quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Curitiba e o Norte do Paraná: O Futuro é Agora — Terra, Luz, Aço e Rodas em Movimento

 Curitiba e o Norte do Paraná: O Futuro é Agora — Terra, Luz, Aço e Rodas em Movimento

Curitiba e o Norte do Paraná: O Futuro é Agora — Terra, Luz, Aço e Rodas em Movimento

Neste retrato vibrante da vida paranaense nos anos 1940, cada página do jornal é um convite para embarcar em uma viagem de otimismo, inovação e conquista. Não se trata apenas de anúncios ou notícias; é a tessitura de um sonho coletivo, onde a terra fértil, a energia elétrica, a indústria robusta e os veículos modernos se unem para construir um novo Brasil. Curitiba, como centro irradiador de ideias e negócios, e o Norte do Paraná, como promessa de riqueza e progresso, são os protagonistas desta epopeia de desenvolvimento.

A Imobiliária Ypiranga, com seu anúncio grandioso da “Cidade ‘ALTO PARANÁ’”, não vende apenas lotes; vende um futuro. Com o slogan “UM PEDAÇO DO NORTE DO PARANÁ FIADOR DA SUA prosperidade NO FUTURO”, a empresa transforma a terra em oportunidade. As terras férteis, descritas como ideais para todos os tipos de cultura, e a abundância de água são apresentadas como garantias naturais de sucesso. A ilustração do casal olhando para o horizonte, com expressões de esperança e confiança, é um símbolo perfeito deste espírito pioneiro. A proposta de vendas a longo prazo e sem juros é um gesto de confiança no potencial dos compradores, democratizando o acesso à propriedade e ao sonho de construir uma vida nova. A filial em Curitiba, localizada no Edifício do Banco Paulista do Comércio, funciona como um portal para quem deseja fazer parte desta aventura, conectando a capital ao coração produtivo do estado.

Enquanto a terra aguarda ser cultivada, a luz já está presente, graças à Companhia Força e Luz do Paraná. Seu anúncio de Ano Novo de 1949 é uma celebração da modernidade e da eficiência. O desenho humorístico de dois homens tentando fechar uma porta pesada, enquanto uma mulher observa com impaciência, é uma metáfora brilhante para os problemas cotidianos que a eletricidade resolve. O texto, assinado pelo “Seu” Kilowatt, o “criado elétrico”, é uma personificação encantadora da energia, que promete resolver as tarefas domésticas com precisão e velocidade. Mais do que um serviço, a eletricidade é apresentada como um parceiro indispensável na construção de uma vida mais confortável e produtiva, marcando a entrada definitiva do Paraná na era moderna.

No campo da indústria e da manutenção, a Sociedade «ICO» Limitada é a ponte entre o mundo global e o mercado local. Com endereço na Rua Pedro Ivo, em Curitiba, a ICO atua como distribuidora de produtos de primeira linha, desde lubrificantes Sinclaire até equipamentos Wayne do Brasil S/A. O anúncio destaca sua parceria com marcas renomadas como Sherwin-Williams e a Sociedade Brasileira de Máquinas e Motores Ltda., oferecendo soluções completas para oficinas mecânicas, garagens e indústrias. A menção aos “cofres de aço, máquinas de somar, arquivos e moveis de aço” revela a diversidade de seu estoque, atendendo às necessidades de empresas de todos os portes. A ICO é mais do que um fornecedor; é um parceiro estratégico, garantindo que os negócios paranaenses tenham acesso aos melhores materiais e tecnologias disponíveis no mercado.

O futuro também tem nome e mapa: Tupinambá. Este anúncio apresenta a “nova Cidade-Milagre que nasce no NORTE DO PARANÁ”, destacando sua localização privilegiada na rodovia Maringá-Londrina, passando por Astorga e Sabaudia, no Município de Arapongas. O mapa detalhado mostra as vias de acesso e a integração da cidade com a malha rodoviária regional, indicando seu potencial como polo de comércio e serviços. A oferta de “LOTE COMPRADO… DINHEIRO DOBRADO!” é um chamado irresistível para investidores e colonos, prometendo retornos rápidos e lucrativos. A presença de um escritório central em Curitiba e uma agência principal em Apucarana demonstra a seriedade e a escala do projeto, que visa transformar uma área rural em um centro urbano dinâmico e promissor.

