segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Uma história com a Turma do Penadinho

 

Uma história com a Turma do Penadinho



Compartilho uma história em que a Dona Morta leva por engano um ator bem na hora que estava gravando uma novela. Com 4 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 79' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Cascão Nº 79' (Ed. Abril, 1985)

Em um set de gravação de novela, personagem do ator Nei Latornada está nas últimas e avisa a sua filha Ermelinda que antes de morrer tem que revelar o segredo que não é o verdadeiro pai dela, só que quando vai revelar quem era o pai, morre de verdade e seu espírito aparece no cemitério do Penadinho, revelando o nome do pai e se faz de morto para encerrar a cena.

Nei diz que agora é a deixa da Ermelinda e Penadinho se apresenta. Nei se espanta que está vendo um fantasma, Penadinho diz que ele também é um e o ator diz que isso não estava no roteiro, estava só representando e agora a Ermelinda não vai saber a verdade, ele era o único que sabia da verdade, isso vai estragar a novela e ele vai ser despedido. Penadinho fala para esquecer, lá nada disso importa e Nei chora que nunca contracenou a Cristiane Torroni.

Aparece a Dona Morte, o ator reclama que ela o levou por engano e exige ser devolvido. Dona Morte disse que viu muito bem que ele estava no fim, vai ficar. Ele diz que é ator, só estava representando, sem ele a novela não pode continuar. Dona Morte pergunta que novela, ele diz que é novela "Um bobo a mais". Dona Morte diz que é a novela favorita dela, reconhece que ele é o ator Nei Latornada e lhe pede um autógrafo, dizeendo que assiste todas as novelas dele, é fã dele.

Dona Morte se desculpa que foi porque ele representa tão bem e ela estava ansiosa para cumprir a cota e o devolve para a vida. Depois, ela diz que tem que terminar de cumprir a sua cota atrasada e com o Nei Latornada ressuscitado, volta a gravação da novela. Quando ele vai revelar o nome do verdadeiro pai, Ermelinda diz que é para ele falar logo porque senão morre do coração e vai parar morta de verdade no cemitério do Penadinho.

História divertida em que a Dona Morte leva por engano o ator Nei Latornada enquanto gravava novela só porque ele disse na cena que "estava no fim". Para ela, Nei representou tão bem e pensava que era tudo verdade e estava muito preocupada em cumprir a cota de mortes no dia. Depois de tudo resolvido, acaba cometendo o mesmo erro de levar a Emerlinda só porque ela disse que "morre do coração".

Foi engraçado engraçado Nei estar preocupado com os rumos da novela sem ele e em ser despedido, mas estava morto e ele falar de ter morrido sem contracenar com "Cristiane Torroni", além de ver a Dona Morte desatenta e ter se enganado de quem ia matar por 2 vezes, saber que ela é noveleira, é fã e assiste todas as novelas do Nei e ela ter que cumprir uma cota diária de mortes senão o seu superior ia reclamar, como se fosse uma trabalhadora assalariada. Esses detalhes eram muito bons e tornavam histórias muito divertidas,  faziam a diferença. O final permitiu imaginar a sequência após Ermelinda morrer e como ela ia reagir, eram comuns finais assim pra imaginar.

Às vezes as personagens morriam, mas sem mostrar a Dona Morte matando com foice, mas tinha ação dela da mesma forma. Também  podia acontecer a Dona Morte ressuscitar suas vítimas no lugar da Dona Cegonha, geralmente por causa de quando matava por engano como foi nesta história ou então simplesmente pra agilizar as tramas. 

As paródias com famosos sempre eram bem criativas, dessa vez foram com os atores "Nei Latornada" (Ney Latorraca), "Cristiane Torroni" (Christiane Torloni) e novela "Um bobo a mais" ("Um sonho a mais"). Falando nisso,  o roteirista não se guiou na sinopse original da novela "Um sonho a mais" nesta história em quadrinhos, apenas aproveitou que a novela e o ator Ney Latorraca estavam no ar em 1985 para homenagear e atender à realidade da época. Foi novela de comédia e não dramalhão e nem tinha personagem chamada Ermelinda, com isso, a atriz usada foi fictícia, sem parodiar alguma atriz famosa.

