segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Curitiba em Sintonia: O Rádio que Conecta Corações, Culturas e Céus — Um Mosaico de Páginas, Sons e Histórias

 Curitiba em Sintonia: O Rádio que Conecta Corações, Culturas e Céus — Um Mosaico de Páginas, Sons e Histórias

Curitiba em Sintonia: O Rádio que Conecta Corações, Culturas e Céus — Um Mosaico de Páginas, Sons e Histórias

Na Capital Paranaense, o rádio não é apenas um aparelho de madeira ou metal com botões e antenas — é uma alma viva, pulsando nas ruas, nos lares, nas praças e até nos campos. Desde os primeiros dias em que as ondas sonoras começaram a dançar pelo ar, Curitiba se encantou com essa magia invisível que trazia vozes do mundo inteiro para dentro das casas. E hoje, em 1948, esse encanto se tornou uma realidade cotidiana, vibrante, inesgotável — e cada página da Divulgação revela um pedaço dessa história, como se fosse um quebra-cabeça sonoro em constante montagem.


Página 21 — A Grande Festa do Rádio em Curitiba

Aqui, tudo começa com um anúncio radiante: “O RÁDIO EM CURITIBA” — em letras maiúsculas, como um grito de celebração. A reportagem informa que, no dia 10 de janeiro de 1948, foi realizada uma festa internacional promovida pela Rádio Guairacá, com a presença de autoridades, artistas e público entusiasmado. O evento aconteceu na própria sede da emissora, localizada na Rua Marechal Floriano, 175 — um endereço que já era sinônimo de cultura e modernidade.

O texto destaca que a programação especial incluiu apresentações musicais, discursos, homenagens e até uma demonstração técnica dos equipamentos da emissora. Entre os convidados, estavam Manuel Barcelos, Jorge Veloso, Alcides Fonseca, Jorge Biazzi e Zélia Moraes — nomes que representavam a elite intelectual e artística da cidade. A festa foi tão animada que, segundo relatos, houve até um brinde coletivo com champanhe, regado por músicas de violão e piano.

Mas o mais interessante é a menção ao “Programa Especial de Estatística”, onde se revela que a Rádio Guairacá, em 1948, já alcançava cerca de 85% da população paranaense — um número impressionante para a época. O texto ainda menciona que a emissora transmite diariamente programas religiosos, culturais, esportivos e informativos, além de ter uma equipe de jornalistas e locutores altamente qualificados.

E não podemos esquecer o detalhe curioso: o texto afirma que a Rádio Guairacá já possui um “aparelho de controle automático de volume”, o que era uma novidade tecnológica para a época — permitindo que os ouvintes escutassem o som com clareza, mesmo em ambientes ruidosos.


Página 22 — Música, Arte e Educação no Ar

Nesta página, a revista mergulha fundo na programação cultural da Rádio Guairacá. O destaque vai para o programa “Música para as Elites”, apresentado pelo maestro Ludovico Seyer. O texto descreve o programa como uma “verdadeira academia musical”, onde são tocadas obras de grandes compositores como Beethoven, Mozart e Chopin — sempre com comentários educativos sobre a história e a estrutura das peças.

O maestro Seyer, conhecido por sua voz suave e seu jeito didático, explica que o objetivo do programa é “elevação cultural do povo”, e que ele não se limita apenas à música erudita — também toca tangos, valsas e até sambas, desde que sejam executados com qualidade e respeito.

Outro destaque é o programa “Quem é o Artista?”, onde o ouvinte pode enviar perguntas sobre artistas nacionais e internacionais, e receber respostas detalhadas. O texto menciona que, em uma semana, foram recebidas mais de 300 cartas — prova de que o público estava realmente engajado.

E não podemos deixar de lado o programa “Saúde e Higiene”, apresentado pela médica Dra. Maria Helena, que dá dicas práticas sobre alimentação, higiene pessoal e prevenção de doenças. O texto destaca que o programa é especialmente popular entre as donas de casa, que o ouvem enquanto fazem as tarefas domésticas.


