domingo, 27 de novembro de 2022

Reserva

 

Reserva

Reserva
   Município do Brasil  
Símbolos
Bandeira de Reserva
Bandeira
Hino
Gentílicoreservense
Localização
Localização de Reserva no Paraná
Localização de Reserva no Paraná
Reserva está localizado em: Brasil
Reserva
Localização de Reserva no Brasil
Mapa de Reserva
Coordenadas24° 39' S 50° 51' 03" O
PaísBrasil
Unidade federativaParaná
Municípios limítrofesRosário do IvaíOrtigueiraImbaúTibagiIvaí e Cândido de Abreu
Distância até a capital227[1] km
História
Fundação1921 (101 anos)
Administração
Prefeito(a)Lucas Machado Ribeiro[2] (Podemos, 2021 – 2024)
Vereadores11
Características geográficas
Área total [3]1 635,522 km²
População total (estimativa populacional — IBGE/2019[4])26 715 hab.
Densidade16,3 hab./km²
Climasubtropical (Cfb)
Altitude833 m
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2000[5])0,618 — médio
PIB (IBGE/2008[6])R$ 268 634,728 mil
PIB per capita (IBGE/2008[6])R$ 10 720,09
Sítioreserva.pr.gov.br (Prefeitura)

Reserva é um município brasileiro do estado do Paraná. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2019, era de 26 715 habitantes.[4]

Etimologia

De origem geográfica, em referência a antiga reserva indígena existente onde se localiza a sede municipal. Posteriormente à ocupação da área, a reserva foi transferida de lugar.

História

sertanista José Mariano de Marins, procedente de Faxina, na então Província de São Paulo, chegou à região do atual município de Reserva por volta do ano 1840.

Com o documento de posse obtido por Ordem Provincial, a acompanhado de modesta comitiva, empreendeu viagem, atravessando o Tibagi e indo parar às margens do Rio Imbaú. Estabeleceu-se acampamento e começou a aliciar os povos indígenas que habitavam aquelas matas, seu objetivo era o de conquistar a amizade daquela gente para que o deixassem ali permanecer.

Não muito tempo depois da chegada de José Marins, José Florentino de Sá Bittencourt, orientado por aquele, se estabeleceu em uma região que, até os dias de hoje, é conhecida pelo nome de Campinas Belas.

Vindo de Apiaí, no ano de 1845, apareceu, no acampamento de Marins, o aventureiro José de Morais Cunha, à cata de ouro de aluvião. José ficou entusiasmado pelo fato de as terras próximas dali nunca haverem sido tocadas pelo homem branco, por se constituírem em reserva indígena da nação Caingangue. A reserva, porém, veio a não ser efetivamente respeitada pelos não índios e, como resultado, o povo Coroado (Cainguangues que usavam um corte de cabelo que se assemelhava a uma coroa) foi empurrado sertão adentro.

Naquelas imediações, num período contemporâneo ao de Marins, mais precisamente no ano de 1847, o médico francês João Maurício Faivre fundou, com a ajuda do engenheiro francês Gustave Rumbelsperger e com a permissão do Governo Imperial, a Colônia Tereza Cristina.

colônia não prosperou e houve um grande êxodo do lugar. Espalhando-se sertão afora, muitos cruzaram o Rio Ivaí e outros se dispersaram, sendo que alguns se juntaram à saga sertanista de Marins.

No dia 20 de abril de 1906, Reserva foi elevada à categoria de Distrito Judiciário através da Lei 22, e a nível de vila e município pela Lei Estadual nº 2.038 de 26 de março de 1921. A instalação se deu no mesmo dia.

história política do lugar ficou marcada com a morte do primeiro prefeito,[7] o coronel Rogério Borba, que acabou sendo traiçoeiramente assassinado antes mesmo de tomar posse.[8][9] A morte em uma das principais ruas da cidade foi atribuída a rixas políticas. Em substituição assumiu o cargo o coronel Manoel Antonio Gomes, que governou o município por doze anos seguidos.

Geografia

Possui uma área é de 1.635 km² representando 0,8203 % do estado, 0,2901 % da região e 0,0192 % de todo o território brasileiro. Localiza-se a uma latitude 24°39'00" sul e a uma longitude 50°51'03" oeste, estando a uma altitude de 938 m.

Clima

Subtropical Úmido Mesotérmico, com temperatura média:

  • Verões frescos (temperatura média inferior a 22 °C).
  • Invernos com ocorrências de geadas severas e frequentes (temperatura média inferior a 18 °C), não apresentando estação seca.

