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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Grândola: História, Evolução Demográfica e Transformação Socioeconómica

 

Grândola
Brasão de GrândolaBandeira de Grândola
Localização de Grândola
Gentílicograndolense
Área825,94 km²
População13 822 hab. (2021)
Densidade populacional16,7  hab./km²
N.º de freguesias4
Presidente da
câmara municipal
António Figueira Mendes (PCP-PEV, 2021-2025)
Fundação do município
(ou foral)
1544
Região (NUTS II)Alentejo
Sub-região (NUTS III)Alentejo Litoral
DistritoSetúbal
ProvínciaBaixo Alentejo
OragoNossa Senhora da Penha
Feriado municipal22 de Outubro
Código postal7570
Sítio oficialwww.cm-grandola.pt

Grândola é uma vila portuguesa no distrito de Setúbal, região (NUTS II) do Alentejo e sub-região (NUTS III) do Alentejo Litoral, com cerca de 6 800 habitantes.[1]

É sede do município de Grândola[2] com 825,94 km² de área[3] e 13 822 habitantes (censo de 2021)[4], subdividido em 4 freguesias.[2] O município é limitado a norte pelo município de Alcácer do Sal, a leste por Ferreira do Alentejo, a sul por Santiago do Cacém, a oeste pelo oceano Atlântico e a noroeste, através do Estuário do Sado, por Setúbal.

História

Dos primórdios ao fim da época medieval

Ruínas romanas de Troia

De acordo com as escavações e estudos até agora realizados, a presença humana no território grandolense remonta, pelo menos, ao Mesolítico, período a partir do qual existem estações arqueológicas de quase todas as épocas posteriores. De referir que, na Antiguidade, o período Romano foi, muito possivelmente, aquele em que o espaço grandolense atingiu os maiores índices de povoamento e desenvolvimento económico e social.

Após a formação do espaço nacional, o território ficou a pertencer ao termo de Alcácer do Sal e, na sua maior parte, à Ordem Militar de Santiago da Espada. A primeira medida, que abriu a porta à posterior instituição do concelho e ao desenvolvimento deste espaço, foi a criação da comenda de Grândola, por volta de 1380, no reinado de D. João I. Na sequência deste acontecimento e da política de povoamento levada a efeito pelos reis e pela Ordem de Santiago, o território grandolense começou a progredir. Foram distribuídas terras, edificadas as primeiras ermidas e moinhos e o lugar da Gramdolla adquiriu o estatuto de aldeia.

Nos finais da época medieval, a aldeia de Grândola tinha cerca de 150 habitantes, e a Comenda, no seu conjunto, cerca de 900, distribuídos por cerca de 220 fogos.[5]

Do princípio do século XV a finais do século XIX

Mina do Lousal

Em franco progresso, a população da Comenda solicitou, a D. João III, que atribuísse a Grândola a Carta de Vila e a libertasse da tutela de Alcácer do Sal, o que veio a suceder a 22 de outubro de 1544. Na sequência desta atribuição, foi criado o Concelho (no espaço da Comenda), que foi dividido em três freguesias: Grândola, Bayrros e Santa Margarida da Serra. Com a autonomia municipal, o concelho entrou numa fase decisiva da sua história e passou a dispor de dois juízes ordinários, três vereadores, um procurador, dois almotacés, um escrivão, três tabeliães, um juiz dos órfãos, um alcaide-pequeno, várias quadrilhas (com funções de polícia) e três companhias de Ordenanças.

Até finais do século XVI, a vila viu surgir algumas construções emblemáticas, como os Paços do Concelho, a cadeia, o pelourinho, o 1º hospital, o celeiro da comenda, a Santa Casa da Misericórdia e algumas ermidas e igrejas. Há, ainda, notícia de ter sido instituído um celeiro comum, em 1579, que funcionou até cerca de 1880, e teve como função o empréstimo de cereais a juros reduzidos para sementeira a lavradores pobres. Por volta de 1600, a população do concelho rondava os 1550 habitantes, e Grândola, principal núcleo urbano, tinha cerca de 480 (distribuídas por 120 fogos). Progressivamente, nos dois séculos seguintes, a população aumentou e, em 1798, foram recenseados cerca de 4000 habitantes (distribuídos por cerca de 977 fogos).

