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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O Château de Roquetaillade: Duas Fortalezas, Sete Séculos de História e a Intervenção de Viollet-le-Duc

 

Castelo de Roquetaillade
Apresentação
Tipocastelo
Estatuto patrimonial Classe MH ()
 Inscrição MH ()Visualizar e editar dados no Wikidata
Websiteroquetaillade.eu
Localização
LocalizaçãoMazères, Gironda
 França
Coordenadas

O Château de Roquetaillade visto da capela de Saint-Michel.

O Château de Roquetaillade é um palácio da França localizado em Mazères, na Gironda. É constituido por duas fortificações, uma datada do século XI e a outra do século XIV, as quais se encontram dentro do mesmo recinto. O palácio foi salvo por Viollet-le-Duc no século XIX, tendo este empreendido, igualmente, importantes trabalhos de decoração e criação de mobiliário. O palácio e o mobiliário foram classificados como Monumentos Históricos da França em 1840.

O Château de Roquetaillade encontra-se na posse da mesma família desde há 700 anos. Foi aberto ao público em 1956.

As origens

O castelo velho.

O lugar de Roquetaillade sempre foi habitado pelo homem desde a Pré-História. A presença de grutas naturais e de um pico rochoso, sob os quais se podiam proteger, eram favoráveis a uma instalação humana. Os numerosos Sílex talhados, encontrados no lugar, testemunham essa presença.

No entanto, a menção a uma fortificação em Roquetaillade só surge pela primeira vez em 778. Efetivamente, Carlos Magno, a caminho dos Pirenéus com o seu sobrinho Rolando (o qual viria a inspirar a célebre La chanson de Roland, poema épico do século XI), reagrupou o seu exército em Roquetaillade e construiu um primeiro monte castrejo fortificado, em madeira: o primeiro castelo de Roquetaillade. Esta construção evoluiu ao longo dos tempos; a técnica da pedra substituiu a da madeira. O Château de Roquetaillade cresceu, incluindo novas torres, muralhas e outras construções defensivas, as quais refletiam o poder do senhor. A última construção foi a edificação da torre-porta, em 1305, única passagem entre o coração do castelo e a aldeia, chamada Castelnau, que se estabeleceu em volta.

Antes do século XI não existe qualquer informação disponível acerca dos senhores de Roquetaillade, quando o nome La Mota (ou La Mothe) aparece nos arquivos. Só existem certezas no facto de o Château de Roquetaillade permanecer na mesma família desde o século XI até aos dias de hoje.

O Château Novo

Em 1306, com a permissão do Rei Eduardo I de Inglaterra, o Cardeal de la Mothe, sobrinho do Papa Clemente V, construiu uma segunda fortaleza em Roquetaillade: o Château "Neuf" de Roquetaillade, de planta quadrada com cinco torres e uma torre de menagem central. Esta construção, revolucionária para a época, aliava a arte militar e a necessidade de defesa com a procura do conforto. O Château de Roquetaillade, assim como outros palácios Clementinos, foram os primeiros exemplos de palácio/castelo-forte em França.

Parte traseira do castelo novo.

Esta longa guerra poupou totalmente o Château de Roquetaillade. Com efeito, ainda que os gascões fossem pró-ingleses, devido ao comércio do vinho não perdiam ocasião de trocar de lado quando sentiam o vento girar. Deve dizer-se que os senhores de Roquetaillade eram, nessa época, em primeiro lugar eclesiásticos e, portanto, estavam acima das confusões dos "simples mortais".

No sul da Gironda, não houve mais que pequenas escaramuças entre as diversas partes. Somente Villandraut foi atacada pelos protestantes; mas não era este o símbolo Papal?

Aquando da Revolução, os bandos de Bordéus dirigiram-se a Roquetaillade para demoli-lo. O Marquês de Lansac acolheu-os no lugar, dobrou o seu soldo e convidou-os a descer à cave do palácio para provar o seu vinho. Os revolucionários acharam-no de tal forma bondoso que abandonaram os trabalhos.

Apesar de Roquetaillade ter sobrevivido ao longo da história, o edifício, no início do século XIX, encontrava-se em mau estado. Classificado como Monumento Histórico da França por Prosper Mérimée em 1840, o Château de Roquetaillade foi um dos primeiros edifícios medievais do Sudoeste a beneficiar de protecção.

foi cerca de 1850 que os Mauvezin decidiram remeter o edifício ao estado. Recorreram ao mais célebre arquitecto francês, Viollet-le-Duc. Este, ajudado por um dos seus alunos, Duthoit, passou cerca de 20 anos em volta do restauro do palácio, mas sobretudo sobre a decoração do interior e o mobiliário. A decoração de Roquetaillade que se pode ver atualmente é única na França e está classificada como monumento histórico.

O parque

O parque de Roquetaillade compreende os vestígios do recinto medieval com a barbacã, o riacho de Pesquey e as suas ribas, o chalé novecentista e o pombal do Crampet, o qual faz parte do Ecomuseu da Bazadaise.

