sexta-feira, 6 de março de 2026

Descobrindo a Acanthophis: A Mestra Emboscadora da Austrália e Nova Guiné

 

Como ler uma infocaixa de taxonomiaAcanthophis
Acanthophis laevis
Acanthophis laevis
Classificação científica
Domínio:Eukaryota
Reino:Animalia
Filo:Chordata
Classe:Reptilia
Ordem:Squamata
Subordem:Serpentes
Família:Elapidae
Género:Acanthophis
Daudin, 1803[1]
Espécies
ver taxonomia.

Acanthophis é um gênero de serpentes da família Elapidae. São nativas da AustráliaNova Guiné e ilhas próximas, e estão entre as serpentes mais venenosas do mundo. Em algumas línguas, como na inglesa (death adders), francesa (vipères de la mort) e na italiana (vipera della morte)[2] são comumente conhecidas como víboras da morte, porém não são víboras verdadeiras e pertencem à família Elapidae.

O nome do gênero vem do grego antigo akanthos (ἄκανθος, 'espinho')[3] e ophis (ὄφις, 'serpente'), em referência ao espinho na cauda das espécies do gênero.

Oito espécies são reconhecidas pelo ITIS em julho de 2025.[1]

Taxonomia

O naturalista francês François Marie Daudin criou o gênero Acanthophis em 1803, com A. cerastinus (hoje sinônimo de A. antarcticus) como sua única espécie.[4]

Embora as serpentes Acanthophis se assemelhem às víboras da família Viperidae, elas pertencem à família Elapidae, que inclui cobras-coraismambas e najas.[5]

Tradicionalmente, apenas A. antarcticusA. praelongus e A. pyrrhus eram reconhecidas. Em 1985, Wells e Wellington propuseram quatro novas espécies – A. armstrongiA. hawkeiA. lancasteri e A. schistos – mas essas não foram amplamente aceitas na época.[6] Em 1998, cinco novas espécies foram descritas (A. barnettiA. crotaluseiA. cummingiA. wellsi e A. woolfi)[7] e, em 2002, mais três foram adicionadas (A. groenveldiA. macgregori e A. yuwoni).[8] Essas descrições foram recebidas com ceticismo,[9][10][11] e apenas A. wellsi, com uma descrição ampliada publicada, foi amplamente reconhecida.[1][12] Há maior confusão sobre as Acanthophis de Papua Nova Guiné e Indonésia. Elas foram variavelmente classificadas como A. antarcticus ou A. praelongus. Em 2005, foi demonstrado que nenhuma dessas classificações é apropriada, e as Acanthophis da Nova Guiné se dividem em dois clados principais:[13] o complexo de A. laevis, com escamas relativamente lisas (incluindo as populações de Seram), e o complexo de A. rugosus, com escamas ásperas. Este último pode ser dividido em dois sub-clados: A. rugosus sensu stricto, do sul da Nova Guiné, e A. hawkei, do norte de Queensland e do Território do Norte, na Austrália. É provável que algumas dessas espécies incluam mais de uma espécie, já que populações como as de A. laevis apresentam grande variação em padrões e escamas.[13]

Espécies

ImagemEspécie[1][12]Autoridade[12]Subespécies*Distribuição geográfica
A. antarcticusT(Shaw, 1802)2[14]Austrália[13]
A. cryptamydrosMaddock, Ellis, Doughty, L.A. Smith & Wüster, 20150[15]Austrália[15][16]
A. hawkeiWells & Wellington, 19850[17]Austrália[17]
A. laevisMacleay, 18770[18]Indonésia, Papua Nova Guiné[18]
A. praelongus [en]Ramsay, 18770[19]Austrália[13]
A. pyrrhus [en]Boulenger, 18980[20]Austrália[20]
A. rugosusLoveridge, 19480[21]Austrália, Indonésia[21]
A. wellsiHoser, 19981[22]Austrália[22]

* Não incluindo a subespécie nominotípica.
T - Espécie-tipo.

Descrição

A. antarcticus. Foto tirada no Parque Florestal de Brisbane, Queensland, Austrália

As serpentes Acanthophis têm aparência semelhante às víboras da família Viperidae, com corpo curto e robusto, cabeças triangulares, escamas suboculares pequenas, muitas escamas pequenas no topo da cabeça e escamas supraoculares elevadas. As escamas dorsais podem ser lisas ou quilhadas. A padronagem do corpo geralmente apresenta faixas transversais, e as pupilas são elípticas verticais.[23] Suas presas venenosas são mais longas e móveis do que as de outros elapídeos, embora ainda menores que as das víboras. Não são relacionadas às víboras e sua semelhança é resultado de evolução convergente.[24]