Na 2ª metade do século XIX, apareceram duas atividades que alteraram o perfil económico e social do município: a indústria mineira (com início em 1863, no Canal Caveira, e mais tarde no Lousal) e a indústria corticeira. O comércio, ligado essencialmente às atividades económicas tradicionais e à transação de bens de primeira necessidade, foi outra das atividades que teve um desenvolvimento progressivo, ainda que lento. Em 1513, já havia uma estalagem no concelho e as primeiras feiras anuais, a de Santo António e a de S. Lourenço, começaram a realizar-se a partir de 1642.

De realçar que, em 1855, decorridos mais de quatro séculos sobre a sua criação, o concelho viu aumentado o seu território, com a anexação das freguesias de Melides e de São Mamede do Sádão. Na sequência desta anexação e das alterações económicas e sociais entretanto verificadas, a população continuou a aumentar. Em 1864, foram-lhe atribuídos 5553 residentes, distribuídos pelas suas quatro freguesias (Azinheira dos Barros e São Mamede do Sádão, Grândola, Melides e Santa Margarida da Serra). Entre 1890 e 1900 a população sofreu um aumento gradual.[5]

Século XX

Monumento a Zeca Afonso.

Na história de Grândola, o século XX foi, sem dúvida, aquele em que se verificaram as mais significativas mudanças económicas, demográficas e sociais.

Ao nível da Agricultura, assistiu-se ao incremento da cultura de cereais, nomeadamente do trigo, fomentada pela política protecionista e ruralista do Estado Novo, que teve o seu auge durante a chamada Campanha do Trigo. Nas várzeas de Melides e do Carvalhal, a cultura do arroz adquiriu crescente expressão. Beneficiando da construção da ferrovia do Vale do Sado, a indústria corticeira ganhou um novo impulso e surgiram dezenas de fábricas de diversa dimensão.

Enquanto as minas da Caveira entravam em declínio (tendo chegado a encerrar), as do Lousal, sob a tutela do grupo Mines et Industries, criado em 1936, aumentaram os níveis de exploração e fizeram do local um pólo de desenvolvimento que, em 1960, atingiu cerca de 2 000 habitantes. Devido a este surto de crescimento económico, instalaram-se no concelho milhares de pessoas que fizeram disparar os índices demográficos. Assim, a população, que atingia as 7801 pessoas em 1900, subiu sucessivamente até 1950, ano em que foi atingido o máximo demográfico. Com o aumento do número de trabalhadores rurais, operários e mineiros, a elevação da consciência política, o agravar das condições de vida e a repressão salazarista, vieram as greves e outras manifestações populares. Foi elevado o número de pessoas detidas por razões políticas, o que trouxe a Grândola a fama de terra revolucionária.

O aumento populacional contribuiu, ainda, para o aparecimento de associações culturais, desportivas e recreativas, nomeadamente na sede do concelho e, entre elas, a Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, que inspiraria a José Afonso a célebre canção "Grândola, Vila Morena".

Após décadas de crescimento e desenvolvimento, o concelho viu abater sobre si o espetro de uma grave crise que desmantelou as suas principais estruturas económicas e de suporte social. O fim do protecionismo e dos incentivos contribuiu para a diminuição da produção de cereais e do número de agricultores, o que levou ao despovoamento progressivo das zonas rurais do concelho.

A indústria corticeira, sob a pressão da concorrência dos grandes grupos económicos do setor, viu encerrar as suas fábricas e tornou-se residual. A extração mineira, que atingiu no Lousal o seu auge entre as décadas de 40 e 60, deixou de ser rentável, o que levou ao encerramento das minas em 1988. Devido a este facto, a povoação mineira sofreu uma drástica redução populacional.

Devido a este conjunto de acontecimentos e, ainda, à repressão política e às guerras coloniais, uma parte significativa da população migrou. Em concomitância com esta redução, verificou-se a diminuição do número de jovens (e o consequente encerramento de muitas escolas), de trabalhadores ativos e o aumento dos índices de envelhecimento.