Página 23 — A Potência do ZYD4: O Rádio que Alcança o Brasil

Aqui, a revista faz uma homenagem à Rádio Londrina, destacando seu novo transmissor ZYD4, instalado em 1948. O texto compara o alcance da emissora com um mapa do Brasil — mostrando que o sinal da Rádio Londrina chega até São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e até Minas Gerais.

O mapa ilustrado mostra o “círculo de alcance” da emissora, com linhas que partem de Londrina e se espalham por todo o país. O texto explica que, em 1943, a emissora tinha apenas 100 watts de potência — mas, em 1945, passou para 250 watts, e em 1948, atingiu a marca de 1000 watts. Isso significa que, agora, qualquer pessoa dentro desse círculo pode ouvir a Rádio Londrina com clareza e nitidez.

O texto também menciona que a emissora está investindo em novos equipamentos — incluindo microfones de alta sensibilidade e gravadores de fita magnética, que permitem retransmitir programas com perfeição. Além disso, a Rádio Londrina tem um estúdio de gravação próprio, onde artistas locais podem gravar seus próprios discos — uma oportunidade única para quem deseja entrar no mundo da música.

E não podemos esquecer o detalhe mais emocionante: o texto conta que, em uma noite de outono, um ouvinte de Porto Alegre ligou para a emissora para agradecer — disse que, graças ao sinal da Rádio Londrina, ele conseguiu ouvir o show de Boulanger, que estava sendo transmitido ao vivo de Curitiba. “Foi como se eu estivesse lá”, disse o ouvinte. E isso resume bem o poder do rádio: unir pessoas, mesmo que estejam separadas por centenas de quilômetros.


Página 24 — O Paraná de Luto e as Flores Petrificadas

Esta página traz um contraste emocional — de um lado, a dor da perda; do outro, a beleza da natureza. O texto começa com uma nota de luto: o falecimento do Dr. Antônio Augusto de Carvalho Chaves, um médico renomado e benfeitor da comunidade. O texto descreve sua vida dedicada ao serviço público, sua generosidade e seu amor pela cidade de Curitiba. A emissora Rádio Clube Paranaense transmitiu uma homenagem especial em sua memória, com discursos, músicas e depoimentos de amigos e colegas.

Mas, logo em seguida, o texto muda de tom — e entra no mundo das florestas petrificadas. O texto descreve como, em certas regiões do Paraná, é possível encontrar árvores que, ao longo de milhares de anos, foram transformadas em pedra — mantendo a forma original, mas com a textura de rocha. O texto explica que essas florestas são um tesouro geológico, e que cientistas estão estudando-as para entender melhor a história da região.

O texto ainda menciona que a Rádio Guairacá está planejando um programa especial sobre as florestas petrificadas — com entrevistas com geólogos, imagens de arquivo e até uma excursão guiada para os ouvintes. É mais um exemplo de como o rádio não só entretém, mas também educa e inspira.


Página 25 — Boulanger em Curitiba: O Cantor que Encantou a Cidade

Aqui, a revista dedica uma página inteira ao cantor francês Boulanger, que escolheu Curitiba como lar. O texto começa com uma foto dele, vestido de terno e gravata, segurando um microfone — e o título “Boulanger em Curitiba” em letras grandes e elegantes.

O texto conta que Boulanger chegou à cidade em 1946, convidado pela Rádio Clube Paranaense para fazer uma série de shows. Ele ficou tão encantado com a cidade que decidiu ficar — e, desde então, tornou-se um ícone cultural. O texto descreve seus shows como “verdadeiras performances artísticas”, onde ele mistura música, teatro e poesia.

O texto também menciona que Boulanger é muito querido pelo público — tanto que, em uma ocasião, ele foi aplaudido por mais de 30 minutos após um show. “Ele tem um carisma único”, diz o texto. “Sua voz é suave, mas poderosa — e seus olhos brilham quando canta.”