Elas geralmente levam de 2 a 3 anos para atingir o tamanho adulto. As fêmeas são ligeiramente maiores que os machos. Podem ser facilmente distinguidas de outras serpentes australianas por um pequeno apêndice semelhante a um verme na ponta da cauda, usado para atrair presas.[25] A maioria apresenta grandes faixas ao redor do corpo, com cores variando entre preto, cinza, vermelho e amarelo, além de tons de marrom e cinza-esverdeado, dependendo da localidade.[24]

São ovovivíparas, com os embriões desenvolvendo-se em sacos membranosos dentro da fêmea, que dá à luz ninhadas de 8 a 30 filhotes vivos.[23]

Caça

Diferentemente da maioria das serpentes, as Acanthophis não caçam ativamente, mas permanecem em emboscada, atraindo presas.[26] Quando famintas, elas se enterram no substrato, que pode ser folhagem, solo ou areia, dependendo do ambiente. Apenas a cabeça e a cauda ficam expostas, ambas bem camufladas. A ponta da cauda é usada para atrair presas, e, quando mexida, pode ser confundida com uma minhoca ou larva. Quando a presa tenta capturá-la, a serpente ataca. Embora se diga que elas têm o ataque mais rápido entre as serpentes do mundo,[27] esse tópico não foi suficientemente estudado para comparações confiáveis.[28]

A dieta é generalista e se alimentam de pequenos mamíferos, pássaros, lagartos e sapos,[23] mas os mais comumente registrados foram lagartos.[25]

Veneno

As serpentes Acanthophis podem injetar, em média, 40 a 100 mg de veneno altamente tóxico com uma mordida. A dose letal mediana (LD50) do veneno foi reportada como 0,4–0,5 mg/kg por via subcutânea, sendo completamente neurotóxico, sem hemotoxinas ou miotoxinas, ao contrário do veneno da maioria das serpentes venenosas.[29]

Uma mordida de Acanthophis pode causar paralisia, que inicialmente parece leve, mas pode levar à morte por insuficiência respiratória completa. A progressão dos primeiros sinais para a paralisia respiratória total geralmente leva cerca de 6 horas, muitas vezes mais de 12 horas, embora ocasionalmente possa ocorrer mais rapidamente. Os sintomas de envenenamento podem ser revertidos com o uso de soro antiofídico específico para Acanthophis ou com anticolinesterases, que quebram o bloqueio sináptico ao aumentar a disponibilidade de acetilcolina no sistema nervoso parassimpático, mitigando os efeitos do veneno.[30]

Antes da introdução do soro antiofídico, cerca de 50% das mordidas de Acanthophis eram fatais.[30] Hoje, com o soro amplamente disponível e a progressão lenta dos sintomas de envenenamento, uma mordida fatal é menos provável.

