segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Colorado

 

Colorado

Colorado
   Município do Brasil  
Símbolos
Bandeira de Colorado
Bandeira
Hino
Gentílicocolorados
Localização
Localização de Colorado no Paraná
Localização de Colorado no Paraná
Colorado está localizado em: Brasil
Colorado
Localização de Colorado no Brasil
Mapa de Colorado
Coordenadas22° 50' 16" S 51° 58' 22" O
PaísBrasil
Unidade federativaParaná
Municípios limítrofesItaguajéSanta InêsSanto InácioNossa Senhora das GraçasSanta FéLobatoParanacity e Paranapoema
Distância até a capital531 km
História
Fundação6 de novembro de 1954 (68 anos)
Administração
Prefeito(a)Marcos José Consalter de Mello[1] (DEM, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [2]412,233 km²
População total (estimativa IBGE/2017[3])23 941 hab.
Densidade58,1 hab./km²
Climasubtropical (Cfa)
Altitude380 m
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2000[4])0,782 — alto
PIB (IBGE/2008[5])R$ 288 264,379 mil
PIB per capita (IBGE/2008[5])R$ 13 266,34

Colorado é um município brasileiro do estado do Paraná. O município tem como padroeira Nossa Senhora Auxiliadora.

História

Colorado recebeu status de município pela estadual nº 253 de 26 de novembro de 1954, com território desmembrado de Jaguapitã.[6][7]

Geografia

Possui uma área é de 412,233 km² representando 0,2023 % do estado, 0,0716 % da região e 0,0047 % de todo o território brasileiro. Localiza-se a uma latitude 22°50'16" sul e a uma longitude 51°58'22" oeste. Sua população estimada em 2017 era de 23941[3] habitantes.

Demografia

Dados do Censo - 2007

População Total: 20.957

  • Urbana: 18.772
  • Rural: 2.185
  • Homens: 10.360
  • Mulheres: 10.597

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,719

  • IDH-M Renda: 0,627
  • IDH-M Longevidade: 0,716
  • IDH-M Educação: 0,813

Economia

Faz parte da AMUSEP - Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense. Tem como principais produtos agrosilvopastoris, a cana-de-açúcar, o leite e bovinos. A indústria dominante é química, produtos alimentares, courospeles e produtos similares.

O Aeroporto mais próximo é o de Maringá a 87 km.

Turismo

Testemunhos históricos podem ser encontrados no museu da cidade, que funciona numa antiga escola de madeira. O acervo constitui-se de objetos doados por pioneiros como telefones, máquinas de escrever, móveis, lampiõesroupas, objetos em geral. Há muitas fotos dos pioneiros, das construções da época e do cinema.

Igreja Matriz de Colorado também merece destaque, uma vez que compõe a praça central da cidade, que recebe o nome de praça Dom Bosco. Conforme relatam seus pioneiros, foi construída com o mesmo projeto da igreja de Catanduva, com planta trazida por um corretor, sendo que a única modificação teria sido a retirada da torre, pois o sino já estava fora de uso.

Colorado ficou conhecida por realizar anualmente uma das maiores festas de rodeios do Brasil, a Festa do Peão.

Esporte

Colorado possui um clube no Campeonato Paranaense de Futebol: o Colorado Atlético Clube. No passado jogou o Clube Atlético Colorado.

Referências

  1.  «Hoje, o prefeito Marcos Mello recebeu em meu gabinete as alunas do Colégio Estadual Monteiro Lobato». Site da Prefeitura de Colorado. 31 de agosto de 2017. Consultado em 31 de agosto de 2017
  2.  IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010
  3. ↑ Ir para:a b «Estimativa populacional 2017 IBGE». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 30 de agosto de 2017. Consultado em 1 de setembro de 2017
  4.  «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil»Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008
  5. ↑ Ir para:a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010
  6.  «Histórico»Prefeitura municipal de Colorado. 2008. Consultado em 27 de abril de 2013
  7.  «Colorado Paraná - PR Histórico» (PDF)IBGE. 14 de dezembro de 2010. Consultado em 27 de abril de 2013

Ligações externas

REBELIÃO ESCRAVA EM ANTONINA!

