quinta-feira, 22 de outubro de 2026

"... UM AGLOMERADO DE TENDAS E CABANAS", (1872).

 "... UM AGLOMERADO DE TENDAS E CABANAS", (1872).




" ... O município de Curitiba estendia-se por uma área muito grande e mal definida até 1853, quando a 5ª Comarca se tornou a Província Independente do Paraná. Até então só tinha de cidade o nome, contando apenas 5.819 habitantes. Em 1863, apenas dez anos após a independência, possuía 282 casas, das quais dez eram sobrados. Havia mais 101 casas em construção. A Rua das Flores era a mais importante e tinha mais prédios, totalizando 40, sem contar outros 18 em construção. Ali ficavam as repartições da Polícia e das Terras.



Se em 1863, era uma cidadezinha de pequeno comércio, com casas baixas e ruas tortas, no ano de 1872, quando esteve em Curitiba, o engenheiro inglês Thomas Bigg-Wither registrou que a cidade podia ter 9.500 habitantes, dos quais 1500 eram imigrantes, especialmente alemães e franceses. Segundo ele,


' As ruas seguiam as mesmas disposições peculiares às das cidades estrangeiras. No centro havia grande praça, com 200 jardas talvez de um lado, achando-se a igreja num dos cantos. Mesmo para esta cidade (capital de uma província cuja extensão é maior que a da Inglaterra inteira), a arquitetura desse edifício era muito fraca. Somente em tamanho ele era superior aos prédios da circunvizinhança. O presidente da província também morava ali. Sua casa, chamada, por cortesia, de palácio, tinha três pavimentos, cômodos, mas de aparência simples. Estava localizada na rua principal e cercada de lojas, dirigidas aparentemente por homens resolutos, que não se limitavam a uma ou mesmo duas espécies de mercadorias, adotando um sistema de negociar inteiramente cosmopolita, para atender da mesma maneira gentil o freguês que viesse comprar um rolo de fumo, como o que quisesse uma jarda de morim. Todas as lojas pareciam ser de propriedade de brasileiros ou portugueses, enquanto a grande maioria das lojas menores estava nas mãos de alemães.'


Quanto à aparência, não deve ter mudado muito desde 1863, pois ele, ao sair para caçar num lago perto do centro de Curitiba, olhando a partir de um local que lhe fornecia uma vista panorâmica da cidade, ele observou que:


' Tivemos boas oportunidades, nesta pequena excursão, de observar aspectos gerais da região. Vimos assim que a cidade ficava numa planície aberta, embora à pequena distância do lado norte, começassem os pinheirais entremeados de pastagens. Para o lado sul, tudo era uma planície aberta de se perder de vista e tanto o lado do ocidente como o do oriente eram de extensas pastagens, entrecortadas embora de moitas e matas. A falta de altas agulhas de torres ou de edifícios altos ou mesmo das usuais chaminés dá a Curitiba, vista de longe, aspecto muito diferente do de uma cidade inglesa. Quase que se podia classificá-la de "aglomerado de tendas e cabanas", formando o campo de um exército na expectativa de receber ordens de partir para outra localidade. O costume, quase universal, de pintar as casas de branco fortalece essa semelhança.' [...] "


(Extraído de: museuparanaense.pr.gov.br / Ana Maria Rufino Gilies)


Foto: Óleo s/tela, intitulado "Curitiba em 1888", s/data, de Raimundo Jaskulski Jr. - Acervo Museu Paranaense)


Paulo Grani.

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