Manuel Correia Arzão[1] foi um paulista de família ilustre. Teve importante papel na descoberta do ouro do Rio do Peixe e do sertão do Serro Frio, em Minas Gerais. Seu parente Antônio Rodrigues de Arzão em 1693 partiu de Taubaté à procura do Itacolomi (referencial dos bandeirantes) marchando para a serra do Guarapiranga, com o objetivo de aprisionar índios, avistando a então Serra dos Arrepiados, que lhes pareceram mais próximas que realmente estavam, descendo em sua direção, alcançou o rio Piranga, onde vagavam alguns índios da nação Puri, que lhes deram notícias da existência de ouro na região e os guiaram até a Serra dos Arrepiados. Tal expedição ficou marcada na história de Minas Gerais como a que teve registro oficial do primeiro ouro.
Carta Patente de 6 de fevereiro de 1711 investiu Garcia Rodrigues Pais, filho de Fernão Dias, o famoso bandeirante, de poderes absolutos com jurisdição de regente do distrito do Serro Frio para por sua passagem sossegar os tumultos e desordens sanguinolentas em que se empenhavam o coronel Manuel Correia Arzão e Geraldo Domingues pela posse do rio do Peixe.
Mais tarde, o governador D. Brás Baltasar da Silveira daria uma carta patente em 17 de abril de 1714, estando na vila do Carmo, em que depois do prólogo habitual diz: « Faço saber (etc.) que tendo consideração aos merecimentos, nobreza e mais requisitos que concorrem na pessoa de Manuel Correia Arzão e ser um dos primeiros descobridores do sertão do Serro do Frio, tendo servido naquele distrito em tudo quanto se lhe encarregou com grande acerto e satisfação, e confiar dele que com a mesma maneira procederá daqui em diante, hei por bem de nomear e prover no posto de capitão-mor das ordenanças da Vila Nova do Príncipe e seu distrito para servir por tempo de três 3 anos, se no entanto eu o houver por bem e Sua Majestade não mandar o contrario, e por esta o hei por empossado no dito posto com o qual gozará d todas as honras, privilégios, isenções e liberdades que por ele lhe pertencerem, e ordeno a todos os oficiais e soldados das Ordenanças o conheçam por seu capitão mor e como tal lhe obedeçam e cumprão suas ordens assim por escrito como de palavra tão pontualmente como devem e são obrigados e para firmeza de tudo lhe mandei dar esta patente por mim assinada e selada com o sinete de minhas armas que se cumprirá tão inteiramente como nela se contem registrando-se nos Livros da secretaria deste Gov e nos da câmara da dita vila».
Depois, em junho, mais outro documento em que o governador diz: «Dada a grande satisfação com que está Manoel Correia Arzão exercitando o posto de capitão mor do distrito de Vila Nova do Príncipe, hei por bem promovê-lo ao de "Governador da Vila Nova do Príncipe e seu distrito e dos novos descobrimentos com toda a sua dependência». Assim, Arzão teve papel destacado na comarca do Serro.
Referências
- «Manuel Correia Arzão». Impressões Rebeldes. Consultado em 30 de março de 2023
Manuel Correia Arzão: O Bandeirante, Descobridor e Capitão-Mor do Serro Frio
Manuel Correia Arzão, membro de uma ilustre família paulista, desempenhou um papel fundamental no processo de desbravamento dos sertões mineiros e na descoberta das primeiras jazidas auríferas que moldaram a história colonial do Brasil. Sua trajetória cruza-se diretamente com os primórdios da exploração do ouro no Rio do Peixe e no Serro Frio, destacando-se como uma das lideranças políticas e militares de maior projeção nos primeiros anos da mineração.
As Raízes da Descoberta: A Expedição de Antônio Rodrigues de Arzão
A ligação da família Arzão com o ouro das Alterosas remonta aos anos finais do século XVII. Em 1693, seu parente Antônio Rodrigues de Arzão partiu de Taubaté rumo ao cobiçado marco do Itacolomi — principal ponto de referência dos bandeirantes —, com o objetivo inicial de aprisionar indígenas.
Ao marchar em direção à serra do Guarapiranga, a expedição avistou a Serra dos Arrepiados. Guiados por nativos da nação Puri que vagavam pelas margens do rio Piranga e os informaram sobre a presença de ouro, os sertanistas alcançaram a região. Esta incursão entrou para os anais da historiografia mineira por conter o primeiro registro oficial da descoberta de ouro em solo mineiro.
Conflitos de Posse e a Intervenção da Coroa
O crescimento desordenado e a cobiça gerada pelas riquezas minerais logo deflagraram disputas violentas nas novas vilas e sertões. O nome de Manuel Correia Arzão surge no centro desses conflitos quando se empenhou em uma renhida e sangrenta disputa contra Geraldo Domingues pelo controle e posse do ouro no rio do Peixe.
A situação de instabilidade exigiu medidas enérgicas da administração colonial. Em 6 de fevereiro de 1711, uma Carta Patente investiu Garcia Rodrigues Pais — filho do célebre bandeirante Fernão Dias — de poderes absolutos com jurisdição de regente do distrito do Serro Frio, tendo como uma de suas missões primordiais pacificar os violentos tumultos gerados pela contenda entre Arzão e Domingues.
Ascensão Política: Capitão-Mor e Governador do Serro Frio
Superadas as turbulências iniciais, os serviços prestados por Manuel Correia Arzão à Coroa foram formalmente reconhecidos pelas autoridades coloniais, impulsionando sua carreira política e militar na região:
Nomeação como Capitão-Mor (1714): Estando na vila do Carmo, o governador D. Brás Baltasar da Silveira emitiu em 17 de abril de 1714 uma carta patente enaltecendo os "merecimentos, nobreza e mais requisitos" de Arzão por sua atuação como um dos primeiros descobridores do sertão do Serro Frio. Por meio do documento, nomeou-o capitão-mor das ordenanças da Vila Nova do Príncipe e seu distrito por um triênio, conferindo-lhe todas as honras, prerrogativas e o comando direto sobre as tropas locais.
Promoção a Governador: A confiança depositada em sua liderança refletiu-se em nova ascensão meses mais tarde. Em junho do mesmo ano, o governador editou novo documento promovendo-o ao posto de Governador da Vila Nova do Príncipe e seu distrito e dos novos descobrimentos, consolidando sua autoridade absoluta sobre a comarca do Serro e atestando sua relevância na consolidação do domínio português nas minas.