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domingo, 2 de agosto de 2026

Portimão: História, Crescimento e Identidade no coração do Algarve

 

Portimão
Brasão de PortimãoBandeira de Portimão
Localização de Portimão
Mapa de Portimão
Gentílicoportimonense
Área182,06 km²
População60 278 hab. (2021)
Densidade populacional331,1  hab./km²
N.º de freguesias3
Presidente da
câmara municipal
Álvaro Bila[1] (PS, 2021-2025)
Fundação do município
(ou foral)
1453
Região (NUTS II)Algarve
Sub-região (NUTS III)Algarve
DistritoFaro
ProvínciaAlgarve
OragoNossa Senhora da Conceição
Feriado municipal11 de dezembro (Elevação a Cidade)
Código postal8500 Portimão
Sítio oficialwww.cm-portimao.pt

Portimão é uma cidade portuguesa no distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, com 44.426 habitantes (2021).[2] O centro da cidade está situado a cerca de 2 km do mar e é um centro importante de pesca e turismo.

É sede do município homónimo com 182,06 km² de área[3] e 60 278 habitantes (censo de 2021)[4][5], subdividido em 3 freguesias;[6] a freguesia que inclui a cidade tem cerca de 50 000 habitantes, sendo, por conseguinte, a cidade mais populosa do Algarve.[7] O município está limitado a norte pelo de Monchique, a leste pelos de Silves e Lagoa, e a oeste pelo de Lagos; a sul, tem um sector litoral ao longo do oceano Atlântico.

História

Pré-história e antiguidade

O território do concelho de Portimão foi habitado desde a pré-história, como pode ser constatado pela presença dos Monumentos Megalíticos de Alcalar e pela descoberta de uma caverna na área da Companheira, onde foram encontrados indícios do Homem de Neandertal.[8] Valdemar Coutinho apresenta a comunidade pré-histórica de Alcalar como um exemplo da fixação dos povos na região do Algarve, devido à proximidade do oceano, que fornecia recursos alimentares, nomeadamente através da recolha de moluscos, e às condições climatéricas favoráveis.[9] Luís de Mascarenhas refere, num artigo publicado no jornal O Algarve em 1916, que em vários locais a Norte da cidade de Portimão foram encontradas várias peças conhecidas popularmente como pedras de raio, que interpretou como sendo fragmentos de machados utilizados durante a pré-história como ferramentas e armas.[10]

Posteriormente, iniciou-se uma nova fase no desenvolvimento da região, devido à chegada dos mercadores vindo do Mar Mediterrâneo, tendo os primeiros sido provavelmente os fenícios, seguidos pelos gregos, que procuravam os abundantes recursos minerais, agrícolas e piscatórios.[10] Segundo Luís de Mascarenhas, os autores da antiguidade referiram-se a esta região como a Turdetânia, e aos habitantes nativos como os cónios.[10] A foz do Rio Arade teria sido muito procurada pelos mareantes devido às suas boas condições como porto de abrigo,[10] como se pode constatar pela grande quantidade de vestígios arqueológicos encontrados naquela área.[8] Desta forma, a área de Portimão esteve integrada nas redes comerciais e culturais ao longo do Oceano Atlântico, o Norte de África e o Mar Mediterrâneo.[8] Luís de Mascarenhas especulou que as ligações comerciais com o Mediterrâneo terão provocado grandes alterações a nível da ocupação do território, com a transferência dos povoados para as margens dos rios e a faixa marítima.[10]

Segundo Eduardo Monteverde, os escritores romanos mencionam que o comandante militar cartaginês Amílcar Barca teria fundado uma povoação nesta área por volta de 551 a.C., com o nome de Barcinia, embora outros autores afirmem que teria sido apenas responsável pela sua reedificação e ampliação, e que teria mudado o nome para Portus Annibalis,[11] igualmente conhecido como Portus Hannibalis.[12] Esta teoria foi suportada por Luís de Mascarenhas, referindo que vários autores latinos mencionam o nome da povoação portuária como sendo Portus Annibalis.[10] Mascarenhas ofereceu a explicação que este teria sido o local onde o comandante cartaginês Aníbal desembarcou as suas forças, para iniciar uma campanha militar contra os romanos.[10]

