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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

ENTENDENDO O NOME DA RUA DO FOGO

 ENTENDENDO O NOME DA RUA DO FOGO

Segundo o historiador Valério Hoerner, a antiga Rua do Fogo, hoje Rua São Francisco, Curitiba, ela levava esse nome por conta da “balbúrdia” que nela acontecia, devido à prostituição.
As profissionais do ramo (prostitutas), portanto, aglomeravam-se naquela rua sem que a administração municipal as contivesse ou reunisse forças para conter tão inacreditável ousadia. [...] O nome porém era oficioso. Do fogo por causa da balbúrdia, mas como se encontrava em estado rudimentar de urbanização, seria bem melhor que ficasse por ali mesmo, sem misturanças desagradáveis. Afinal, Curitiba era uma cidade com reputação ilibada.
Na década de 1860 podemos observar iniciativas que tinham como objetivo dar um novo aspecto à tão mal falada Rua do Fogo. A começar por uma obra de aterro e empedramento macadamizado da Rua do Fogo, que começou a ser discutida entre 1863 e 1864. Sua pavimentação é uma das primeiras da capital e a rua segue até hoje ladrilhada de pedras, sem ser asfaltada, o que a faz ser um dos últimos remanescentes da paisagem colonial brasileira em Curitiba.
[...] Em 1871, passou a se chamar Rua São Francisco, em alusão à Igreja da Ordem, cujo nome oficial é Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas. Essa mudança buscou também, através do respeito que o catolicismo e o nome do Santo impunham, moralizar a rua e a região.
Além disso, a rua tinha também muitos comércios, como podemos atestar por anúncios de jornais de época, que iam desde a venda de escravizados, restaurantes, hotéis, até roupas e porcelanas.
Ao longo de sua história a rua sempre teve um aspecto mais comercial do que residencial. No século 20, quando a rua já se chamava São Francisco, surgem alguns edifícios e empreendimentos que até hoje estão na paisagem urbana da rua.
Um desses empreendimentos é o da Livraria e Papelaria João Haupt, uma das mais antigas e tradicionais de Curitiba. A papelaria continua no mesmo lugar e no mesmo edifício, porém com modificações. Hoje ela ocupa a esquina da Rua São Francisco com a Barão do Serro Azul, coisa que não acontecia antigamente e se tornou possível devido à demolição de um prédio que ficava na esquina, onde funcionou nesse edifício uma das primeiras sedes do Clube Curitibano.
Posteriormente, foi instalada nele a Delegacia Fiscal do Tesouro Federal.
As delegacias fiscais foram criadas a partir de um decreto de 1892, quando o Brasil já era República. No próprio prédio da Delegacia Fiscal havia um brasão da República. Portanto, é possível afirmar que o prédio teve essa utilização desde, pelo menos, 1892.
Não se sabe a data exata, mas posteriormente o edifício foi demolido e não houve nenhuma construção no espaço em que estava, fazendo com que a Livraria João Haupt ocupasse também a esquina. [...]
(Texto extraido de turistoria.com.br / Fotos: Acervo IHGPr)
Paulo Grani
Foto da Delegacia Fiscal sita à Rua Graciosa esquina com Rua Sao Francisco, Curitiba, em 1905.