Curiosamente dessa vez não teve um título na história, talvez foi pra dar destaque ao logotipo do Penadinho. Os traços muito bons, típicos de miolo dos anos 1980. incorreta atualmente por ter mortes por engano, final triste para Emerlinda, pois histatuais só podem ter finsis felizes, e também por envolver novela, que é coisa não apropriada para crianças. Histórias da Turma do Penadinho nos gibis quinzenais antigos do Cascão costumavam ser curtas (até porque ainda tinham as do Bidu e tinham que dar destaque maior ao Cascão) e, sem dúvida, com conteúdo muito superior que as de hoje.

Lindo Xale Vermelho

 

Lindo Xale Vermelho



Lindo Xale Vermelho

Cachecol February

 

Cachecol February

Material
Agulha 3,5mm
Fio compativel para agulha 3,5mm. Pode ser lã ou algodão.cachecol February Scarf
Execução
Coloque 29 pontos na agulha.
Faça 3 a 4 cordões de tricô.
A receita é composta por: 4 pontos de borda, 3 repetições do ponto, mais 4 pontos de borda. Os pontos de borda devem ser sempre feitos em ponto meia. Abaixo segue a receita do ponto.
Gull Pattern (Ponto Gaivota) – múltiplos de 7, ou seja, se você quiser, pode fazer mais largo. Eu fiz 3 repetições.
carr 1 e carr ímpares: todos os pontos em tricô
carr 2: *m1, 2mj, laç, 1m, laç, SSK , 1m* – eu repeti 3 vezes
carr 4: 2mj, laç, 3m, laç, SSK
(Obs. De acordo com Bia Medina, SSK é mate simples, só que feito de um jeitinho diferente: em vez de passar um sem fazer em meia, tricotar o seguinte e derrubar o ponto passado por cima do ponto tricotado, você passa o primeiro sem fazer em meia, o segundo sem fazer em meia, enfia a agulha esquerda pela frente dos dois pontos passados sem fazer e, no mesmo movimento, trabalha os dois juntos em meia. No fim das contas, dá no mesmo: uma diminuição em meia inclinada para a esquerda (ou seja, com o primeiro ponto por cima do segundo).
Faça do tamanho desejado, finalize com mais 3 ou 4 cordões em tricô. Arremate.

Xale Cinza - Drops Design

 

Xale Cinza - Drops Design


Xale Cinza - Drops Design

Xale Aconchego

 

Xale Aconchego



Xale Aconchego
Criação Aslan Trends e execução MIRIAM NAKUTIS

Xale médio, com motivo clássico de tranças, com borda em crochê e aplicação de franjas.
Grau de dificuldade: intermediário
Medidas xale acabado
1.30 m. de largura na parte superior e 65 cm de altura no centro (bico).

Material
3 novelos de 100g. do Fio Sensação Cor Crú (1712)
Agulhas para tricô reta ou circular 6.0 mm.
Ag. para crochê 4.5 mm
ag. auxiliar para trança

PONTOS EMPREGADOS
- Meia ou jersey: carr. do direito em meia e carr. do avesso em tricô-
- Cordões de tricô: todas as carreiras em meia ou em tricô (no caso, a receita foi executada com os cordões de tricõ tecidos em tricô)
- Trança de 6 pontos à direita: na carreira assinalada no gráfico: colocar 3 p. na ag. auxiliar atrás do trabalho, tecer os tres p. seguintes em m., teça os p. da ag. auxiliar em m.
- Trança de 6 pontos à esquerda: na carreira assinalada no gráfico: colocar 3 p. na ag. auxiliar na frente do trabalho, tecer os tres p. seguintes em m., teça os p. da ag. auxiliar em m.

Observações importantes
O xale é tecido do bico do triângulo em direção ao pescoço.
Os gráficos representam o desenvolvimento da peça.
As carreiras ímpares devem ser lidas da direita para a esquerda e as carreiras pares devem ser lidas da esquerda para a direita.

