sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Picos da Europa: Onde o continente se encontra no horizonte

 

Picos de Europa


Nos tempos da navegação à vela, muito antes do advento dos sistemas de posicionamento global, os marinheiros dependiam de pontos de referência para verificar suas posições e, para os navegantes que cruzavam o Atlântico rumo à Europa, ou que se dirigiam para a Espanha partindo do norte da Europa, os altos picos das Montanhas da Europa (Picos de Europa) eram frequentemente a primeira vista de terra no horizonte. Esta é a razão geralmente aceita pela qual essas montanhas espetaculares no norte da Espanha não recebem o nome de uma região geográfica ou país, mas de todo um continente. Localizadas a aproximadamente 20 quilômetros do litoral norte da Espanha, esses picos imponentes fazem parte da Cordilheira Cantábrica e são compartilhados pelas regiões autônomas de Castela e Leão, Cantábria e Astúrias.

Montanhas Picos de Europa
Montanhas Picos De Europa ao pôr do sol

Formação dos Picos da Europa

Os Picos da Europa são compostos principalmente de calcário, formado durante o período Carbonífero e erguido à medida que a superfície da Terra se movia e se dobrava durante a Geologia Herciniana. Os efeitos da glaciação separaram esta área das montanhas adjacentes e dividiram as rochas nos três grandes maciços. A carstificação, o efeito de intemperismo da chuva ligeiramente ácida sobre rochas alcalinas como o calcário, resultou nas formações impressionantes que vemos hoje. As montanhas têm encostas incrivelmente íngremes, com muitas fendas e fissuras. Sendo geralmente muito porosas, pouca água permanece na superfície, passando a maior parte através do solo e frequentemente ressurgindo em níveis mais baixos. Cavernas profundas e dolinas são comuns, e algumas das cavernas mais profundas do mundo podem ser encontradas nesta região.

Mapa de localização dos Picos de Europa
Mapa de localização dos Picos de Europa

Mapa dos Picos de Europa

A importância desta paisagem singular é reconhecida há muito tempo e, em 1918, a parte ocidental foi declarada parque nacional, numa data que coincidiu com o centenário da Batalha de Cavadonga, ocorrida no século XII. Nessa época, o parque incluía os lagos de Cavadonga e o maciço ocidental, abrangendo uma área de 169,25 quilômetros quadrados. Era chamado de Parque Nacional da Montanha de Covadonga. Em 1995, o parque foi ampliado para incluir os três maciços, numa área de 646,60 quilômetros quadrados, e renomeado Parque Nacional dos Picos da Europa. Ao observar a extensão do parque num mapa, a primeira coisa a notar é que, com um comprimento total de apenas 40 quilômetros, não se trata de uma cordilheira imensa, mas o termo "pequeno" dificilmente se aplica aos Picos da Europa, pois tudo aqui parece ter uma escala gigantesca.

Mapa dos Picos de Europa
Mapa dos Picos de Europa

Montanhas dos Picos da Europa

As montanhas são, naturalmente, a principal formação geológica, divididas em três maciços calcários distintos: o mais oriental, o Ándara; o central, os Urrieles; e o oeste, os Picos de Cornión. Dentro de cada maciço, existem vários picos individuais, sendo o mais alto a Torre de Cerredo, com 2.650 metros, mas há outros treze com altitudes superiores a 2.600 metros.