 

REBELIÃO ESCRAVA EM ANTONINA!



batuque na cozinha, Sinhá não qué!
Em 15 de janeiro de 1859, o suplente de delegado Joaquim Leite Mendes estava desesperado com as notícias que estava recebendo. Com o olhar preocupado, tirou o chapéu e deu uma olhada pela janela. Lá fora, um semelhante dum calor, ele via os urubus pousados no telhado de asas abertas, depois da chuva que recém caíra e esperando a chuva que ia cair mais tarde. O morro do Feiticeiro estava semi-encoberto por uma nuvem fina. O ar estava abafado, mormacento.
Leite Mendes preocupava-se, pois o delegado Alves d’Araújo estava em viagem para a Vila do Príncipe [hoje Castro]. Que fazer? Depois de raciocinar olhando os telhados pela janela, tomou sua decisão. Pegou uma folha de papel, a pena e a tinta, sentou-se à mesa e, com sua fina caligrafia, começou a redigir um ofício endereçado ao governador da província, Francisco Liberato de Matos: “ontem estava este Município de Antonina  exposto a uma próxima sublevação de escravos sob protesto de sua liberdade geral que lhes foi conferida mas que foi negada por pessoa suspeita da cidade”.
Sim, a cidade de Antonina estava na iminência de uma sublevação de escravos! Como se daria isso? Leite Mendes tomou da pena e voltou a escrever: “servindo-se eles de dois grandes bailes denominados congadas que há muito tempo fazem todas as noites nesta cidade a pretexto de ensaio para sua festa de São Benedito”, explicou ele ao governador em sua caligrafia redonda. O tal do levante “terá lugar segundo consta no dia 20 deste mês, para por esse meio de reunião transmitiram essa notícia a escravatura dos sítios e consequentemente preparavam-se para o fim do sinistro plano”, explicou Leite Mendes.
Era o meio da tarde. Mas que fazer? A carta tinha que ir á Curitiba ainda aquele dia. Leite Mendes procurou um dos tropeiros de sua confiança, que estava com os cavalos amarrados ali no campo, perto da matriz. Sim, o tropeiro garantiu, um deles iria a Curitiba dentro de pouco tempo. Ia dormir em algum lugar da serra, mas antes do meio dia estaria chegando a Curitiba. Leite Mendes entregou-lhe a carta endereçada ao Governador e voltou pra casa, mais aliviado. Tinha cumprido sua missão.
Durante os dias que se seguiram, Curitiba e o litoral viveram momentos de angustia. As autoridades estavam simplesmente apavoradas com a possibilidade de um levante escravo em Antonina. Cartas foram endereçadas para Morretes e Paranaguá, prevenindo os senhores de escravos antes que a fagulha da revolta se espalhasse. O medo tomou conta das casas, e nem as tempestades de verão no final do dia davam algum alento aos patrões.
O governador mandou reforço policial para Antonina, enviando o Capitão Manoel Eufrásio de Assumpção e mais quatro soldados. Estes deveriam arregimentar os soldados disponíveis em Porto de Cima e Morretes. Assim reforçados, a brava tropa policial entraria em poucos dias numa Antonina em polvorosa, assustada com a possibilidade de um levante de escravos.
O próprio delegado Alves d´Araújo, no dia 19 de janeiro, quando retornou de sua viagem foi, ele mesmo, interpelado por alguns pretos mais desaforados. Estes exigiam que ele lhes desse a liberdade a que eles, os pretos, já tinham direito. Alves d´Araújo, é claro, não sabia de nenhuma alforria. “Mas tem sim”, disseram-lhe os pretos. Segundo os escravos, havia uma ordem de libertação geral direta da Coroa, e ele, Alves d`Araújo, estava, por interesses escusos e perversos, negando a eles conhecer a verdade. Havia, inclusive, um navio inglês chegando ao porto para protegê-los e fazer os senhores aplicar a lei.
Como diríamos hoje: que surrealista! Como diriam os antigos, que maçada!! Haverá então uma revolta escrava em Antonina? O que acontecerá?