A cidade de Portus Annibalis foi citada por vários autores da antiguidade, como Ptolemeu, Pompónio Mela e Estrabão, que ao referirem-se aos principais centros urbanos na região, a colocam após Lacobriga, seguindo de ocidente para oriente a partir do promontório sacro.[13] Vários autores apresentaram conclusões diferentes para a localização da cidade, incluindo Portimão, Estômbar ou em Alvor.[11] Com efeito, Alvor também foi um centro urbano de certa importância durante este período, tendo sido um castro, e por volta do século VII a.C. ter-se-á afirmado como um centro de comércio, igualmente com ligações aos portos do Mediterrâneo oriental.[14] Uma outra teoria apontava uma localização completamente diferente para Portus Annibalis, não no Algarve mas já na costa alentejana, em Vila Nova de Milfontes.[11] Num artigo publicado na revista Alma Nova em 1918, o padre José Joaquim Nunes afirmou que era reduzida a probabilidade que o topónimo de Portus Hannibalis tenha evoluído para Portimão: «Apesar de possuirem as mesmas silabas iniciais, é duvidoso que os actuais nomes Lagos e Portimão sejam os modernos representantes dos antigos Laccobriga e Portus Hannibalis, que provavelmente morreram sem descendência».[15]

Durante o domínio romano, a cidade terá provavelmente continuado a usar o nome de Portus Annibalis.[11] Foram encontrados vários núcleos de vestígios deste período no concelho de Portimão, sendo um dos principais a villa da Abicada,[8] embora Valdemar Coutinho tenha avançado a hipótese que esta última estaria mais intimamente ligada à comunidade romana de Lagos, devido à sua posição na Ria de Alvor, junto à baía.[16] Foram igualmente encontrados vários tanques de salga na área ribeirinha de Portimão, e o arqueólogo Estácio da Veiga fez importantes descobertas na área da Ponta do Rochedo,[10] entre o convento franciscano e o Forte de Santa Catarina,[13] junto à foz do Rio Arade, que incluíram mosaicos,[10] fragmentos de cerâmica, as ruínas de um balneário, e um outro complexo de salga de peixe.[13] De acordo com estes vestígios, o local terá sido ocupado por uma residência abastada durante a era romana.[10] Nas imediações foram encontradas várias sepulturas e elementos comuns dos ritos funerários romanos, provas evidentes da existência de uma necrópole.[17]

Eventualmente, a cidade romana terá sido destruída, talvez devido à erosão marítima e à ocorrência de vários sismos.[13] Segundo Luís de Mascarenhas, apesar disto o porto de Portimão terá continuado a ter alguma importância devido às suas ligações com o Mediterrâneo, mesmo após a conquista visigótica da Península Ibérica.[17]

Ruínas do Castelo de Alvor.

Período islâmico e reconquista

O território foi conquistado pelos muçulmanos em 716.[14] A sua presença foi menos significativa do que a dos romanos,[8] podendo o povoado de Portimão ser apenas uma pequena comunidade de pescadores, funcionando principalmente como um porto para a cidade de Silves, que então era uma das mais importantes na região.[13] Ainda assim, foram encontrados dois importantes núcleos de vestígios no concelho, um na Alcaria de Arge e outro em Castelo Belinho.[8] Outro possível monumento desta época é o Morábito de São Pedro, que terá resultado da conversão de um edifício de culto islâmico.[18] Ainda assim, Alvor continuou a ser um importante centro do ponto de vista económico e político.[14] O Castelo de Alvor foi tomado pelas forças cristãs em 1189, como parte de uma campanha militar dirigida principalmente ao Castelo de Silves,[11] mas o território voltou a ser controlado pelos mouros apenas dois anos depois, só tendo definitivamente reconquistado em 1240, durante o reinado de D. Afonso III (1238–1253).[19]

