| Domingos Caldas Barbosa | |
|---|---|
Domingos Caldas Barbosa (Lereno Selinuntino). | |
| Nascimento | 4 de agosto de 1742 |
| Morte | 9 de novembro de 1800 (61 anos) |
| Nacionalidade | Portuguesa |
| Ocupação | padre católico poeta músico |
| Magnum opus | Viola de Lereno |
Domingos Caldas Barbosa (Rio de Janeiro, 4 de agosto de 1742 — Lisboa, 9 de novembro de 1800)[1] foi um sacerdote, poeta, dramaturgo e violeiro português, nascido no Estado do Brasil, precursor do Romantismo e da Música Popular Brasileira. Um dos primeiros escritores a usar a palavra brasileiro como nome pátrio.[2] Foi membro da Accademia dell'Arcadia, de Roma e da Nova Arcádia de Lisboa.
Filho do burocrata português Antônio de Caldas Barbosa com sua escrava, Antônia de Jesus, Domingos nasceu — segundo o depoimento de um sobrinho a Januário da Cunha Barbosa — no oceano, próximo ao Rio de Janeiro. Seu batismo ocorreu na Sé carioca a 9 de setembro de 1742: "filho natural de Antônia, do gentio de Guiné, escrava de Antônio de Caldas Barbosa". Tempos depois, no entanto, seu pai, já tendo alforriado Antônia, o reconheceu como filho e em agosto de 1745 o registrou na mesma Sé como ingênuo.[3]
Na juventude carioca, Caldas Barbosa entrou para o Colégio dos Jesuítas, como humanista, mas em 1759, quando da expulsão da Companhia do Brasil, largou a roupeta.[4] Pouco tempo depois foi engajado como soldado, pelo Governador Gomes Freire de Andrada, e partiu para a Colônia do Sacramento.
De volta ao Rio, seu pai o enviou ao Reino em 1763, para estudar Leis em Coimbra. Com a súbita morte de Antônio de Caldas Barbosa, Domingos deixou a Universidade sem completar o curso. Por esses tempos, já vivia de suas trovas, peregrinando pelo Norte de Portugal, onde conheceu seus protetores Vasconcelos: futuros marqueses de Castelo Melhor e de Belas. Em Lisboa, nas Cortes de Dom José I e de sua filha, Dona Maria I, celebrizou-se pelos improvisos ao som da viola brasileira de arame. Algumas de suas centenas de cantigas estão reunidas na Viola de Lereno, cujo primeiro volume foi publicado em Lisboa, em 1798, quando o artista ainda vivia. Um segundo volume, póstumo, contendo as cantigas mais antigas e "brasileiras" — provavelmente censuradas à época de Maria I em Portugal — só veio ao lume em 1826.[5]
Em Roma, graças à sua amizade com Basílio da Gama e os Jesuítas, foi empossado na Accademia dell'Arcadia a 3 de setembro de 1772, sob o pseudônimo de Lereno Selinuntino. E como Lereno, o músico fez sucesso em todo Portugal, apresentando-se diante dos Grandes (Marialva, Val de Reis, Angeja, Redondo, Castelo Melhor, Belas etc.) e do próprio Rei, Dom José I. Em pouco tempo, a modinha de acento americano ganharia ares de música erudita na corte portuguesa.[6]
Em sua poesia tratou das peculiaridades afetivas do povo que vivia na América, distinguindo-as da do que vivia na Europa. Aproximou-se assim de temas românticos e por este motivo sofreu muitas críticas de eruditos portugueses contemporâneos, como Filinto Elísio, Nicolau Tolentino, Bocage e António Ribeiro dos Santos, que chegou a escrever que não conhecia "um poeta mais prejudicial á educação particular e pública do que este trovador de Vênus e de Cupido: a tafularia do amor, a meiguice do Brasil e em geral a moleza americana que faz o caráter das suas trovas, respiram os ares voluptuosos de Pafos e de Citera, e encantam com venenosos filtros a fantasia dos moços e o coração das damas."[7]
Entre o final da década de 1770 e início da década de 1780, Lereno ordenou-se padre secular, recebendo em 1787 um benefício de Dona Maria I. [8]
Faleceu no dia 9 de novembro de 1800, em sua casa, na Bempostinha, em Lisboa, um construção vizinha ao Palácio do seu amigo e protetor de todas as horas, D. José Luís de Vasconcelos e Sousa, Marquês de Belas.[9]
Com cerca de uma centena de melodias ainda conhecidas através de partitura, entre suas mais de duzentas de cantigas, compostas ao longo da vida, Domingos Caldas Barbosa é, com toda a justiça, o patrono da cadeira nº 3 da Academia Brasileira de Música.[10]
Referências
- CARDOSO, Lino de Almeida (2026). Lereno em Solfa. Ubatuba: Edição do Autor. p. 83. ISBN 9786502172551
- CARDOSO, Lino de Almeida (2019). Americana Cantilena. Campos do Jordão: Edição do Autor. p. 12-17. ISBN 9788591179312. Cópia arquivada em 25 de junho de 2026
- CARDOSO, Lino de Almeida (2026). Lereno em Solfa. Ubatuba: Edição do Autor. p. 84. ISBN 9786502172551
- CARDOSO, Lino de Almeida (2026). Lereno em Solfa. Ubatuba: Edição do Autor. p. 71. ISBN 9786502172551
- CARDOSO, Lino de Almeida (2026). Lereno em Solfa. Ubatuba: Edição do Autor. p. 15. ISBN 9786502172551
- TINHORÃO, José Ramos (2013). História Social da Música Popular Brasileira. São Paulo: 34. pp. 124–125
- BRAGA, Teófilo (1901). Filinto Elísio e os dissidentes da Arcádia: a Arcádia brasileira. Porto: Chardron. 617 páginas
- CARDOSO, Lino de Almeida (2026). Lereno em Solfa. Ubatuba: Edição do Autor. ISBN 9786502172551
- CARDOSO, Lino de Almeida (2026). Lereno em Solfa. Ubatuba: Edição do Autor. p. 74. ISBN 9786502172551
- Site da Academia Brasileira de Música - Patronos - Domingos Caldas BarbosaAcessado em 26 de março de 2016
Bibliografia
- Sawaya, Luiza. Domingos Caldas Barbosa - Herdeiro de Horácio - Poemas no ALMANAK DAS MUSAS: Estudo Crítico. Prefácio de Vania Pinheiro Chaves. Lisboa: Esfera do Caos Editores, 2015.
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