(postado originalmente em janeiro de 2013)

REBELIÃO ESCRAVA EM ANTONINA (FINAL)

 

REBELIÃO ESCRAVA EM ANTONINA (FINAL)



Estava tudo uma balbúrdia: os escravos em Antonina tentavam uma rebelião!
  O delegado Alves D´Araújo estava preocupado. O suplente de delegado, em sua ausência, havia escrito ao govenador solicitando uma atitude. Essa atitude, bastante rápida aliás, havia sido o deslocamento de tropas de Curitiba para Antonina, assim como colocar o efetivo da Guarda Nacional de Antonina e de Morretes em alerta. E assim foi feito. Em janeiro de 1859 Antonina parecia uma praça de guerra.
Os soldados acampavam no campo da Matriz, e os cavalos ficavam por ali, pastando em meio as vacas. Uns e outros assavam ali uma carne bovina num fogo de chão. Outros soldados, com conhecidos no lugar, tiravam uma sesta e comiam uma sopinha quente dentro das casas. Outros tantos soldados ficavam, com seus cavalos e utensílios, acampados nos matos da entrada da cidade, próximo as ruinas da igreja do Saivá, em meio as vacas e as ruinas dos engenhos de mate semidestruídos.
Os escravos, ressabiados, haviam se recolhido, e cochichavam as escondidas. Uns diziam que o próprio Imperador havia libertado os escravos. Outros diziam, como haviam dito uns dias antes ao próprio delegado, que um navio inglês estaria no porto para assegurar a liberdade dos cativos. A esperança, assim como a ansiedade, era grande.
No entanto, nada aconteceu. Não veio navio inglês, e o Imperador tirava seus cochilos em Petrópolis e nem sabia dos pobres escravos de Antonina, que teriam que se virar à sua própria sorte. Como, aliás, sempre tinham feito.
Ao final do mês, já mais tranquilo, o delegado Alves D´Araújo emitiu um ofício onde deu por encerradas as preocupações dos donos de escravos do lugar, e as tropas voltaram a seus cantos de origem.
Não havia sido a primeira vez que a população branca da cidade havia se assustado com uma rebelião negra. Cerca de trinta anos antes, os escravos do industrial José Luiz Gomes, dono de um Estaleiro e de plantações de cana no Pinheirinho, haviam se revoltado, matado o seu patrão e fugido, segundo alguns levando moedas de ouro e cobre, para a costeira de Guaraqueçaba, onde foram caçados e mortos. Seus corpos foram estraçalhados e exibidos para “exemplo” em postes pelas estradas do município.
Nesta nova rebelião, entretanto, haviam alguns elementos novos: desde 1850 o tráfico negreiro havia sido extinto, boa parte por pressão das canhoneiras inglesas. Não era a toa que os escravos se referissem a um navio inglês. Havia uma certa esperança, entre os escravos, de breve libertação que, afinal, se mostrou “lenta, gradual e segura”, como só a elite brasileira consegue realizar.
No entanto, para os escravos restou somente a negociação de sua liberdade, num processo lento e demorado. Teriam que “comprar” sua alforria, caso por caso. Muitas vezes pediriam a alforria em processos judiciais contra um judiciário tendencioso, como o daquela época (!?). Teriam que procurar proteção nas irmandades religiosas, como a irmandade de São Benedito.
Finalmente, teriam que negociar a liberdade dos recém-nascidos com a lei do ventre livre (1871) e a dos idosos com a lei dos sexagenários em 1885, quase as vésperas da abolição. A abolição em Antonina foi tardia. No 13 de maio ainda haviam muitos escravos que foram “libertados” por seus senhores, como se já não houvessem sido pela lei Aurea.
Sem contar que não foi dada, como já na época se exigiam os movimentos abolicionistas, de alguma “reparação” aos escravos libertados. Esta reparação seria necessária, argumentavam estes grupos, para que os agora ex-escravos pudessem entrar de maneira digna no novo mercado de trabalho que então se formava no país. Nada foi feito, como se sabe.
Quem se maravilha com as centenárias construções da bela Antonina tem a real noção de que estas belezas foram construídas com trabalho escravo?
Quem hoje passa pela Igreja de São Benedito, ou ouve uma escola de samba antoninense poderia imaginar quanta dor e sofrimento andaram por estas ruas?