Segundo um documento dos finais do século XII, alegadamente escrito por um dos cruzados que participaram na campanha de 1189, um dos castelos tomados pelos cristãos foi o de Porcimunt,[11] que alguns autores identificaram como sendo Portimão, embora Ataíde Oliveira tenha em vez disso avançado a hipótese que teria sido Porches, uma vez que «naqueles tempos não havia em Portimão castelo algum, nem o terreno sobre que assentou esta vila tinha condições de combatividade, pois é sabido que as lutas belicosas daqueles tempos [...] se decidiam pela força do braço, e e por isso escolhiam-se os pontos elevados e íngremes, de dificil acesso, para o levantamento dos castelos, afim de auxiliar a defeza e prevenir surprezas. Naquele tempo sómente se falava nos castelos de Alvôr, de Estombar e no de Porches. Eram estes os tres castelos mais proximos e dependentes do de Silves».[20]

Igreja Matriz de Portimão

Séculos XIV a XV

Segundo uma tradição popular, durante o reinado de D. João I (1385-1433) ou de D. Duarte I (1433-1438) um indivíduo fixou-se na área da foz do Arade como pescador de atum, tendo dado o nome de Portimão à aldeia em que residia.[11]

O povoado de Portimão conheceu um forte crescimento durante a segunda metade do século XV,[8] o que se deveu principalmente às suas condições geográficas favoráveis, por se situar junto ao oceano e ao Rio Arade, que era um importante eixo de transporte fluvial.[21] Uma carta régia de 4 de Agosto de 1463, emitida por D. Afonso V, autorizou um grupo de quarenta moradores a fundarem um povoado na área da Barrosa, que por esse motivo passou a ficar conhecido como Sâo Lourenço da Barrosa.[11] Eduardo Monteverde assevera que não restaram quaisquer indícios físicos de São Lourenço da Barrosa, embora algumas fontes afirmem que as ruínas que ficaram à vista após o maremoto que se seguiu ao Sismo de 1755 poderiam ter feito parte daquela povoação.[11] D. Afonso V também ordenou a construção das muralhas, numa carta de 26 de Outubro de 1478, no sentido de defender «o luguar de Villa Noua de Portimão», que então era frequentemente atacado pelos inimigos do reino. Na mesma comunicação, concedeu à povoação o estatuto de couto de homiziados, com privilégios semelhantes aos de Marvão.[22] A edificação das muralhas, em conjunto com a Igreja Matriz, podem ser considerados como testemunhos do elevado desenvolvimento que a povoação atingiu nessa época.[8]

Desde 1476 que o senhor da vila era Gonçalo Vaz de Castelo Branco, que conseguiu confirmar os privilégios de Portimão junto de D. João II em 1481, apesar das reclamações apresentadas por Silves no ano anterior.[22] Uma carta régia de 7 de Julho de 1498, durante o reinado de D. Manuel, concedeu a Martinho Castelo Branco a décima da pesca do atum, indústria que já então era considerada como muito antiga em Portimão.[11]

Igreja matriz de Alvor

Séculos XVI a XVIII

Portimão recebeu o foral em 1504, pelo rei D. Manuel, num gesto simbólico que reconheceu a importância de Portimão no território nacional.[8] Em 1508, Portimão foi uma das localidades algarvias que enviaram forças em auxílio da colónia portuguesa de Arzila, que estava a ser cercada pelo rei de Fez.[23] Em 7 de Outubro de 1532, os direitos sobre a pesca do atum foram reafirmados por uma carta de D. João III.[11]

A expansão da cidade continuou com o processo dos descobrimentos, durante os quais se afirmou como um dos principais centros nas novas rotas comerciais.[8] Segundo o manuscrito italiano Ritrato et Riverso del Regno di Portogallo, que descreveu o reino de Portugal durante o período de D. Henrique I, entre 1578 e 1580, Vila Nova de Portimão foi considerada como um dos principais portos do Algarve, em conjunto com Lagos e Tavira.[24]

Graças a este impulso, a área urbana ultrapassou o limite das muralhas,[8] tendo-se assistido à construção de grandes equipamentos militares e religiosos, como a Forte de Santa Catarina,[25] o Colégio dos Jesuítas em 1707,[8] o Convento de São Francisco no século XVI, e a Capela de São José no século XVII.[18] Foi provavelmente também no século XVI que foi construída a Quinta do Morais, que mais tarde se afirmou como um importante exemplo do estilo manuelino em Portimão.[26]

