Oxyuranus microlepidotus | |||||||||||||||||||
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| Classificação científica | |||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||
| Oxyuranus microlepidotus (McCoy, 1879) | |||||||||||||||||||
| Distribuição geográfica | |||||||||||||||||||
Mapa de distribuição da serpente em vermelho | |||||||||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||||||||
Oxyuranus microlepidotus, conhecida como taipan-do-interior, taipan-ocidental, cobra-de-escamas-pequenas, ou cobra-feroz,[2] é uma serpente extremamente peçonhenta (venenosa) do gênero Oxyuranus endêmica da região semiárida centro-oriental da Austrália.[3] Os aborígenes australianos que vivem nessas regiões deram-lhe o nome Dandarabilla.[4][5] O animal é extremamente rápido e ágil, podendo atacar instantaneamente e com grande precisão, além de aplicar várias mordeduras durante um mesmo ataque e injetar sua peçonha/veneno em todas as mordidas. A espécie foi descrita pela primeira vez por Frederick McCoy em 1879 e depois por William John Macleay em 1882, mas durante os 90 anos seguintes permaneceu um mistério para a comunidade científica. Não foram encontrados mais espécimes e praticamente nada foi adicionado ao conhecimento que se tinha sobre esta espécie até à sua redescoberta em 1972.[4][6]
A taipan-do-interior é considerada a cobra mais peçonhenta do mundo; com base na dose letal mediana da toxina em camundongos (ratos), sua peçonha, gota-por-gota, possui a maior toxicidade entre todas as serpentes - muito mais do que as serpentes-marinhas[7]- sendo também a mais tóxica dentre os répteis, com base em testes realizados em culturas de células de coração humano. Ao contrário da maioria das serpentes, a taipan-do-interior é uma especialista na caça de mamíferos, pois a sua toxina é especialmente eficaz para matar espécies de sangue quente. Estima-se que uma única mordida é capaz de matar cerca de 100 homens adultos e, se a vítima não for tratada, pode ser fatal em apenas 30 minutos.
Embora seja extremamente peçonhenta e um exímio predador, esta serpente prefere evitar seres humanos em razão de sua natureza tímida e solitária, ao contrário da mais agressiva taipan-costeira. Geralmente, a serpente ataca apenas como mecanismo de defesa ao se sentir ameaçada. A palavra "feroz", num dos seus nomes alternativos, descreve sua peçonha e não o seu temperamento.
Referências
- Fohlman, J. (1979). «Comparison of two highly toxic Australian snake venoms: The taipan (Oxyuranus s. scutellatus) and the fierce snake (Parademansia microlepidotus)». Toxicon. 17 (2): 170–2. PMID 442105. doi:10.1016/0041-0101(79)90296-4
- White, Julian (November 1991). Oxyuranus microlepidotus . "A paralisia neurotóxica geralmente leva de 2 a 4 horas para se tornar clinicamente detectável. A coagulopatia, no entanto, pode se tornar bem estabelecida dentro de 30 minutos após uma mordida", International Programme on Chemical Safety. Acessado em 15 de novembro de 2013.
- Cecilie Beatson (29-11-2011). ANIMAL SPECIES:Inland Taipan Australian Museum. Acessado em 14 de outubro de 2013.
- Queensland Snakes . History & Discovery. (arquivado) Queensland Museum. Acessado em 15 de novembro de 2013.
- Pearn, John; Winkel, Kenneth D. (dezembro de 2006). «Toxinology in Australia's colonial era: A chronology and perspective of human envenomation in 19th century Australia». Toxicon. 48 (7): 726–737. doi:10.1016/j.toxicon.2006.07.027
- Rediscovery. The Rediscovery of the Western Taipan. (arquivado) Queensland Museum. Acesso em 15 de novembro de 2013.
- Hodgson WC, Dal Belo CA, Rowan EG (2007). «The neuromuscular activity of paradoxin: a presynaptic neurotoxin from the venom of the inland taipan (Oxyuranus microlepidotus)». Neuropharmacology. 52 (5): 1229–36. PMID 17313963. doi:10.1016/j.neuropharm.2007.01.002.
The inland taipan is the world's most venomous snake
- Bell, Karen L; Sutherland, Struan K; Hodgson, Wayne C (1998). «Some pharmacological studies of venom from the inland taipan (Oxyuranus microlepidotus)». Toxicon. 36 (1): 63–74. PMID 9604283. doi:10.1016/S0041-0101(97)00060-3.
The Inland Taipan is believed to have the most toxic venom in the world (Sutherland, 1994)
- Journal of Herpetology Vol.17 no.1 (1983) Ecology of Highly Venoumous Snakes: the Australian Genus Oxyuranus
- Bell, Karen L; Sutherland, Struan K; Hodgson, Wayne C (1998). «Some pharmacological studies of venom from the inland taipan (Oxyuranus microlepidotus)». Toxicon. 36 (1): 63–74. PMID 9604283. doi:10.1016/S0041-0101(97)00060-3.
Bibliografia
- Boulenger GA (1896). Catalogue of the Snakes in the British Museum (Natural History). Volume III., Containing the Colubridæ (Opisthoglyphæ and Proteroglyphæ),... London: Trustees of the British Museum. (Taylor and Francis, printers). xiv + 727 pp. + Plates I-XXV. (Pseudechis microlepidotus and P. ferox, p. 332).
- McCoy F(1879). Natural History of Victoria. Prodromus of the Zoology of Victoria; or, Figures and Descriptions of the Living Species of All Classes of the Victorian Indigenous Animals. Decade III. London: G. Robertson. (J. Ferres, government printer, Melbourne). 50 pp. + Plates 21–30. (Diemenia microlepidota, novas espécies, pp. 12–13 + chapa 23, figuras 2–3).