Finalmente, o futuro chega sobre rodas com o Fargo 1949. Importado pela Importadora Americana S.A., este caminhão robusto e moderno é apresentado como a solução ideal para o transporte de cargas pesadas, com capacidades que variam de 1.000 a 6.500 kg. O anúncio, repleto de ilustrações detalhadas, destaca seus novos recursos, como o novo estilo aerodinâmico, o novo conforto e a nova vibração suave, além de um novo sistema de freios e suspensão. O texto enfatiza que o Fargo foi projetado para enfrentar as condições adversas das estradas brasileiras, oferecendo durabilidade e economia de combustível. A oferta de um plano de financiamento facilitado é um gesto de inclusão, permitindo que pequenos empresários e transportadores adquiram este veículo de última geração. O Fargo não é apenas um caminhão; é um símbolo de força, confiabilidade e progresso, pronto para carregar o Paraná rumo ao futuro.

Juntas, estas páginas formam um mosaico de entusiasmo e determinação. Elas mostram que, em meados do século XX, o Paraná estava em plena ascensão, impulsionado por uma combinação única de terra fértil, energia elétrica, indústria moderna e transporte eficiente. Curitiba, como centro administrativo e comercial, e o Norte do Paraná, como fronteira de expansão, eram os dois pilares deste crescimento. O futuro não era uma promessa distante; era uma realidade tangível, construída dia a dia por empreendedores, trabalhadores e visionários que acreditavam no potencial do estado e estavam dispostos a transformá-lo em uma das regiões mais prósperas do Brasil.










Curitiba e o Paraná: Um Mosaico de Progresso, Elegância e Indústria no Coração do Brasil

 Curitiba e o Paraná: Um Mosaico de Progresso, Elegância e Indústria no Coração do Brasil

Curitiba e o Paraná: Um Mosaico de Progresso, Elegância e Indústria no Coração do Brasil

Nas páginas deste jornal, a vida pulsante do Brasil dos anos 1940 se desdobra em uma colagem vibrante de empreendimentos, sonhos e conquistas. Não é apenas notícias que se leem aqui; é a própria essência de uma nação em ascensão, onde cada anúncio, cada reportagem, cada retrato de personalidade é um tijolo na construção de um futuro promissor. Do norte ao sul, da indústria química à moda glamourosa, da terra prometida aos rolamentos de precisão, tudo converge para uma única mensagem: o Brasil está em movimento, e Curitiba, com seu espírito inovador, é um dos seus principais centros de gravidade.

Na indústria química, a Haro Ltda. surge como um farol de modernidade. Fundada em outubro de 1943, esta empresa paranaense não se contenta em apenas fabricar produtos; ela redefine o conceito de higiene e beleza para o país. Seus perfumes, cuidadosamente elaborados para atender às mais exigentes sensibilidades, são verdadeiras obras de arte olfativas, capazes de transformar um ambiente comum em um espaço de sofisticação e bem-estar. Mas a Haro vai além dos frascos elegantes. Seu portfólio inclui produtos de limpeza e desinfecção de alta eficácia, como o "Toucador CIVET", que combina fragrância agradável com poder bactericida, tornando-se indispensável nas casas e nos estabelecimentos comerciais. A fábrica, situada em Curitiba, é descrita como um modelo de organização e tecnologia, equipada com as mais modernas máquinas e mantendo um padrão de qualidade que rivaliza com os melhores produtos importados. O diretor, Dr. Ary Haro, é apresentado como um visionário, cujo orgulho pela empresa reflete o orgulho nacional por um produto genuinamente brasileiro, feito com matéria-prima nacional e destinado a conquistar mercados em todo o país, desde o Rio Grande do Sul até o Norte do Paraná.

Enquanto a Haro constrói seu império no mundo das essências, outra página do jornal celebra o brilho humano em sua forma mais radiante: Peggy Fonseca, eleita Miss Glamour 1948. Em um mundo ainda marcado pela guerra e pela reconstrução, a beleza e a elegância de Peggy se tornam símbolos de esperança e renovação. Sua vitória no concurso "Miss Glamour" — um evento que reuniu as mais belas jovens do estado — não foi apenas um triunfo pessoal, mas um marco cultural para Curitiba. A reportagem destaca não apenas sua aparência impecável, mas também sua personalidade cativante e seu carisma natural, que a levaram a ser escolhida como representante do estado em um concurso nacional. A imagem que acompanha a matéria mostra Peggy em um vestido longo e esvoaçante, posando com uma postura confiante que encarna a nova mulher moderna, independente e ambiciosa. Sua história, de garota simples de Curitiba a musa nacional, é uma inspiração para todas as jovens que sonham em brilhar, demonstrando que o talento e a determinação podem abrir portas até mesmo nos palcos mais ilustres.