Fora da capital do concelho, destaca-se a edificação das igrejas paroquiais de Alvor e da Mexilhoeira Grande, ambas no século XVI, da Igreja da Misericórdia de Mexilhoeira Grande, no século XVII,[18] da Igreja de Montes de Alvor, no século XVII,[27] e do Eremitério dos Pegos Verdes, provavelmente construído no século XVIII.[28]

Porém, esta fase de crescimento foi abruptamente interrompida devido ao Sismo de 1755, que devastou a cidade.[8] Na obra Relaçam do terramoto do primeiro de Novembro do anno de 1755 com os effeitos, que particularmente cauzou neste reino do Algarve, transcrita por Alberto Iria para o Jornal de Lagos em 1940, foi feita uma descrição de como os vários centros urbanos da região foram atingidos, incluindo Portimão: «Meia legoa ao Poente de Estombar na banda d'alem do sobredito rio tem o seo assento Villa Nova de Portimam; que se compunha de Sete centas, quarenta, Seis moradas de cazas, das quais ficaram com total ruina cento secenta, e oito; e quazi todas as mais raxadas, e fendidas. Fez-se mais, que tudo, sensivel a perda da sua magnifica Matriz, em cuja reedificaçam, se trabalhava com grande zelo; a ruina da Igreja do Collegio da Comp.ª que he o mais formozo edificio deste Reino; e o estrago do Convento dos Capuchos, quasi inteiramente se havia renovado. Tragou o mar a Hermida de Nossa Senhora dos Remedios, sem lhe deixar mais, que o Altar; e todas as outras ficaram com alguma ruina. Morreram seis pessoas na Igreja do Collegio, e levou o mar quarenta e seis. Descobriram as suas ondas na praia, o que chamam a Ponta da area, vestigios de huma Povoaçam, que os moradores se persuadem ser a primeira morada dos Portimões, fundadores da Villa; porêm segundo o que se refere Laymundo, e o Mestre Floriam do Campo, ha mais aparencias de Ser o Porto de Anibal, que fez alli assento, para continuaçam do descobrimento das nossas costas, que depois contiaram Seos Primos os famosos Cartaginezes Hanon, e Hamylcon».[29]

Ainda assim, nos finais do século foram edificados dois grandes imóveis civis, o Palácio Bívar, onde posteriormente foram colocados os Paços do Concelho, e o Palacete Sárrea Prado, depois reconvertido num teatro.[30]

Séculos XIX e XX

A situação só voltou a melhorar na segunda metade do século XIX, com a introdução das indústrias em larga escala, baseadas nos frutos secos e nas conservas de peixe.[8] Este novo paradigma atingiu não só a cidade mas também as áreas interiores do concelho, assistindo-se a um êxodo rural que levou à expansão das áreas urbanas, com a construção de fábricas ao longo da faixa ribeirinha e de bairros sociais.[8] Um dos principais complexos industriais da cidade foi a Fábrica Feu, situado junto ao Convento de São Francisco, junto ao rio, e que começou a funcionar em 1902.[30] O porto de Portimão afirmou-se igualmente como um importante centro de escoamento dos produtos agrícolas, tendo Luís Mascarenhas afirmado em 1916 que já então concentrava cerca de metade da produção regional.[17]

Entre as novas infraestruturas contaram-se a ponte rodoviária sobre o Rio Arade, que entrou ao serviço em 1876,[31] e um novo cais comercial, que melhorou as condições de escoamento da produção industrial.[8]

Entretanto, em 1903 chegou o caminho de ferro a Portimão, inicialmente com uma gare provisória em Ferragudo, no outro lado do rio,[32] tendo a estação definitiva sido inaugurada apenas em 1922[33] Outro marco importante foi a construção da primeira central eléctrica na vila, em 1916.[34]

Placa evocativa da visita de Nossa Senhora de Fátima do Santuário da Cova da Iria à cidade de Portimão, em 1948