PS – a história é verídica: Para saber sobre a Revolta Escrava em Antonina e os documentos citados basta consultar o trabalho da historiadora Sílvia Correa de Freitas (http://revistas.ufpr.br/vernaculo/article/viewFile/18073/11777_);

O LADRÃO DE ANTONINA

 

O LADRÃO DE ANTONINA



Pobre país! A corrupção alimenta a vaidade, para dar vida ao patriotismo!” – é a legenda da charge de Ângelo Agostini, publicada em “O Cabrião”, 1867 (copiei daqui).
Hoje vivemos tempos muito turbulentos. Em nome do combate a corrupção, diversas ações têm sido realizadas. Recentemente, na nossa bela Deitada-a-beira-do-mar, tivemos uma prisão importante, de uma pessoa bastante poderosa. Por outro lado, inúmeras prisões são realizadas num espetáculo de mídia, como se o mais importante fosse a encenação e não o principal. Quando a pessoa presa é liberada, por problemas da acusação, seja por insuficiência na acusação, seja por falta de provas, a grita é enorme.
Não é possível condenar por convicção, como já dissemos. Por outro lado, em outros processos provas arrasadoras são mostradas e não provocam nem ação de polícia nem indignação das pessoas. Estes são os tristes tempos em que vivemos. Como era, no passado, o combate à corrupção? Como casos de roubo do bem público eram tratados no Paraná e em Antonina no passado?
Esta é a história de Luiz Tibireçá da Silva Dória, que foi nomeado em 21 de abril de 1854 como coletor interino das rendas provinciais da Villa de Antonina (ver aqui). Era um cargo importante: Luiz Tibireçá deveria recolher os impostos devidos e, no momento certo, fazer também os pagamentos aos funcionários públicos e demais despesas do governo.
Trata-se de um cargo vital para a arrecadação de impostos do governo. O tal do coletor, por isso mesmo, é uma pessoa importante socialmente nas cidades onde havia a tal da coletoria, e assim o foi durante muito tempo. Era ele que literalmente coletava os impostos e fazia os devidos pagamentos do governo. Pra se ter uma ideia, no Paraná, os pagamentos e o recebimento de impostos só foram separados, da maneira como temos hoje, no início dos anos 1960, no governo Ney Braga.
Não sabemos, em função dos poucos documentos que temos, quem era Luiz Tibireçá, onde nasceu ou qual era sua família. Entretanto, parece, pelos seus atos subsequentes tratar-se de uma pessoa de uma família bem situada socialmente, tanto é que foi nomeado coletor. Na época de sua nomeação, Luiz Tibireçá devia ser bem jovem e inconsequente, como mostraram seus atos. Era o início das atividades da nova província do Paraná.
Pouco antes, em dezembro de 1853, a antiga 5ª Comarca de São Paulo desmembrava-se e surgia a Província do Paraná. Quando o Baiano Zacarias de Gois e Vasconcellos, destacada figura da política imperial, subiu a serra para instalar Curitiba como capital da nova província, tudo estava sendo iniciado. O Conselheiro Zacarias demorou-se ali por pouco tempo, onde organizou minimamente os cargos e funções da nova província. Construir estradas, arrumar os portos, fazer as instituições funcionarem, foi esta sua tarefa. Assim, numa de suas penadas, Luiz Tibireçá foi nomeado coletor e também o agente dos correios na graciosa Villa de Antonina (ver aqui).
Num comunicado de janeiro de 1855, sabemos que ele era também o agente interino dos correios. O engenheiro Villalva, que iniciava os trabalhos de calçamento da Estrada da Graciosa, foi incumbido de entregar a Luiz Tibireçá duas mulas e uma cangalha, para transporte do correio entre Curitiba e Antonina (ver aqui).
Foi quando tudo entornou. A demissão de Luiz Tibireçá ocorreu em 29 de abril de 1855, pouco mais de um ano após sua nomeação (aqui). Pouco antes disso, nosso jovem coletor havia se apropriado de tudo o que tinha conseguido arrecadar dos impostos devidos a província e, como se dizia naquela época, tinha-se escafedido. Arre, que biltre!
