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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

A Catedral Basílica de Curitiba: O Coração de Pedra e Luz que Pulsa no Centro da Cidade

 

CATEDRAL BASÍLICA DE CURITIBA

Quando os primeiros colonizadores chegaram em meados do século XVII aos campos de Curitiba, foram às margens do rio Atuba, distante do atual centro da cidade, que eles ergueram suas primeiras moradias.
Primeiramente a região foi povoada pela tribo dos Tinguis, liderada pelo Cacique Tindiquera, juntamente com alguns faiscadores do ouro de aluvião (buscado nos rios e riachos). Logo depois, surgiu a Lenda da Fundação de Curitiba.

Segundo esta lenda, a imagem da Santa Nossa Senhora da Luz, amanhecia virada para onde hoje é a Praça Tiradentes. Os povoadores decidiram então se mudar para a região, pedindo ao Cacique Tindiquera que lhes indicasse o local adequado. O cacique, fincou uma vara no chão e exclamou “Core-etuba” (“muito pinhão”/”aqui lugar”), e ali os povoadores permaneceram.

Hoje neste local fica o marco-zero de Curitiba. Tendo na época, sido construída de pau-a-pique e coberta de telhas goivas, uma pequena capela dedicada à Virgem da Luz dos Pinhais, marcando ali, a origem da nossa cidade.

Em 1654, foi fundado o povoado de Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais. Residindo ali mineradores e os criadores de gado.
Embora a data exata seja desconhecida, em 1668 foi erguida a primeira Paroquia de Nossa Senhora da Luz, no mesmo ano no dia 29 de Março foi instaurada a Vila de Curitiba.

Antigamente era comum adotar três passos para a fundação de uma cidade: a construção de uma capela, representando a religião católica, a ereção do pelourinho, símbolo de poder, e a instalação da câmara municipal, símbolo de justiça.

O primeiro passo já estava dado, sendo o segundo passo, a tomada de posse do Império Português sobre o território, por meio do Capitão-mor Gabriel de Lara no dia 04 de Novembro de 1668.
O pelourinho era uma haste de madeira ou pedra, geralmente colocado no centro das praças, e que servia para castigar os criminosos e escravos. Em Curitiba ele ficava na região do Paço da Liberdade juntamente com o Ponto-Zero, marcando os caminhos que cruzavam Curitiba para de Norte (Para o Norte do Estado do PR – Avenida Jayme Reis) a Sul (Para o estado de Santa Catarina – Rua Marechal Floriano Peixoto), e Leste (Para o Porto de Paranaguá e Estado de São Paulo – Avenida João Gualberto) a Oeste (Para o Paraguai – Avenida Siqueira Campos).

O terceiro passo, foi a criação de “câmara e justiça”, ou seja, a instalação da Câmara Municipal.
Em requerimento formal do dia 24 de Março de 1693 assinado por Mateus Martins Leme, dentro da primeira capela, diante a imagem de Nossa Senhora da Luz e perante o Padre Antônio de Alvarenga, foram eleitos e tomaram posse.

Em meados de 1726 foi construída a Primeira Câmara e Cadeia de Curitiba, aos arredores da Igreja Matriz com sua face virada para a ela. O Historiador Clóvis Gruner comenta que “em julho de 1898 um incêndio no prédio da Cadeia Pública encerrou definitivamente a trajetória do quase bicentenário edifício”.
O antigo prédio da Casa de Câmara e Cadeia foi demolido em 1900.

Tendo a Vila de Curitiba instalada, estava na hora de construir uma Igreja mais digna para abrigar a Santa e realizar as missas.
Construída entre os anos de 1714 e 1720, de pedra e rebocada com barro em estilo colonial Português, foi inaugurada a primeira igreja em 1857. Uma curiosidade, é que suas duas torres foram fundadas em solo úmido, e por este motivo ocasionou diversas reformas durante anos. Em 1870 reformaram e aumentaram as torres, criando um risco maior de ruína, e a partir de então, em 1875, foi ordenado o fechamento da Igreja e sua demolição.
Sua sede foi transferida para a Igreja do Rosário.

Esse processo durou até 1880, e as pedras da demolição serviram de fundação para a construção da atual Catedral e para o vigamento da ampliação da Igreja da Ordem, para onde em 1882 a sede foi transferida.

Com projeto do arquiteto francês Alphonse Conde Des Plas, e com possíveis alterações do italiano Luigi Pucci, a nova igreja começou a ser construída em 1876. Por falta de dinheiro a obra parou várias vezes, sendo concluída apenas no dia 07 de Setembro de 1893 com a Arquitetura que está presente até hoje.