Montanhas dos Picos da Europa
Montanhas dos Picos da Europa

Muitos visitantes podem considerar que o parque está sob o controle exclusivo do governo espanhol, mas, na verdade, ele se estende entre três comunidades autônomas, cada uma compartilhando a responsabilidade por sua gestão. O ponto de encontro das três autoridades é o pico do Pico Tesorero, a 2.600 metros de altitude. A mais famosa de todas as montanhas do Pico de Europa é a imponente torre de calcário geralmente conhecida como Naranjo de Bulnes. Esta representa uma das escaladas mais desafiadoras da Espanha e é especialmente notável por sua face oeste vertical de 550 metros. A origem do nome Naranjo de Bulnes é incerta, mas Bulnes é o nome da vila aos pés da montanha e Naranjo significa "laranjeira" em espanhol, então o nome provavelmente se refere à coloração alaranjada da montanha. Este pico também é comumente chamado de "Urriello", ou em asturiano, "Picu Urriellu" ou simplesmente "El Picu". Altos níveis de experiência em montanhismo são necessários para esta e muitas outras ascensões difíceis, mas há opções para todos os níveis de habilidade, algumas exigindo apenas um bom condicionamento físico geral. Para expedições prolongadas que incluam pernoites nas montanhas, existem refúgios disponíveis, muitos dos quais contam com guardas durante os meses de verão, mas geralmente é necessário reservar com antecedência para garantir uma cama e uma refeição. Acomodações ainda mais básicas podem ser encontradas em cabanas de pastores, mas estas normalmente oferecem apenas paredes e um teto.

Caminhadas nos Picos da Europa
Caminhadas nos Picos da Europa

Caminhada nos Picos da Europa

A maioria dos visitantes prefere caminhar a escalar, e existem muitas trilhas belíssimas e bem sinalizadas, todas com vistas de tirar o fôlego. Detalhes sobre todas as rotas de caminhada podem ser obtidos em um dos centros de visitantes ou de informações do parque. Quem opta por caminhar pode presumir que não precisa ter medo de altura, mas é importante lembrar que essas são algumas das encostas mais íngremes que se pode encontrar, e mesmo caminhadas aparentemente simples frequentemente incluem trechos com precipícios acentuados. Isso fica ainda mais evidente no caso da trilha mais popular do Parque Nacional dos Picos da Europa, a trilha do Desfiladeiro do Cares.

Cabra Picos De Europa
Um bode Picos de Europa

No início do século XX, foram realizadas obras para aproveitar parte da água do Rio Cares para alimentar uma usina hidrelétrica em Poncebos, em uma das extremidades do Desfiladeiro do Cares. Essas obras incluíram a construção de um canal e uma trilha de serviço ao longo da parede norte do desfiladeiro. Vale ressaltar que o Desfiladeiro do Cares é um imenso desfiladeiro esculpido no calcário pelo rio, com 1,5 quilômetros de profundidade e paredes quase verticais. A trilha acompanha a encosta do desfiladeiro por 12 quilômetros. Na maioria dos trechos, a trilha tem cerca de 1,5 metro de largura, mas em alguns pontos se estreita para pouco mais de 1 metro, o que torna a travessia de pedestres em sentido contrário bastante perigosa. Percorrer toda a extensão da trilha geralmente leva cerca de 3 horas, portanto, uma caminhada completa de ida e volta requer um dia inteiro de caminhada. Essa trilha pode proporcionar aos visitantes algumas experiências semelhantes às de cabras-monteses, e não é incomum encontrar esses animais compartilhando a mesma trilha.

Fatos sobre os Picos da Europa

  • A cordilheira dos Picos de Europa é a terceira mais alta da Espanha.
  • Existem mais de 200 picos com mais de 2000 metros de altitude.
  • Algumas das quedas verticais ultrapassam os 2.300 metros.
  • O Parque Nacional dos Picos da Europa tem cerca de um quarto da área do Lake District, no Reino Unido.
  • A caverna Torca del Cerro é atualmente considerada a sexta mais profunda do mundo, com -1589 metros, mas é vista como a descida tecnicamente mais desafiadora do planeta.
  • Algumas áreas com neve permanecem durante todo o ano em locais sombreados.
  • O maciço ocidental é o mais extenso e inclui os lagos Cavadonga e extensas florestas de faias e carvalhos nas encostas.
  • O parque nacional é atravessado por quatro rios que correm por desfiladeiros profundos.
  • Os Picos da Europa receberam o estatuto de Reserva da Biosfera da UNESCO em 2002.
  • O acesso a algumas áreas mais altas é possível utilizando o teleférico Fuente Dé até Caín, em uma das extremidades do desfiladeiro do Cares, ou o funicular até a vila de Bulnes.
Covadonga nas Astúrias
Covadonga nas Astúrias

