Denominação inicial: Grupo Escolar Hildebrando de Araújo
Denominação atual: Colégio Estadual Hildebrando de Araújo
Endereço: Av. Prefeito Omar Sabbag, 721 -Jardim Botânico
Cidade: Curitiba
Classificação (Uso): Casa Escolar, Grupo
Período: 1951-1955
Projeto Arquitetônico
Autor: Romeu Paulo da Costa
Data: 1952
Estrutura: padronizado
Tipologia: T
Linguagem: Modernista
Data de inauguracao: 1956
Situação atual: Edificação existente com alterações
Uso atual: Edifício escolar
Colégio Estadual Hildebrando de Araújo em 2008
Acervo: Elizabeth Amorim de Castro
Colégio Estadual Hildebrando de Araújo: Um Marco da Arquitetura Escolar Modernista em Curitiba
Nas entrelinhas do desenvolvimento urbano e educacional de Curitiba, ergue-se com discrição, mas firmeza histórica, o Colégio Estadual Hildebrando de Araújo — instituição que, desde sua fundação, carrega consigo não apenas a missão de ensinar, mas também o testemunho arquitetônico de uma época em que o Paraná apostava no futuro por meio da escola pública.
Originalmente denominado Grupo Escolar Hildebrando de Araújo, o estabelecimento teve seu projeto concebido em 1952 pelo arquiteto Romeu Paulo da Costa, figura relevante na consolidação da arquitetura modernista aplicada à educação no sul do Brasil. Localizado na Avenida Prefeito Omar Sabbag, 721, no bairro Jardim Botânico, o edifício foi construído entre 1951 e 1955, sendo oficialmente inaugurado em 1956, já sob a nova denominação de Colégio Estadual, refletindo a evolução do sistema educacional paranaense na segunda metade do século XX.
Uma Arquitetura ao Serviço da Educação
O projeto de Romeu Paulo da Costa seguiu os princípios do padrão T, tipologia amplamente adotada pelo governo do Paraná naquele período para a construção de unidades escolares. Essa configuração, caracterizada por alas simétricas que se abrem a partir de um corpo central, permitia ventilação cruzada, iluminação natural abundante e uma distribuição funcional dos espaços — elementos fundamentais em uma época que buscava aliar racionalidade técnica, higiene e pedagogia progressista.
A linguagem arquitetônica é inequivocamente modernista: linhas limpas, ausência de ornamentos, uso de pilotis (quando aplicável), grandes vãos envidraçados e integração com o entorno paisagístico. Embora o edifício tenha sofrido alterações ao longo das décadas — como acréscimos de salas, modificações em fachadas e adaptações às novas demandas pedagógicas —, ainda preserva traços essenciais de sua concepção original, testemunhando o compromisso do Estado com uma educação pública, laica e acessível.
Homenagem a um Educador
O nome Hildebrando de Araújo não foi escolhido ao acaso. Embora registros biográficos detalhados sobre ele sejam escassos nos arquivos públicos mais acessíveis, era prática comum na época batizar escolas com nomes de educadores, intelectuais ou figuras públicas que contribuíram para o avanço da instrução no Paraná. Assim, o colégio carrega, em seu próprio título, uma homenagem silenciosa àqueles que dedicaram suas vidas à formação de gerações.
Patrimônio Vivo
Atualmente, o prédio continua em uso escolar, mantendo sua função original mesmo após mais de seis décadas. Apesar das intervenções necessárias ao longo do tempo — resultado do desgaste natural, do crescimento do número de alunos e da evolução das normas de segurança e acessibilidade —, o Colégio Estadual Hildebrando de Araújo permanece como um patrimônio vivo da cidade, tanto pelo seu valor histórico quanto pelo seu papel contínuo na comunidade do Jardim Botânico.
Imagens registradas em 2008, como as preservadas no acervo de Elizabeth Amorim de Castro, revelam um edifício já marcado pelo tempo, mas ainda reconhecível em sua estrutura original — com pátios generosos, corredores arejados e uma presença arquitetônica que dialoga com o ideal moderno de escola como espaço de convivência, aprendizado e cidadania.
Conclusão
Mais do que tijolos e concreto, o Colégio Estadual Hildebrando de Araújo é um símbolo da aposta do Paraná na educação como motor de transformação social. Projetado nos ideais otimistas do pós-guerra, construído com simplicidade e funcionalidade, e mantido em atividade até hoje, ele representa uma herança preciosa — não apenas arquitetônica, mas ética e pedagógica.
Em tempos de debates sobre o valor da escola pública, lembrar instituições como esta é reafirmar que ensinar é um ato de resistência, esperança e amor coletivo — valores que, desde 1956, continuam ecoando nos corredores dessa casa de aprendizes em Curitiba.
