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sexta-feira, 24 de julho de 2026

José Rodrigues Nunes: Mestre da Pintura, Cenografia e Restauro na Bahia Colonial e Imperial

 

Retrato de José Rodrigues Nunes, pintado do natural por Francisco Rodrigues Nunes, seu filho.
A flagelação, de José Rodrigues Nunes (1855). Museu de Arte da Bahia, Salvador.

José Rodrigues Nunes (Salvador, 1800Salvador, 1881) foi um pintor, professor, decorador, restaurador, cenógrafo e encarnador brasileiro, discípulo de Franco Velasco (1780–1833).[1][2]

Lecionou desenho no Liceu Provincial de Salvador que funcionava no Convento da Palma, entre 1837 e 1859, tendo como alunos Olímpio Pereira da Mata, Macário José da Rocha, João Francisco Lopes Rodrigues, Francisco da Silva Romão e seu filho, Francisco Rodrigues Nunes.[3] Além de professor, atuou como cenógrafo do Teatro São José durante muitos anos.[carece de fontes]

Trabalhos

É considerado um dos representantes da fase final da pintura colonial baiana. Realiza vários trabalhos, destacando-se: o forro e os painéis laterais da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, entre 1831 e 1834; as pinturas para a Irmandade do Santíssimo Sacramento da Matriz de São Pedro, em 1839; os painéis laterais da nave da Irmandade do Santíssimo Sacramento do Passo, em 1860; e os quadros representando os "Passos de Cristo", em 1855. Também ajudou nas pinturas da Igreja do Bonfim, entre 1818 e 1820.[3][4]

Suas obras estão espalhadas em acervos de diferentes instituições, como na Faculdade de Medicina da Bahia (três pinturas), Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (dois quadros), Irmandade do Santíssimo Sacramento da Matriz do Paço (dois painéis sobre a Transfiguração de Jesus e a Santa Ceia) e Museu de Arte da Bahia (nove quadros oriundos da coleção de Jonathas Abbott).[5]

Santa Isabel, São João e São Zacarias

Santa Isabel, São João e São Zacarias

Óleo sobre tela, localizado no Museu de Arte da Bahia, cópia de "O Sono do Pequeno São João", de autoria de Carlo Dolci do século XVII. Salvo pequenos detalhes, praticamente é uma transcrição literal do original.[5]

Santa Família (1820)

A obra está no Museu de Arte da Bahia, é uma cópia feita por José Rodrigues da obra de Annibale Carracci. Como ele nunca esteve na Europa, presume-se que está cópia foi feita com base em estampas da original.[6]

Nossa Senhora da Conceição (1880)

Retrata a Virgem com aparência jovial, envolta em nuvens, circundada por oito querubins. A obra encontra-se no Museu de Arte da Bahia.[6]

Retrato de Franco Velasco (1853)

Óleo sobre tela, retrato póstumo do pintor Franco Velasco, com o símbolo do calvário ao fundo e ele à frente com o pincel à mão. A obra encontra-se exposta no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.[5]

Notas e Referências

  1. «O Barroco no Brasil». Consultado em 10 de março de 2009. Arquivado do original em 14 de março de 2009
  2. Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais
  3.  «Seu gosto era copiar a arte alheia - Livro de Laudelino Freire». Consultado em 10 de março de 2009. Arquivado do original em 29 de junho de 2009
  4. «Os pintores do Bonfim». Consultado em 10 de março de 2009. Arquivado do original em 9 de janeiro de 2009
  5.  Pereira, Suzana Alice Silva (2005). «A pintura baiana na transição do barroco ao neoclássico». Consultado em 25 de agosto de 2021
  6.  «Religiosidade Cristã e as Artes Plásticas - Museu de Arte da Bahia». Google Arts & Culture. Consultado em 25 de agosto de 2021

José Rodrigues Nunes: Mestre da Pintura, Cenografia e Restauro na Bahia Colonial e Imperial

José Rodrigues Nunes (1800–1881) foi um prolífico pintor, professor, decorador, cenógrafo, restaurador e encarnador (especialista na pintura do tom de pele em esculturas) atuante em Salvador. Discípulo direto do mestre Joaquim José da Rocha e de Franco Velasco (1780–1833), Rodrigues Nunes é reconhecido pela historiografia da arte como um dos principais representantes do encerramento da escola colonial baiana de pintura, marcando a transição para a produção acadêmica do século XIX.