Clima dos Picos de Europa

A cordilheira dos Picos da Europa é normalmente considerada uma linha divisória entre a zona costeira verde e húmida a norte e a região interior mais quente e seca a sul. O clima pode ser influenciado por fatores marítimos e continentais. Por ser uma cordilheira relativamente próxima do mar, são normalmente esperados níveis elevados de precipitação. A maior parte da chuva (ou neve) cai durante os meses de inverno e primavera, sendo o verão e o outono mais secos, mas a chuva pode cair a qualquer momento e, muitas vezes, sem aviso prévio. A neblina e o nevoeiro vindos do mar também são bastante comuns e os alpinistas ou aqueles que exploram locais fora dos roteiros turísticos devem ter especial cuidado, pois é fácil perder a orientação. Mesmo num dia quente e claro de verão, deve-se sempre levar roupa impermeável adequada, como uma capa de chuva. Outros itens essenciais incluem mapas, bússola, chapéu de sol, protetor solar e botas de caminhada apropriadas. Embora o clima possa ser bastante imprevisível e frequentemente chuvoso, a boa notícia é que as temperaturas são geralmente cerca de 4 graus Celsius mais altas do que no sul da Inglaterra.

Contrafortes exuberantes
Contrafortes exuberantes

Picos de Europa Animais

Estas montanhas rochosas podem parecer um lugar inóspito, mas abrigam uma grande variedade de vida selvagem. Nas encostas mais baixas e nas áreas florestais, corços e javalis vagueiam livremente. Nas encostas íngremes e altas, podem ser observadas cabras-monteses e o icônico camurça cantábrico. Mais esquivos são os ursos-pardos cantábricos, que habitam algumas das áreas remotas e elevadas. Lobos-ibéricos também visitam a região, mas o número de residentes é pequeno. Várias espécies de águias, abutres e bútios podem ser vistos circulando no céu, e muitas espécies de borboletas encontram nessas montanhas um habitat ideal.

Quem visita o Parque Nacional dos Picos da Europa nunca fica sem opções para apreciar algumas das paisagens montanhosas mais deslumbrantes do mundo. Apesar de ser um destino turístico popular há muitos anos, o parque se mantém como um verdadeiro paraíso natural. No inverno, é possível praticar esqui cross-country e fora de pista, sem a presença de estações de esqui impessoais. No entanto, o risco de avalanches é constante, e para qualquer atividade de inverno, um guia experiente é essencial. Com um lugar tão belo e de tirar o fôlego, muitos visitantes se surpreendem com a ausência de multidões, e a maioria dos turistas do norte da Europa costuma associar férias na Espanha a sol e praias. Aqueles que tiveram a sorte de descobrir este lugar maravilhoso parecem determinados a guardar o segredo para si. Os Picos da Europa são um destino verdadeiramente emblemático.

Lago Picos de Europa
Lago Picos de Europa

Picos da Europa: Onde o continente se encontra no horizonte

Nos tempos em que a navegação dependia apenas do céu e do mar, muito antes dos satélites e dos sistemas de posicionamento global, os marinheiros procuravam ansiosamente o primeiro sinal de terra. Para quem cruzava o Atlântico em direção à Europa ou navegava da Europa do Norte rumo à Espanha, os cumes imponentes que se erguiam no litoral norte da Península Ibérica eram a promessa de chegada. Foi assim que nasceu o nome: Picos da Europa — não homenagem a uma região ou a um reino, mas ao próprio continente que ali se revelava primeiro aos olhos de quem vinha do mar.
Localizados a cerca de 20 quilômetros da costa norte da Espanha, estes montes grandiosos integram a Cordilheira Cantábrica e espalham-se por três comunidades autônomas: Cantábria, Astúrias e Castela e Leão. Onde os seus territórios se encontram, a 2.600 metros de altitude, ergue-se o Pico Tesorero — ponto de convergência geográfica e simbólica desta terra partilhada.