Entre 1890 a 1965 foram realizadas inúmeras mudanças internas na Catedral, sendo primeiramente restaurada entre 1975 e 1977, passando por outro restauro em 1993 e seu ultimo de 2010 a 2013, permanecendo no mesmo estado desde então.

A Catedral Matriz não é apenas o abrigo da Padroeira de Curitiba (Nossa Senhora da Luz), a qual foi o nome da nossa querida cidade, mas também é um marco muito importante para a historia da Curitiba, no qual conta a historia de um povo misto, a junção de Portugueses, imigrantes e Índios, a raiz da civilização brasileira e a nossa essência.
Apesar de tanto tempo, é reconfortante saber que ouve uma preocupação em manter essas memórias bem cuidadas e preservadas até nos dias de hoje.
Um presente histórico e artístico ao ar livre 24hrs disponível a apreciação, apropriação e admiração do povo Curitibano.

Fonte:

  • https://www.cmc.pr.gov.br/ass_det.php?not=20401
  • https://www.catedralcuritiba.com/historico

Fotografias: Pedro Pilati

A Catedral Basílica de Curitiba: O Coração de Pedra e Luz que Pulsa no Centro da Cidade

Sob o céu curitibano, onde os pinheiros se erguem como sentinelas verdes e o vento sopra histórias de séculos, ergue-se majestosa a Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais — não apenas um templo de fé, mas um abraço de pedra que acolhe gerações, um farol de beleza que ilumina a Praça Tiradentes desde os alvores da cidade. Sua silhueta neogótica, com torres que desafiam os céus, conta uma saga de persistência, fé e encontro de culturas que transformou um simples sonho de colonizadores em um dos mais belos símbolos do Paraná.

Das Águas do Atuba ao Marco-Zero: O Sonho que Virou Cidade

Tudo começou com os pés na terra e o coração na fé. Quando os primeiros colonizadores chegaram aos campos de Curitiba em meados do século XVII, buscaram refúgio nas margens do rio Atuba, longe do que hoje é o centro urbano. Ali, entre os Tinguis liderados pelo sábio cacique Tindiquera e os faiscadores de ouro de aluvião que vasculhavam os riachos em busca de fortuna, nasceu uma lenda que se tornaria a alma da cidade.
Conta-se que a imagem de Nossa Senhora da Luz, guardada na primeira capela, amanhecia misteriosamente virada para o local onde hoje se encontra a Praça Tiradentes. Intrigados, os povoadores consultaram o cacique Tindiquera, que, com sabedoria ancestral, fincou uma vara no chão e proclamou: "Core-etuba!" — "muito pinhão" ou "aqui lugar". Naquele exato ponto, onde a vara tocou a terra fértil, nasceria Curitiba.
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E assim, em 1654, surgiu o povoado de Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais — nome que carrega até hoje a essência da cidade: a luz da fé iluminando os caminhos entre os pinheirais. No mesmo local do "core-etuba", ergueu-se uma singela capela de pau-a-pique e telhas goivas, dedicada à Virgem da Luz, marcando o marco-zero da civilização curitibana.
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Três Pilares da Civilização: Fé, Poder e Justiça

Seguindo a tradição lusitana, a fundação de uma cidade exigia três passos sagrados: a capela (fé), o pelourinho (poder) e a câmara municipal (justiça). O primeiro já estava plantado com a capelinha da Luz. O segundo veio em 4 de novembro de 1668, quando o Capitão-mor Gabriel de Lara tomou posse do território em nome do Império Português, erguendo o pelourinho — haste de madeira ou pedra onde se aplicava a justiça colonial — na região do atual Paço da Liberdade, exatamente no ponto-zero que orientava os caminhos rumo ao Norte, Sul, Leste e Oeste.
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O terceiro passo selou o destino da vila: em 24 de março de 1693, diante da imagem de Nossa Senhora da Luz e sob a bênção do Padre Antônio de Alvarenga, Mateus Martins Leme e outros líderes tomaram posse da primeira Câmara Municipal dentro da própria capela, unindo assim o sagrado e o cívico num mesmo ato de fundação.
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Da Terra Instável à Pedra Eterna: A Saga das Igrejas Matrizes

Com a vila consolidada, era hora de erguer uma igreja digna da padroeira. Entre 1714 e 1720, nasceu a primeira Igreja Matriz: construção robusta de pedra rebocada com barro, em estilo colonial português, inaugurada solenemente em 1857. Porém, escondia um drama silencioso: suas duas torres assentavam-se sobre solo úmido, condenando-a a constantes reformas. Em 1870, ao ampliarem as torres, agravou-se o risco de ruína, e em 1875 a ordem foi clara: fechar e demolir.
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As pedras da velha matriz não se perderam — tornaram-se alicerces sagrados. Parte delas fundou a atual Catedral; outra parte sustentou a ampliação da Igreja do Rosário, para onde a sede paroquial se transferiu temporariamente em 1882. Assim, a memória da primeira igreja permanece viva, literalmente, nas entranhas da nova construção.
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O Sonho Neogótico: Quando a França Encontrou os Pinhais