Com o advento do 25 de Abril de 1974 e as alterações político-sociais daí decorrentes, o concelho entrou numa nova fase da sua história. Com a democracia, o poder autárquico adquiriu nova expressão e introduziu alterações a nível dos equipamentos sociais, que vieram melhorar significativamente a vida da generalidade da população. Em consequência disto, surgiram paradigmas económicos mais consentâneos com as novas realidades. De concelho agrícola, operário e mineiro, Grândola tem vindo a transformar-se gradualmente num espaço de desenvolvimento turístico e de oferta de serviços, apostado na preservação ambiental e na oferta cultural.[5]

Evolução da população do município

★ Os Recenseamentos Gerais da população portuguesa, regendo-se pelas orientações do Congresso Internacional de Estatística de Bruxelas de 1853, tiveram lugar a partir de 1864, encontrando-se disponíveis para consulta no site do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Número de habitantes * [6]
1864187818901900191119201930194019501960197019811991200120112021
5 5536 2306 8877 53910 01111 08113 37017 69921 37521 06015 52516 04213 76714 90114 82613 822
Número de habitantes por grupo etário [7] [8]
1900191119201930194019501960197019811991200120112021
0-14 Anos2 7673 5884 1145 0116 7296 7795 5272 8903 1052 3221 8101 8371 683
15-24 Anos1 4921 9072 1902 7203 1254 2033 8302 2902 0791 6351 8081 3041 282
25-64 Anos3 3084 4404 3075 4056 9869 22710 3418 6408 5707 2017 6697 8977 040
= ou > 65 Anos1922925155206911 0071 3621 7052 2882 6093 6143 7883 817
  • Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.
    • De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente.

Freguesias

Freguesias do município de Grândola.
O município de Grândola está dividido em 4 freguesias:[2]

Caracterização

Geografia

Em termos geológicos, o território de Grândola é caracterizado por três grandes zonas: a serra de Grândola, a planície e a faixa litoral, que apresentam marcadas diferenças na composição do solo, no relevo, na flora e na paisagem em geral.

A serra de Grândola, predominantemente xistosa, data do período Carbonífero Inferior e representa a geologia antiga da Meseta Ibérica, tendo o seu ponto máximo no outeiro da Atalaia, com 326 m de altitude. Constituindo um obstáculo físico que delimita a área costeira, com influência nos aspetos climáticos e paisagísticos, é a área menos povoada do município e está na sua maior parte coberta de sobreiros.

A Planície é caracterizada, a nascente, pelo prolongamento e os declives suaves da Serra, e a norte e noroeste pelas formações terciárias da bacia do Sado, constituídas por areias e argilas do Plioceno. De norte para sul, o revestimento florestal passa gradualmente de pinhal a montado, e é nesta zona que vive a maior parte da população.

A Orla Costeira é caracterizada pelos seus 45 km de praias de areias brancas e águas cristalinas, o fundo marinho é arenoso e vasoso, em resultado da acumulação de materiais sedimentares. Para o interior do território, desenvolvem-se sistemas dunares de porte variado e vegetação típica que se prolongam em grandes manchas de pinhal. No Litoral, destaca-se a lagoa de Melides e, mais a norte, o estuário do Sado, com os arrozais do Carvalhal e os bancos lodosos e os sapais de Troia.[9]

Clima

Não obstante a sua extensa costa, o clima deste município pode considerar-se mediterrânico com influência atlântica. Devido a vários fatores, apresenta simultaneamente características marítimas e continentais, sendo frequente a alternância de dias atlânticos e de características continentais.A temperatura média ronda os 16.7 °C.[10]

A pluviosidade é muito irregular ao longo do ano, a distribuição de anos secos e chuvosos é relativamente aleatória, e a precipitação média anual ronda os 600mm.[9]

Política

Eleições autárquicas [11]

