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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Dryosaurus: o pequeno dinossauro ágil das florestas jurássicas

 

Dryosaurus
Intervalo temporal: Jurássico Superior
155–145 Ma
D. altus no Museu Beneski de História Natural
Classificação científicae
Reino:Animalia
Filo:Chordata
Classe:Reptilia
Clado:Dinosauria
Clado:Ornithischia
Clado:Ornithopoda
Família:Dryosauridae
Gênero:Dryosaurus
Marsh, 1894
Espécie-tipo
Dryosaurus altus
(Marsh, 1878 [originalmente Laosaurus altus])
Espécies

Dryosaurus (que significa 'lagarto de árvore', grego δρῦς - drys - que significa 'árvore, carvalho' e σαυρος - sauros - que significa 'lagarto') é um gênero de um dinossauro ornitópode que viveu no período Jurássico Superior. Era um iguanodontiano (anteriormente classificado como um hipsilofodonte). Fósseis foram encontrados no oeste dos Estados Unidos e foram descobertos pela primeira vez no final do século XIXValdosaurus canaliculatus e Dysalotosaurus lettowvorbecki foram ambos anteriormente considerados representantes de espécies de Dryosaurus.[1][2][3]

Descoberta

Pelve, perna e dente de D. altus, 1878 (incorretamente rotulado como Laosaurus altus)

Em 1876, Samuel Wendell Williston, no Condado de AlbanyWyoming, descobriu os restos de pequenos euornitópodes. Em 1878, o professor Othniel Charles Marsh os nomeou como uma nova espécie de LaosaurusLaosaurus altus. O nome específico altus, que significa "alto" em latim, refere-se a ser maior que Laosaurus celer.[4] Em 1894, Marsh tornou o táxon um gênero separado, Dryosaurus.[5] O nome genérico é derivado do grego δρῦς, drys, "árvore, carvalho", referindo-se a um presumido modo de vida que vivia na floresta. Mais tarde, muitas vezes presumiu-se que seu nome se devia ao formato de folha de carvalho de seus dentes da bochecha, que, no entanto, está ausente. A espécie-tipo continua sendo Laosaurus altus, a combinatio nova é Dryosaurus altus.[5]

holótipo, YPM 1876, foi encontrado em uma camada do Membro da Bacia Superior Brushy da Formação Morrison, datando do Tithoniano. Consiste em um esqueleto parcial, incluindo um crânio quase completo e mandíbulas inferiores. Vários outros fósseis de Wyoming foram atribuídos ao Dryosaurus altus. Eles incluem os espécimes YPM 1884: a metade traseira de um esqueleto; AMNH 834: um esqueleto parcial sem o crânio da Pedreira Bone Cabin; e CM 1949: a metade traseira de um esqueleto desenterrado em 1905 por William H. Utterback. A partir de 1922, em UtahEarl Douglass descobriu restos de Dryosaurus no Monumento Nacional dos Dinossauros. Estes incluem CM 11340: a metade frontal de um esqueleto de um indivíduo muito jovem; CM 3392: um esqueleto com crânio, mas sem a cauda; CM 11337: um esqueleto fragmentário de um jovem; e DNM 1016: um ílio esquerdo desenterrado pelo técnico Jim Adams.[6] Outros fósseis foram encontrados no Colorado. Em Lily Park, Condado de Moffat, James Leroy Kay e Albert C. Lloyd recuperaram, em 1955, o CM 21786, um esqueleto sem crânio e pescoço. Da Pedreira 'Scheetz' 1, em Uravan, Condado de Montrose, em 1973, Peter Malcolm Galton e James Alvin Jensen descreveram o espécime BYU ESM-171R encontrado por Rodney Dwayne Scheetz, consistindo de algumas vértebras, uma mandíbula inferior esquerda, um membro anterior esquerdo e dois membros posteriores.[7]

Molde do crânio do holótipo D. elderae

Rodney D. Scheetz e sua família descobriram uma localidade fóssil a cerca de oito quilômetros de Uravan, Colorado, na primavera de 1972. Este sítio, exposto involuntariamente por uma escavadeira, continha fragmentos fósseis, que se dizia estarem em tal estado que pareciam ossos não fossilizados.[8] O sítio foi mencionado em um artigo de 1973,[9] e Scheetz continuou a escavar o local anualmente até publicar uma breve nota em 1991. Até então, cerca de 2.500 fragmentos haviam sido escavados, e acredita-se que quase todos os espécimes tenham pertencido a Dryosaurus. Pelo menos oito indivíduos estão representados, com idades que variam de juvenil a embrionário; encontrar espécimes em idade embrionária é excepcionalmente raro para fósseis de dinossauros. Cascas de ovos também foram encontradas na amostra. Scheetz expressou sua intenção de continuar o trabalho no sítio após a publicação da nota.[8]

Gregory S. Paul em seu guia de campo de dinossauros de 2010 (2ª edição publicada em 2016) sugeriu que o material de Utah representava uma espécie separada,[10] o que foi confirmado por Carpenter e Galton (2018), que descreveram o Monumento Nacional dos Dinossauros Dryosaurus como uma nova espécie, D. elderae.[11]