Formação: um livro de rochas escrito ao longo de milhões de anos

Os Picos da Europa são, na sua essência, um monumento de calcário. As suas camadas formaram-se durante o período Carbonífero, há mais de 300 milhões de anos, em fundos marinhos que depois foram erguidos e dobrados pelas grandes movimentações da crosta terrestre — a orogenia herciniana. Mais tarde, o gelo das eras glaciais esculpiu a paisagem, separando os Picos das montanhas vizinhas e recortando-a em três grandes maciços.
A água, companheira constante desta terra, foi a última grande artesã. A chuva, ligeiramente ácida, dissolveu o calcário ao longo dos milénios num processo designado carstificação — criando um relevo de cortes abruptos, fendas profundas, grutas imensas e vales verticais. A água dificilmente permanece à superfície: o solo é poroso e absorvente, e a maior parte corre por dentro da montanha, ressurgindo mais abaixo em nascentes cristalinas. Aqui encontram-se algumas das cavernas mais profundas do planeta — a Torca del Cerro, com os seus impressionantes -1.589 metros, é considerada a sexta mais profunda do mundo e um dos desafios técnicos mais exigentes para exploradores de grutas.

Três maciços, uma só montanha

Apesar de ter apenas cerca de 40 quilômetros de comprimento, a cordilheira não se sente pequena em nenhum lugar. Tudo aqui tem proporções monumentais, divididas em três conjuntos calcários distintos:
  • Maciço Ocidental — Picos de Cornión: o mais extenso dos três, abrangendo os lagos de Covadonga e extensas florestas de faias e carvalhos que cobrem as encostas mais baixas.
  • Maciço Central — Urrieles: onde se encontra o coração simbólico dos Picos. Aqui ergue-se a Torre de Cerredo, o ponto mais alto, com 2.650 metros. E aqui também está o símbolo maior da região: o Naranjo de Bulnes, ou Picu Urriellu, como é conhecido em asturiano.
  • Maciço Oriental — Ándara: um reino de rochas agudas e vales isolados, onde a natureza segue o seu ritmo sem pressas.
São mais de 200 picos acima dos 2.000 metros — treze deles ultrapassam os 2.600 metros — e algumas paredes verticais superam os 2.300 metros de desnível.

O Naranjo de Bulnes: a montanha que brilha ao entardecer

A face oeste do Naranjo ergue-se como uma muralha de 550 metros de altura, considerada uma das escaladas mais exigentes de toda a Espanha. O nome, de origem incerta, provavelmente vem da cor que o calcário assume ao sol poente — um tom alaranjado que lembra as laranjeiras — e da aldeia de Bulnes, que se aninha aos seus pés. Chamem-lhe Naranjo, Urriello, Picu Urriellu ou simplesmente El Picu: para os montanhistas, é um nome que diz tudo.
As ascensões mais difíceis exigem anos de experiência, mas há caminhos para todos — desde percursos que pedem apenas bom condicionamento físico até expedições que passam a noite nas alturas. Para estas, existem refúgios de montanha, muitos com guardas durante o verão; convém reservar com antecedência. Quem procura algo mais simples pode contar com as cabanas de pastores: paredes, teto e a solidão das alturas.

O Parque Nacional: proteger o que é de todos

A beleza destas montanhas não passou despercebida. Em 1918, no centenário da Batalha de Covadonga, a zona ocidental foi declarada o primeiro parque nacional da região — com o nome de Parque Nacional da Montanha de Covadonga, abrangendo 169 km². Em 1995, a proteção alargou-se aos três maciços, totalizando 646,6 km², e nasceu o Parque Nacional dos Picos da Europa. Em 2002, a UNESCO elevou-o à categoria de Reserva da Biosfera, reconhecendo não apenas a paisagem, mas também a riqueza e a fragilidade de toda a vida que ali habita.
A gestão não cabe a um só: é partilhada pelas três comunidades autônomas, tal como as montanhas se espalham pelas suas terras. Quatro rios abrem caminho através do parque, esculpindo desfiladeiros que parecem rachaduras no mundo.