Referências

  1.  «Acanthophis» (em inglês). ITIS (www.itis.gov). Consultado em 28 de julho de 2025
  2.  «género Acanthophis»iNaturalist. Consultado em 28 de julho de 2025
  3.  S.A, Priberam Informática. «acanto»Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 28 de julho de 2025
  4.  Daudin, François Marie (1802). Histoire naturelle, générale et particulière, des reptiles : ouvrage faisant suite à l'Histoire naturelle générale et particulière, composée par Leclerc de Buffon, et rédigée par C.S. Sonnini97. Paris: F. Dufart. pp. 289–296
  5.  Shine, Richard; Spencer, Carol L.; Keogh, J. Scott (9 de abr. de 2014). «Morphology, Reproduction and Diet in Australian and Papuan Death Adders (Acanthophis, Elapidae)»PLOS ONE (em inglês) (4): e94216. ISSN 1932-6203PMC 3981772Acessível livrementedoi:10.1371/journal.pone.0094216. Consultado em 28 de julho de 2025
  6.  Ellis, Ryan J.; Kaiser, Hinrich; Maddock, Simon T.; Doughty, Paul; WüSter, Wolfgang (29 de junho de 2021). «An evaluation of the nomina for death adders (Acanthophis Daudin, 1803) proposed by Wells & Wellington (1985), and confirmation of A. cryptamydros Maddock et al., 2015 as the valid name for the Kimberley death adder»Zootaxa (1): 161–172. ISSN 1175-5334doi:10.11646/zootaxa.4995.1.9. Consultado em 28 de julho de 2025
  7.  Hoser, R. (1998). «Death Adders Acanthophis: An overview, including descriptions of FIVE new species and ONE subspecies.»Monitor 9 (2). Consultado em 28 de julho de 2025
  8.  Hoser, R. (2002). «Death Adders (Genus: Acanthophis): An Updated overview, including descriptions of 3 New Island species and 2 New Australian subspecies.»Crocodilian - Journal of the Victorian Association of Amateur Herpetologists. Consultado em 28 de julho de 2025
  9.  Aplin, K.P. & S.C. Donnellan (1999): An extended description of the Pilbara Death Adder, Acanthophis wellsi Hoser (Serpentes: Elapidae), with notes on the Desert Death Adder, A. pyrrhus Boulenger, and identification of a possible hybrid zone. Records of the Western Australian Museum 19: 277-298.
  10.  Wüster, W., B. Bush, J.S. Keogh, M. O'Shea & R. Shine (2001). «Taxonomic contributions in the "amateur" literature: comments on recent descriptions of new genera and species by Raymond Hoser» (PDF)Litteratura Serpentium. 21: 67-79, 86-91. Consultado em 28 de julho de 2025Cópia arquivada (PDF) em 9 de agosto de 2007
  11.  Williams, D., W. Wüster & B. Fry (2006). «The good, the bad and the ugly: Australian snake taxonomists and a history of the taxonomy of Australia's venomous snakes.» (PDF)Toxicon 48: 919-930. Consultado em 28 de julho de 2025Cópia arquivada (PDF) em 24 de agosto de 2007
  12.  «Search results Acanthophis | The Reptile Database»reptile-database.reptarium.cz. Consultado em 28 de julho de 2025
  13.  Wüster, Wolfgang; Dumbrell; Hay, C.; Pook, C.E.; Williams, D.J.; Fry, B.G. (2005). «Snakes across the Strait: Trans-Torresian phylogeographic relationships in three genera of Australasian snakes (Serpentes: Elapidae: AcanthophisOxyuranus and Pseudechis).» (PDF)Molecular Phylogenetics and Evolution34 (1): 1–14. Bibcode:2005MolPE..34....1WPMID 15579378doi:10.1016/j.ympev.2004.08.018
  14.  «Acanthophis antarcticus»The Reptile Database. Consultado em 28 de julho de 2025
  15.  Maddock, Simon T.; Ellis, Ryan J.; Doughty, Paul; Smith, Lawrence A.; WüSter, Wolfgang (28 de agosto de 2015). «A new species of death adder (Acanthophis: Serpentes: Elapidae) from north-western Australia»Zootaxa (3). ISSN 1175-5334doi:10.11646/zootaxa.4007.3.1. Consultado em 28 de julho de 2025
  16.  Staff, News (14 de setembro de 2015). «New Species of Venomous Snake Discovered in Australia | Sci.News»Sci.News: Breaking Science News (em inglês). Consultado em 28 de julho de 2025
  17.  «Acanthophis hawkei»The Reptile Database. Consultado em 28 de julho de 2025
  18.  «Acanthophis laevis»The Reptile Database. Consultado em 28 de julho de 2025
  19.  «Acanthophis praelongus»The Reptile Database. Consultado em 28 de julho de 2025
  20.  «Acanthophis pyrrhus»The Reptile Database. Consultado em 28 de julho de 2025
  21.  «Acanthophis rugosus»The Reptile Database. Consultado em 28 de julho de 2025
  22.  «Acanthophis wellsi»The Reptile Database. Consultado em 28 de julho de 2025
  23.  «Death Adders»University of Melbourne. 2017. Consultado em 28 de julho de 2025Cópia arquivada em 31 de Março de 2021
  24.  Wilson, Steve (Stephen K. ) (2003). A complete guide to reptiles of Australia. Internet Archive. [S.l.]: Frenchs Forest, N.S.W. : Reed New Holland. Consultado em 28 de julho de 2025
  25.  Shine, Richard (1980). «Ecology of the Australian Death Adder Acanthophis antarcticus (Elapidae): Evidence for Convergence with the Viperidae»Herpetologica (4): 281–289. ISSN 0018-0831. Consultado em 28 de julho de 2025
  26.  Mahony, Stephen (2020). «Common Death Adder»The Australian Museum (em inglês). Consultado em 28 de julho de 2025
  27.  Baker, Kevin (4 de julho de 2016). The World's Most Dangerous Animals SUBTITLE (em inglês). [S.l.]: eBookIt.com. ISBN 9781456626976
  28.  Penning, David A.; Sawvel, Baxter; Moon, Brad R. (2016). «Debunking the viper's strike: harmless snakes kill a common assumption»Biology Letters12 (3). 20160011 páginas. ISSN 1744-9561PMC 4843225Acessível livrementePMID 26979562doi:10.1098/rsbl.2016.0011
  29.  «WCH Clinical Toxinology Resources»www.toxinology.com. Consultado em 28 de julho de 2025
  30.  Mackessy, Stephen P.; Mackessy, Stephen P., eds. (19 de abril de 2016). Handbook of Venoms and Toxins of Reptiles (em inglês) 0 ed. [S.l.]: CRC Press. Consultado em 28 de julho de 2025

Leitura adicional

  • Daudin FM (1803). Histoire Naturelle, Générale et Particulière des Reptiles; Ouvrage faisant suite aux Œuvres de Leclerc de Buffon, et partie du Cours complet d'Histoire naturelle rédigé par C.S. Sonnini, membre de plusieurs Sociétés savantes. Tome Cinquième [Volume 5]. Paris: F. Dufart. 365 pp. (Acantophis, new genus, pp. 287–288). (em francês).

