O Projeto Arquitetônico de Gregório Affonso Garcez em Curitiba (1914)

Em 29 de agosto de 1914, em meio às transformações urbanas de uma Curitiba ainda em formação, foi depositada no arquivo municipal uma prancha arquitetônica de rara elegância: o “Projecto de casa para o Snr. Gregório Affonso Garcez”. Assinado pelo arquiteto Eduardo Fernando Chaves, o documento, hoje preservado em microfilme digitalizado, revela não apenas as aspirações de um cidadão da elite urbana do início do século XX, mas também a ambição de uma cidade que começava a sonhar em concreto, tijolo e simetria.

Embora a edificação nunca tenha sido localizada em levantamentos urbanos posteriores — especialmente em 2012, quando pesquisadores tentaram rastrear seu paradeiro —, o projeto permanece como um testemunho vívido de uma época em que residência e comércio se entrelaçavam sob o mesmo teto, e os sonhos burgueses se materializavam em fachadas clássicas e plantas funcionais.


Gregório Affonso Garcez: O Morador que Quis Deixar Sua Marca

Pouco se sabe sobre Gregório Affonso Garcez além de seu nome vinculado a esse projeto. No entanto, o fato de ter encomendado uma residência de 400 m², distribuída em dois pavimentos, com uso misto — residencial e comercial — indica que era um homem de posição econômica sólida, provavelmente um comerciante, proprietário de negócio próprio ou profissional liberal.

Em Curitiba dos anos 1910, não era incomum que as classes médias e altas construíssem casas onde o térreo abrigasse um escritório, loja ou oficina, enquanto o andar superior servisse como moradia familiar. Essa configuração refletia tanto a lógica econômica quanto o estilo de vida urbano da Primeira República, marcado por uma estreita relação entre trabalho e lar.

Gregório, ao investir em um projeto arquitetônico formal — com alvará expedido (Talão nº 914, nº 6308/1914) e prancha detalhada —, demonstrava não apenas poder aquisitivo, mas também desejo de distinção social. Sua casa seria mais do que um abrigo: seria uma declaração de identidade.


O Projeto de Eduardo Fernando Chaves: Entre a Tradição e a Modernidade

O arquiteto Eduardo Fernando Chaves — profissional atuante em Curitiba no início do século XX — concebeu para o Sr. Garcez uma edificação em alvenaria de tijolos, técnica dominante na época e símbolo de solidez. A planta incluía:

  • Pavimento térreo: destinado ao comércio ou escritório, com acesso independente, provavelmente voltado para a via pública.
  • Pavimento superior: área privada de residência, com quartos, salas e áreas de convívio, organizadas com privacidade e conforto.
  • Fachada frontal: desenhada com simetria, molduras, talvez balcões ou varandas — elementos comuns na arquitetura eclética da época, que misturava influências neoclássicas, neocoloniais e até traços art nouveau.

A área total de 400 m² (embora descrita como tal, pode referir-se à área construída por pavimento, totalizando 800 m² se ambos os andares forem considerados — mas os registros oficiais indicam 400 m² como área total, sugerindo talvez um único pavimento construído ou uma planta compacta em dois níveis) era considerada de médio porte para a época, mas de alto padrão construtivo.


O Mistério da Casa Desaparecida

Apesar do alvará ter sido concedido em 1914 — ano conturbado pela eclosão da Primeira Guerra Mundial, que poderia ter impactado a importação de materiais ou a disponibilidade de mão de obra —, não há registros claros de que a construção tenha sido efetivamente erguida. E mesmo que o tenha sido, em 2012, durante estudos de patrimônio histórico em Curitiba, o imóvel não foi localizado.

Isso levanta várias possibilidades:

  1. A construção nunca foi realizada, talvez por dificuldades financeiras, mudança de planos ou falecimento de Gregório.
  2. A casa foi construída, mas demolida nas décadas seguintes, durante os processos de verticalização e modernização urbana que marcaram Curitiba a partir dos anos 1940.
  3. O endereço foi alterado ou a edificação foi tão modificada que perdeu quaisquer traços identificáveis do projeto original.

O fato de o endereço exato não constar nos registros disponíveis agrava o enigma. Talvez estivesse localizada no centro histórico — nas proximidades das ruas XV de Novembro, Marechal Deodoro ou São Francisco —, onde muitas residências mistas desse período foram substituídas por edifícios comerciais.


Um Legado em Papel: O Valor do Projeto Não Construído

Mesmo sem ter se tornado pedra e cal, o projeto de Gregório Affonso Garcez possui um valor histórico inestimável. Ele é uma janela para o imaginário urbano de Curitiba em 1914, revelando:

  • As expectativas de conforto e status da classe média ascendente.
  • A integração entre vida doméstica e atividade econômica.
  • O papel do arquiteto como mediador entre o desejo privado e a estética pública.
  • A burocracia municipal emergente, com alvarás, talões e registros formais.

A prancha arquitetônica — contendo planta do pavimento térreo, corte e fachada frontal — é, portanto, a própria casa. Não feita de tijolos, mas de linhas, escalas e intenções. E nesse sentido, Gregório Affonso Garcez conseguiu, sim, deixar sua marca na cidade — não nas ruas, mas na memória documental.


Em Busca do que Nunca se Viu

Hoje, o projeto repousa nos arquivos históricos, digitalizado e acessível a pesquisadores. Talvez um dia, em meio a reformas de um antigo sobrado no centro de Curitiba, alguém reconheça na estrutura oculta por gesso e tinta os traços do desenho de Chaves. Até lá, a casa de Gregório permanece como um fantasma arquitetônico: invisível, mas profundamente real.

E nisso reside sua beleza — na capacidade de nos lembrar que nem toda construção precisa tocar o chão para tocar a história.


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