Décadas de 1920 a 1940

Como resultado deste crescimento, Portimão ganhou o estatuto de cidade em 1924, sendo então a presidência da república ocupada por Manuel Teixeira Gomes, natural do concelho.[8] A produção industrial em Portimão atingiu o seu auge durante a Segunda Guerra Mundial, sendo então as suas mercadorias exportadas para vários pontos do globo.[8] Também na década de 1940, assistiu-se à urbanização da área da Praia da Rocha, com a construção de várias casas de férias por parte das elites burguesas, que tinham enriquecido com a expansão da pesca e da indústria.[35]

Nos finais da década de 1920 iniciaram-se as obras do porto, com a realização de dragagens e outras intervenções, que permitiram um grande acréscimo no movimento de barcos de pesca e de pequena cabotagem.[30] Em 3 de Maio de 1940 foi inaugurado o novo edifício da Capitania, no âmbito das obras do porto,[36]

Em 1948 foram instaladas duas gruas de grandes dimensões no cais, que foram de grande utilidade na movimentação de mercadorias, tendo um destes engenhos sido preservado.[30] Em 1956 concluiu-se outra importante obra, com a instalação de dois molhes à entrada da barra, que fizeram com que passasse a ser considerada como uma das seguras em território nacional.[30]

Foi igualmente durante a primeira metade do século XX que foram instalados dois edifícios de grande importância em Alvor: a Lota[37] e a Estação de Socorros a Náufragos, esta última em 1933.[38]

Pós-guerra

No entanto, após o final da Segunda Guerra Mundial assistiu-se a uma forte regressão no tecido industrial da cidade, devido à deslocalização das fábricas para outros países, principalmente para Marrocos, à concorrência das empresas estrangeiras, à queda na produção piscatória, e à avançada idade da maquinaria.[8] Outro símbolo da renovação urbana de Portimão foi o Cine-Teatro, inaugurado em 1938.[39]

Surgiu então uma nova função económica, o turismo, que se começou a desenvolver na década de 1960, com a instalação de vários hotéis e restaurantes, tendo um dos principais estabelecimentos no concelho sido o complexo da Penina.[8]

O primeiro presidente da Câmara Municipal de Portimão após a Revolução de 25 de Abril de 1974 foi Martim Afonso Pacheco Gracias, que ocupou aquele posto até 1993.[40] Durante o seu mandato, o concelho conheceu um considerável desenvolvimento em termos de saneamento básico, serviços escolares, transportes, e outras infraestruturas básicas, tendo por exemplo sido instalados dois corredores rodoviários de grande importância, as avenidas V3 e V6, e os edifícios da piscina e do novo mercado municipal.[41]

Década de 1990

Em 1991 foi inaugurada a Ponte Nova de Portimão,[42] de forma a reduzir os problemas de tráfego na ponte antiga, situação que estava a causar grandes entraves ao desenvolvumento de Portimão, que era então a segunda principal cidade no Algarve.[43]

Em 1999 deu-se um importante marco a nível da prestação dos serviços de saúde na região, com a inauguração do Hospital de Portimão.[44]

Século XXI

Em 2 de Novembro de 2008 foi inaugurado o Autódromo Internacional do Algarve, que é considerado como um dos melhores no espaço europeu.[45]

Freguesias

Freguesias do município de Portimão

O município de Portimão está dividido em 3 freguesias:

Freguesias do município de Portimão
FreguesiaResidentes (2011)Residentes (2021)[4]
Alvor61546314
Mexilhoeira Grande40294313
Portimão4543149218
Total5561459845

Demografia

De acordo com os dados do INE o distrito de Faro registou em 2021 um acréscimo populacional na ordem dos 3.7% relativamente aos resultados do censo de 2011. No concelho de Portimão esse acréscimo rondou os 7.6%.

Portimão
AnoPop.±%
18649 383    
187810 567+12.6%
189011 826+11.9%
190013 700+15.8%
191115 697+14.6%
192014 983−4.5%
193021 131+41.0%
194021 419+1.4%
195023 697+10.6%
196024 142+1.9%
197025 195+4.4%
198134 464+36.8%
199138 833+12.7%
200144 818+15.4%
201155 614+24.1%
202159 845+7.6%

★ Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram

Número de habitantes por Grupo Etário ★★[46]
1900191119201930194019501960197019811991200120112021
0-14 Anos4 8625 5384 9706 5946 0985 8765 5195 6907 5577 1246 6668 7158 567
15-24 Anos2 4063 0253 0334 2514 0014 2243 8114 0304 7365 6635 9445 6876 038
25-64 Anos5 8086 4866 2289 1499 84511 69412 54713 10017 70120 21324 45631 00831 809
= ou > 65 Anos6768466411 0761 3471 6902 2652 7654 4705 8337 75210 20413 431

★★ De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente

Equipamentos

Marina de Portimão

Hoje[quando?] é possível aceder a Portimão a partir de qualquer ponto do país.

