quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Lupionópolis

 

Lupionópolis


Lupionópolis
  Município do Brasil  
Símbolos
Bandeira de Lupionópolis
Bandeira
Brasão de armas de Lupionópolis
Brasão de armas
Hino
LemaTrabalho e justiça
Gentílico lupionópolense
Localização
Localização de Lupionópolis no Paraná
Localização de Lupionópolis no Paraná
Lupionópolis está localizado em: Brasil
Lupionópolis
Localização de Lupionópolis no Brasil
Mapa de Lupionópolis
Coordenadas22° 45' 18" S 51° 39' 25" O
PaísBrasil
Unidade federativaParaná
Região metropolitanaLondrina
Municípios limítrofesNorte: estado de São Paulo; Sul: Cafeara; Oeste: Santo Inácio; Leste: Centenário do Sul
Distância até a capital475[1] km
História
Fundação27 de janeiro de 1951 (71 anos)
Administração
Prefeito(a)Antônio Peloso Filho[2] (PSL, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [3]121,067 km²
População total (Censo IBGE/2010[4])4 592 hab.
Densidade37,9 hab./km²
ClimaSubTropical (Cfa)
Altitude350 m
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2000 [5])0,723 — alto
PIB (IBGE/2008[6])R$ 48 172,746 mil
PIB per capita (IBGE/2008[6])R$ 10 655,33

Lupionópolis é um município brasileiro do estado do Paraná. Sua população, conforme dados do IBGE de 2010, era de 4.592 habitantes.

História

Lupionópolis tem como marco inicial de sua história a cessão de uma gleba de terras requeridas pela Empresa Imobiliária “ANIS ABBUDI & CIA LTDA”, a qual imediatamente mediu e demarcaram a área em lotes e sítios, formando assim o patrimônio de um plano preestabelecido de colonização e povoamento.

No dia 27 de janeiro de 1951, através da Lei Estadual n° 613 foi criado o município de Lupionópolis, cujo nome de origem em homenagem ao então Governador do Estado do Paraná, Moysés Lupion. A 14 de dezembro de 1952, procedeu à instalação oficial do município, sendo o primeiro prefeito municipal Ibraim Abbud Neto, bem como empossados os demais membros da Câmara de Vereadores.

As vendas de terras teve um planejamento onde os sítios, assim como a zona urbana, foram limitados, loteados e vendidos, seguindo-se o padrão de colonização inglesa que se estabelecera no Norte do Paraná, nas décadas precedentes. A população de Lupionópolis cresceu rapidamente, havendo dedicação às atividades agrícolas, principalmente a cultura do café que favoreceu o desenvolvimento municipal.

Etnias

A população é composta por descendentes de italianos, espanhóis, portugueses, libaneses e japoneses, mineiros e nordestinos, assim como paulistas, vindos da região da Alta Sorocabana.

Economia

A erradicação dos cafezais, somada a outros fatores, contribuiu, e muito, para que os produtores deixassem a zona rural, nos períodos da década de 1970-1980. Outros fatores, como a mecanização da agricultura e a modificação fundiária (tamanho dos sítios e fazendas) fez com que a população rural de 6.409 habitantes (censo 1960) para 767 (censo 2000).

Também na zona urbana ocorreram transformações, principalmente nas relações comerciais, afinal o pequeno centro urbano, que servia como provedor dos gêneros de consumo básicos das populações rurais, viu sua população aumentar de 2073 (censo 1960) para 3554 habitantes (censo 2000).

A agrícolas local gira em torno do cultivo de produtos hortigranjeiros para consumo familiar e local e as commodities (soja, milho e eventualmente, trigo) dominam a paisagem rural do município.

Festas

Algumas eventos agitam a cidade durante o ano, como a "Festa do Padroeiro" (Cristo Rei), a "Festa de Nossa Senhora Aparecida" (Festa Mariana, em maio), "Festa Juninas". A maior festa acontece na segunda semana de março, a Festa do Peão Boiadeiro (LUPEÃO), aos moldes dos rodeios norte americanos, assim como acontece em quase toda a região Norte do Paraná.

Clima

Por causa da sua baixa altitude, predomina-se um clima subtropical, onde os verões são quentes e os invernos frios, raramente enfrentando geadas. No inverno de 1975 a cidade também enfrentou a "Geada Negra", que na madrugada de 19 de julho de 1975, toda a região Norte do Estado enfrentou temperaturas abaixo de 0°C e estima-se que em Lupionópolis os termômetros marcaram -4,5°C.

Geografia

Distritos

O município tem o distrito de Mairá.