Mas o progresso não se mede apenas em fragrâncias ou coroas de beleza. Ele também se mede em metros quadrados de terra, em edifícios erguidos e em comunidades florescentes. A Imobiliária Ypiranga, de Boralli & Held, oferece um convite irresistível para quem deseja fazer parte da história de desenvolvimento do Paraná. Com o slogan "Capital e trabalho a serviço do progresso da região mais rica do país — O NORTE DO PARANÁ", a empresa apresenta a "Cidade «ALTO PARANÁ»" como um projeto visionário. Trata-se de um empreendimento urbano planejado, com lotes disponíveis para venda a longo prazo e sem juros, permitindo que famílias de diferentes classes sociais realizem o sonho da casa própria. A imagem da "Alta Paraná" mostrada no anúncio revela um bairro moderno, com ruas largas, calçadas e casas de arquitetura sóbria e funcional, tudo projetado para oferecer conforto e segurança. A filial em Curitiba, localizada na Rua Dr. Murici, funciona como um ponto de contato para interessados em investir no futuro do estado, transformando o sonho de uma vida melhor em uma realidade tangível.

No universo da comunicação e da propaganda, a "Velox Propagadora" se posiciona como uma parceira indispensável para qualquer negócio que deseje crescer. Com uma equipe completa de profissionais, a Velox oferece serviços de publicidade abrangentes, desde a criação de logotipos e slogans até a produção de materiais impressos e a veiculação de anúncios em jornais e revistas. Seu diferencial está na compreensão profunda do mercado local e na capacidade de criar campanhas personalizadas que ressoam com o público-alvo. O anúncio, com seu design dinâmico e seu slogan "O êxito do negócio está na sua expansão", transmite uma mensagem clara: em um mundo competitivo, a visibilidade é o segredo do sucesso. A Velox não apenas vende serviços; ela vende resultados, ajudando empresas de todos os portes a alcançarem novos patamares de crescimento e reconhecimento.

Finalmente, no coração da indústria pesada, a PGazzzi & Filho Ltda., representante da Companhia SKF do Brasil, é a garantia de que as engrenagens da economia nacional estão sempre lubrificadas e funcionando perfeitamente. A SKF, líder mundial em rolamentos, oferece uma linha completa de produtos para todos os setores industriais, desde pequenos motores elétricos até grandes máquinas agrícolas e veículos pesados. O anúncio detalha as diversas marcas comercializadas pela empresa, como STAL, PENTA e DE LAVAL, cada uma especializada em um tipo específico de aplicação. A presença da SKF em Curitiba, com seu escritório na Rua Barão do Rio Branco, é um sinal de que a cidade não é apenas um centro administrativo, mas também um polo industrial de grande importância. A confiança depositada na marca SKF pelos maiores fabricantes do país é um testemunho da qualidade e da durabilidade de seus produtos, que são essenciais para manter a produtividade e a eficiência das operações industriais.

Juntas, estas páginas pintam um retrato completo de uma época de otimismo e crescimento. Elas mostram que o Brasil, em meados do século XX, era um país em constante evolução, onde a indústria, a cultura, o urbanismo e o comércio se entrelaçavam para criar uma nova identidade nacional. Curitiba, com sua energia criativa e seu espírito empreendedor, estava no centro deste movimento, sendo tanto cenário quanto protagonista desta grandiosa aventura chamada progresso.












Chico Bento: HQ "Apertem os cintos... o Chico subiu!"

 

Chico Bento: HQ "Apertem os cintos... o Chico subiu!"