Património

Vista aérea de Portimão, em 2023.

Ver também: Lista de património edificado em Portimão

O Convento de São Francisco (ou Convento de Nossa Senhora da Esperança).
Ponte ferroviária sobre o Rio Arade, ao PK 18 da Linha do Algarve, entre Ferragudo e Portimão.
Villa Romana da Abicada

Património arqueológico

Património não religioso

Património religioso

Património de origem natural

Cultura

Desporto

Portimão também é uma cidade muito marcada pelo desporto. É aqui que se realizam, no Verão, o Mundialito de Futebol de Praia e a Etapa Portuguesa da Liga Europeia de Futebol de Praia. Por vezes, a Volta a Portugal em Bicicleta e foi palco do Rali Lisboa-Dakar, onde também se costumam praticar desportos náuticos, como o surfe e o Kitesurf e outros desportos de ação como o BMX e o skate. Portimão também tem vários clubes desportivos como por exemplo o Portimonense, Portinado ou o Clube Bicross de Portimão.

A 2 de novembro de 2008 foi inaugurado, oficialmente, o Autódromo Internacional do Algarve.

Política

Eleições autárquicas [60]

Odivelas, desde 1976, foi sempre uma autarquia do Partido Socialista.

Data%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%VParticipação
PSFEPU/APU/ CDUPPD/ PSDCDS-PPGDUPPCTP/ MRPPADUDP/ BEPPMPRDPSD-CDSINDMPTNCCHPANA
197639,31422,50218,2017,10-5,53-3,14-
67,61 / 100,00
197952,91415,251ADAD0,43-25,9222,85-AD
74,98 / 100,00
198255,28417,31122,6620,95-
72,00 / 100,00
198551,96411,14123,4520,79-9,56-
64,07 / 100,00
198939,12311,04138,8735,31-1,42-
56,48 / 100,00
199343,88311,76134,5934,71-1,72-
60,68 / 100,00
199747,08410,80-33,0633,15-1,41-
58,65 / 100,00
200150,8247,47-23,37212,6011,43-CDS-PP
52,14 / 100,00
200542,54410,671CDS-PPPPD/PSD7,47-PSD-CDS28,7225,12-PSD-CDS
51,06 / 100,00
200955,4955,93-25,1324,31-6,31-
54,16 / 100,00
201330,05312,11116,67118,96112,281CDS-PPCDS-PP
42,39 / 100,00
201744,5647,78-CDS-PPPPD/PSD11,661PSD-CDS24,362PSD-CDS5,89-
41,16 / 100,00
202139,8855,11-17,54213,0316,82-PPD/

PSD

PPD/

PSD

CDS-PP10,1613,07-CDS-PP
42,97 / 100,00

Eleições legislativas

Data%
PSPCPPSDCDSUDPADAPU/

CDU

FRSPRDPSNBEPANPSD
CDS
LCHIL
197647,0917,6215,127,732,64
197933,62APUADAD3,7932,7123,25
1980FRS2,0833,4316,2740,31
198346,4617,968,581,3519,61
198518,4226,425,371,7115,5327,37
198724,22CDU46,193,291,1610,078,57
199130,6650,693,027,331,062,50
199550,7826,6310,050,807,760,33
199949,0327,038,518,382,82
200242,0234,549,625,623,59
200548,9523,336,506,499,42
200931,8624,5011,656,7217,45
201123,0035,2114,297,809,631,68
201532,10CDSPSD8,0916,211,9730,030,76
201934,6221,224,216,4214,675,411,182,290,92
2022[61]37,2723,801,374,236,622,341,0714,205,31
2024[62]23,04ADAD21,492,526,102,702,9230,535,05