Referências

  1.  «Distâncias entre a cidade de Curitiba e todas as cidades do interior paranaense». EmSampa. Consultado em 22 de setembro de 2017
  2.  «Candidatos a vereador Lupionópolis-PR». Estadão. Consultado em 16 de julho de 2021
  3.  IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 dez. 2010
  4.  «Censo Populacional 2010»Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010
  5.  «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil»Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008
  6. ↑ Ir para:a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 dez. 2010

Ligações externas

Família Berno, posam para a foto em frente a Casa da Chácara no Bairro Parolin, hoje é nas proximidades do Carrefour Parolin. Foto da década de 1940.

 Família Berno, posam para a foto em frente a Casa da Chácara no Bairro Parolin, hoje é nas proximidades do Carrefour Parolin.
Foto da década de 1940.


Pode ser uma imagem de 5 pessoas, pessoas em pé e ao ar livre

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

CASA DO BURRO BRABO

 

CASA DO BURRO BRABO

Foto do Ministério Público do Estado do Paraná



A volta do Burro Brabo

Publicado na Gazeta do Povo em 11/09/2010

O Burro Brabo está em pé outra vez. Aos desavisados, não se trata de um animal, mas de uma residência que em 1992 foi tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual do Paraná. Era para ser restaurada logo em seguida, quando ainda tinha as paredes, mas o reconhecimento histórico criou desentendimentos porque os proprietários do local não queriam restaurá-la. Uma ação civil pública (que durou 11 anos), movida pelo Ministério Público do Paraná, garantiu que a madeira e o barro do pau a pique não virassem pó. No último dia 26 de agosto a vistoria comprovou que o antigo casarão, um dos últimos exemplares da arquitetura rural de Curitiba, está novamente dando ares de sua graça na Rua Erasto Gaertner, n.º 2.035. Ela chegou a virar ruínas no final da década de 1990 em diante e mocó para drogados. Hoje está para alugar, infelizmente, ainda sem chances de virar um museu e ficar aberta para visitação.

Há muitas dúvidas sobre a história do casarão de cerca de dez cômodos e uma varanda de dar inveja. Acredita-se que ela foi construída por volta de 1860, no tempo em que o bairro Bacacheri era mais conhecido como Colônia Argelina – local de 118 imigrantes de 39 famílias francesas. Na lenda popular, o nome Burro Brabo pegou quando ali ficavam os burros que andavam pela antiga Estrada da Graciosa, a qual margeava a casa e era destino de viajantes tropeiros da cidade ao litoral. Os animais que paravam aos montes na frente do imóvel, porque ali era pousada e armazém, eram tão ariscos que ninguém conseguia chegar perto. Não deu outra: a casa levou o apelido. Há quem diga ainda que dom Pedro II, durante suas andanças por aqui, chegou a pernoitar no local.

De Burro Brabo, anos depois, o imóvel recebeu outro nome mais sofisticado, “Casa das Francesas”, porque de secos e molhados passou a ser lugar de damas de companhia dos homens e entre elas estavam algumas francesas. A casa é tida ainda como o primeiro bordel de Curitiba, onde homens levavam discretamente suas companheiras para um drinque e um pouco de amor. O jornalista Aramis Millarch escreveu, em 1989, que no interior da residência existiam salas individuais onde os casais ficavam em completa tranqüilidade. “O garçom, de elegante smoking, só incomodava se os amantes quisessem mais alguma bebida. Não havia propriamente camas nas pequenas salas, mas poltronas que ofereciam um certo conforto.”

A fama da casa chegou também aos ouvidos do vampiro de Curitiba. Quem diria, Dalton Trevisan se inspirou no Burro Brabo em alguns de seus contos, entre eles Em busca da Curitiba Perdida. “Curitiba, aquela do Burro Brabo, um cidadão misterioso morreu nos braços da Rosicler, quem foi? quem não foi?”. Resta a dúvida, afinal não se sabe a quem pertenceu a casa, quantos anos foi cabaré e quem de fato a freqüentou.

