quinta-feira, 22 de junho de 2017

Desembargador Ermelino de Leão

O desembargador Agostinho Ermelino de Leão é responsável por idealizar obras como o Museu Paranaense e o Teatro São Teodoro (atual Teatro Guaíra). Ele nasceu e cresceu em Paranaguá e se formou em Ciências Jurídicas e Sociais pela Academia de Direito de Recife. Atuou como juiz de direito durante 22 anos ininterruptos nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Sul e Paraná. Sua boa atuação como juiz garantiu sua indicação e nomeação ao cargo de desembargador. Ocupou o cargo de vice-presidente da Província por curtos espaços de tempo nas décadas de 1860 e 1870. Apoiou obras consideradas importantes para o Paraná, como a linha telegráfica para a capital e a estrada de Cerro Azul a Antonina, que ajudaria a impulsionar a construção da Estrada da Graciosa. A Gazeta do Povo errou ao informar que o desembargador Agostinho Ermelino de Leão foi o responsável pela construção da Capela da Glória. Foi Maria Dolores de Leão, filha dele, quem mandou construir próximo à sua casa, em Curitiba, uma capela dedicada à Nossa Senhora da Glória. Por causa dessa capela, inaugurada em 25 de novembro de 1896, a região passou a ser chamada de Alto da Glória. Nela, durante muitos anos, foram celebradas as novenas dedicadas à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
1952

Comendador Araújo

Antonio Alves de Araújo, o comendador Araújo, nasceu em Morretes, mas construiu sua carreira política em Antonina. Estudou na Alemanha, onde obteve o diploma em Leis – o que, atualmente, equivale ao curso de Direito. Araújo ocupou os cargos de deputado e vice-presidente da Província. Comerciante e ervateiro, recebeu ordens do governo provincial para fazer propaganda da erva-mate paranaense pela Europa e Ásia, regiões que visitava com frequência. Quando recebeu o título de comendador ele já estava pobre e quase no fim da vida. Seu irmão, Manoel Alves de Araújo, recebeu o título de conselheiro e dá nome à outra rua.
1913
Atualmente:

A Rua

A rua Comendador Araújo recebeu esse nome por ser o local onde o comendador fixou residência quando se mudou para Curitiba. Antes, era chamada de Mato Grosso e fazia parte de uma região de banhado, devido à irrigação do rio Ivo. Essa condição gerou dificuldades nas primeiras medidas de saneamento tomadas em Curitiba. Foram, então, colocadas pinguelas por toda a região, que começou a ser habitada. Muitos donos de engenho do litoral subiram a serra e se instalaram nas proximidades. Os casarões de linguagem eclética que ainda podem ser vistos na localidade são símbolos do desenvolvimento econômico da época. 

Zacarias

Coube ao baiano Zacarias de Góes e Vasconcelos a árdua tarefa de ser o primeiro presidente da Província do Paraná, em 1853. Aos 38 anos, ele e sua esposa Carolina foram recebidos com festa pela população. Apesar de ficar no cargo somente até maio de 1855, ele teve a dura tarefa de organizar os primeiros passos do Paraná. Coube a ele a missão de encomendar os estudos para a construção de estradas que ligassem Curitiba ao Litoral, determinando a construção da Estrada da Graciosa, só concluída em 1873. Zacarias criou também uma companhia policial e incentivou a edificação de escolas primárias. Como Curitiba sequer tinha farmácia, Zacarias autorizou José da Silva Murici, que era do Serviço Sanitário do Exército, a fornecer medicamentos à população pobre da capital. Advogado, ele também foi presidente das Províncias do Piauí e Sergipe, deputado provincial, ministro, deputado-geral pela Bahia. Ainda ocupou os cargos imperiais de Presidente do Conselho dos Ministros e da Câmara dos Deputados, senador e conselheiro de Estado.
1946

Visconde de Guarapuava

Antônio de Sá Camargo recebeu o título de Visconde de Guarapuava após o episódio que dá nome a outra rua famosa em Curitiba: a Voluntários da Pátria. O fazendeiro financiou, no Paraná, o grupo de homens que se juntou ao exército brasileiro durante a Guerra do Paraguai, em 1865. Esse era um ato comum entre os homens da elite. Durante a guerra, eles cediam suprimentos, dinheiro e homens (seus empregados e escravos) para combaterem pelo Brasil. Faziam isso ambicionando títulos. O Visconde de Guarapuava chegou a hospedar D. Pedro II em sua casa durante a passagem do imperador pelo Paraná, em 1880. Foi vice-presidente da Província do Paraná e coronel comandante superior da Guarda Nacional, com a qual fundou o campo de Palmas de Baixo (atual Clevelândia). Ajudou na construção de obras como a Santa Casa de Misericórdia de Curitiba e a reconstrução da Biblioteca Pública do Paraná.
1949

Presidente Taunay

Alfredo Maria Adriano D’Escragnolle Taunay, o Visconde de Taunay, foi presidente da Província do Paraná de 1885 a 1886. Em Curitiba, ele é lembrado pela criação do Passeio Público. A obra foi feita com dificuldade (dos 48 mil metros quadrados que o parque ocuparia inicialmente, apenas 6 mil eram de terra firme, o resto era um banhado) e às pressas. A cerimônia de inauguração, cheia de improvisos, foi realizada um dia antes do Visconde de Taunay passar o governo para Joaquim de Almeida Faria Sobrinho, que teve que arcar com despesas futuras e corrigir defeitos da obra. O Visconde de Taunay cresceu em um ambiente culto, influenciado pelo avô e pelo pai, que estudavam arte e literatura. Durante a Guerra do Paraguai, em 1865, acompanhou o corpo expedicionário do Mato Grosso e de lá trouxe inspiração para obras como “Cenas de viagem” (1868), “A Retirada da Laguna” (1871) e “Inocência” (1872). Ganhou visibilidade como escritor e logo foi convidado a ingressar na política. Foi entusiasta de medidas como casamento civil, a imigração, a libertação gradual dos escravos e a naturalização automática de estrangeiros. No Paraná, recuperou a estratégia de Lamenha Lins para atrair imigrantes.
1949