Em maio de 1993, há exatos 30 anos, foi lançada a história "Apertem os cintos... o Chico subiu" em que o Chico Bento viaja de avião com o primo Zeca para o Rio de Janeiro e durante a viagem quase mata do coração um senhor que tinha pânico de avião. Com 14 paginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 166' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Chico Bento Nº 166' (Ed. Globo, 1993)

Conhecemos Seu Joaquim Borges, um senhor que estava andando de avião pela primeira vez. O filho manda subir e Seu Borges está cheio de medo, reclamando que nunca precisou andar em um treco daquele atrapalhando a passagem das outras pessoas na fila. A aeromoça dá boas vindas e Seu Borges pergunta, aflito, se o trambolho é seguro, se não tem perigo.


Enquanto isso, Chico Bento, seu primo Zeca e seu tio Rodrigo vão correndo, atrasados para o voo. Chico não entende a pressa, Zeca diz que se não correr, Chico não vai conhecer a ponte área e ele imagina que seria uma ponte com asas que voa. Quando chega, Chico avisa ao primo que aquilo era um avião e nada de ponte aérea e também que nunca andou de avião. A aeromoça lhe dá boas vindas e ele agradece e se aparecer na casa dele para tomar café também será bem vinda.


No avião, Chico e o primo ficam sentados atrás do Seu Borges. Chico comenta com Zeca que o avião é grande e duvida que se levante do chão, que passarinhos, borboletas, morcegos são leves e podem voar, mas o treco de avião cheio de gente não levanta do chão e se levantar, cai. Seu Borges ouve a conversa aflito e sai da cadeira, achando que Chico tem razão e quer sair de lá. O filho reclama com o pai que está dando vexame.


O comandante avisa no alto-falante que estão quase partindo de São Paulo para o Rio de Janeiro e Chico diz que a aeromoça tem voz grossa. O comandante dá instruções de onde ficam as coisas no avião e os comissários vão apontando para direita ou esquerda e Chico pensa que era aula de ginástica e sobe na cadeira para fazer, dando vergonha para o Zeca.


O comandante avisa que caso ocorra despressurização da cabine, máscaras cairão automaticamente do teto. Chico abre um guarda-chuva achando que vai chover máscaras. Zeca diz que só se tiver despressurização e Chico responde que nem sabe o que é isso. Comandante diz que os bancos são salva-vidas caso seja necessário, Chico fala com Zeca que estão os preparando quando eles caírem na água. 

Seu Borges, que já estava aflito a conversa toda, sai desesperado da cadeira falando que não sabe nadar. A aeromoça o coloca no lugar, pergunta se quer calmante ele grita que quer estar lúcido quando caírem na água. Os passageiros ficam espantados se vão cair na água e a aeromoça os tranquiliza, dizendo que é só um caso de nervosismo natural e mandam ficar em seus lugares.

O comandante manda apertarem os cintos que vão decolar, Chico acha que o avião não descola nem que a vaca tussa. O avião começa a andar, Chico diz que faz força, mas não voa, até que voa de verdade, Chico se convence que voou, mas acha que logo cai e Seu Borges cheio de medo ouvindo.

Zeca manda Chico parar de história, perdeu a aposta e Chico resolve pagar com o tem de mais valor, o seu sapo Onório. Zeca grita que o primo levou sapo para o avião, Onório foge assustado e os passageiros se assustam com o sapo rodando o avião. O comissário consegue pegar o Onório e avisa ao Chico que vai levar o sapo ao compartimento de carga junto com outros animais. Chico fala que Onório vai ficar traumatizado sozinho quando o avião cair. Zeca manda o primo parar com isso porque está assustando o senhor. 

Chico se apresenta ao Seu Borges e pede desculpas e não precisa ele se preocupar porque se o avião cair, do chão não passa e dá um lençol velho para servir de para-quedas quando o avião cair, só que estava furado e aí deseja que nada de mal vai acontecer. Chico pergunta ao Seu Borges se ele tem se confessado os pecados dele na igreja, não é por nada, mas é bom estar sempre em dia, caso morrer de repente, ele confessou ontem e sempre reza para São Pedro, seu chapa. Seu Borges treme de pânico.


Em seguida, a aeromoça oferece suco para o Chico, que pede os 3 sabores disponíveis porque podem ser os últimos que ele toma. Seu Borges se engasga e ao mesmo tempo o avião faz uma manobra para baixo. Chico fala com Seu Borges que agora foi quase e o senhor fica embaixo da cadeira e implora para aeromoça que vai aceitar aquele calmante e coloca óculos escuros e fone de ouvido para seguir a viagem.