Link para o artigo de Aramis Millarch: www.millarch.org/artigo/burro-brabo-o-avo-dos-nossos-moteis

BAR CANA BENTA

 

BAR CANA BENTA





Boteco/restaurante, que assim como o pioneiro Beto Batata, mudou o perfil noturno do Alto da XV, o Cana Benta representa hoje uma da melhores opções para um grande Happy Hour em Curitiba. Recomenda-se chegar cedo pois fica complicado conseguir uma mesa e as filas são inevitáveis.
Parceiro da Cantina do Délio e da Confeitaria Bella Banoffi, o Cana Benta tem como inspiração os armazéns que faziam parte da história de Curitiba e que hoje são muito raros (conheço dois que espero registrar num futuro próximo), assim, a casa e a decoração remete a essa época. O cardápio procura ser simples, mas com muito capricho na qualidade. Lá você pode almoçar, tendo sempre os pratos do dia que lembram comida mineira ou da fazenda ou da vó, sei lá, pratos como Feijão Tropeiro, Costelinha de Porco, Galinha Caipira, Porco no Tacho (dentre outros).
No Happy Hour, além das bebidas tradicionais de qualquer bar, você encontrará cachaças famosas como a Anísio Santiago (conhecida antigamente como Havana) e petiscos pouco comuns como Rã, Moela, Caldo de Mocotó e Dobradinha, e também, os "beliscos" como a Carne de Onça, Rollmops, Bolovo e Torresmo.
Para a ficha completa do Cana Benta, visite o site www.canabenta.com.br e se não conhece, vá no almoço, na janta, no Happy Hour ou no sábado (a feijoada deles é danada de boa!!).

CASA GOMM

 

CASA GOMM




Em 1906, após se casar com Isabel Withers, Harry Gomm compra na região do Batel um terreno de  20.000m². No mesmo ano, contrata a Brazilin Lumber Company, com serraria em Três Barras, que projeta e constrói para a família Gomm uma residência seguindo a tendência arquitetônica das construções existentes na região da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos. A “Casa do Batel”, como é conhecida, é toda construída em pinho Araucária, com paredes duplas, sendo a maior casa de madeira de que se tem conhecimento na cidade de Curitiba. Em dezembro de 1946, um incêndio destruiu parte da residência que foi imediatamente restaurada, respeitando o projeto arquitetônico original. Nas décadas de 50 e 60, a “Casa do Batel” viveu seu apogeu transformando-se em sede da Embaixada Inglesa local e sendo palco de recepções e festas.

Hoje tombada pela Coordenadoria do Patrimonio Cultural e propriedade do Governo do Estado, até muito recentemente, a Casa Gomm era utilizada como uma das sedes da EMBAP (Escola de Música e Belas Artes do Paraná). No momento porém, encontra-se fechada para, segundo fui informado, uma grande reforma que a transformará num museu.

Como as fotos que fiz mostram apenas parcialmente essa impressionante casa (fotografei como pude por cima do muro e através de uma grade), vou tentar tão logo seja possível, uma autorização para visitar o local e fazer todas as fotos que gostaria e possivelmente, postar aqui na série Casas de Madeira de Curitiba.

A Casa Gomm fica na Avenida do Batel, 1829 (as fotos fiz a partir da Bruno Filgueira, quase esquina com a Carmelo Rangel).

CLUBE CONCÓRDIA

 

CLUBE CONCÓRDIA


O texto à seguir foi obtido integralmente do site do Clube Concórdia (http://www.clubeconcordiacuritiba.com.br/index.php?modulo=3). O texto conta um pouco da história desse clube e da imigração alemã para Curitiba. Interessante e triste o período vivido pelos imigrantes alemães durante a segunda grande guerra.
Na fachada do clube está gravada a frase "Deutscher Sängerbund" que no google traduz-se como algo próximo a Associação Coral Alemão.

O gosto pelas artes, especialmente música, foi uma característica que os imigrantes germânicos trouxeram e mantiveram. Exatamente com este espírito é que fundaram em 4 de abril de 1869 o Gesangverein Germânia estabelecendo como objetivos a musica, a cultura, o divertimento e uma caixa de socorro a sócios indigentes e enfermos. Somente após 1915, foram admitidos sócios que não dominavam o idioma alemão.
Antes de 1926, mais de 50 entidades foram criadas em Curitiba, muitas destas sociedades se fundiram e outras foram extintas durante o Estado Novo e Segunda Guerra (1937-1945). O Clube Concórdia é resultado de diversas fusões, a primeira delas em 1884 com o Gesangverein Concórdia adotando então o nome de Verein Deutcher Saegerbund. Logo a seguir, em 1885 houve uma nova fusão, desta vez com o Gesangverein Frohsinn e, em 1887, outra com o Deutcher Turverein – primeira sociedade de ginástica de Curitiba. Muito mais tarde, em 1970 houve a fusão com a Sociedade de Tiro ao Alvo de Curitiba, fundada em 1º de março de 1886, também por imigrantes alemães.
O primeiro ponto de reunião foi o “Palácio de Crystal”, parte superior da ferraria de Augusto Schutze na Rua Lustoza ( atual Inácio Lustoza ). Em 1884, o Clube alugou uma propriedade do Sr. Josef Wolf, no Alto de São Francisco e logo em 1885 passou para uma propriedade maior, da Família Osternack e neste mesmo ano adquiriu o terreno da atual sede. Já no ano seguinte, lançou a pedra fundamental do predio que ocupa até hoje na Rua Carlos Cavalcanti. Estas instalações foram ampliadas no inicio dos anos 20, adquirindo a estrutura que vemos atualmente. O Clube recebeu luz elétrica em 1901.