Lista dos Presidentes da Câmara Municipal de Portimão


Pré-25 de Abril de 1974

  • Dr. José António dos Santos
  • Francisco da Graça Mira
  • Jaime da Glória Dias Cordeiro
  • Francisco Marques da Luz
  • Guilherme Francisco Dias
  • José dos Santos Ribeiro
  • Manuel Francisco Borralho
  • Francisco José Duarte
  • Dr. António Pacheco Teixeira Gomes
  • Álvaro Joaquim Calhau
  • Dr. Frederico Ramos Mendes
  • Joaquim Valadares Pacheco
  • Salvador Gomes Vilarinho
  • Dr. Rogério Reis Alvo
  • José dos Reis Baptista
  • Eng. João Deodato Neto
  • Reinaldo Pereira Assunção

Pós-25 de Abril de 1974 * Rogério Jorge Castelo

Personalidades destacadas

Geminações

A cidade de Portimão é geminada com as seguintes cidades[63]:


Portimão: História, Crescimento e Identidade no coração do Algarve

Portimão é uma das cidades mais dinâmicas, populosas e fascinantes de Portugal. Situada no distrito de Faro e na região do Algarve, a cidade abriga cerca de 44.426 habitantes no seu perímetro urbano (segundo os Censos de 2021) e lidera o município homónimo, que conta com uma área de 182,06 km² e 60.278 habitantes subdivididos em três freguesias.

Com o seu centro urbano localizado a apenas dois quilómetros do oceano Atlântico, Portimão destaca-se pela sua forte ligação ao mar — sendo historicamente um polo vital de pesca, comércio e, mais recentemente, turismo de excelência a nível internacional.

1. Geografia e Limites

O município de Portimão ocupa uma posição estratégica na faixa litoral algarvia, tendo como limites naturais e administrativos:

  • Norte: Concelho de Monchique

  • Leste: Concelhos de Silves e Lagoa

  • Oeste: Concelho de Lagos

  • Sul: Extenso setor litoral banhado pelo oceano Atlântico

A freguesia que engloba a cidade concentra aproximadamente 50.000 residentes, o que consolida Portimão como a cidade mais populosa de todo o Algarve.

2. História: Da Pré-História à Antiguidade Clássica

Pré-História e Primeiros Povoados

A presença humana no território de Portimão remonta a tempos imemoriais. Prova disso são os mundialmente conhecidos Monumentos Megalíticos de Alcalar e a descoberta de uma caverna na área da Companheira, onde foram encontrados vestígios cruciais da passagem do Homem de Neandertal.

A atração primitiva pela região explica-se por fatores ambientais privilegiados:

  • A proximidade imediata ao oceano, rica em recursos alimentares (como moluscos).

  • Condições climatéricas extremamente favoráveis.

  • A presença de jazidas minerais e vias fluviais navegáveis, como a foz do Rio Arade.

A Chegada dos Mercadores do Mediterrâneo e a lenda de Aníbal

Com o passar dos séculos, fenícios e gregos aportaram à foz do Arade em busca de recursos. Os autores antigos referiam-se à região como Turdetânia e aos seus habitantes nativos como os cónios.

Historiadores como Eduardo Monteverde e Luís de Mascarenhas apontam que o célebre comandante militar cartaginês Amílcar Barca terá fundado (ou reedificado) uma povoação na zona por volta de 551 a.C., batizando-a de Barcinia ou Portus Annibalis (Porto de Aníbal). Autores clássicos como Ptolemeu, Pompónio Mela e Estrabão mencionam a localidade nas suas descrições geográficas, destacando o seu valor estratégico nas rotas comerciais entre o Atlântico, o Norte de África e o Mediterrâneo.

Domínio Romano e Visigótico

Durante o período romano, a cidade floresceu. Entre os principais vestígios destacam-se:

  • A Villa romana da Abicada.

  • Vários tanques de salga de peixe na área ribeirinha.

  • Os achados arqueológicos na Ponta do Rochedo (mosaicos, cerâmicas, balneários e uma necrópole).

Apesar de potenciais destruições provocadas por sismos e erosão marítima, o porto manteve a sua relevância económica mesmo após a invasão visigótica.

