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terça-feira, 1 de setembro de 2026

João Lopes de Camargo: O Sertanista Paulistano e Pioneiro das Minas Gerais

 

João Lopes de Camargo
Nascimento1682
São Paulo
Morte2 de julho de 1743
Bandeirantes
CidadaniaImpério Português
Progenitores
Ocupaçãopovoador, agricultor

João Lopes de Camargo foi um sertanista paulistano que migrou para a região das minas de ouro da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Foi o último filho do casal Fernando de Camargo Ortiz e Joanna Lopes. Participou de expedições em busca de ouro nas regiões auríferas e contribuiu para a fundação dos arraiais de Vila Rica, Itaverava e Queluz na região que mais tarde veio a se chamar Minas Gerais.[1][2]

História

O sertanista João Lopes de Camargo é citado em duas partes do primeiro volume do livro Genealogia paulistana, de Silva Leme. O livro documenta as mais relevantes famílias de São Paulo e do interior do Brasil.[1][2] Nasceu em São Paulo em 1682. Morou com sua esposa por alguns anos em São Paulo, onde foi batizado seu filho homônimo João Lopes de Camargo, que ordenou-se padre.[3]

Ascendência

João Lopes de Camargo foi o décimo-terceiro e último filho do capitão Fernando Ortiz de Camargo, o Moço, com sua esposa Joanna Lopes. Seu pai era filho do bandeirante paulista Fernão de Camargo, capitão sob as ordens do capitão-mor Domingos Barbosa Calheiros na expedição contra os bárbaros gentios do sertão da Bahia em 1658. Era bisneto de Jusepe de Camargo, natural de Castela, que se mudou para São Paulo no fim do século XVI.[2]

Casamento e descendência

Por volta de 1710,[3], o sertanista casou-se com Izabel Cardoso de Almeida, filha de Ignacio Lopes Munhoz e Maria Cardoso de Almeida, casados em 1690, na Conceição dos Guarulhos, atual Guarulhos.[4][5] Mais tarde, João Lopes de Camargo e sua esposa mudaram-se para a freguesia de São Sebastião das Minas Gerais, onde fundaram uma fazenda e residiram até o falecimento. João Lopes de Camargo faleceu a 2 de julho de 1743 e foi sepultado na matriz de sua freguesia.[6] Silva Leme registrou os filhos do casal:[1]

  1. Maria Cardoso de Camargo, que foi casada com Antonio Teixeira, tendo filhos:
    1. Padre Antonio Teixeira de Camargo ordenado em Mariana a 28/12/1759;
    2. João Teixeira de Camargo, casado com Ana Maria Ferreira;
    3. Florencia Cardoso de Camargo, casada com Gabriel da Silva Pereira, com quem teve filhos;[nota 1]
  2. José Cardoso de Camargo, natural da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Minas Gerais, que se casou em 1768 com Mecia Bueno da Fonseca, viúva do capitão Francisco Xavier de Barros, filha de Salvador Jorge Bueno e de Jacintha de Araujo, moradores na Meia Ponte;
  3. Rev.mo. dr. em cânones João Lopes de Camargo, que em 1752 requereu o levantamento da herança de seus pais;
  4. Dom Ignacio do SS. Coração de Maria, religioso;
  5. Francisco Xavier Cardoso;[nota 2]
  6. Anna Maria, casada Thomaz Teixeira;
  7. Maria de Jesus;
  8. Isabel Cardoso de Câmara, casada com o guarda-mor José Francisco Dias, moradores no Rio Manso, filial da Vila do Príncipe, com quem teve filho;
  9. Theresa dos Santos.