Descobrindo a Acanthophis: A Mestra Emboscadora da Austrália e Nova Guiné

Bem-vindos a uma jornada fascinante pelo mundo dos répteis! Hoje, vamos conversar sobre um dos gêneros de serpentes mais curiosos, inteligentes e evolutivamente interessantes do planeta: a Acanthophis.
Se você já ouviu falar nelas, provavelmente as conhece pelo nome popular em inglês, "death adders" (víboras da morte). Mas calma! Apesar do nome assustador e da aparência que engana qualquer um, elas guardam segredos biológicos extraordinários que as tornam muito mais do que apenas "serpentes perigosas". Elas são verdadeiras obras-primas da evolução!
Vamos desvendar os mistérios, a taxonomia, o comportamento e a ciência por trás dessas criaturas incríveis.

🐍 Um Nome com História: O Que Significa Acanthophis?

Tudo começa pelo nome. Criado em 1803 pelo naturalista francês François Marie Daudin, o gênero Acanthophis carrega em si a poesia do grego antigo. A palavra é uma união de:
  • Akanthos (ἄκανθος): Que significa "espinho".
  • Ophis (ὄφις): Que significa "serpente".
Juntos, formam a "Serpente Espinho". E por que esse nome? É uma referência direta a uma característica única e charmosa (se pudermos usar essa palavra para uma serpente!): o pequeno apêndice na ponta da cauda que se parece com um espinho ou, mais precisamente, com um vermezinho.
Embora sejam nativas da Austrália, Nova Guiné e ilhas vizinhas, e sejam consideradas entre as serpentes mais venenosas do mundo, elas são, na verdade, falsas víboras. Em várias línguas, como o francês (vipères de la mort) e o italiano (vipera della morte), elas carregam o título de víbora, mas cientificamente pertencem à família Elapidae. Isso mesmo! Elas são primas das cobras-corais, mambas e najas. A semelhança com as víboras (família Viperidae) é um caso clássico de evolução convergente: a natureza encontrou a mesma solução de design (corpo robusto, cabeça triangular) para espécies diferentes que ocupam nichos semelhantes.

🧬 A Árvore Genealógica: Quantas Espécies Existem?

A ciência está sempre em movimento, e a classificação das Acanthophis é um exemplo perfeito disso!
  • O Início: Em 1803, Daudin descreveu o gênero com apenas uma espécie (A. cerastinus, hoje sinônimo de A. antarcticus).
  • A Expansão: Durante muito tempo, reconhecíamos apenas três espécies principais. Porém, a partir de 1985, pesquisadores como Wells e Wellington, e posteriormente outros cientistas em 1998 e 2002, propuseram novas espécies.
  • O Cenário Atual: Houve muita discussão e ceticismo ao longo dos anos, mas a genética e a morfologia falaram mais alto. Segundo o ITIS (Sistema Integrado de Informação Taxonômica), em julho de 2025, oito espécies são reconhecidas.
Algumas das estrelas desse grupo incluem:
  1. Acanthophis antarcticus: A espécie-tipo, encontrada na Austrália.
  2. Acanthophis praelongus: Também australiana.
  3. Acanthophis pyrrhus: Conhecida por suas cores vibrantes.
  4. Acanthophis laevis: Encontrada na Indonésia e Papua Nova Guiné, com escamas mais lisas.
  5. Acanthophis rugosus: De escamas ásperas, dividida em subgrupos na Nova Guiné e Austrália.
  6. Acanthophis wellsi: Uma das poucas descrições mais recentes amplamente aceitas.
  7. Acanthophis cryptamydros: Descrita mais recentemente (2015).
  8. Acanthophis hawkei: Presente no norte de Queensland.
A diversidade é tanta que, na Nova Guiné, as populações variam tanto em padrões e escamas que os cientistas acreditam que ainda há muito a ser descoberto sobre novas espécies dentro desses complexos!

👁️ Retrato de Família: Como Elas São?

Se você encontrar uma Acanthophis na natureza (o que exige cuidado e distância!), ficará impressionado com o seu design.
  • Corpo: Curto e robusto, lembrando muito uma víbora.
  • Cabeça: Triangular, bem distinta do pescoço.
  • Olhos: Pupilas elípticas verticais, perfeitas para a visão noturna e de emboscada.
  • Cores: A natureza é uma artista! Elas podem variar entre preto, cinza, vermelho, amarelo, marrom e tons de cinza-esverdeado. A cor depende muito de onde elas vivem, ajudando na camuflagem.
  • Escamas: Podem ser lisas ou quilhadas (com uma pequena crista), dependendo da espécie.
  • Tamanho: Levam de 2 a 3 anos para atingir a maturidade adulta, e as fêmeas costumam ser ligeiramente maiores que os machos.