E não podemos esquecer o detalhe mais curioso: o texto conta que Boulanger tem um cachorro chamado “Rádio”, que sempre o acompanha nos shows — e que, às vezes, até tenta subir no palco para cantar junto. “É como se o próprio rádio tivesse ganhado vida”, diz o texto.


Conclusão Silenciosa — Porque o Rádio Nunca Para

Em cada página, em cada linha, em cada palavra, o rádio de Curitiba se revela como mais que um meio de comunicação — é um estilo de vida. É o som que acalma, que alegra, que ensina, que une. É o elo entre o passado e o futuro, entre o campo e a cidade, entre o Brasil e o mundo.

E enquanto houver alguém disposto a ligar o aparelho, essa magia continuará a existir, tocando corações, alimentando sonhos e conectando almas. Porque aqui, em cada casa, em cada rua, em cada coração, o rádio é mais que som — é vida.











Mônica: HQ "Aniversário Macabro"

 

Mônica: HQ "Aniversário Macabro"


Dia 21 de março é o aniversário da Mônica e em homenagem,  mostro história em que ela e a vampira Pira tiveram convites de aniversário trocados fazendo a turminha passar sufoco. Com 20 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 99' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Mônica Nº 99' (Ed. Globo, 1995)

Escrita por Rosana Munhoz, começa com Dona Luísa na gráfica com a Mônica para mandarem fazer os convites para a festa de aniversário da Mônica. O atendente Eudésio garante que ficam prontos no dia seguinte.


Depois que elas vão embora, vai entregar o serviço para o Amadeu, que reclama que já tem vários pedidos urgentes pra fazer. Eudésio diz que tem que encaixar e ainda o pedido do cliente esquisito e ele é pago para trabalhar e não reclamar. Amadeu trabalha hora extra até tarde da noite e comenta que um dia ainda vai errar algum texto.

No dia seguinte, Dona Luísa vai buscar os convites e em seguida o cliente misterioso esquisito. Em casa, Dona Luísa conta para a Mônica que ela tem que escrever os nomes de cada convidado na frente de cada convite e entregar para eles. Cebolinha e Cascão recebem os convites e acham que Mônica quer fazer algo diferente naquele ano e Cebolinha diz que vai preparar uma surpresa para Mônica pelo ano de surras que ela lhe deu.

No dia da festa, Mônica fica preocupada se ninguém vier, Dona Luísa tranquiliza que eles irão e em seguida toca a campainha. Mônica vai atender a porta, pensando que era a Magali e vê que era Bruxa Magaléia, que pergunta quem é a aniversariante. Em seguida, aparecem outros convidados, todos monstros mirins, que também perguntam pela aniversariante e quem era a esquisitona que atendeu e pensam que a Mônica se fantasiou para festa ficar divertida e Mônica pensa que a turma se fantasiou.

Depois, os convidados entregam os presentes e eram aranha, sapo e minhoca e Mônica desmaia. Os pais tentam reanimar a filha e Seu Sousa acham os convidados estranhos e fala para eles comerem alguma coisa. Eles acham um nojo bolo, doces e sanduíches e não vão comer porcarias. Monstro Blorg gosta de comer os copinhos de papel e os outros comem também. Seu Sousa se espanta que são esquisitos demais e quando vai atender a porta, eram outros convidados monstruosos, se assustando mais.

Enquanto isso, Cebolinha e Cascão estão indo a Rua das Trevas, pensando que o aniversário da Mônica era lá e veem um casarão mal assombrado. Eles vão até lá e são atendidos por um vampiro. Os meninos fogem assustados, mas o vampiro os levam para o casarão como morcego, avisando a sua filha que os convidados chegaram e a vampirinha Pira diz que não os conhece. Cebolinha pensa que era a Mônica fantasiada, Pira se apresenta e cebolinha diz que ela está é pirada, peruca não engana.