Expedições e fundação dos primeiros arraiais mineiros

Em 1694, o bandeirante Bartholomeu Bueno de Siqueira descobriu ouro na região de Itaverava, durante uma expedição, acompanhado por seu cunhado Manuel Ortiz de Camargo, por seu sobrinho João Lopes de Camargo, que na época tinha doze anos,[7] por Miguel de Almeida e Antonio de Almeida. Na mesma época, uma outra expedição de sertanistas partiu de Taubaté, chefiada pelo capitão Manuel Garcia Velho, com o propósito principal de procurar indígenas, mas também de procurar metais. As duas bandeiras se encontraram casualmente em Itaverava, onde realizaram suas barganhas e deixaram no lugar elementos para lavrar a terra. Nessas terras próximas à serra de Itaverava nasceram alguns povoados, que durante a corrida do ouro, supriam as expedições auríferas. Esses povoados deram origem às vilas de Itaverava e Queluz.[8][9]

Em 1699, Francisco da Silva Bueno e seus irmãos, Antônio da Silva Bueno, Thomaz e João Lopes de Camargo, Felix de Gusmão de Mendonça Bueno, que haviam partido na expedição do padre João de Faria Fialho, novamente em busca de ouro, chegaram a Itaverava. De lá, avistaram o pico do Itacolomi, onde havia indícios de existências de novas jazidas de minerais preciosos. Em 1700, Thomaz Lopes de Camargo encontrou ouro na serra próxima a Itaverava. O grupo do padre João de Faria Fialho fundou no lugar um arraial para explorar as ricas jazidas de ouro da serra, que deu origem a Vila Rica.[8]

Um dos principais legados de João Lopes de Camargo foi a fundação do povoado de Camargos em 1711,[10] atual distrito de Mariana, com seu primo José de Camargo Pimentel, filho de seu tio Marcelino de Camargo e Mécia Ferreira Pimentel de Távora, e seus irmãos Thomaz Lopes de Camargo e Gonçalo Lopes de Camargo.[10] José de Camargo Pimentel foi nomeado alcaide-mor de São Vicente e São Paulo e, como guarda-mor das datas de Minas Gerais, chamou seus parentes de São Paulo para explorarem a região das minas de ouro.[11]

Duas filhas e uma neta de João Lopes de Camargo casaram-se com três jovens portugueses, sócios, que se tornaram proprietários de datas de mineração no ribeirão das Lavrinhas, atualmente conhecido como córrego do Paiol, na região de Jacuba, situada atualmente no distrito de Santo Antônio da Serra, ao sul de Carmo do Cajuru. As filhas Florência cardoso de Camargo, Ana Maria Cardoso de Camargo e Maria de Jesus Camargo casaram-se respectivamente com o sargento-mor Gabriel da Silva Pereira, Tomás Teixeira e Manoel neto. As esposas exigiram de seus maridos a construção de um oratório na terra para onde iriam morar para poderem praticar a fé cristã. No local do oratório, ao alto do atual morro do rosário, foi construída uma capela dedicada a Sant'Ana, que deu origem ao povoado de Sant'Anna de São João Acima, atual cidade de Itaúna.[12]

Morte

João Lopes de camargo instalou-se definitivamente na fazenda Ribeirão do Gama, localizada na freguesia de São Sebastião, atual distrito Bandeirantes, do município de Mariana, construída por ele e sua família.[3] Nesse local, permaneceu até a morte, em 2 de julho de 1743, onde também morreu sua esposa Isabel, em 17 de abril de 1731

João Lopes de Camargo: O Sertanista Paulistano e Pioneiro das Minas Gerais

João Lopes de Camargo (São Paulo, 1682 — Bandeirantes, 2 de julho de 1743) foi um proeminente sertanista, povoador e agricultor paulistano que migrou para a região das minas de ouro durante o período colonial, integrando o Império Português. A sua trajetória e ascendência encontram-se documentadas na historiografia clássica brasileira, destacando-se na célebre obra Genealogia Paulistana, de Luís Gonzaga da Silva Leme.

Ascendência e Família

Nascido em São Paulo em 1682, João Lopes de Camargo foi o décimo-terceiro e último filho do casamento entre o capitão Fernando Ortiz de Camargo, o Moço, e Joanna Lopes.

  • Pela via paterna: Era neto do bandeirante paulista Fernão de Camargo, que serviu sob as ordens do capitão-mor Domingos Barbosa Calheiros na expedição de 1658 contra os povos indígenas hostis (bárbaros gentios) no sertão da Bahia.

  • Origem familiar: Era bisneto de Jusepe de Camargo, natural de Castela, que se estabeleceu em São Paulo nos finais do século XVI.