Descrição

Restoraução de um D. altus
Tamanho comparado de D. elderae com o humano

Com base em espécimes conhecidos, estima-se que o Dryosaurus tenha atingido até 3 metros de comprimento e pesado até 100 quilos.[12] No entanto, como nenhum espécime adulto conhecido do gênero foi encontrado, o tamanho adulto permanece desconhecido.[13] Em 2018, concluiu-se que o maior espécime (CM 1949) era de outra espécie; revisar a identidade deste espécime colocou em questão a pesquisa anterior sobre tamanho e crescimento.[11]

Dryosaurus tinha pescoço longo, pernas longas e finas e uma cauda longa e rígida. Seus braços, porém, com cinco dedos em cada mão, eram curtos. Os dentes eram caracterizados por uma forte crista mediana na superfície lateral.[14]

Classificação

Originalmente pensado como um membro de Hypsilophodontidae,[15] Dryosaurus é membro de sua própria família Dryosauridae, um grupo de pequenos dinossauros iguanodontianos, sendo o gênero tipo. Sob o Phylocode, Madzia et al. (2021) definiram formalmente Dryosauridae como "o maior clado contendo Dryosaurus altus, mas não Iguanodon bernissartensis."[16]

cladograma abaixo segue sua filogenia de Iguanodontia, retirada da descrição de Orthomerus dolloi, mostrando as relações de Dryosaurus na família.[17]

Iguanodontia
Rhabdodontidae

Rhabdodon spp.

Zalmoxes robustus

Mochlodon vorosi

Zalmoxes shqiperorum

Tenontosaurus tilletti

Tenontosaurus dossi

Dryomorpha

Ankylopollexia

Dryosauridae

Eousdryosaurus nanohallucis

"Camptosaurus" valdensis

Callovosaurus leedsi

Dysalotosaurus lettowvorbecki

Dryosaurus altus

Valdosaurus canaliculatus

Elrhazosaurus nigeriensis

Paleoecologia

O espécime holótipo de Dryosaurus YPM 1876 foi descoberto na Pedreira YPM 5 de Reed, no Membro da Bacia Superior Brushy, da Formação Morrison. Nesta formação do Jurássico Superior da América do Norte ocidental, restos de Dryosaurus foram recuperados das zonas estratigráficas 2–6.[18] Esta é uma formação com uma sequência de sedimentos marinhos e aluviais rasos que, de acordo com a datação radiométrica, varia entre 156,3 milhões de anos (Ma) em sua base,[19] a 146,8 milhões de anos no topo,[20] o que a coloca nos estágios tardios do OxfordianoKimmeridgiano e início do Tithoniano do período Jurássico Superior. Em 1877, esta formação tornou-se o centro da Guerra dos Ossos, uma rivalidade na coleta de fósseis entre os primeiros paleontólogos Othniel Charles Marsh e Edward Drinker Cope. A Formação Morrison é interpretada como um ambiente semiárido com distintas estações chuvosa e seca. A Bacia de Morrison, onde os dinossauros viveram, estendia-se do Novo México a Alberta e Saskatchewan, e foi formada quando os precursores da Cordilheira Frontal das Montanhas Rochosas começaram a avançar para oeste. Os depósitos de suas bacias de drenagem voltadas para o leste foram carregados por córregos e rios e depositados em planícies pantanosas, lagos, canais de rios e planícies de inundação

Dryosaurus: o pequeno dinossauro ágil das florestas jurássicas

Dryosaurus (nome que significa “lagarto de árvore”, do grego drys = árvore/carvalho e sauros = lagarto) é um gênero de dinossauro ornitópode herbívoro que viveu durante o Jurássico Superior (entre 156,3 e 146,8 milhões de anos atrás), na região que hoje corresponde ao oeste dos Estados Unidos. É o gênero-tipo da família Dryosauridae, um grupo de pequenos e ágeis iguanodontianos, e foi um dos primeiros dinossauros desse grupo a ser descoberto, ainda no final do século XIX.

Descoberta e História

A história científica do Dryosaurus começa em 1876, no Condado de Albany, Wyoming, quando o coletor Samuel Wendell Williston encontrou restos de pequenos dinossauros. Em 1878, o famoso paleontólogo Othniel Charles Marsh descreveu esses fósseis como uma nova espécie do gênero Laosaurus: Laosaurus altus — o nome altus significa “alto”, por ser maior que a espécie-tipo desse gênero.
Em 1894, Marsh percebeu que se tratava de um grupo distinto e criou o gênero Dryosaurus, mantendo a espécie altus. O nome foi escolhido porque se acreditava que ele vivia em ambientes florestais; posteriormente, houve uma interpretação equivocada de que o nome se referia ao formato de folha de carvalho dos dentes — mas essa característica não existe.
  • Espécies reconhecidas:
    • Dryosaurus altus: espécie-tipo, descrita por Marsh, baseada no holótipo YPM 1876 (esqueleto parcial com crânio quase completo), encontrado na Formação Morrison. Fósseis vindos de Wyoming, Colorado e Utah foram atribuídos a ela.
    • Dryosaurus elderae: descrita em 2018 por Carpenter e Galton, a partir de materiais do Monumento Nacional dos Dinossauros, em Utah. Antes, esses fósseis eram considerados apenas variações de D. altus.
  • Achados importantes:
    • Em Colorado, uma jazida descoberta em 1972 por Rodney Scheetz guardava cerca de 2.500 fragmentos, com pelo menos 8 indivíduos — incluindo embriões e cascas de ovos, um achado raro para dinossauros.
    • Espécimes de outras regiões: AMNH 834 (esqueleto sem crânio), CM 1949 (esqueleto parcial), CM 11340 (filhote muito jovem), entre outros.
    • Gêneros como Valdosaurus (Europa) e Dysalotosaurus (África) já foram considerados espécies de Dryosaurus, mas hoje são classificados como parentes próximos, gêneros próprios dentro da mesma família.