Data%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%VParticipação
FEPU/APU/CDUPSGDUPADPPD/PSDUDP/BECDS-PPGCEEPSD-CDSCH
197656,47435,8334,47-
73,84 / 100,00
197965,02511,08120,881AD1,54-AD
79,89 / 100,00
198263,01515,63113,0211,01-4,53-
76,97 / 100,00
198567,43528,622
70,67 / 100,00
198957,37521,50117,331
61,72 / 100,00
199348,22422,17123,9022,37-
68,47 / 100,00
199748,19433,93310,39-1,86-1,38-
59,09 / 100,00
200142,25343,9549,58-1,19-
67,45 / 100,00
200538,06349,6146,92-2,00-0,51-
68,27 / 100,00
200933,07255,9655,29-2,11-1,12-
65,30 / 100,00
201334,56323,6221,08-18,791
65,13 / 100,00
18,671
201743,48431,4527,81-1,21-12,9710,46-
61,91 / 100,00
202144,54441,903CDS-PPPPD/PSD7,08-2,81-
55,15 / 100,00

Eleições legislativas

Data%
PCPPSPSDCDSUDPAPU/

CDU

ADFRSPRDPSNBEPANPSD
CDS
LCHIL
197650,9423,8612,022,462,12
1979APU16,45ADAD2,2254,1222,08
1980FRS1,6152,8523,5816,28
198321,5514,283,861,0454,82
198514,0516,192,541,3950,9610,28
1987CDU14,4525,101,700,8144,416,91
199125,5028,432,3833,670,720,92
199540,5916,873,711,0532,080,16
199942,8116,273,5431,140,271,76
200242,7421,393,1926,562,53
200546,8513,472,9026,955,64
200933,8714,695,5828,3412,27
201129,0722,186,9327,816,000,84
201536,17CDSPSD26,659,191,0018,590,73
201936,5513,552,6124,659,102,910,651,420,52
2022[12]44,1214,970,8216,185,341,181,038,573,55
2024[13]31,63ADAD12,5616,056,441,762,7419,523,53

Património

Barragem romana do Pego da Moura

Arte pública

Museus

Classificado pelo IPPAR

Personalidades

  • António Inácio da Cruz
  • António Pires Cabral
  • Carlos Palhinhas Candeias
  • Evaristo de Sousa Gago
  • Frédéric Marie Joseph Velge
  • Hélder Mateus Pereira da Costa
  • Honorato de Sousa Nunes
  • João Guerreiro Vital
  • Joaquim Alves da Mata
  • Joaquim Ângelo da Silva
  • Jorge de Vasconcelos Nunes
  • José Jacinto Nunes
  • Licínio Chaínho Pereira
  • Manuel Baptista dos Reis
  • Manuel Costa Gaio Tavares de Almeida
  • Manuel Gameiro
  • Manuel Matos Caturra
  • Maria José Embaixador Pascoal
  • Teófilo Saguer
  • Vítor Manuel Ribeiro da Rocha

Heráldica

Brasão: Escudo de prata com um javali a negro dentado do metal do campo e acompanhado por dois carvalhos a verde. Em chefe, uma cruz da Ordem de Santiago, a vermelho, carregada no cruzamento por um pelicano de ouro, ferido de vermelho, alimentando três filhos no ninho, tudo de ouro realçado de negro, acompanhado por duas torres a negro, abertas e iluminadas do campo. Em contra-chefe, uma faixa ondada de azul. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com legenda a negro: "VILA DE GRÂNDOLA".[14]
Bandeira: Esquartelada de amarelo e negro. Cordões e borlas de ouro e negro. Haste e lança de ouro.[14]

Geminações

A vila de Grândola é geminada com as seguintes cidades:[15]

Festas de Grândola

  • GDLIVE
  • Feira “Ar Puro, Feira de Caça, Pesca e Atividades ao Ar Livre"
  • Feira de Agosto
  • Feira do Chocolate

Clubes desportivos e recreativos

  • GSC- Grândola Sports Club
  • Clube Recreativo O Grandolense
  • Grandolafoot Escola De Futebol
  • Hóquei Clube Patinagem De Grândola
  • Clube BTT Grândola
  • CAB - Clube Amigos Basquetebol Grândola "Os Javalis"

Grândola: História, Evolução Demográfica e Transformação Socioeconómica

Introdução

Grândola é um município português localizado no Alentejo Litoral (Distrito de Setúbal), com uma rica trajetória que atravessa milénios de ocupação humana. Do seu passado romano e medieval à afirmação como polo mineiro, corticeiro e operário no século XX — imortalizado na história contemporânea e na canção "Grândola, Vila Morena", de José Afonso —, o concelho reinventou-se profundamente ao longo dos séculos.