O Trunfo da Cauda 🪱

A característica mais adorável e astuta da Acanthophis é a ponta da cauda. Elas possuem um pequeno apêndice que se parece com um verme ou larva. Isso não é apenas um detalhe estético; é uma isca! Elas usam essa "minhoca" para atrair presas curiosas. É como se a serpente tivesse uma vara de pescar embutida no corpo!
Além disso, elas são ovovivíparas. Isso significa que os embriões se desenvolvem em sacos membranosos dentro da mãe, e ela dá à luz ninhadas de 8 a 30 filhotes vivos. Nada de ovos deixados para trás; a mamãe serpente carrega os pequenos até estarem prontos para o mundo!

🎣 A Arte da Caça: Paciência é uma Virtude

Enquanto a maioria das serpentes sai por aí procurando comida, a Acanthophis prefere deixar a comida vir até ela. Elas são as mestras da emboscada.
  1. O Disfarce: Quando estão com fome, elas se enterram no substrato (folhas, solo ou areia). O camuflagem é tão eficaz que apenas a cabeça e a cauda ficam visíveis.
  2. A Isca: Elas começam a mexer a pontinha da cauda. Para um lagarto, sapo ou passarinho desprevenido, aquilo parece uma minhoca suculenta e indefesa.
  3. O Bote: Quando a presa se aproxima para pegar a "minhoca"... ZAP! A serpente ataca.
Diz-se por aí que a Acanthophis tem o ataque mais rápido entre as serpentes do mundo. É uma fama impressionante! Embora a ciência diga que ainda precisamos de mais estudos para comparações confiáveis, não há dúvida de que seus reflexos são extremamente apurados.
Sua dieta é bem variada (generalista): comem pequenos mamíferos, pássaros, sapos, mas os lagartos parecem ser o prato favorito no cardápio delas.

⚕️ Veneno e Ciência: Perigo e Solução

Chegamos a uma parte séria, mas que mostra o triunfo da medicina moderna. A Acanthophis possui um veneno potente, mas o conhecimento humano transformou o cenário.
  • Potência: Em uma mordida, elas podem injetar entre 40 a 100 mg de veneno.
  • Tipo: É um veneno neurotóxico. Diferente de muitas outras serpentes que misturam toxinas no sangue ou músculos, o veneno da Acanthophis foca no sistema nervoso.
  • Efeitos: A mordida pode causar paralisia. O perigo real é a insuficiência respiratória, quando os músculos que controlam a respiração param de funcionar.
  • Tempo: A boa notícia (se é que podemos chamar assim) é que a progressão costuma ser lenta. Dos primeiros sinais até a paralisia total, geralmente levam-se 6 horas ou mais (muitas vezes mais de 12 horas). Isso dá um tempo precioso para buscar ajuda.

A Vitória do Soro Antiofídico 🏥

Antigamente, cerca de 50% das mordidas eram fatais. Era um cenário triste. Porém, hoje vivemos uma realidade diferente e muito mais segura:
  1. Soro Específico: Existe antiveneno específico para Acanthophis amplamente disponível.
  2. Tratamento Médico: O uso de anticolinesterases ajuda a reverter os sintomas, quebrando o bloqueio sináptico e aumentando a acetilcolina no sistema nervoso.
Com o tratamento adequado, uma mordida fatal é muito menos provável. Isso nos mostra como a ciência e a preparação podem salvar vidas!

🌟 Conclusão: Respeito e Admiração

As serpentes do gênero Acanthophis são muito mais do que suas reputações sugerem. Elas são exemplos vivos de como a evolução pode moldar criaturas para serem eficientes, camufladas e adaptáveis.
  • Elas nos ensinam sobre evolução convergente (parecendo víboras sem ser víboras).
  • Elas nos mostram a inteligência da caça (usando iscas corporais).
  • Elas nos lembram da importância da conservação e da ciência (com o desenvolvimento de soros que salvam vidas).
Se um dia você estiver na Austrália ou na Nova Guiné, lembre-se: a natureza é cheia de surpresas. A Acanthophis merece nosso respeito, não apenas pelo seu veneno, mas por ser uma peça fundamental e fascinante no ecossistema onde vive. Vamos celebrar a biodiversidade e continuar aprendendo com esses mestres da sobrevivência!