Curiosidades

O Château de Roquetaillade serviu de cenário a vários filmes, entre os quais:

  • Fantômas contra a Scotland Yard
  • Le Pacte des loups (O Pacto dos lobos).

O Château de Roquetaillade: Duas Fortalezas, Sete Séculos de História e a Intervenção de Viollet-le-Duc

O Château de Roquetaillade, situado na comuna de Mazères, no departamento da Gironda, constitui um dos conjuntos arquitetônicos mais singulares da França. O complexo destaca-se por abrigar em um mesmo recinto duas fortificações distintas — uma datada do século XI e outra do século XIV. Salvo da ruína no século XIX pelas mãos do célebre arquiteto Eugène Viollet-le-Duc, que concebeu uma decoração e um mobiliário interiores únicos, o palácio e seu recheio foram classificados como Monumentos Históricos da França logo em 1840. Além de sua relevância patrimonial, o domínio ostenta a impressionante marca de pertencer à mesma família há mais de 700 anos, tendo sido aberto à visitação pública em 1956.

As Origens e o Castelo Velho

A ocupação humana na região de Roquetaillade remonta à Pré-História, favorecida pela presença de grutas naturais e de um pico rochoso que serviam de abrigo, conforme atestam os numerosos artefatos de sílex talhado encontrados no local.

Contudo, a primeira menção histórica a uma fortificação data de 778. Segundo a tradição, Carlos Magno, a caminho dos Pirenéus na companhia de seu sobrinho Rolando (figura central da célebre Chancela de Rolando), agrupou seu exército no local e ordenou a construção de um monte castrejo fortificado em madeira. Com o passar do tempo, a madeira deu lugar à pedra, e o complexo expandiu-se com novas torres e muralhas. A última etapa construtiva desta primeira estrutura ocorreu em 1305 com a edificação da torre-porta, o único ponto de acesso entre o núcleo castral e a aldeia de Castelnau, formada em seu entorno.

Embora a linhagem dos senhores locais permaneça envolta em brumas antes do século XI — época em que o nome da família La Mota (ou La Mothe) surge nos registros —, o fato é que o castelo permaneceu na posse ininterrupta da mesma família até os dias de hoje.

A Inovação do Château "Neuf"

Em 1306, com a autorização real de Eduardo I de Inglaterra, o Cardeal de la Mothe — sobrinho do Papa Clemente V — ergueu uma segunda fortaleza no recinto: o Château "Neuf" de Roquetaillade. Apresentando uma planta quadrada flanqueada por cinco torres e encimada por uma torre de menagem central, esta construção representou uma revolução conceitual para a época.

Juntamente com outros palácios clementinos, Roquetaillade figurou entre os primeiros exemplos em solo francês a fundir a eficácia da arquitetura militar e defensiva com a busca refinada pelo conforto residencial.

Conflitos e Sobrevivência Histórica

Ao longo dos séculos, o domínio atravessou grandes conturbações da história francesa mantendo-se notavelmente preservado:

  • Guerra dos Cem Anos: A região poupou o castelo. Embora a Gascunha fosse comercialmente alinhada aos interesses ingleses devido ao lucrativo mercado do vinho, os senhores locais — predominantemente eclesiásticos — conseguiam navegar habilmente entre as alianças e manter a segurança de suas terras.

  • Guerras de Religião: No sul da Gironda, os confrontos limitaram-se a escaramuças menores, e o simbolismo papal do reduto manteve-se a salvo de investidas de maior proporção.

  • Revolução Francesa: Quando bandos revolucionários vindos de Bordéus marcharam sobre o castelo com ordens de demolição, o Marquês de Lansac adotou uma estratégia diplomática inusitada: recebeu os invasores com generosidade, dobrou-lhe o soldo e convidou-os para provar os vinhos da cave. A testada hospitalidade e a qualidade da bebida conquistaram os revolucionários, que desistiram da destruição.

O Restauro Oitocentista de Viollet-le-Duc

Apesar de ter resistido incólume aos séculos, o complexo encontrava-se em estado precário no início do século XIX. A consagração institucional veio em 1840, quando Prosper Mérimée incluiu o castelo na primeira listagem de Monumentos Históricos da França, tornando-o um dos primeiros edifícios medievais do Sudoeste a receber tal proteção.

Por volta de 1850, a família Mauvezin decidiu empreender uma ambiciosa restauração e recorreu ao mais proeminente arquiteto da época, Eugène Viollet-le-Duc. Auxiliado por seu discípulo Duthoit, Viollet-le-Duc dedicou cerca de duas décadas não apenas à consolidação estrutural do palácio, mas sobretudo à elaboração de um projeto de decoração de interiores e mobiliário de proporções monumentais. O resultado desse minucioso trabalho perdura até hoje, oferecendo aos visitantes um conjunto decorativo de época considerado absolutamente único na França.