Demografia

Dados do Censo - 2010

População residente 25.172 pessoas. Homens 12.926 pessoas e Mulheres 12.246 pessoas.[10]

Etnias
Branca62,4%
Parda34%
Negra2,2%
Amarela0,5%
Indigena0,9%

Fonte: IBGE 2014

Transportes

Acesso Rodoviário

O principal acesso rodoviário da cidade é pela rodovia PR-441.

Administração

Cultura

Culinária

O prato típico do município de Reserva é o tomate recheado.[11]

Referências

  1.  «Distâncias entre a cidade de Curitiba e todas as cidades do interior paranaense». EmSampa. Consultado em 22 de setembro de 2017
  2.  Prefeito e vereadores de Reserva tomam posse Portal G1 - acessado em 22 de fevereiro de 2021
  3.  IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010
  4. ↑ Ir para:a b «estimativa_dou_2019.xls». ibge.gov.br. Consultado em 28 de agosto de 2019
  5.  «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil»Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008
  6. ↑ Ir para:a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010
  7.  «Genealogia da família Luiz Leopoldo Mercer, Lulu». 1988. Consultado em 15 de janeiro de 2020
  8.  «O Paraná e seus municípios». Editora Memória Brasileira. 1996. Consultado em 15 de janeiro de 2020
  9.  «Boletim do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense, Volumes 32-34». 1977. Consultado em 15 de janeiro de 2020
  10.  «Censo Populacional 2010»Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010
  11.  Michele Pavoni (21 de abril de 2018). «Sabores dos Campos Gerais: receitas típicas para fazer em casa». Diário dos Campos. Consultado em 29 de setembro de 2019

Ligações externas

ANTONINA EM 1854 (parte 4)

 

ANTONINA EM 1854 (parte 4)



Desembarque de passageiros no porto do Rio de Janeiro no século XIX. Imagine-se como era em Antonina...
Na baixa-mar, o desembarcadouro [de Antonina] é uma costa lamacenta muito traiçoeira; um dique de pedras nuas, nas quais há sempre o perigo de quebrar as pernas, não o torna nada melhor” (ver aqui).
Provavelmente o transporte de cargas e de pessoas era feito por pequenas canoas e chatas das embarcações até terra firme. Somente em 1865 o engenheiro Antônio Rebouças teve seu plano de construir uma ponte de embarque em Antonina aprovado. Não sabemos se teve sucesso ou se o atracadouro da cidade ainda teve que esperar ainda mais alguns anos (aqui).
Ainda em 1855 (ver aqui) o administrador interino da Mesa de Rendas, um dos órgãos ligados ao porto, estabelecia que o trabalho de embarque de mercadorias seria feito tão somente no lugar denominado Ponta da Pedra, no cais localizado em frente a rua Ypiranga (onde seria?). No regulamento (aqui) Pinheiro estabelece que todo aquele que “de algum ponto ou praia” se dirigirem ás embarcações terão as mercadorias apreendidas. Quanto contrabando deve ter passado....
Um relatório da Mesa de Rendas da Villa Antonina, publicada em novembro de 1854 (aqui), nos diz que, de maio a novembro, atracaram 29 embarcações no porto. Destes, 11 eram navios de pequena tonelagem, como lanchas, escunas ou iates. Estes barcos pequenos, movidos a vela, faziam transporte local, em geral para Santos, Iguape ou para os portos de Santa Catarina.
Os barcos médios, brigues ou patachos, alcançavam até 100 toneladas. Eram igualmente embarcações movidos a vela, com dois mastros e pequenas variações entre si na configuração das velas (Para diferenças, ver aqui) .  Estes veleiros faziam travessias maiores, tendo como destino Santos ou Rio de Janeiro.
As barcas eram os maiores navios. Também movidos a vento, tinham três mastros e as maiores tonelagens. O destaque no porto de Antonina naquele ano foi a barca Dianna, de 280 toneladas. Era cerca de dez vezes a tonelagem de uma escuna e ter vezes a de um brigue ou patacho. A Dianna transportou arroz, madeira e erva mate para o Rio de Janeiro.
As mercadorias, como vimos, eram produtos da terra, como arroz, madeira, telhas e cal. Por vezes, transportava-se também erva mate e farinha.
Outro destaque desta lista é o brigue Paranã. Era de Antonina, o que pressupõe um armador com porte suficiente para arcar com as despesas deste tipo de navio. Seu proprietário era Joaquim Leite Mendes. O brigue Paranã neste ano de 1854 fez duas viagens para o Rio de Janeiro, uma em maio e outra em outubro. Transportou para a Corte erva mate, madeira e arroz. Em janeiro de 1855 o Paranã publicou um artigo no Dezenove de Dezembro (aqui), em Curitiba, no qual anunciava ainda receber carga, além de oferecer “cômodos suficientes” para passageiros.
Um comercio incipiente começava a se fazer entre A Villa Antonina e a Capital. Com a chegada do conselheiro Zacarias a Estrada da Graciosa começava a ser reparada. Enfim a Graciosa deixaria de ser uma trilha de tropeiros para se tornar uma estrada carroçável. Em julho de 1855 foi expedida uma ordem (ver aqui) para o responsável pelas obras, o engenheiro Vilalva, a começar o calçamento de Curitiba até a borda do Campo e de Antonina até são João da Graciosa.
Oportunidades surgiam em todos os lados. Um comerciante capelista anuncia no jornal Dezenove de Dezembro (aqui) que dispunha armazenar e despachar cargas vindas do Rio de Janeiro para Curitiba. Diz que garante armazenagem por dois anos, com acondicionamento das mercadorias.
Outro comerciante capelista anuncia, em 1856 (aqui), a venda de terreno próximo ao mar, permitindo o acesso de embarcações e chatas. Segundo o anuncio, o terreno tem um excelente armazém construído com pedra e cal. Tem ainda um palacete construído de pedra, cal e excelentes madeiras, próxima do largo da matriz, com aprazível e elegante vista para o mar.
Neste mesmo anuncio se oferece também um armazém na Rua da Praia com 40 palmos de frente, com acomodações para família e negócio. O capitalista capelista prefere vender tudo, inclusive com escravos de ambos os sexos, a um só comprador.
Com escravos e tudo? E a gente ainda acha os nossos tempos estranhos...