Execução
Com o fio Sensação e a ag. de tricô 6.0 mm., monte 3 p. e teça acompanhando o Gráfico 1. Ao final do
gráfico voce terá 25 p. nas agulhas.

Gráfico 1




Continue acompanhando o Gráfico 2, da 25º carreira (direito)
até a 44º carreira (avesso).
Ao final do gráfico voce terá na 45 p. nas agulhas.
Gráfico 2


Continue o trabalho com base no Gráfico 3 - na 45ª carreira: 47 p. nas ags.
Observação: A partir da carreira 52º os aumentos são feitos nas carreiras do lado direito, com uma laçada, sempre antes e depois a partir do ponto central.(assinalado em vermelho no gráfico).


Teça até completar 114 carr. contadas a partir do início.
Termine com 3 carr. em cordões de tricô. Arremate

Acabamento
Contorne o xale com 3 carreiras fazendo 6 correntinhas prendendo com um ponto baixo.
Corte as franjas no tamanho desejado e aplique ao longo do xale.

Esquema de medidas em centímetros
Detalhes do xale durante a execução.


domingo, 4 de janeiro de 2026

A imagem apresenta em 1º plano, a bela Residência de Jorge e Maria WISCHRAL, que era na Avenida Visconde de Guarapuava, na esquina com a Desembargador Westphalen. Avista-se a Pavimentação da Avenida. Provável década de 40 Foto de Junior Ranulfo

 A imagem apresenta em 1º plano, a bela Residência de Jorge e Maria WISCHRAL, que era na Avenida Visconde de Guarapuava, na esquina com a Desembargador Westphalen. Avista-se a Pavimentação da Avenida. Provável década de 40 Foto de Junior Ranulfo



A imagem do alto, contempla parte do pacato Bairro do Boqueirão, incluindo o Cemitério, em registro de 1950.

 A imagem do alto, contempla parte do pacato Bairro do Boqueirão, incluindo o Cemitério, em registro de 1950.



A Casa de Walter Kipper: Entre a Vida Doméstica e o Espírito Comercial no Centro de Curitiba

 Denominação inicial:  Projecto de casa para o Snr. Walter Kipper

Denominação atual: Comercial

Categoria (Uso): Residência e Comércio
Subcategoria: Residência de Médio Porte

Endereço: Saldanha Marinho, n° 121

Número de pavimentos: 2
Área do pavimento: 310,00 m²
Área Total: 310,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 27/04/1930

Alvará de Construção: Talão Nº 27426; N° 1933/1930

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de casa para residência e comércio e, fotografia do imóvel.

Situação em 2012: Existente


Imagens

1 - Projeto Arquitetônico.
2 - Fotografia do imóvel em 2012.

Referências: 

1 - PINNOW, Francisco. Projecto de casa para o Snr. Walter Kipper à rua Saldanha Marinho, n° 121. Plantas do pavimento térreo e superior e de implantação, corte e fachada frontal apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.
2 - Fotografia de Elizabeth Amorim de Castro (2012)

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.

A Casa de Walter Kipper: Entre a Vida Doméstica e o Espírito Comercial no Centro de Curitiba

Na Rua Saldanha Marinho, uma das artérias históricas do centro de Curitiba, ergue-se desde 1930 um sobrado que encarna, com elegância e funcionalidade, a dualidade típica da cidade na primeira metade do século XX: o encontro entre o lar e o comércio, entre o privado e o público, entre tradição construtiva e modernidade urbana.


Um Projeto de Classe Média Ascendente

Em 27 de abril de 1930, o arquiteto Francisco Pinnow — figura relevante na formação da paisagem arquitetônica curitibana — entregou o projeto de uma casa de médio porte destinada a Walter Kipper, cujo sobrenome sugere origem alemã, comum entre os imigrantes que impulsionaram o desenvolvimento econômico e cultural do Paraná.