O comandante avisa que estão chegando ao destino do Rio de Janeiro e mandam todos apertarem os cintos. Chico duvida que o avião pousa e Zeca aposta com ele que pousa e se ganhar, devolve o sapo para o Chico. O avião abaixa e Chico fala que não está pousando, está despencando, caindo. Avião aciona rodas e posa e Chico se convence que o avião funciona mesmo.

Na saída, a aeromoça agradece aos passageiros e que viajem sempre na companhia deles e quando vê Chico Bento com o primo e o tio, ela fala que tem outras companhias melhores. Seu Borges sai carregado por enfermeiros de maca desmaiado. Chico pergunta para o primo  o que vão fazer no Rio de janeiro, Zeca fala que vão conhecer o Pão de Açúcar e o Corcovado e Chico pensa que era um pão doce gigante e um camelo com corcovas.

No final, passam uns dias e Seu Borges e sua família estão em avião de volta para São Paulo e Seu Borges pergunta para aeromoça se o avião é seguro, se já checaram tudo e a lista de passageiros. A aeromoça pergunta se isso é medo de avião e o filho responde que é medo de Chico Bento.

História engraçada demais em que o Chico Bento foi viajar de avião e cismou o tempo todo que não iria decolar, que iria cair, que não iria pousar, perturbando e assustando o Seu Borges, que já tinha pavor de avião e ficava mais desesperado quando Chico falava. O avião não caiu e pousou normalmente, mas Seu Borges acabou precisando sair de maca, desmaiado, e depois até perdeu medo de avião, só que agora traumatizado em reencontrar o Chico Bento em um novo voo, ninguém merece encontrar um Chico Bento em viagem de avião.

Chico estava impossível, foi um verdadeiro pestinha, o Seu Borges sofreu com ele, já tinha pânico e com as bobeiras do Chico, o senhor quase enfartou e prova que Chico não tinha medo de morrer, mas preocupado em ganhar aposta com o primo que avião ia cair. Fica até dúvida se o que Chico falava com seu Borges era na inocência ou de caso pensado, já sabendo que o senhor estava com medo e ficou na imaginação do leitor se nesse voo de volta, o Chico decolou também, muito bom.

Foi hilária do início ao fim, foi de rachar de rir com Chico fazer ginástica quando mostravam posições das coisas no avião e abrir guarda-chuva achando de fato que ia chover máscaras na despressurização, os outros passageiros com medo de que eles iam cair na água e com o sapo no avião, chamarem avião de treco e trambolho, Chico falar com Seu Borges que se avião cair, do chão não passa, dar um lençol velho e furado para servir de para-quedas, perguntar se confessou na igreja, já prevendo morte deles, Chico tomar todos os sucos que seriam os últimos que ele tomava e a manobra do avião pra baixo, desesperando Seu Borges e aeromoça mandar Chico visitar outra companhia de avião. Nunca ri tanto lendo uma história em quadrinhos, Chico Bento em 1993 estava sensacional, encontraram a personalidade e o humor certos para ele.

As histórias do Chico com o primo Zeca na cidade eram as melhores, era hilário ver o Chico retardado com as coisas na cidade, não sabendo o que era e dando seu jeito. Nessa, incrível ser tão tapado de nunca ter ouvido falar de ponte área, Pão de Açúcar e Corcovado, pontos turísticos da cidade, achar que ponte área é ponte com asas que voa e Pão de Açúcar, um pão doce e Corcovado com camelo,  nem na escola foi falado, pelo visto. Teve palavra (des)pressurização, realmente é difícil criança saber o que é de cara, Chico estava certo em não saber o que era, coisa boa que acaba os leitores aprendendo significados de novas palavras e grafias com leituras de gibis. 

Só lendo o título já acha engraçada. O título teve referência ao filme "Apertem os cintos, o piloto sumiu!", um clássico do cinema. Apesar de na época estar bem frequente histórias parodiando roteiros de filmes de sucesso do cinema, a paródia dessa vez foi só no nome do filme no título e não na história do filme. As semelhanças ficam em queda de avião e na comparação de que seja piloto sumir ou Chico subir em um avião, é loucura e confusão na certa.

