O desembargador Agostinho Ermelino de Leão é
responsável por idealizar obras como o Museu Paranaense e o Teatro São
Teodoro (atual Teatro Guaíra). Ele nasceu e cresceu em Paranaguá e se
formou em Ciências Jurídicas e Sociais pela Academia de Direito de
Recife. Atuou como juiz de direito durante 22 anos ininterruptos nos
estados de Pernambuco, Rio Grande do Sul e Paraná. Sua boa atuação como
juiz garantiu sua indicação e nomeação ao cargo de desembargador. Ocupou
o cargo de vice-presidente da Província por curtos espaços de tempo nas
décadas de 1860 e 1870. Apoiou obras consideradas importantes para o
Paraná, como a linha telegráfica para a capital e a estrada de Cerro
Azul a Antonina, que ajudaria a impulsionar a construção da Estrada da
Graciosa.
A Gazeta do Povo errou ao informar que o desembargador Agostinho
Ermelino de Leão foi o responsável pela construção da Capela da Glória.
Foi Maria Dolores de Leão, filha dele, quem mandou construir próximo à
sua casa, em Curitiba, uma capela dedicada à Nossa Senhora da Glória.
Por causa dessa capela, inaugurada em 25 de novembro de 1896, a região
passou a ser chamada de Alto da Glória. Nela, durante muitos anos, foram
celebradas as novenas dedicadas à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Antonio Alves de Araújo, o comendador
Araújo, nasceu em Morretes, mas construiu sua carreira política em
Antonina. Estudou na Alemanha, onde obteve o diploma em Leis – o que,
atualmente, equivale ao curso de Direito. Araújo ocupou os cargos de
deputado e vice-presidente da Província. Comerciante e ervateiro,
recebeu ordens do governo provincial para fazer propaganda da erva-mate
paranaense pela Europa e Ásia, regiões que visitava com frequência.
Quando recebeu o título de comendador ele já estava pobre e quase no fim
da vida. Seu irmão, Manoel Alves de Araújo, recebeu o título de
conselheiro e dá nome à outra rua.
1913Atualmente:
A Rua
A
rua Comendador Araújo recebeu esse nome por ser o local onde o
comendador fixou residência quando se mudou para Curitiba. Antes, era
chamada de Mato Grosso e fazia parte de uma região de banhado, devido à
irrigação do rio Ivo. Essa condição gerou dificuldades nas primeiras
medidas de saneamento tomadas em Curitiba. Foram, então, colocadas
pinguelas por toda a região, que começou a ser habitada. Muitos donos de
engenho do litoral subiram a serra e se instalaram nas proximidades. Os
casarões de linguagem eclética que ainda podem ser vistos na localidade
são símbolos do desenvolvimento econômico da época.
Coube ao baiano Zacarias de Góes e
Vasconcelos a árdua tarefa de ser o primeiro presidente da Província do
Paraná, em 1853. Aos 38 anos, ele e sua esposa Carolina foram recebidos
com festa pela população. Apesar de ficar no cargo somente até maio de
1855, ele teve a dura tarefa de organizar os primeiros passos do Paraná.
Coube a ele a missão de encomendar os estudos para a construção de
estradas que ligassem Curitiba ao Litoral, determinando a construção da
Estrada da Graciosa, só concluída em 1873.
Zacarias criou também uma companhia policial e incentivou a edificação
de escolas primárias. Como Curitiba sequer tinha farmácia, Zacarias
autorizou José da Silva Murici, que era do Serviço Sanitário do
Exército, a fornecer medicamentos à população pobre da capital.
Advogado, ele também foi presidente das Províncias do Piauí e Sergipe,
deputado provincial, ministro, deputado-geral pela Bahia. Ainda ocupou
os cargos imperiais de Presidente do Conselho dos Ministros e da Câmara
dos Deputados, senador e conselheiro de Estado.
Antônio de Sá Camargo recebeu o título de
Visconde de Guarapuava após o episódio que dá nome a outra rua famosa em
Curitiba: a Voluntários da Pátria. O fazendeiro financiou, no Paraná, o
grupo de homens que se juntou ao exército brasileiro durante a Guerra
do Paraguai, em 1865. Esse era um ato comum entre os homens da elite.
Durante a guerra, eles cediam suprimentos, dinheiro e homens (seus
empregados e escravos) para combaterem pelo Brasil. Faziam isso
ambicionando títulos. O Visconde de Guarapuava chegou a hospedar D.
Pedro II em sua casa durante a passagem do imperador pelo Paraná, em
1880. Foi vice-presidente da Província do Paraná e coronel comandante
superior da Guarda Nacional, com a qual fundou o campo de Palmas de
Baixo (atual Clevelândia).
Ajudou na construção de obras como a Santa Casa de Misericórdia de
Curitiba e a reconstrução da Biblioteca Pública do Paraná.
Alfredo Maria Adriano D’Escragnolle Taunay,
o Visconde de Taunay, foi presidente da Província do Paraná de 1885 a
1886. Em Curitiba, ele é lembrado pela criação do Passeio Público. A
obra foi feita com dificuldade (dos 48 mil metros quadrados que o parque
ocuparia inicialmente, apenas 6 mil eram de terra firme, o resto era um
banhado) e às pressas. A cerimônia de inauguração, cheia de improvisos,
foi realizada um dia antes do Visconde de Taunay passar o governo para
Joaquim de Almeida Faria Sobrinho, que teve que arcar com despesas
futuras e corrigir defeitos da obra.