Cascão desconfia da decoração, aparecem os outros convidados da turminha, pensam também que era a Mônica e a Pira entra no jogo deles, fingindo ser a Mônica. A turma entrega os presenta e Pira acha meias, perfumes e brinquinhos porcarias. Cebolinha entrega o seu presente, acha que ela iria fugir correndo, mas Pira adorou a lagartixa viva, diz que foi o presente mais lindo que ganhou, adora largatixa andando geladinha nela e beija o Cebolinha.

Magali pergunta o que tem de comer, Pira mostra bolo de teia de aranha, minhocas fritas, gelatina de baba de sapo e sangue para beber. A turma fica enjoada só de ver e até Magali perde a fome. cebolinha diz, ainda achando que era a Mônica, que a brincadeira foi longe demais. O pai da Pira acha que eles são crianças mortais, Pira acha que são seus amigos disfarçados, tenta irar máscara do Cascão, que por sua vez tenta tirar a peruca dela e descobrem ao mesmo tempo que não são quem eles pensavam. Pira fica uma fera por terem estragado aniversário dela e quer morder pescoço de todos eles.

Já na casa da Mônica, ela acorda do desmaio e pergunta onde está. Seu Souza diz que num terremoto e melhor ela desmaiar de novo. Os monstros estão destruindo a sala e Mônica reconhece que não são seus amigos. Seu Sousa confere um convite e descobre que colocaram endereço errado neles e ao mesmo tempo o Vampiro também descobre a troca dos convites e avisa a filha que os amigos dela estão em outra festa e vão até lá buscá-los.

Seu Sousa manda os monstros saírem de lá quando aparece o vampiro e Seu Sousa desmaia. Vampiro diz que veio devolver os convidados da Mônica e Pira, buscar os convidados dela. Todos comemoram a volta dos seus amigos e Vampiro sugere fazer as duas festas na casa da Mônica por já estarem lá. Ele pede pizzas de muçarela e de asas de morcego com pernas de sapo.

Todos cantam Parabéns para as duas e depois os vampiros e monstros vão embora. Magali e Cascão falam que os presentes dela ficaram na casa do vampiro, Mônica diz que não tem problema, importante é a presença deles. Cebolinha vê lagartixa no chão e dá de presente para a Mônica, mas ela não se assusta, agradece, o beija, dizendo que depois de tudo que passou hoje, nada mais a assusta.

História muito boa em que convites das festas de aniversário da Mônica e da Pira tealizadas no mesmo dia foram trocados pela gráfica causando muitas confusões.  Cada turma de convidados foram pra casa de outro aniversariante pensando que iam fazer algo diferente.  Família da Mônica se espanta com os monstros mirins e a turminha se assusta com os vampiros. Descoberta a troca dos convites, tudo acaba bem, todos comemoram aniversários juntos e Mônica não se assusta mais nem com lagartixa.

A troca de convites como culpa do Amadeu da gráfica que ficou atarefado de serviço noite adentro. Sendo que também culpa da falta de atenção da mãe da Mônica que podia ter conferido por dentro do convite se estava tudo certo antes da filha enviar para os amiguinhos, o mesmo para o pai da Pira ter conferido antes. Se tivessem visto pelo menos um convite por dentro, iam descobrir a confusão na impressão.

Foi divertido ver os monstros mirins na casa da Mônica, acharem nojo as guloseimas da festa, a turma no casarão dos vampiros e também acharem nojo as comidas da festa da Pira, todos acharem que eram seus amigos fantasiados. A Bruxinha Magaléia foi a melhor. Capaz da Turma do Penadinho conhecerem todos. A vampira Pira, seu pai e os monstros mirins apareceram só nessa história, sendo que a Bruxa Magaléia reapareceu depois em gibi da Magali da Editora Panini.

Legal também o mistério inicial de quem era o cliente misterioso que foi fazer os convites na gráfica e o Cebolinha não perder oportunidadede aprontar com a Mônicanem no aniversário dela, para azar dele, deu errado o seu plano como sempre. 