Em 1876, enquanto o Brasil ainda vivia sob o Império, começou a erguer-se uma obra-prima: a nova Catedral, projeto do arquiteto francês Alphonse Conde Des Plas, com possíveis contribuições do italiano Luigi Pucci. Inspirada na majestosa Catedral da Sé de Barcelona, na Espanha, a edificação adotou o estilo neogótico — ou gótico romano — com suas linhas verticais que elevam o olhar ao céu, arcos ogivais que desafiam a gravidade e uma delicadeza estrutural que parece desafiar o tempo.
pt.wikipedia.org
A construção foi uma epopeia de fé e perseverança. Por falta de recursos, as obras paralisaram diversas vezes ao longo de 17 anos. Operários, fiéis e autoridades uniram esforços num verdadeiro mutirão espiritual até que, finalmente, em 7 de setembro de 1893 — data emblemática da Independência brasileira — a Catedral foi inaugurada em toda sua glória.
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Destacam-se suas duas torres imponentes de 42 metros de altura, que perfuram o horizonte curitibano como dedos em oração; os vitrais coloridos que transformam a luz do sol em arco-íris sagrado; e a rosácea central, verdadeira joia de pedra que filtra a luz divina sobre os fiéis. Internamente, afrescos delicados e contornos dourados criam uma atmosfera de reverência e beleza que cativa até os corações mais distraídos.
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O Título que Coroou Séculos de Fé

Um século após sua inauguração, em 1993, a Catedral recebeu das mãos do Papa São João Paulo II o título de Basílica Menor — honraria máxima concedida pelo Vaticano a igrejas de excepcional importância espiritual, artística e histórica. O Breve Apostólico de 6 de julho daquele ano reconheceu não apenas a majestade arquitetônica do templo, mas seu papel central como guardiã da memória curitibana e farol de fé para gerações.
www.catedralcuritiba.com

Mãos que Cuidam da Memória: Os Grandes Restauros

A beleza da Catedral não é acaso — é fruto de cuidado contínuo. Entre 1975 e 1977, um primeiro restauro devolveu-lhe o esplendor original. Em 1993, por ocasião do centenário e da concessão do título de Basílica, nova intervenção preservou sua integridade. O mais recente e completo restauro ocorreu entre 2010 e 2013, quando especialistas devolveram aos vitrais seus tons vibrantes, consolidaram as estruturas centenárias e resgataram detalhes artísticos que o tempo havia escondido. Desde então, a Catedral permanece radiante, como se tivesse sido inaugurada ontem.
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Mais que Pedra: O Coração que Bate no Centro da Cidade

Hoje, a Catedral Basílica não é apenas a sede da Arquidiocese de Curitiba ou o lar de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais — padroeira que deu nome à cidade em seus primórdios. É um ponto de encontro onde turistas se maravilham com a arquitetura, casais registram seu amor em fotos ao entardecer, idosos rezam o terço nas primeiras fileiras e crianças descobrem a história da cidade nos vitrais coloridos.
É um presente histórico e artístico ao ar livre, disponível 24 horas por dia para a apreciação, apropriação e admiração do povo curitibano. Ao seu redor, a Praça Tiradentes respira vida: artistas de rua entoam melodias, vendedores de flores oferecem dálias vermelhas para os altares, e os sinos badalam anunciando missas, casamentos ou simplesmente a passagem das horas — cada toque ecoando como um lembrete de que a fé e a beleza resistem ao tempo.

Conclusão: A Luz que Nunca se Apaga

Da lenda do cacique Tindiquera à vara fincada na terra fértil; da capelinha de pau-a-pique às torres neogóticas que beijam as nuvens; das pedras da demolição transformadas em alicerce sagrado à luz dos vitrais que colore a alma dos visitantes — a Catedral Basílica de Curitiba é muito mais que um edifício. É a materialização viva de um encontro: entre índios e colonizadores, entre fé e justiça, entre a tradição europeia e a alma brasileira.
É reconfortante saber que, após séculos de história, permanece de pé — não apenas como monumento, mas como testemunha amorosa de um povo que soube transformar dificuldades em beleza, provisório em eterno, e sonho em pedra. Que suas torres continuem elevando nossos olhares ao céu e seu sino continue marcando os ritmos da cidade, lembrando a todos que, mesmo nos dias mais nublados, há sempre uma luz a brilhar nos pinhais de Curitiba.
— Em homenagem à Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, coração pulsante de Curitiba desde 1668.