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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Grupo Escolar Rio Branco: Um Farol da Instrução Pública em Curitiba (1911–?)

 

Denominação inicial: Grupo Escolar Rio Branco

Denominação atual:

Endereço: Rua Brigadeiro Franco, 2532 - Centro

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Ângelo Bottechia

Data: 1910

Estrutura: singular

Tipologia: Bloco único

Linguagem: 


Data de inauguracao: 1911

Situação atual: Edificação demolida

Uso atual: 

Grupo Escolar Rio Branco em 1917 Fonte: PARANÁ. Relatório apresentado ao Presidente do Estado, Affonso Alves de Camargo, pelo Secretario dos Negocios do Interior, Justiça e Instrucção Pública, Eneas Marques dos Santos. Curityba: Typ. d’A Republica, 1917

Grupo Escolar Rio Branco: Um Farol da Instrução Pública em Curitiba (1911–?)

No alvorecer do século XX, enquanto o Brasil se esforçava para consolidar uma identidade republicana e moderna, o Paraná investia com vigor na expansão da educação pública laica e gratuita. Nesse contexto nasceu, em pleno coração de Curitiba, o Grupo Escolar Rio Branco — uma instituição que, embora hoje desaparecida do mapa físico da cidade, marcou profundamente a formação de gerações e o próprio tecido urbano da capital paranaense.

Origens e Homenagem Patriótica

Inaugurado em 1911, o Grupo Escolar Rio Branco foi nomeado em homenagem ao Barão do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos Júnior), renomado diplomata brasileiro falecido no mesmo ano. A escolha do nome não era casual: refletia o clima nacionalista e civilizatório da Primeira República, que via na educação um instrumento de progresso e na figura de Rio Branco um símbolo de soberania, erudição e defesa dos interesses nacionais.

Localizado na Rua Brigadeiro Franco, 2532, no Centro de Curitiba, o edifício ocupava posição estratégica — próxima à Praça Tiradentes, à Catedral e aos principais órgãos administrativos da época — reforçando o papel central da escola na vida cívica da cidade.

Projeto Arquitetônico Singular

Diferentemente de muitas Casas Escolares construídas pelo Estado com base em modelos padronizados, o Grupo Escolar Rio Branco destacava-se por sua estrutura singular, fruto do talento do arquiteto Ângelo Bottechia, um dos profissionais mais atuantes na cena curitibana do período. Seu projeto, elaborado em 1910, seguiu a tipologia de bloco único, comum às instituições educacionais da época, mas imprimiu à fachada uma linguagem eclética com personalidade própria.

A composição arquitetônica combinava simetria clássica, janelas amplas para iluminação natural, detalhes em estuque e elementos decorativos discretos — como cornijas, platibandas e molduras — que conferiam dignidade sem ostentação. O interior abrigava múltiplas salas de aula, sanitários, pátio interno e, possivelmente, residência para o diretor, conforme o modelo vigente de “Grupo Escolar”, inspirado nas práticas pedagógicas europeias.

Atividade e Reconhecimento Oficial

Já em 1917, o Grupo Escolar Rio Branco figurava com destaque nos relatórios oficiais do governo estadual. Conforme registrado no documento “Relatório apresentado ao Presidente do Estado, Affonso Alves de Camargo, pelo Secretário dos Negócios do Interior, Justiça e Instrução Pública, Eneas Marques dos Santos” (Curitiba: Typ. d’A Republica, 1917), a escola funcionava plenamente, integrando a rede de ensino primário do Paraná e atendendo crianças do centro urbano em plena fase de urbanização acelerada.

Sua localização privilegiada atraía filhos de funcionários públicos, comerciantes, artesãos e pequenos empresários — representando, assim, um microcosmo da sociedade curitibana em transformação.

Desaparecimento e Legado

Apesar de seu papel formativo e de sua arquitetura distinta, o edifício do Grupo Escolar Rio Branco foi demolido em data não registrada, provavelmente durante as décadas de intensa renovação urbana que marcaram Curitiba a partir dos anos 1950. Hoje, não há uso específico documentado para o terreno, e a memória do prédio sobrevive apenas em fotografias antigas, plantas arquitetônicas e registros administrativos.

Felizmente, documentos como o relatório de 1917 e os arquivos da Secretaria de Estado da Educação preservam seu nome e função histórica, lembrando que, antes dos arranha-céus e dos centros comerciais, ali existiu um lugar onde crianças aprenderam a ler, escrever e sonhar com o futuro.

Conclusão

O Grupo Escolar Rio Branco foi mais do que uma escola: foi um projeto de nação em escala local. Em suas salas, ecoaram lições de cidadania, geografia do Brasil e hinos patrióticos; em seus corredores, caminharam meninos e meninas que viriam a ser engenheiros, professores, mães, operários — todos tocados, de alguma forma, pelo ideal republicano de que a instrução é o alicerce da liberdade.

Embora o tijolo tenha desaparecido, a semente permanece.

“Honraram o nome de um diplomata ensinando crianças a amar seu país — não com discursos, mas com cadernos, giz e esperança.”

— Em memória do Grupo Escolar Rio Branco (1911–?)