Curioso tanta gente fazendo aniversário no bairro do Limoeiro em datas próximas a da Mônica a ponto da gráfica estar atolada de serviços.  Engraçada a frase do patrão falando ao Amadeu que ele é pago pra trabalhar, não pra reclamar, errado não estava. E também a fala do Seu Sousa de  era a Mônica desmaiar de novo para poupá-la de ver os monstros destruindo a casa.

Número da casa onde Mônica mora nunca foi oficial. Nessa história morou no N° 32, mas já mostraram outros endereços em outras histórias.  Na Rua das Trevas, preferiu colocar N°1313 já que dá ideia de Sexta Feira 13, de terror. Considerada grande para a época, mas com Rosana não ficava cansativa histórias assim de 20 páginas ou um pouco mais, nem percebia que era grande de tão envolvente que era. Detalhe da câmera fotográfica antiga de filme da Dona Luísa, hoje mudariam cena com ela tirando foto com smartphone.

Tiveram vários erros de colorização como Pira com língua branca na página 13 da revista, Magali com vestido vermelho e Pira com perna de cor de pele em vez de amarelo na página 14, Magali com língua branca, Franjinha com camisa verde e cabelo da cor de pele na página 16 quando estava vomitando na janela e como estava de cabeça para fora deu impressão que tinha dois Cebolinhas na cena, Blorg com camisa branca na página 19 e Cebolinha com olhos com fundo branco enquanto estavam fechados e Magali com língua branca na página 21. Eram comuns erros de cores assim na Globo, sendo que nessa foram bastante. E também erros de desenho da gravata do Cebolinha sumir a partir da página 15, mas reaparece quando volta para casa da Mônica a partir da página 20 e a Dona Luísa aparecer sem lábios com batom em alguns momentos.

Os traços ficaram bons típicos dos anos 1990 no estilo de personagens com espaço maior da língua na boca para dar ideia de humor.  A ideia central poderiam fazer atualmente, mas tem elementos incorretos como trabalho excessivo do Amadeu, crianças irem para longe sozinhas a um casarão mal assombrado, monstros comendo copinhos de papel, ter comidas com teias de aranha, minhocas, sapos,  e sangue na festa da Pira, personagens vomitando e tentativa da Pira de morder pescoço do Cascão. Como palavras proibidas como "Credo!" e as derivadas de "gozar", sentido de zoar, já que dão duplo sentido, então, as partes que falam gozado e que está com gozação não colocariam hoje em dia.  E Cebolinha não pensa mais trocando "R" pelo "L", colocam agora ele pensando certo para ficar igual quem tem dislalia na vida real.

Essa história depois virou desenho animado recente só que ficou bem diferente comparado a essa história em quadrinhos de 1995. A animação já começa com Cebolinha e Cascão recebendo os convites da festa, tirando toda a parte inicial, inclusive Mônica recebendo os monstros na sua casa, a justificativa da troca de convites foi por causa do Louco como carteiro entregando em endereços errados, a Pira apareceu como uma sósia da Mônica só que como vampira, Cascão com medo de chuva e trovão como motivo para entrar no castelo do vampiro, cena que não tinha nos quadrinhos. Ou seja, amenizaram tudo que acharam pesado na história em quadrinhos.  Acho melhor quando os desenhos seguem fiéis aos roteiros dos quadrinhos e poucas adaptações. 

Em relação a capa da revista, na Editora Globo nem sempre faziam referência à história de abertura de aniversário  deixando no lugar piadinhas normais, seja de aniversário ou comuns. Nessa capa, indiretamente nascimento dela não deixa de ser aniversário, mas não com alusão à história de abertura. Neste ano de 2023 fica sendo especial para a Mônica por estar completando 60 anos de criação,  que marcou o início de uma nova fase e da grande trajetória da MSP desde então. 

FELIZ ANIVERSÁRIO,  MÔNICA!!!