Caminhar entre abismos: o Desfiladeiro do Cares

A caminhada é a forma preferida de conhecer os Picos — e nenhuma é tão lendária quanto a Trilha do Desfiladeiro do Cares.
No início do século XX, a construção de uma usina hidrelétrica em Poncebos levou à abertura de um canal e de uma via de serviço ao longo da parede norte do vale. O que os engenheiros criaram, a natureza já havia esculpido: o rio Cares corre lá embaixo, num desfiladeiro de 1,5 quilômetros de profundidade, com paredes quase verticais.
A trilha estende-se por 12 quilômetros. Na maior parte do caminho, tem cerca de 1,5 metro de largura; em pontos mais apertados, pouco mais de 1 metro — o que torna o cruzamento com outros caminhantes um exercício de paciência e cuidado. Percorrer só um lado leva cerca de três horas; a travessia completa, de ida e volta, pede um dia inteiro de caminhada.
Não é raro partilhar o caminho com quem conhece estas alturas melhor do que ninguém: as cabras-monteses, ágeis nas fendas onde o pé humano mal se segura.

Clima: onde o mar encontra o céu

Os Picos da Europa funcionam como uma barreira natural: a norte, a costa húmida e verdejante; a sul, as planícies mais quentes e secas. O clima aqui é uma mistura de influências marítimas e continentais — imprevisível, por vezes caprichoso.
  • A maior parte da chuva e da neve cai no inverno e na primavera; o verão e o outono são geralmente mais secos, mas a chuva pode chegar sem aviso.
  • O nevoeiro, trazido pelo vento do Atlântico, pode cobrir tudo em minutos — fora das trilhas sinalizadas, orientar-se torna-se um desafio sério.
  • Mesmo em dias ensolarados, leve sempre capa de chuva, botas adequadas, chapéu, protetor solar, mapa e bússola. As temperaturas são, em média, uns 4 °C mais amenas do que no sul da Inglaterra — um detalhe que surpreende muitos.
  • Algumas manchas de neve resistem o ano todo em locais sombreados; no inverno, o esqui cross-country é possível, mas sem grandes estações — e com risco real de avalanches. Para aventuras de inverno, um guia experiente é indispensável.

Vida selvagem: um reino escondido

A paisagem rochosa pode parecer inóspita à primeira vista, mas é um lar vibrante:
  • Nas florestas e encostas baixas: corços, javalis e uma rica variedade de aves.
  • Nas alturas íngremes: cabras-monteses e o elegante camurço cantábrico, símbolo de resistência.
  • Mais raros e discretos: o urso-pardo cantábrico, que encontrou refúgio nas zonas mais remotas, e o lobo-ibérico, presente em pequeno número.
  • No céu: águias, abutres e bútios desenham círculos nas correntes de ar; dezenas de espécies de borboletas alegram os prados de altitude.

O segredo bem guardado

Muitos associam a Espanha apenas a praias e sol escaldante — e é por isso que os Picos da Europa mantêm ainda um ar de segredo. Mesmo sendo um destino amado há gerações, raramente estão cheios de multidões. Quem os descobre, tende a querer guardar para si a maravilha de caminhar entre montanhas que primeiro saudaram os navegantes vindos do mar.
Aqui, o tempo parece seguir o ritmo da natureza: devagar, profundo, imenso. Quer seja a olhar do cimo de um pico, a percorrer a beira do desfiladeiro do Cares ou a ver o sol afogar-se no Atlântico a partir das alturas, sente-se algo raro: a sensação de ter chegado a um lugar verdadeiramente especial.
Os Picos da Europa não são apenas montanhas. São a primeira visão de um continente, a memória de quem navegou por mares desconhecidos e a promessa de que, mesmo quando o caminho é íngreme, a paisagem vale cada passo.

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