O Visconde de Taunay cresceu em um ambiente culto, influenciado pelo avô
e pelo pai, que estudavam arte e literatura. Durante a Guerra do
Paraguai, em 1865, acompanhou o corpo expedicionário do Mato Grosso e de
lá trouxe inspiração para obras como “Cenas de viagem” (1868), “A
Retirada da Laguna” (1871) e “Inocência” (1872). Ganhou visibilidade
como escritor e logo foi convidado a ingressar na política. Foi
entusiasta de medidas como casamento civil, a imigração, a libertação
gradual dos escravos e a naturalização automática de estrangeiros. No
Paraná, recuperou a estratégia de Lamenha Lins para atrair imigrantes.
A ideia do hospital da Santa Casa de
Misericórdia partiu do médico José Cândido da Silva Muricy. Foi o
‘doutor’ Muricy o responsável por bancar financeiramente quase toda a
obra. No entanto, ele não viveu para ver o prédio concluído. Morreu um
ano antes. Para não deixar o hospital inacabado, coube ao genro de
Muricy, que também era médico, Antonio Carlos Pires de Carvalho e
Albuquerque, assumir o projeto e bancar a finalização das obras. Embora o
prédio que abriga a Santa Casa atualmente ter sido inaugurado em 1880, o
pesquisador Carlos Ravazzan explica que a Irmandade da Santa Casa já
existia desde 9 de junho de 1852. Era uma entidade que atendia
primordialmente a população mais carente. A primeira sede foi edificada
em 1855, na Rua 13 de Maio. No local, onde atuava o doutor Muricy,
funcionou também uma espécie de pequeno hospital.
Além de médico e tenente-cirurgião, Muricy ocupou o cargo de deputado
provincial e foi um dos responsáveis pela fundação do Museu Paranaense.
Recebeu diversas homenagens e condecorações, como a Ordem da Rosa, Ordem
de Cristo e Ordem de São Bento de Aviz, no Brasil; a Ordem de Cristo,
de Portugal e a Ordem da Coroa da Alemanha.
Natural
de Santo Amaro (SP), Mateus Leme foi atraído pela descoberta de ouro
para a região curitibana e em 1661 também já possuía moradia fixa no
vale do Rio Barigui juntamente com algumas outras famílias. Foi
bandeirante e escravizou diversos índios nos sertões brasileiros.
Em 1668, a vila de Curitiba, ao contrário da vila de Paranaguá, criada
20 anos antes, não gozava de autoridade própria. A lei portuguesa exigia
um mínimo de 30 famílias para que uma localidade tivesse autoridades e
Câmara Municipal. Eram necessários, portanto, 30 “homens bons” –
denominação que se dava aos homens adultos, casados e proprietários de
bens e escravos.
Nesse mesmo ano, Mateus Leme foi nomeado capitão-povoador da futura vila
de Curitiba.
As origens de Curitiba se confundem com a
descoberta de ouro no litoral paranaense. Nessa história, um personagem
entra em cena: Eleodoro Ébano Pereira, que comunicou oficialmente a
descoberta de ouro na região às autoridades portuguesas por volta de
1650. Pereira era administrador de minas nos distritos do sul do Brasil e
o primeiro representante das autoridades governamentais que esteve no
local que atualmente integra Curitiba.
Até então, a região do primeiro planalto do estado era tomada por
garimpeiros vivendo em abrigos improvisados, cobertos por folhas, na
tentativa de faiscar ouro por essas bandas. Além deles, os
tupis-guaranis marcavam presença na localidade.
Apesar de ser um emissário do governo, Pereira não era propriamente um
povoador, mas foi ele que organizou, a partir de Paranaguá, uma
expedição em direção ao planalto curitibano em busca de ouro, o que, em
pouco tempo, estimulou a vinda de diversos faiscadores do metal
precioso.
Filho de portugueses, Pereira nasceu no Rio de Janeiro. Foi sertanista e
lutou ao lado do pai na expulsão dos franceses do Rio. Ele possuía o
título de general da Armada das Canoas de Guerra da Costa e Mar do Sul.
Com um ato de coragem, o capitão Floriano
Bento Vianna foi o primeiro homem a clamar pela separação da comarca de
Curitiba e Paranaguá da capitania de São Paulo. Era 15 de julho de 1821,
quando o povo e as autoridades estavam reunidos em uma praça pública de
Paranaguá diante do juiz Antonio Azevedo de Melo e Carvalho.
Repentinamente, Bento Vianna levantou-se em direção ao magistrado e
solicitou a nomeação imediata de um governo provisório separado da
capitania paulista.
Após o brado, que ficou conhecido pelos livros de história como conjura
separatista, Bento Vianna não teve sucesso e foi abandonado por demais
companheiros que queriam a emancipação do Paraná e que desistiram na
hora ‘H’. Solitário em sua proclamação, só escapou de severas punições
porque a Coroa Portuguesa reconhecia seu valor e sua lealdade à Corte. O
ato, porém, acendeu a vontade de separar Paraná da então província de
São Paulo.
Muitos povoadores começaram a se interessar
pela localidade motivados, sobretudo, pela exploração de ouro e também
para prear índios para servirem de escravos. Durante muito tempo esses
bandeirantes passavam sem deixar povoadores. Apenas um ou outro eram
atraídos – foi o que aconteceu com um dos primeiros “moradores” da
futura Curitiba, o bandeirante Baltazar Carrasco do Reis. Sabe-se, por
exemplo, que em 1661 a família do bandeirante Baltazar, conhecido também
por ter “domesticado” muitos índios, já tinha residência fixa no vale
do Rio Barigui juntamente com algumas outras famílias. Em 1668, quase
duas décadas depois de Ébano Pereira ter anunciado a descoberta de ouro,
a vila da futura capital do estado era formada praticamente por um
agrupamento de casas em torno de uma capela.
O inventário dos bens de Baltazar, também considerado um dos fundadores
de Curitiba, está preservado quatro séculos depois de sua morte. O
documento original de 1697 está cuidadosamente guardado no Arquivo
Público do Paraná.