Em matéria no jornal “O Dezenove de Dezembro” de 25 de abril de 1855, consta que Luiz Tibireçá, de posse dos impostos surrupiados da coletoria provincial, estava fugindo para o Rio da Prata (aqui). Era o caminho natural dos que faziam malfeitos, principalmente os pecuniários. Nos jornais e nas conversas, todos o davam como vivendo bem e feliz, seja em Montevidéu, seja em Buenos Aires.   À tripa forra, como se dizia na época.
No entanto, nosso meliante não havia ido assim tão longe. Dedicado a gastar o dinheiro em tão má hora adquirido, pôs-se a gastar em farras e divertimentos bem próximo de Antonina. Mais precisamente na Villa de Desterro, Capital da província de Santa Catarina.
E foi ali, na Ilha da Magia, que Luiz Tibireçá foi finalmente preso. Conduzido preso a Paranaguá e posteriormente à Curitiba, o sacripantas foi devidamente inquirido pelo doutor delegado sobre o dinheiro que havia se apropriado. Qual não foi a surpresa do nobre policial ao verificar que Luiz Tibireçá havia gasto “em dissipações, jogos, passeios e divertimentos” tudo o que havia roubado em Antonina (ver aqui). Nada, nem um mísero mil-réis havia sobrado! Ali mesmo Luiz Tibireçá foi incurso em diversos itens do código criminal, e remetido a julgamento em Paranaguá.
Para os que acreditam ser a justiça brasileira desde sempre muito morosa, aqui vai um espanto: seis meses depois, em 4 de janeiro de 1856 já estava concluído o processo de Luiz Tibireçá. Não conseguimos saber qual foi sua pena, em face dos documentos analisados. Sabemos, entretanto, que o larápio passou seus dias de apenado na cadeia de Paranaguá. Ali, em fevereiro de 1858, Luiz Tibiriçá faz um pedido para que sua mulher, Adelaide Ferreira da Silva Doria, pudesse permanecer com ele na cadeia. O pedido foi indeferido (ver aqui).  
Entretanto, nem tudo são espinhos na vida de nosso ex-coletor. Em fevereiro de 1863, ou seja, cerca de cinco anos depois, ele está vivendo muito provavelmente na bela Ponta Grossa, a Princesa dos Campos. Neste período, sabemos pelos jornais que Luiz Tibireçá é o 1º secretário da prestigiosa “Sociedade Patriótica Defensora da Nação” (ver aqui).  Nesta Sociedade, com outros cidadãos ilustres, ele assina um manifesto contra agentes britânicos, que faziam “represálias injustas” contra navios brasileiros ao longo de nossa costa. Logo ele!
Sabemos que fez sua carreira como advogado. Numa de suas lutas no tribunal, em janeiro de 1864, Luiz Tibireçá perdeu um caso. Como membro do Ministério Público de Ponta Grossa, ele não conseguiu a condenação de Maria Cecilia, acusada de furto (ver aqui). No entanto isto pouco valia. Tanto a defesa quanto a acusação fizeram, segundo a notícia do jornal, um debate que beirou o “sublime”.  Já em março de 1865, quando os bravos Voluntários da Pátria passam por Ponta Grossa indo juntar-se aos que já lutavam contra Solano Lopez, Luiz Tibireçá é um dos inflamados oradores (ver aqui). Em 1867, o escrivão Joaquim José de Camargo passa um certidão de bons antecedentes a nosso bom Luiz Tibireçá (ver aqui).
Nada mais sabemos deste interessante personagem. Vemos entretanto que ele conseguiu dar a volta por cima e ser um cidadão de bem e querido na nova comunidade que adotou. No entanto, parece importante reparar na pena relativamente branda para um homem branco e rico. E se ele fosse preto e pobre? Quanto tempo ficaria preso? Poderia pedir para que sua esposa ficasse com ele na cadeia?
A história de Luiz Tibireçá nos mostra, por outro lado, que pouco mudamos neste país. Continuamos a prender os pobres e a soltar os ricos. Nosso contingente de presidiários fala por si. Mesmo quando lidamos com causas como a corrupção política, pouco muda. Um presidente operário vale menos que um presidente advogado, mesmo que as provas contra um sejam duvidosas e contra o outro sejam materiais e comprovadas.
Luiz Tibireçá errou de século. Hoje, quem sabe, ele não pegaria uma prisão domiciliar? Ou nem isso?

***— Rua Eduardo Sprada no Campo Comprido, ná década de 60/70 — ***

 ***— Rua Eduardo Sprada no Campo Comprido, ná década de 60/70 — ***

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