Legal que a viagem foi para o Rio de Janeiro, onde Chico nunca tinha ido. O pai do Zeca, Seu Rodrigo, foi com eles, mas nem falou nada, só figuração, foi mesmo para mostrar que as crianças não estavam viajando sozinhas, nesse caso. Apesar de normalmente as crianças terem autonomia nos gibis naquela época, mas para viagem de avião sozinhas seria demais. Não foi primeira história do Chico em um avião, ele já tinha andado na história "Oba! Vô andá de avião!", de 'Chico Bento Nº 83' (Ed. Abril, 1985), muito engraçada também e uma das primeiras com o Chico adotando essa personalidade de um matuto burro na cidade. Como nunca teve uma cronologia na MSP, aí nessa de 1993 também adotaram que foi a primeira vez que o Chico viajou de avião, porém ele viajar para o Rio de Janeiro, de fato, foi primeira vez.

Os traços ficaram muito bons, era ótimo ver desenhos assim. Infelizmente não fazem mais histórias assim hoje em dia, gostam de colocar só o Zeca na roça, sem ter esse brilho de quando era Chico na cidade. É incorreta hoje por conta de Chico causar pânico ao senhor, sofrimento dele, podendo até morrer de tão desesperado que ficou, Chico ser retratado como lerdo e não conhecer coisas óbvias da cidade, mesmo para quem não morava lá, Chico sair da cadeira com avião em movimento, ter sapo em avião. Teve um erro do Chico falar de boca fechada no segundo quadrinho da 11ª página da história (página 13 do gibi), erro bem comum na época. Muito bom relembrar essa história marcante há exatos 30 anos. 

Cascão: HQ "Vida de casado"

 

Cascão: HQ "Vida de casado"


Compartilho uma história em que Cascão e Cascuda e queriam se casar, mas tiveram empecilho do padre que não queria casá-los. Com 5 páginas, foi história de abertura de 'Cascão Nº 103' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cascão Nº 103' (Ed. Abril, 1986)

Enquanto namoravam, Cascão fala para Cascuda que é tão fofinha, legal e bonita, a melhor namorada que ele já teve. Cascuda pergunta quantas namoradas ele teve e Cascão responde que nenhuma, mas ela é melhor do que as outras que não teve. Cascão ainda fica sem jeito de pedir uma coisa, até que pergunta se Cascuda quer casar com ele.

Cascuda se engasga de emoção de a ter pego de surpresa, e aceita se casar. Cascão conta a novidade e que Cascuda é o amor da vida dele para a mãe, que acha graça e manda ele ir se lavar que o almoço já, já estará pronto. Cascão vai falar com a Cascuda, que diz que os pais delas caíram na risada e, então, como ninguém compreende o amor deles, resolvem fugir para se casarem escondidos. Na rua, encontram um padre e perguntam se poderia fazer casamento deles. O padre diz que é para eles o procurarem daqui 20 anos e agora ele vai realizar um casamento de verdade. Cascão e Cascuda vão atrás do padre, ficam do lado dele para que faça casamento deles.

As crianças se consideram casadas, ficam emocionadas e nunca pensaram que fosse tão fácil casar. Aí, combinam como vão ser a vida deles a partir de agora, terão que morar juntos e por isso terão que economizar mesada, nada de sorvetes, cinema, terão que arrumar emprego, esquecer paqueras, bailinhos, terão que visitar os pais aos domingos e cuidar dos filhos. No final, se dão conta que não é o que querem e voltam para igreja perguntar para o padre como fazem para se divorciar.

História legal em que  o Cascão resolve  se casar com a Cascuda e como o padre não queria casá-los por serem crianças, eles ficam ao lado do padre enquanto realiza um casamento e, assim, se sentem que se casaram de verdade, Só que ao refletirem as responsabilidades e os problemas que teriam após o casamento, não fazerem o que gosta como tomar sorvete, ir a cinema, bailinhos, etc, e não poderiam mais se comportar como crianças, mudam de ideia e querem saber com o padre como pedir o divórcio. 