Dos Primórdios ao Período Medieval

  • Presidência e Povoamento Antigo: A presença humana na região remonta, pelo menos, ao Mesolítico, com estações arqueológicas de praticamente todas as épocas subsequentes. O período romano representou uma das fases de maior povoamento e desenvolvimento económico e social na Antiguidade (evidenciado pelas ruínas romanas de Troia).

  • Fundação e Criação da Comenda: Após a fundação de Portugal, o território integrou o termo de Alcácer do Sal, ficando a maior parte sob a alçada da Ordem Militar de Santiago da Espada. O marco institucional decisivo deu-se por volta de 1380, no reinado de D. João I, com a criação da comenda de Grândola. Com a distribuição de terras e o surgimento de ermidas e moinhos, a povoação adquiriu o estatuto de aldeia (contando com cerca de 150 habitantes no final da época medieval).

Do Século XV ao Século XIX

  • Elevação a Vila e Concelho: A pedido da população em franco progresso, o rei D. João III atribuiu a Grândola a Carta de Vila e a independência administrativa de Alcácer do Sal a 22 de outubro de 1544, criando o concelho dividido em três freguesias originais: Grândola, Bayrros e Santa Margarida da Serra.

  • Património Edificado: Até finais do século XVI, a vila ergueu infraestruturas emblemáticas como os Paços do Concelho, a cadeia, o pelourinho, o primeiro hospital, o celeiro da comenda, a Santa Casa da Misericórdia e um celeiro comum (instituído em 1579 para apoiar lavradores pobres com empréstimos de cereais a juros reduzidos).

  • Transformação Económica oitocentista: A segunda metade do século XIX mudou o perfil socioeconómico do município com o surgimento de duas indústrias fundamentais:

    • Indústria Mineira: Iniciada em 1863 no Canal Caveira e estendida posteriormente ao Lousal.

    • Indústria Corticeira.

  • Reorganização Territorial: Em 1855, o concelho expandiu-se com a anexação das freguesias de Melides e de São Mamede do Sádão, contabilizando 5.553 residentes no primeiro Recenseamento Geral da população em 1864.

O Século XX: Da Apogeu Industrial à Revolução

O século XX marcou a fase de maiores transformações demográficas e sociais em Grândola:

  • Agricultura e Campanha do Trigo: A política protecionista do Estado Novo impulsionou a cultura de cereais (com destaque para o trigo durante a Campanha do Trigo) e a produção de arroz nas várzeas de Melides e do Carvalhal.

  • O Polo Mineiro do Lousal: Sob a tutela do grupo Mines et Industries (criado em 1936), as minas do Lousal intensificaram a extração e transformaram-se num polo de desenvolvimento que atingiu cerca de 2.000 habitantes em 1960.

  • Tradição Operária e Revolucionária: O forte crescimento demográfico (que culminou no seu máximo populacional em 1950 com mais de 7.800 habitantes) e a concentração de mineiros e operários geraram intensa atividade sindical e política. Conflitos laborais e perseguições políticas conferiram a Grândola a fama de "terra revolucionária".

  • A Canção "Grândola, Vila Morena": O dinamismo associativo local deu destaque à Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, associação que inspirou o cantor e compositor José Afonso a criar a célebre canção que viria a servir de senha para a Revolução de 25 de Abril de 1974.

  • Crise e Reestruturação: A partir de finais do século XX, o concelho enfrentou o encerramento do complexo mineiro do Lousal (1988), a retração da indústria corticeira e a quebra na agricultura, o que provocou forte emigração e envelhecimento demográfico.

Dinâmica Contemporânea

Após o 25 de Abril de 1974, o poder autárquico investiu na melhoria de equipamentos sociais e infraestruturas urbanas. De um perfil estritamente agrícola, operário e mineiro, Grândola tem vindo a transitar gradualmente para um modelo de desenvolvimento focado no turismo sustentável, na preservação ambiental, na valorização cultural e na oferta qualificada de serviços.