Descrição Física

Era um dinossauro pequeno, leve e extremamente ágil, adaptado para correr rápido e escapar de predadores.
  • Tamanho:
    • Comprimento: até 3 metros
    • Peso: cerca de 100 kg
    • Importante: nenhum espécime 100% adulto foi encontrado até hoje, então essas estimativas são baseadas em indivíduos que ainda estavam crescendo. Até 2018, pensava-se que um fóssil era de um adulto grande, mas foi reclassificado como outra espécie, mudando o que se sabia sobre seu crescimento.
  • Características do corpo:
    • Cabeça pequena, pescoço longo e flexível.
    • Dentes: com uma crista bem marcada na superfície lateral, formato adequado para cortar e moer plantas.
    • Membros anteriores curtos, com 5 dedos em cada mão — pouco usados para locomoção, serviam para se alimentar ou se apoiar.
    • Membros posteriores longos, finos e fortes, com estrutura de perna semelhante à de aves corredoras.
    • Cauda muito longa e rígida, reforçada por tendões ossificados, que funcionava como contrapeso durante a corrida e mantinha o equilíbrio.
Era bípede: andava e corria sempre sobre as duas patas traseiras, capaz de atingir velocidades altas para seu tamanho.

Classificação Científica

  • Reino: Animalia
  • Filo: Chordata
  • Classe: Reptilia
  • Ordem: Ornithischia
  • Subordem: Ornithopoda
  • Clado: Iguanodontia
  • Família: Dryosauridae
  • Gênero: Dryosaurus
  • Espécies: D. altus, D. elderae
Durante muito tempo foi colocado na família Hypsilophodontidae, mas hoje forma sua própria família, Dryosauridae — definida em 2021 como “o maior grupo que contém Dryosaurus altus, mas não Iguanodon bernissartensis”. É considerado um parente basal dos grandes iguanodontes e hadrossauros que apareceram depois, no Cretáceo.

Relações evolutivas simplificadas

plaintext
Iguanodontia
├─ Rhabdodontidae
└─ Dryomorpha
   ├─ Ankylopollexia (grupo dos grandes iguanodontes)
   └─ Dryosauridae
      ├─ *Eousdryosaurus*
      ├─ *Dysalotosaurus*
      ├─ *Dryosaurus*
      ├─ *Valdosaurus*
      └─ outros parentes

Paleoecologia: onde e como vivia

Todos os fósseis de Dryosaurus foram encontrados na Formação Morrison, uma das camadas geológicas mais ricas em dinossauros do mundo, que cobre grande parte do oeste da América do Norte.
  • Ambiente:
    • Era uma região semiárida, com estações bem definidas: uma chuvosa e outra seca.
    • Havia planícies alagadas, lagos, rios e áreas de floresta aberta, com vegetação como samambaias, cicadáceas e coníferas — alimento principal desses dinossauros.
    • A paisagem era formada por bacias de drenagem vindas das montanhas em formação, com depósitos de areia, argila e cascalho.
  • Fauna associada:
    • Herbívoros gigantes: Apatosaurus, Diplodocus, Brachiosaurus, Camptosaurus
    • Carnívoros: Allosaurus, Ceratosaurus, Torvosaurus — principais predadores do Dryosaurus, que usava sua velocidade para escapar.
    • Outros répteis, mamíferos pequenos e peixes completavam o ecossistema.
  • Modo de vida:
    • Era um herbívoro seletivo, que se alimentava de folhas, brotos e plantas macias, usando os dentes especializados para cortar o alimento.
    • Provavelmente vivia em grupos ou bandos, como defesa contra predadores.
    • Os achados de embriões e cascas de ovos mostram que se reproduzia em ninhos, e que os filhotes nasciam pequenos e precisavam crescer muito até a idade adulta.

Importância Científica

Dryosaurus é um fóssil-chave para entender a evolução dos ornitópodes: mostra como os dinossauros herbívoros passaram de formas pequenas e ágeis, como ele, para os gigantescos e especializados hadrossauros do Cretáceo. Além disso, os fósseis de Wyoming, Colorado e Utah ajudam a reconstruir o ambiente e a biodiversidade da Formação Morrison, um dos ecossistemas mais estudados da pré-história.