          [1800] Nascimento em Salvador (Bahia)
            │
          [1818-1820] Atuação nas pinturas da Igreja do Bonfim (Junto a Franco Velasco)
            │
          [1831-1834] Pintura do forro e painéis na Ordem Terceira de São Francisco
            │
          [1837-1859] Docência de Desenho no Liceu Provincial de Salvador (Convento da Palma)
            │
          [1853] Confecção do Retrato Póstumo do Mestre Franco Velasco
            │
          [1881] Morte aos 81 anos em Salvador

1. Atuação Pedagógica e Cenográfica

A contribuição de José Rodrigues Nunes para o meio artístico soteropolitano desdobrou-se em duas frentes fundamentais da vida cultural baiana:

  • Docência no Liceu Provincial (1837–1859): Sediado no Convento da Palma, Nunes lecionou desenho por mais de duas décadas, formando uma geração decisiva de artistas locais. Entre seus alunos destacam-se:

    • Olímpio Pereira da Mata

    • Macário José da Rocha

    • João Francisco Lopes Rodrigues

    • Francisco da Silva Romão

    • Francisco Rodrigues Nunes (seu filho e continuador de seu ofício)

  • Cenografia Teatral: Atuou por muitos anos como o principal cenógrafo do Teatro São José, no centro de Salvador, aplicando seus conhecimentos de perspectiva e ilusão de ótica e iluminação cenográfica para espetáculos públicos.

2. Produção em Arte Sacra e Igrejas de Salvador

Sua carreira é pontuada por encomendas decorativas para as mais prestigiadas ordens terceiras e irmandades da capital baiana.

Localização / InstituiçãoPeríodo / AnoDescrição das Obras / Contribuição
Igreja do Bonfim1818–1820Assistência e intervenções pictóricas no início da carreira.
Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência1831–1834Execução da pintura do forro e dos painéis laterais.
Matriz de São Pedro (Irmandade do Santíssimo)1839Série de pinturas sacras para o acervo da matriz.
Matriz do Passo (Irmandade do Santíssimo)1860Painéis laterais da nave (Transfiguração de Jesus e A Santa Ceia).

3. Estudo e Cópia de Gravuras Europeias

Como muitos pintores coloniais e do início do Império que não tiveram a oportunidade de viajar à Europa para realizar a "Apresentação à Itália", Rodrigues Nunes utilizou estampas e gravuras de reprodução como fonte de aprendizado técnico e inspiração iconográfica.

       Prints / Estampas Europeias                  Produção de José Rodrigues Nunes
     ┌─────────────────────────────┐               ┌─────────────────────────────────┐
     │ Cópia de "O Sono do Pequeno │  ──────────>  │ • "Santa Isabel, São João e     │
     │ São João" (Carlo Dolci)     │               │   São Zacarias" (Transcrição)   │
     └─────────────────────────────┘               └─────────────────────────────────┘
     ┌─────────────────────────────┐               ┌─────────────────────────────────┐
     │ Obras do gravado de         │  ──────────>  │ • "Santa Família" (1820)        │
     │ Annibale Carracci           │               │   (Estudo sobre matrizes)       │
     └─────────────────────────────┘               └─────────────────────────────────┘
  • Santa Isabel, São João e São Zacarias: Óleo sobre tela preservado no Museu de Arte da Bahia (MAB), consistindo em uma cópia direta e minuciosa da tela O Sono do Pequeno São João, do mestre barroco italiano Carlo Dolci (século XVII).

  • Santa Família (1820): Leitura baseada na obra de Annibale Carracci, atestando o domínio técnico de Nunes em interpretar composições complexas a partir de matrizes gravadas em preto e branco.

  • Nossa Senhora da Conceição (1880): Uma de suas últimas telas conhecidas, retratando a Virgem envolta em nuvens e cercada por oito querubins, misturando o bucolismo do rococó tardio à devoção neoclássica.

  • Retrato de Franco Velasco (1853): Homenagem póstuma em óleo sobre tela dedicada ao seu mestre. Representa Velasco segurando o pincel, tendo ao fundo a simbologia do Calvário — obra hoje preservada no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB).

4. Preservação em Acervos Públicos

As obras remanescentes de José Rodrigues Nunes encontram-se distribuídas nas principais coleções históricas da Bahia:

  • Museu de Arte da Bahia (MAB): Guarda 9 quadros do artista, originalmente pertencentes à coleção do médico e colecionador Jonathas Abbott.

  • Faculdade de Medicina da Bahia (UFBA): Possui 3 telas integrando seu patrimônio histórico.

  • Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB): Abriga 2 telas, incluindo o retrato de Franco Velasco.

  • Igreja da Matriz do Passo: Conserva em sua estrutura arquitetônica os grandes painéis da Transfiguração e da Santa Ceia.