Foi pensada em crianças que namoravam e se perguntavam por que não podiam se casar, mostrando as desvantagens do casamento, deixam de ser crianças e passam a ter responsabilidades grandes. A mensagem foi que tudo tem seu tempo, não se deve pular etapas da vida e curtir a infância sem pressa. Foi legal ver a inocência do Cascão e da Cascuda que seria fácil se casarem, só ficarem na igreja durante uma cerimônia e já estariam casados, o diálogo fofinho entre eles na primeira página como ela ser a melhor namorada, mesmo não tendo namorado outras garotas antes, os adultos não levando a sério casamento deles, o casal listando responsabilidades da vida de casado e destaque de se permitirem paquerar outras pessoas numa boa e eles pedindo divórcio no final para continuarem só namorando como antes. 

Apesar de Cascuda ter sido namorada oficial do Cascão, mas tiveram muitas histórias com ele paquerando e namorando outras meninas, de acordo com roteiro, roteiristas achavam melhor outras meninas no lugar ou ele trair a Cascuda. Dessa vez não teve foco em banho e sujeira, mas mesmo quando não tinha, muitas vezes inseriam elementos dessa característica principal do Cascão, como foi na parte da mãe dele mandando o filho se lavar antes de comer, como se não soubesse que ele não toma banho. Foi engraçado.

Foi legal também a referência ao namoro do Chico Bento e Rosinha, que ficavam horas olhando um para o outro, rindo envergonhados sentados em um tronco de árvore e não falavam nada. A maior parte das vezes a timidez era só do Chico, mas tinham histórias dos dois envergonhados. Aliás, o roteiro da história em si dava tranquilamente para ser do Chico Bento com Rosinha, aí pelo visto roteirista preferiu deixar com Cascão para variar e por terem poucas histórias dele com Cascuda.

Foi curta para uma história de abertura, mas sem deixar de ser divertida. Era normal na época histórias de aberturas curtas de até 5 páginas, as vezes até menos. Provavelmente seria de miolo e acabavam colocando na abertura por falta de uma história mais desenvolvida para fechar o gibi a tempo, tanto que os traços foram típicos de miolo e não os que colocavam nas de abertura. Acontecia mais em gibis quinzenais, mas também aconteceram as vezes em gibis mensais da Mônica e Cebolinha. Isso ajudava também a não terem só histórias da Rosana nas de abertura, já que Rubão e Robson Lacerda costumavam fazer histórias mais curtas enquanto Rosana, as mais desenvolvidas.

Impublicável hoje em dia pelo tema de haver namoro e casamento escondido de crianças, capazes até de fugir de casa para se casarem, sem chance isso atualmente. Implicariam também por ter religião com presença de padre e também com a Dona Lurdinha aparecer só lavando louça na cozinha, já que hoje a ideia de mães como donas-de-casa, com avental e fazendo serviços domésticos não aceitam mais. Hoje, naquela cena, colocariam, então, a Dona Lurdinha trabalhando em home-office com notebook.

Os traços ficaram bons, no estilo de histórias de miolo, com destaque aos personagens em maior parte do tempo com olhos sem fundo branco e só com um risco inclinado nas sobrancelhas, deixando mais fofinhos e demonstrando que estavam mais carinhosos, com afeto e emocionados com mais intensidade. Gostava quando apareciam com olhos assim. Teve erro da Cascuda aparecer sem sujeirinhas no rosto no 3º quadrinho da 2ª página e em dois quadrinhos na última páginas. Na época, Cascuda ainda aparecia com sujeirinhas, a partir de 1990, passaram a deixá-la sem sujeirinhas de forma fixa, com raras exceções, dependendo do desenhista, provavelmente acostumado a desenhá-la com sujeirinhas.

Nunca foi republicada ate hoje, daria para ser por volta de 1998, quando estavam republicando histórias de 1986 dos gibis do Cascão, mas como na época eles estavam correndo com as histórias da Editora Abril por estarem velhas até então e para passarem a republicar histórias só da Globo, acabou essa sendo esquecida em republicação. Com isso, se torna uma história rara, só quem tem a edição original que conhece.

Cachecol de crochê super delicado

 

Cachecol de crochê super delicado





Cachecol de crochê super delicado - Gráfico e Esquema de Montagem

CACHECOL GRACIOSO EM CROCHÊ

 

CACHECOL GRACIOSO EM CROCHÊ




CACHECOL EM CROCHÊ - GRÁFICO
INICIE COM 37 CORR

Saia de croche em ponto pinha

 

Saia de croche em ponto pinha




Saia de croche pode ser feita em linha de algodao ou acetinada.