Oxyuranus microlepidotus: A Taipan do Interior
O Réptil Mais Peçonhento do Planeta e o Mistério de 90 Anos
1. Taxonomia e Nomenclatura
- Nome Científico: Oxyuranus microlepidotus.
- Nomes Comuns: Taipan-do-interior, Taipan-ocidental, Cobra-de-escamas-pequenas.
- O Mito da "Feroz": Um dos seus nomes alternativos é "Cobra-feroz". No entanto, este nome é um equívoco comum. O termo "feroz" descreve a potência devastadora da sua peçonha, e não o seu temperamento.
- Nome Indígena: Os povos aborígenes australianos, que coexistem com esta espécie há milênios nas regiões semiáridas, conhecem-na como Dandarabilla. Este nome testemunha o conhecimento tradicional sobre a fauna local muito antes da catalogação científica ocidental.
2. Um Mistério Científico de 90 Anos
- Descrição Inicial: A espécie foi descrita pela primeira vez pelo naturalista Frederick McCoy em 1879.
- Confirmação: Posteriormente, foi descrita novamente por William John Macleay em 1882.
- O Longo Silêncio: Após essas descrições iniciais, a serpente desapareceu dos registros científicos. Durante os 90 anos seguintes, nenhum espécime adicional foi encontrado. Praticamente nada foi adicionado ao conhecimento sobre a espécie neste período.
- Redescoberta: Foi apenas em 1972 que a Taipan-do-interior foi finalmente redescoberta, permitindo que os cientistas estudassem vivo este "fantasma" do deserto australiano e confirmassem a sua existência e perigosidade.
3. Habitat e Distribuição Geográfica
- Ambiente: Habita as planícies de solos de argila preta, que se fendem durante a seca. Estas fendas fornecem abrigo para a serpente e para as suas presas.
- Isolamento: A natureza remota e hostil do seu habitat é uma das razões pelas quais os encontros com humanos são extremamente raros, contribuindo para o longo período em que permaneceu "perdida" para a ciência.
4. Comportamento de Caça e Ataque
- Velocidade e Agilidade: É um animal extremamente rápido e ágil.
- Precisão: Pode atacar instantaneamente com grande precisão.
- Estratégia de Mordida: Diferente de muitas serpentes que mordem e recuam, a Taipan-do-interior pode aplicar várias mordeduras durante um mesmo ataque.
- Injeção de Veneno: Crucialmente, ela injeta sua peçonha em todas as mordidas realizadas durante o ataque, maximizando a dose entregue à presa (ou ameaça).
5. Toxicologia: O Veneno Mais Potente da Terra
Potência Comparativa
- Ranking Mundial: É considerada a cobra mais peçonhenta do mundo.
- Dose Letal Mediana (DL50): Com base na toxicidade da toxina em camundongos (ratos), sua peçonha, gota-por-gota, possui a maior toxicidade entre todas as serpentes.
- Comparação com Serpentes Marinhas: A sua toxicidade é muito maior do que a das serpentes-marinhas, que anteriormente disputavam o topo deste ranking.
- Testes em Células Humanas: É também a mais tóxica dentre todos os répteis, com base em testes realizados especificamente em culturas de células de coração humano.
Especialização Evolutiva
- Adaptação: A sua toxina é especialmente eficaz para matar espécies de sangue quente.
- Eficiência: Esta especialização explica a extrema potência do veneno; ele evoluiu para derrubar rapidamente roedores e outros mamíferos antes que possam fugir ou contra-atacar nas tocas.
Letalidade Estimada
- Capacidade Letal: Estima-se que uma única mordida contém veneno suficiente para matar cerca de 100 homens adultos.
- Tempo de Ação: Se a vítima não for tratada rapidamente, a picada pode ser fatal em apenas 30 minutos.
6. Temperamento e Interação com Humanos
- Natureza Tímida: Esta serpente prefere evitar seres humanos. É conhecida por ser tímida e solitária.
- Defesa vs. Agressão: Geralmente, ataca apenas como mecanismo de defesa ao se sentir ameaçada. Não procura ativamente conflitos com pessoas.
- Comparação com a Taipan-costeira: Ao contrário da mais agressiva Taipan-costeira (Oxyuranus scutellatus), que pode ser defensivamente agressiva quando encurralada, a Taipan-do-interior tende a fugir se tiver oportunidade.
- Risco Real: O perigo para os humanos reside menos na agressividade da cobra e mais na potência do seu veneno caso um acidente ocorra. Devido ao seu habitat remoto, as picadas em humanos são estatisticamente muito raras.
7. Importância Ecológica e Conservação
- Controle de População: Ao especializar-se em mamíferos, ajuda a controlar as populações de roedores nativos, mantendo o equilíbrio ecológico das planícies de argila.
- Status de Conservação: Embora não seja comum devido à sua natureza esquiva e habitat específico, a espécie não está atualmente listada como ameaçada de extinção em nível global. No entanto, a proteção do seu habitat árido é essencial para a sua sobrevivência contínua.
Conclusão
Aviso de Segurança: A Taipan-do-interior é extremamente perigosa. Embora tímida, uma picada não tratada é quase invariavelmente fatal. Nunca tente capturar, manusear ou provocar uma serpente venenosa na natureza. Em caso de avistamento, mantenha uma distância segura e recue lentamente. Em caso de picada, imobilize o membro afetado e busque atendimento médico de emergência imediatamente.
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