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Doutor Muricy

A ideia do hospital da Santa Casa de Misericórdia partiu do médico José Cândido da Silva Muricy. Foi o ‘doutor’ Muricy o responsável por bancar financeiramente quase toda a obra. No entanto, ele não viveu para ver o prédio concluído. Morreu um ano antes. Para não deixar o hospital inacabado, coube ao genro de Muricy, que também era médico, Antonio Carlos Pires de Carvalho e Albuquerque, assumir o projeto e bancar a finalização das obras. Embora o prédio que abriga a Santa Casa atualmente ter sido inaugurado em 1880, o pesquisador Carlos Ravazzan explica que a Irmandade da Santa Casa já existia desde 9 de junho de 1852. Era uma entidade que atendia primordialmente a população mais carente. A primeira sede foi edificada em 1855, na Rua 13 de Maio. No local, onde atuava o doutor Muricy, funcionou também uma espécie de pequeno hospital. Além de médico e tenente-cirurgião, Muricy ocupou o cargo de deputado provincial e foi um dos responsáveis pela fundação do Museu Paranaense. Recebeu diversas homenagens e condecorações, como a Ordem da Rosa, Ordem de Cristo e Ordem de São Bento de Aviz, no Brasil; a Ordem de Cristo, de Portugal e a Ordem da Coroa da Alemanha.
1906

Mateus Leme

Mateus Leme

Natural de Santo Amaro (SP), Mateus Leme foi atraído pela descoberta de ouro para a região curitibana e em 1661 também já possuía moradia fixa no vale do Rio Barigui juntamente com algumas outras famílias. Foi bandeirante e escravizou diversos índios nos sertões brasileiros. Em 1668, a vila de Curitiba, ao contrário da vila de Paranaguá, criada 20 anos antes, não gozava de autoridade própria. A lei portuguesa exigia um mínimo de 30 famílias para que uma localidade tivesse autoridades e Câmara Municipal. Eram necessários, portanto, 30 “homens bons” – denominação que se dava aos homens adultos, casados e proprietários de bens e escravos. Nesse mesmo ano, Mateus Leme foi nomeado capitão-povoador da futura vila de Curitiba.
1904

Ébano Pereira

As origens de Curitiba se confundem com a descoberta de ouro no litoral paranaense. Nessa história, um personagem entra em cena: Eleodoro Ébano Pereira, que comunicou oficialmente a descoberta de ouro na região às autoridades portuguesas por volta de 1650. Pereira era administrador de minas nos distritos do sul do Brasil e o primeiro representante das autoridades governamentais que esteve no local que atualmente integra Curitiba. Até então, a região do primeiro planalto do estado era tomada por garimpeiros vivendo em abrigos improvisados, cobertos por folhas, na tentativa de faiscar ouro por essas bandas. Além deles, os tupis-guaranis marcavam presença na localidade. Apesar de ser um emissário do governo, Pereira não era propriamente um povoador, mas foi ele que organizou, a partir de Paranaguá, uma expedição em direção ao planalto curitibano em busca de ouro, o que, em pouco tempo, estimulou a vinda de diversos faiscadores do metal precioso. Filho de portugueses, Pereira nasceu no Rio de Janeiro. Foi sertanista e lutou ao lado do pai na expulsão dos franceses do Rio. Ele possuía o título de general da Armada das Canoas de Guerra da Costa e Mar do Sul.
1928

Bento Vianna

Com um ato de coragem, o capitão Floriano Bento Vianna foi o primeiro homem a clamar pela separação da comarca de Curitiba e Paranaguá da capitania de São Paulo. Era 15 de julho de 1821, quando o povo e as autoridades estavam reunidos em uma praça pública de Paranaguá diante do juiz Antonio Azevedo de Melo e Carvalho. Repentinamente, Bento Vianna levantou-se em direção ao magistrado e solicitou a nomeação imediata de um governo provisório separado da capitania paulista. Após o brado, que ficou conhecido pelos livros de história como conjura separatista, Bento Vianna não teve sucesso e foi abandonado por demais companheiros que queriam a emancipação do Paraná e que desistiram na hora ‘H’. Solitário em sua proclamação, só escapou de severas punições porque a Coroa Portuguesa reconhecia seu valor e sua lealdade à Corte. O ato, porém, acendeu a vontade de separar Paraná da então província de São Paulo.

Baltazar Carrasco dos Reis

Muitos povoadores começaram a se interessar pela localidade motivados, sobretudo, pela exploração de ouro e também para prear índios para servirem de escravos. Durante muito tempo esses bandeirantes passavam sem deixar povoadores. Apenas um ou outro eram atraídos – foi o que aconteceu com um dos primeiros “moradores” da futura Curitiba, o bandeirante Baltazar Carrasco do Reis. Sabe-se, por exemplo, que em 1661 a família do bandeirante Baltazar, conhecido também por ter “domesticado” muitos índios, já tinha residência fixa no vale do Rio Barigui juntamente com algumas outras famílias. Em 1668, quase duas décadas depois de Ébano Pereira ter anunciado a descoberta de ouro, a vila da futura capital do estado era formada praticamente por um agrupamento de casas em torno de uma capela. O inventário dos bens de Baltazar, também considerado um dos fundadores de Curitiba, está preservado quatro séculos depois de sua morte. O documento original de 1697 está cuidadosamente guardado no Arquivo Público do Paraná.
1951