Artigo baseado em dados taxonômicos e biológicos atualizados, incluindo referências do ITIS (2025) e estudos herpetológicos.

quinta-feira, 5 de março de 2026

A Praça Tiradentes, com sua Estação de bondes e com o terreno em destaque, onde foi demolido o antigo Banco do Brasil em 1942.

 A Praça Tiradentes, com sua Estação de bondes e com o terreno em destaque, onde foi demolido o antigo Banco do Brasil em 1942.


PRAÇA SANTOS ANDRADE E SEU ENTORNO, AO LONGO DO TEMPO

 PRAÇA SANTOS ANDRADE E SEU ENTORNO, AO LONGO DO TEMPO

"Meninos de calças curtas jogam bola e brincam com seus carrinhos de madeira. Lavadeiras, equilibrando suas trouxas de roupas em cima da cabeça, passam em direção às águas do Passeio Público. Transeuntes se dirigem à praça do Mercado, ponto de encontro dos moradores, que iam ao local em busca de gêneros alimentícios. Estas cenas faziam parte do cotidiano do Largo Thereza Christina, nos idos de 1890, rotina que só se alterava quando as companhias de espetáculos circenses e de inusitadas touradas ali se instalavam, atraindo grande público.
O logradouro já fora chamado Largo Lobo de Moura, denominação recebida em 05/04/1879, Largo Duque de Caxias, a partir de 16 de novembro do ano seguinte, e novamente Lobo de Moura, a 20/01/1881. Esta última designação permaneceu até 03/01/1890, quando o local passou a ser chamado Largo Thereza Christina.
Nessa época, o largo era um extenso campo, que se estendia desde a Rua São Francisco, ocupando a área onde atualmente está a Praça Santos Andrade, até as ruas Marechal Deodoro e Garibaldi (hoje Presidente Faria). Aproveitando o espaço, a Câmara aprovou, em 1893, a venda em leilão de parte do largo. Três anos depois, a Prefeitura quis construir naquele terreno o Paço Municipal. Um acordo, porém, entre o Município e o Estado, destinou o local para a edificação do Palácio das Secretarias. No entanto, nenhuma destas obras chegou a ser executada.
Desde 1901, o largo passou a ser denominado Praça Santos Andrade, em honra ao ex-presidente do Estado José Pereira dos Santos Andrade. Seu aspecto, contudo, em nada havia se modificado. A urbanização do espaço começou somente nos anos de 1910, incrementada pela construção do prédio da Universidade do Paraná. Nesse período, Victor Ferreira do Amaral, seu diretor, recebeu, por autorização da Câmara, parte do logradouro para edificar no local, a sede da Universidade.
Fundada em 19/12/1912, nas comemorações de aniversário de emancipação do Paraná, até então a Universidade ocupava um sobrado alugado na Rua Comendador Araújo, 42. Para o terreno da Praça Santos Andrade, o engenheiro Baeta de Faria, a quem coube projetar a obra, propôs “um majestoso edifício de cinco andares (três principais mais o porão habitável e o sótão), tudo em três módulos, um central, provido de bela cúpula, e duas alas laterais, a serem construídas posteriormente”. A empresa Bergonse ficou responsável pela construção da sede universitária.
A solenidade de lançamento da pedra fundamental do edifício ocorreu em 31/08/1913. Centenas de pessoas compareceram à praça para acompanhar o evento, amplamente notificiado pelos jornais da época. Um tablado foi erguido na praça para as autoridades. Às 10 horas da manhã, Carlos Cavalcanti, então Presidente do Estado, assinou a ata que registrou o acontecimento. Em seguida, políticos, docentes e discentes da instituição e jornalistas também assinaram o documento que foi guardado em um cofre, “juntamente com exemplares dos jornais do dia, do regulamento e programa da universidade, lista dos lentes e alunos e exemplares de todas as moedas metálicas circundantes no país”.
Nesse período, a Prefeitura pretendeu construir um novo Teatro Guaíra, na região que estava em processo de desapropriação desde a Praça Santos Andrade até a Rua Riachuelo. O projeto, ambicioso para a época, incluía um auditório com 1.200 lugares. Mas a idéia, como outras anteriores, não se concretizou.
As obras da Universidade tiveram início em setembro de 1913, com a construção do bloco central voltado para a praça. Na proposta arquitetônica constava um edifício quadrangular, com pátio central, circundado por uma galeria que interligava todos os espaços.4 A ocupação do prédio deu-se paulatinamente, à medida que as salas eram terminadas.
Durante a execução dos trabalhos, cuja primeira fase encerrou em 1916, a Praça Santos Andrade não recebeu quaisquer melhorias, dificultando o acesso ao prédio. Plácido e Silva, então aluno de Direito, ao rememorar o fato, comenta que, por sua sugestão, os funcionários da Universidade entulharam a grande baixada que vinha da Rua 15 de Novembro, à entrada do edifício “e que era vencida por um pontilhão de pranchões. Por ele é que se tinha acesso às escadas laterais da parte fronteiriça do prédio”.