Localizada no número 121 da Rua Saldanha Marinho, em posição privilegiada no centro da capital, a edificação foi concebida para dupla finalidade: residência no pavimento superior e comércio no térreo — um modelo arquitetônico então em franca expansão nas cidades brasileiras, permitindo que famílias vivessem acima de seus próprios negócios, mantendo proximidade, economia e vigilância.

Com dois pavimentos e 310 m² de área total (provavelmente 155 m² por andar, já que a área total igual à do pavimento sugere um erro de registro nos dados originais), a construção utilizou alvenaria de tijolos — material mais durável e prestigiado do que a madeira, indicando certo grau de estabilidade financeira do proprietário e uma aposta na longevidade do edifício.

O alvará de construção, emitido sob o número 1933/1930 (Talão nº 27426), sinaliza a regularidade do empreendimento perante as autoridades municipais da época — um detalhe que, aliado à qualidade do projeto, revela o compromisso com a urbanidade e a ordem pública em uma Curitiba que se modernizava rapidamente.


Arquitetura Funcional com Toques de Sofisticação

O projeto, hoje preservado em microfilme digitalizado, apresenta em uma única prancha as plantas dos dois pavimentos, implantação no terreno, corte estrutural e fachada frontal. A fachada, visível na fotografia registrada por Elizabeth Amorim de Castro em 2012, mantém boa parte de sua configuração original: linhas sóbrias, proporções equilibradas, aberturas simétricas e um tratamento vertical que destaca a separação entre o térreo comercial e o andar residencial.

Embora não se enquadre no estilo eclético ou art déco pleno — comuns em edifícios mais luxuosos da época —, a casa de Walter Kipper exibe qualidade construtiva, bom gosto e racionalidade espacial, características típicas da produção de Francisco Pinnow, conhecido por sua arquitetura funcional, porém humanizada.

O térreo, voltado para o comércio, possivelmente abrigava uma loja, escritório ou oficina — atividades que, nas décadas seguintes, se adaptariam às transformações econômicas da região central. Já o pavimento superior, mais reservado, era dedicado à vida familiar: salas de estar, quartos, cozinha e área de serviço, organizados com privacidade e conforto relativo à época.


Sobrevivente do Tempo

Diferentemente de tantos edifícios históricos demolidos em nome do “progresso”, a casa de Walter Kipper permanecia de pé em 2012, conforme atesta a fotografia de Elizabeth Amorim de Castro. Sua preservação física é um testemunho raro da arquitetura residencial-comercial de classe média da Curitiba pré-1950, um patrimônio frequentemente negligenciado em favor de monumentos mais espetaculares.

Embora possivelmente modificado por intervenções internas ou fachadas atualizadas, o edifício mantém sua volumetria, proporção e localização original, integrando-se ao tecido urbano histórico da Rua Saldanha Marinho — via que abriga diversos exemplares de arquitetura civil do início do século XX.


Legado de Um Nome, Memória de Uma Cidade

Walter Kipper talvez nunca tenha sido uma figura pública. Seu nome não consta nas páginas dos jornais da época, exceto, talvez, em registros cartorários ou anúncios comerciais. Mas sua casa — erguida com cuidado, planejada com rigor e habitada com propósito — é um fragmento vivo da história social e urbana de Curitiba.

Ela representa a ascensão da classe média urbana, a mistura de funções na cidade tradicional, e a capacidade da arquitetura de servir à vida real, sem alarde, mas com dignidade.


Conclusão: Preservar o Cotidiano

A casa de Walter Kipper não é um palácio, nem um marco arquitetônico nacional. Mas é, justamente por isso, tão valiosa. Ela mostra como a maioria vivia, trabalhava e sonhava. É um patrimônio do cotidiano — e talvez o mais legítimo de todos.

Que sua existência continue a inspirar o olhar atento para o que é simples, mas essencial; para o que é modesto, mas significativo.

“Nas cidades, não são apenas os monumentos que contam histórias. Às vezes, é a janela de um sobrado comercial, onde alguém um dia acendeu a luz para jantar com a família.”


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