Casamento e Descendência

Por volta de 1710, o sertanista casou-se com Izabel Cardoso de Almeida, filha de Ignacio Lopes Munhoz e de Maria Cardoso de Almeida (casados em 1690 na Conceição dos Guarulhos, atual Guarulhos).

Após passarem os primeiros anos a residir em São Paulo — onde foi batizado o seu filho homónimo, que viria a ordenar-se padre —, o casal mudou-se para a freguesia de São Sebastião das Minas Gerais. Ali construíram e habitaram a fazenda Ribeirão do Gama (localizada na atual freguesia e distrito de Bandeirantes, pertencente ao município de Mariana). Izabel faleceu a 17 de abril de 1731, e João Lopes de Camargo viria a falecer a 2 de julho de 1743, sendo sepultado na matriz da sua freguesia.

Conforme o registo de Silva Leme, o casal teve uma vasta descendência que marcou a presença regional:

  • Maria Cardoso de Camargo: Casada com Antonio Teixeira (pais do padre Antonio Teixeira de Camargo, ordenado em Mariana em 1759, e de João Teixeira de Camargo).

  • Florencia Cardoso de Camargo: Casada com o sargento-mor Gabriel da Silva Pereira.

  • José Cardoso de Camargo: Natural de Nossa Senhora da Conceição de Minas Gerais, casado em 1768 com Mecia Bueno da Fonseca (viúva do capitão Francisco Xavier de Barros e filha de Salvador Jorge Bueno e Jacintha de Araujo, moradores na Meia Ponte).

  • Rev.mo. Dr. em Cânones João Lopes de Camargo: Requereu o levantamento da herança paterna em 1752.

  • Dom Ignacio do SS. Coração de Maria: Religioso.

  • Francisco Xavier Cardoso.

  • Anna Maria: Casada com Thomaz Teixeira.

  • Maria de Jesus.

  • Isabel Cardoso de Câmara: Casada com o guarda-mor José Francisco Dias (moradores no Rio Manso, filial da Vila do Príncipe).

  • Theresa dos Santos.

Expedições e Fundação dos Primeiros Arraiais Mineiros

O envolvimento de João Lopes de Camargo na abertura e consolidação das regiões auríferas deu-se através de sucessivas expedições:

  1. A Expedição de Itaverava (1694): Com apenas doze anos de idade, integrou a expedição liderada por seu tio Manuel Ortiz de Camargo e por Bartholomeu Bueno de Siqueira, que culminou no encontro com a bandeira de Taubaté chefiada pelo capitão Manuel Garcia Velho. A fixação de elementos de lavra nestas terras deu origem aos povoados que mais tarde formariam as vilas de Itaverava e Queluz.

  2. A Descoberta de Vila Rica (1699–1700): Partindo na expedição do padre João de Faria Fialho ao lado de Francisco da Silva Bueno, Antônio da Silva Bueno, Thomaz Lopes de Camargo e Felix de Gusmão de Mendonça Bueno, o grupo avistou o pico do Itacolomi em 1699. Em 1700, Thomaz Lopes de Camargo encontrou ouro na serra, propiciando a fundação do arraial que deu origem a Vila Rica.

  3. O Arraial de Camargos (1711): Um dos seus principais legados diretos foi a fundação do povoado de Camargos (atual distrito de Mariana) em 1711, criado em conjunto com o seu primo José de Camargo Pimentel (alcaide-mor de São Vicente e São Paulo e guarda-mor das minas) e com os seus irmãos Thomaz e Gonçalo Lopes de Camargo.

  4. O Legado em Itaúna: Duas filhas (Florência e Ana Maria) e uma neta de João Lopes de Camargo casaram-se com três sócios e proprietários de datas de mineração no ribeirão das Lavrinhas (atual córrego do Paiol, em Jacuba). A exigência das esposas de construir um local de culto resultou na capela dedicada a Sant'Ana no alto do atual morro do Rosário, dando origem ao povoado de Sant'Anna de São João Acima, que veio a transformar-se na atual cidade de Itaúna.