Os demais freqüentadores da praça também enfrentavam certos percalços. Além de se esquivarem dos materiais de construção dispersos pelo logradouro, tinham que se habituar com toda sorte de entulhos, uma vez que o terreno servia como depósito do lixo urbano.
Reclamações a respeito foram encaminhadas pelo Centro Acadêmico, à administração pública e, aparentemente, surtiram efeito. Em 1917, tiveram início o nivelamento e a construção de bueiros, e houve a delimitação da área da praça, com a colocação de meio-fio. O local foi macadamizado, recebeu o delineamento dos passeios e um jardineiro foi contratado para cuidar de sua arborização.
A remodelação efetiva do espaço aconteceu em 1922, para as comemorações do Centenário da Independência do Brasil. A praça foi ajardinada, ao estilo dos jardins belgas. Na parte central, construiu-se um repuxo com três bicos d‘água, capazes de projetá-la a dez metros de altura. Próximo ao repuxo, foi colocado o monumento ao padre curitibano Ildefonso Ferreira, atribuindo nova característica à praça: a de espaço reservado à sacralização de pessoas e instituições proeminentes do Paraná e do Brasil. Para conforto e segurança de seus visitantes, nessa reforma, foram instaladas diversas lâmpadas, e bancos de madeira e outros, de cimento, imitando pedras.
O dia 07/09/1922 foi marcado por uma série de inaugurações, desfiles e manifestações patrióticas. À tarde, a entrega da herma do padre Ildefonso, à população, e a reinauguração da Praça Santos Andrade, foram festejadas com um desfile com cerca de cinco mil alunos das escolas de Curitiba. Caetano Munhoz da Rocha, então presidente do Estado, plantou um pinheiro, considerado um dos símbolos do Paraná, que ficou conhecido como a Araucária do Centenário.
O lançamento da pedra fundamental para a construção dos torreões laterais do edifício da Universidade, também foi incluído na programação das comemorações. A mudança definitiva da edificação, da qual se destaca a retirada de sua cúpula, ocorreu em 1955, sob influência do movimento de arquitetura moderna, então predominante no país.
O entorno da praça também sofreu alterações: o casario cedeu espaço para importantes edifiicações, representativas da arquitetura moderna. Em 1934, construiu-se a sede do Correio e, entre 1949 e 1951, o Edifício Marumbi. Inserido nos festejos do centenário de emancipação política do Paraná, o Teatro Guaíra começou a ser erguido em 1953. A falta de recursos e problemas inesperados como um incêndio, contribuíram para que o teatro fosse inaugurado somente em 1974.
A praça assistiu a essas transformações inalterada. Em 1977, entretanto, foi revestida com petit pavet, bem como o trecho da rua João Negrão que havia entre a Praça e a Universidade, foi fechada ao trânsito de veículos.
Um conjunto de monumentos, atualmente, integra-se à paisagem. Executados, em sua maioria, por renomados artistas locais, como João Turin e Erbo Stenzel, compõem o cenário da praça, que se sobressai com seu belo traçado."
(Fonte e fotos: acervodigital.ufpr.br)
Paulo Grani
Largo Lobo de Moura, atual Praça Santos Andrade, em 1886. No campo recoberto de grama os moradores da periferia deixavam suas carroças quando vinham à cidade. Meninos de calças curtas jogam bola e brincam com seus carrinhos de madeira. Lavadeiras, equilibrando suas trouxas de roupas em cima da cabeça, passam em direção às águas do Passeio Público. Transeuntes se dirigem à praça do Mercado, ponto de encontro dos moradores, que iam ao local em busca de gêneros alimentícios. Estas cenas faziam parte do cotidiano do Largo Thereza Christina, nos idos de 1890, rotina que só se alterava quando as companhias de espetáculos circenses e de inusitadas touradas ali se instalavam, atraindo grande público.
Foto: Coleção família Groff. 
Solenidade de lançamento da pedra fundamental do edifício ocorrida em 31/08/1913. Centenas de pessoas compareceram à praça para acompanhar o evento, amplamente notificiado pelos jornais da época. Um tablado foi erguido na praça para as autoridades. Às 10 horas da manhã, Carlos Cavalcanti, então Presidente do Estado, assinou a ata que registrou o acontecimento. Em seguida, políticos, docentes e discentes da instituição e jornalistas também assinaram o documento que foi guardado em um cofre, “juntamente com exemplares dos jornais do dia, do regulamento e programa da universidade, lista dos lentes e alunos e exemplares de todas as moedas metálicas circundantes no país”.
Foto: Arthur Wischral, coleção Museu Paranaense. 
Predio da Universidade do Paraná, década de 1910. Ao fundo, à esquerda da Universidade, aparece o antigo prédio da Associação Comercial do Paraná na rua XV de Novembro com a antiga rua Garibaldi, hoje Presidente Faria.
Foto: Coleção família Groetzner.
Vista da Praça Santos Andrade, de Curitiba-Pr., no final da década de 1910, tendo ao centro o edifício da Universidade do Paraná, recém-construído.