3. Período Islâmico e a Reconquista Cristã

O território foi conquistado pelos muçulmanos em 716. Embora a presença islâmica tenha deixado marcas menos densas do que a romana em Portimão (funcionando essencialmente como um porto de apoio à grandiosa cidade de Silves), destacam-se importantes vestígios na Alcaria de Arge, em Castelo Belinho e no Morábito de São Pedro.

  • Alvor manteve-se como um polo político e económico de grande relevo na região.

  • O Castelo de Alvor foi tomado pelas forças cristãs em 1189, recuperado pelos mouros brevemente, e definitivamente integrado na coroa portuguesa em 1240, sob o reinado de D. Afonso III.

4. Dos Séculos XIV ao XVIII: O Nascimento de Vila Nova de Portimão

A Fundação e o Crescimento (Séculos XV e XVI)

  • Século XV: O povoado ganhou forte impulso dinâmico junto ao Rio Arade. Em 1463, uma carta régia de D. Afonso V autorizou a fundação de um povoado na Barrosa (São Lourenço da Barrosa).

  • As Muralhas: Em 1478, D. Afonso V ordenou a construção de muralhas defensivas para proteger o recém-criado núcleo de Villa Nova de Portimão, concedendo-lhe o estatuto de couto de homiziados.

  • O Foral: Em 1504, o rei D. Manuel I atribuiu o foral à vila, atestando a sua crescente importância no contexto nacional e o sucesso da indústria das pescas (com destaque para a exploração da pesca do atum).

Idade Moderna e o Impacto do Sismo de 1755

Durante os Descobrimentos e os séculos subsequentes, a malha urbana expandiu-se para além das muralhas, erguendo marcos arquitetónicos como:

  • O Forte de Santa Catarina

  • O Convento de São Francisco (século XVI)

  • O majestoso Colégio dos Jesuítas (1707)

  • O Palácio Bívar e o Palacete Sárrea Prado

Contudo, este ciclo próspero foi tragicamente interrompido a 1 de novembro de 1755, quando o violento Sismo de 1755 e o subsequente maremoto devastaram a cidade, destruindo centenas de habitações, a antiga Matriz e o imponente Colégio dos Jesuítas.

5. A Revolução Industrial, o Século XX e a Elevação a Cidade

A verdadeira recuperação económica e demográfica só aconteceu na segunda metade do século XIX, impulsionada pela industrialização em larga escala focada nos frutos secos e nas conservas de peixe.

  • Infraestruturas: A construção da ponte rodoviária (1876), a chegada do caminho de ferro (com estação definitiva inaugurada em 1922) e a inauguração da primeira central elétrica (1916) modernizaram a vila.

  • Estatuto de Cidade: Em 1924, Portimão foi oficialmente elevada à categoria de cidade, sob a presidência da República de Manuel Teixeira Gomes (ilustre figura natural do concelho).

  • Auge Industrial e Praia da Rocha: A produção conserveira atingiu o auge durante a Segunda Guerra Mundial. Paralelamente, nos anos 40, a zona da Praia da Rocha começou a urbanizar-se com sumptuosas casas de férias frequentadas pela elite burguesa.

6. Modernidade e o Salto para o Turismo e Desporto (Finais do Século XX e XXI)

Com o declínio da indústria conserveira tradicional no pós-guerra, Portimão soube reinventar-se de forma exemplar, apostando firmemente na indústria do turismo a partir dos anos 1960 (com marcos como o complexo da Penina).

  • Grandes Obras Autárquicas: Sob a liderança do presidente Martim Afonso Pacheco Gracias (pós-25 de Abril de 1974 até 1993), o concelho modernizou o saneamento, as redes escolares e criou eixos rodoviários fundamentais como as avenidas V3 e V6.

  • Marcos Estruturais:

    • Inauguração da Ponte Nova de Portimão (1991), aliviando o tráfego rodoviário.

    • Abertura do Hospital de Portimão (1999).

    • Inauguração do mundialmente famoso Autódromo Internacional do Algarve (a 2 de novembro de 2008), consolidando a cidade como um polo de referência no desporto motorizado europeu e internacional.

Galeria

Vista panorâmica de Portimão