O Regime do Estado Novo decretou mudança na estrutura das sociedades com denominação estrangeira e, em 1938, o Verein Deutcher Saegerbund passou a se chamar Club Concórdia. Por ordem do Governo Brasileiro foram afastados da direção os sócios “não brasileiros”, substituídos por uma junta governativa.
Em 1942 foram proibidas as reuniões sociais de entidades italianas e germânicas. O prédio do Clube Concórdia foi chamado de “Casa Olavo Bilac” e entregue Cruz Vermelha, posteriormente abrigou também a Liga de Defesa Nacional e, mais tarde ainda foi entregue ao Clube Atlético Paranaense. O Clube foi devolvido aos associados somente em final de 1945, por um decreto do Interventor Manoel Ribas. Grande parte da documentação e registros foi extraviada neste período.
O Clube, fundado inicialmente como clube de cantores, foi palco de grandes concertos, como os regidos pelo Maestro Ludovico Seyer, apresentações de peças teatrais e cinema, graças a excelente acústica de seu salão. Aconteceram também memoráveis reuniões sociais, bailes, salões de arte, como o Salão da Primavera. Destaca-se que em 1893 criou-se uma seção de ginástica para moças.
A primeira Festa da Cerveja do Brasil aconteceu em 1961, no Clube Concórdia, lançando uma idéia que se espalhou pelo País, Para este evento foi criado um Grupo Folclórico Germânico resgatando mais uma parte da cultura dos imigrantes fundadores. Este grupo esteve sempre atuante e assim permanecerá.
Outra festa tradicional, sempre presente no Calendário do Clube é a Festa da Matança ( Schlachtfest ), atualmente com uma denominação : Festa da Colheita ( Bauernball).

CASAS DO BATEL: FAMÍLIA REBELLO

 

CASAS DO BATEL: FAMÍLIA REBELLO





Residência desenhada e arquitetada pela proprietária Rosa e construída entre 1937 e 1939 pelo engenheiro Parolin. Seu estilo é influenciado pelas arquiteturas italiana e árabe. Em 1940, foi adquirida pelo Dr. Joaquim Pinto Rebello, um dos fundadores da Universidade do Paraná e membro da expedição Rondon. O branco é a sua cor original. Sua fachada possui entalhes de águias, um símbolo do fascismo durante a 2a. Guerra Mundial. Possui um dos jardins mais bem cuidados da cidade. Fica na Avenida Bispo Dom José, 2349.

DIDI CAILLET

 

DIDI CAILLET






Estou lendo (quase terminando) um livro fantástico intitulado "Uma Crônica - Curitiba e sua história" do jornalista Eddy Antonio Franciosi (1930-1990), publicado pela Editora Esplendor. Nesse livro você acompanhará a história de Curitiba desde o Alvorecer até os dias recentes. Nesse livro, que o autor em vários momentos diz não tratar-se de um livro de história, mas uma crônica, um bom trecho é dedicado à Didi Caillet. Nesse ponto o autor assim relata a façanha de Didi Caillet:

"Façanha foi a de Didi Caillet, que em 1929 concorreu no Rio de Janeiro ao título de miss Brasil e... quase venceu! Perdeu para a carioca Olga Bergamini. Para justificar sua derrota foi utilizado o mesmo argumento com o qual os americanos explicaram a desclassificação de Marta Rocha... duas polegadas. Só que as de Marta eram "a mais" nos quadris, e as de Didi "a menos" na altura...
Mas nem po isso foi ela menos homenageada, fotografada, louvada, paparicada. Cantada em prosa e verso pelos poetas da terra, que se esmeraram no achado das melhores rimas. Moça de estirpe, recatada, de família tradicional, integrante do Grêmio das Violetas, quando desembarcou na estação da estrada de ferro a quase vencedora quase foi sufocada pela chuva de rosas, cravos, margaridas e, naturalmente, violetas, a flor preferida dessa fina flor da melhor sociedade curitibana.
Havia faixas na ruas e nas sacadas e janelas dos edifícios, estas disputadas pelas pessoas que se comprimiam e acotovelavam ao longo das calçadas para conseguir melhor ângulo de visão...
...jogou beijos e retribuiu acenos desde a Estação até a rua XV devidamente acomodada entre almofadas num elegante carro aberto seguido de um cortejo calculado em 30 mil pessoas!"