A saudosa charrete percorre trecho da rua XV de Novembro ainda em puro barro.

(Foto: Acervo Museu Paulista da USP.)

Paulo Grani
Praça Santos Andrade em 23/08/1922. Destacando-se na praça o recém-concluído ajardinamento.
Foto: Coleção família Groetzner.
Dia 07/09/1922 foi marcado por uma série de inaugurações, desfiles e manifestações patrióticas. À tarde, a entrega da herma do padre Ildefonso, à população, e a reinauguração da Praça Santos Andrade, foram festejadas com um desfile com cerca de cinco mil alunos das escolas de Curitiba. Caetano Munhoz da Rocha, então presidente do Estado, plantou um pinheiro, considerado um dos símbolos do Paraná, que ficou conhecido como a Araucária do Centenário.
Foto: Família Linsmeyer, coleção Lysimaco Ferreira da Costa. 
Concentração de alunos das escolas públicas na Praça Santos Andrade durante o Congresso Nacional de Educação, em 1927. No terreno arborizado, ao fundo, ficava a sede do Tiro Rio Branco, onde hoje encontra-se construído o prédio do Teatro Guaíra.
Foto: João Batista Groff.
Populares assistem a uma comemoração cívica na Praça Santos Andrade, Curitiba, em 1937. Em primeiro plano populares junto aos carros enfileirados. À esquerda o prédio dos Correios e Telégrafos.
Foto: João Batista Groff, coleção ECT.
Foto de 1934, detalhe de um canteiro da Praça Santos Andrade, tendo ao fundo o edifício dos Correios e Telégrafos.
Foto: Coleção ECT.
Histórico Cartão Postal de 1935, em foto de Armin Henkel, apresentando o edifício da Universidade do Paraná e parte da Praça Santos Andrade com seu repuxo construído em 1922.
Foto: Coleção Rodolfo Doubek.
Praça Santos Andrade, década de 1930. Em primeiro plano à esquerda, o monumento à Santos DUMONT inaugurado em 1935. Ao fundo, à direita, o edifício da Universidade do Paraná.
Foto: Coleção João Bley do Amaral.
Vista aérea da Praça Santos Andrade em 1938, durante festejos de comemoração do Dia da Pátria.
Foto: João Batista Groff.
Praça Santos Andrade, década de 1940. Rua XV de Novembro esquina Conselheiro Laurindo, tendo ao fundo a antiga sede do Colégio Santa Maria.
Foto: Autor desconhecido.
cartão Postal da Praça Santos Andrade, Curitiba, década de 1950. Em primeiro plano, busto em homenagem à Profª. Julia Wanderley, ao fundo, edifício Marumbi, marco da arquitetura urbana de Curitiba à época.
Praça Santos Andrade de Curitiba, em 1953, esquina com rua Conselheiro Laurindo. À direita, nota-se o início da construção do Teatro Guaíra.
Foto: coleção Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Vista parcial da Praça Santos Andrade, Curitiba, em 1954.
Foto: Arthur Wischral, coleção Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
Em primeiro plano, repuxo da Praça Santos Andrade, Curitiba, anos 1950. Ao fundo, edifício da Universidade Federal do Paraná, totalmente concluído.
Foto: pinterest.







































A linda imagem aérea do final da década de 40, contempla a PRAÇA SANTOS ANDRADE, ainda sem o Teatro Guaira, porém a Chácara que daria espaço ao mesmo, já aparece sem as árvores. O Edifício Marumby já desponta, novinho em folha.

 A linda imagem aérea do final da década de 40, contempla a PRAÇA SANTOS ANDRADE, ainda sem o Teatro Guaira, porém a Chácara que daria espaço ao mesmo, já aparece sem as árvores. O Edifício Marumby já desponta, novinho em folha.


A magnífica imagem, contempla a Praça Santos Andrade, em toda sua extensão, repleta de Alunos, em Exercícios escolares, no dia 19 de dezembro de 1926. Ao fundo avista-se a Chácara que daria espaço ao Teatro Guaira. À direita, o complexo da Colégio Santa Maria ainda novinho.

 A magnífica imagem, contempla a Praça Santos Andrade, em toda sua extensão, repleta de Alunos, em Exercícios escolares, no dia 19 de dezembro de 1926. Ao fundo avista-se a Chácara que daria espaço ao Teatro Guaira. À direita, o complexo da Colégio Santa Maria ainda novinho.