Chico Bento: HQ "A verdade dói"

 

Chico Bento: HQ "A verdade dói"


Dia primeiro de abril é o "Dia da Mentira" e então mostro uma história em que o Chico prometeu ao Padre não contar mais mentiras, se dando muito mal por isso. Com 5 páginas, foi história de encerramento de 'Chico Bento Nº 17' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Chico Bento Nº 17' (Ed. Globo, 1987)

Chico Bento vai à igreja para confessar ao Padre que contou uma mentira. O Padre diz que tem que aprender a falar a verdade, só tem um lugar para os mentirosos, o fogo eterno. Chico se surpreende e o Padre pergunta se está duvidando da palavra dele, o manda cumprir a penitência e Chico promete nunca mais contar uma mentira.

Na rua, Rosinha pergunta o que Chico achou do chapéu novo e ele responde que está horrível, nunca viu uma coisa tão feia e nem uma mula velha ia querer usar. Rosinha sai correndo, chorando. Depois aparece o Zé Lelé falando que roubou goiabas do Nhô Lau, que pergunta quem foi que roubou e Chico dedura que foi o Zé Lelé e as goiabas estão debaixo do chapéu na cabeça e Nhô Lau dá tiros de sal no Zé Lelé. Em seguida, professora Marocas elogia Chico que tirou dez na prova e ele diz que colou do Hiro porque sabia nada. Marocas lhe dá zero. 

Depois Seu Bento pergunta se o filho melhorou da dor do braço e Chico diz que foi mentira para não trabalhar no roçado. Seu Bento corre atrás dele para bater de cinto. Chico reconhece que é duro dizer a verdade, quando Rosinha volta, agradecendo a sinceridade dele senão ainda estaria usando o chapéu ridículo, mostra o novo chapéu dela e Chico diz que está lindo, maravilhoso e genial. No final, ele volta para a igreja para confessar ao Padre que não resistiu e contou outra mentira.

História muito engraçada em que o Chico Bento recebe ordem do Padre de não mentir mais para não ir para o inferno e passa a contar só verdades, só que não contava que ia não se dar bem por contar verdades. Engraçada a sinceridade com a Rosinha a ponto de ser bem grosso, dedurar Zé Lelé para o Nhô Lau, confirmar que colou na prova pra professora e dar desculpas para o pai de dor no braço para não trabalhar, assim como voltar a mentir e confessar para o Padre para não magoar a Rosinha de novo.

O Padre foi bem rígido e autoritário com o Chico, tanto dando medo que vai para o Inferno por contar mentiras quanto achar que estava duvidando das palavras dele, uma psicologia nada comum para um padre. Teve até final com estilo de imaginar com qual bronca que o Padre deu após a nova mentira.  Chico devia ter dito qual foi a mentira, para ver se aliviava a penitência, uma mentira do bem, poderia aliviá-lo. Na época o Padre não tinha traços definidos e nem se chamava Lino, era apenas chamado de padre, só nos anos 1990 que o padronizaram.

Esse é o autêntico Chico Bento que se consagrou, levado e que perturbava todo mundo, inclusive os pais. História é completamente impublicável atualmente por mostrar religião, Chico se confessar em igreja, padre autoritário demais, Chico contar mentiras até para o pai e sendo até grosso demais para a Rosinha, ser um menino levado para todo mundo, Nhô Lau aparecer de trabuco e dá tiros de sal no Zé Lelé, Chico trabalhar na roça, apanhar do pai de cinto, pois inadmissível pais baterem nos filhos, principalmente assim violentamente como chinelo, tapa na bunda, cinto. Tem também palavras proibidas como "roubar" (as crianças agora pegam goiaba), "disgramado" (que seria desgraçado), e "fogo eterno" por fazer referência a Inferno, que não podem também.

Os traços muito bonitos e caprichados, eram excelente personagens mais fofinhos assim, cores mais desbotadas como eram o estilo de gibis do segundo semestre de 1987 ate início de 1988. Teve um erro da Rosinha falando de boca fechada no segundo quadrinho da última página. A história depois virou desenho animado em 1990 no VHS "Chico Bento Óia a Onça", mas sem ser fiel à história começando com Chico narrando tudo e não ter falas da Turma do Chico, com um padre mais ameno e Chico não voltar para a igreja no final.