E por aí segue o relato dessa que foi a maior manifestação pública em Curitiba por muito tempo.

Na Gazeta do Povo de 26/04/2009, no caderno Viver Bem o perfil "Didi Caillet, a melindrosa do Paraná", assinado por Adriana Czelusniak, relata que:

"Enquanto a maioria das meninas da cidade sonhava em conseguir um bom marido e lindos filhos, na Curitiba de 80 anos atrás, uma jovem de 19 anos largou o noivo e foi para o Rio de Janeiro, como a primeira paranaense a disputar o concurso de Miss Brasil. Voltou solteira, mas foi recepcionada na estação ferroviária com festa, banda e mais de 30 mil pessoas. Em uma movimentação que acabou virando um filme.
Quando perguntamos o que Didi tinha de tão especial, as respostas de quem a conheceu parecem não ter fim. Ela era bonita, culta e fazia parte da elite curitibana. Filha de uma italiana com um francês, era a mais bonita entre as três irmãs, falava vários idiomas e tinha um carisma incomum. Didi foi a primeira mulher a gravar um disco de poesia no Brasil e não se tem registro de quantas músicas foram compostas em sua homenagem.
Quando o Rio de Janeiro ainda era a capital do país, ela ajudou o Paraná a ser reconhecido como um estado emergente, conta o psicanalista Paulo Soares Koehler, pesquisador da história da Miss Paraná. “Ela promoveu a imagem do estado, que era considerado um sítio, uma extensão de São Paulo”, diz. Didi era a preferida para o título de Miss Brasil e, quando anunciaram a filha do dono do jornal patrocinador do evento como vencedora, um dia depois do previsto, houve tumulto e confusão. “O público não se conformou. Houve um momento em que todos ficaram pasmos e sem reação, e a Didi é quem teve a iniciativa de pegar a faixa e coroar a primeira colocada. Isso foi mais uma prova de sua nobreza”, afirma Paulo.
Em Curitiba, Didi era a personalidade ideal para promover artigos de luxo – fossem carros, perfumes ou tecidos finos – e sabia alimentar sua imagem na mídia, participando de eventos da alta-sociedade ou lançando argumentos sobre assuntos polêmicos, como o voto feminino. Na moda, também teve papel significativo. Até então, ou se usava cabelo longo, ou curtinho. O cabelo dela era de cumprimento médio e serviu de modelo para muitas jovens.
Além de frequentar as conversas masculinas sobre política e economia, Didi também se destacava por desfilar pelas ruas em sua “baratinha”, um carro importado da Nash que havia ganhado do pai, numa época em que era incomum mulheres dirigirem.
Arrependido por ter deixado o relacionamento com Didi chegar ao fim, Luís Ermelino de Leão a procurou depois de ter passado dois anos na Europa e a reconquistou. “Ele foi até a casa dela e entregou à futura sogra um rosário de Lurdes. Em 1933 eles resolveram se casar”, conta um dos filhos de Didi, Luís Gil de Leão Filho. Didi teve outros três filhos e passou a se dedicar à família. O passado glamuroso, estampado em três grandes livros com recortes de jornal, ficou de lado. Viúva de Luís, casou-se com o banqueiro e empresário José Gonçalves de Sá, em 1953. Ela e os filhos foram morar no Rio de Janeiro e por lá ficaram durante 22 anos. Quando o segundo marido faleceu, Didi retornou a Curitiba, onde passou seus últimos oito anos e escreveu três livros. Na cidade, a praça que leva o seu nome continua sob a sombra de uma intocável nogueira, e permanece impecável, relembrando a grandeza da paranaense."
Mais informações em http://www.gazetadopovo.com.br/viverbem/conteudo.phtml?id=880702.

Enfim, uma grande personalidade da Curitiba das primeiras décadas do século passado, que é desconhecida para a maioria dos que aqui moram. Mesmo a praça que leva o seu nome, cujas fotos ilustram o post de hoje, não há sequer uma placa com seu nome (seu nome está gravado apenas no prédio que divide a sua entrada com a praça) ou qualquer referência de quem teria sido Didi Caillet.

A foto de Didi Caillet desse post eu extraí da internet e pela indicação, foi publicada no Jornal Progresso de São Paulo em data que não pude precisar.

Ah! E quem tiver dificuldades em localizar a praça, essa fica exatamente ao lado do Memorial Árabe, que por sua vez, fica ao lado do Passeio Público. Nessa praça encontra-se uma bela Nogueira, que é uma das 51 Árvores Imunes de Corte de Curitiba