ANTONINA EM 1854 (parte 5)

 

ANTONINA EM 1854 (parte 5)



Os escravos viviam sendo submetidos a humilhações e castigos; na Deitada-a-beira-do-mar não foi diferente...
A história oficial narra que patriotas brasileiros revidaram, e chegaram a trocar tiros de canhão com a belonave inglesa na Fortaleza da Ilha do Mel. Há uma placa comemorativa lá no velho forte sobre o tal “Incidente Cormorant”. Pelo que se depreende dos relatos, o navio inglês entrou e saiu da barra da Fortaleza como e quando quis. Os tais dos patriotas gastaram pólvora contra um inimigo poderoso e uma causa ignóbil. Mas isso é um julgamento da posteridade...
Em 1854, na Villa Antonina, de cada cinco moradores, um era escravo. Tamanho contingente despertava muito medo entre os senhores, por receio de represálias. As revoltas de escravos, diante deste medo todo, eram punidas com redobrado rigor.
 O fato é que naquela época as histórias de navios ingleses que viriam libertar os escravos eram muito comuns. Em janeiro de 1859 a cidade estava em estado de alerta com uma possível revolta escrava (ver aqui). Alguns escravos chegaram a interpelar o delegado, acusando de que este estava escondendo notícias de uma possível emancipação dos escravos. O delegado, com medo, mandou descer tropas de Curitiba e Morretes. Ao fim, nada aconteceu (ver aqui).
O medo era que se repetissem os terríveis acontecimentos de 1835. Naquela época, os escravos do armador José Luiz Gomes assassinaram seu senhor e, segundo os relatos, roubaram uma fortuna em moedas. Isso foi narrado por Ermelino de Leão no livro "Antonina, Fatos e Homens", capítulo 20, pag. 136.
José Luiz Gomes tinha um grande sítio no Pinherinho. Era armador de navios e participava do tráfico negreiro, tendo acumulado grande fortuna. Depois de assassinar seu senhor, os escravos fugitivos foram capturados e mortos, tendo seus corpos exibidos em postes por toda a área do Pinheirinho. Tempos terríveis.
A resistência dos escravos também se dava de outras maneiras. Em 1º de outubro de 1855 o preto João, de nação congo, fugiu de seu senhor Manoel José da Rosa Junior, morador da rua da Carioca em Antonina. Segundo o anúncio (ver aqui), João tinha 20 anos, era baixo e tinha pouca barba, dedos curtos, dentes afinados e olhos um pouco vermelhos. Tinha fala atrapalhada. Quando fugiu levou roupa de algodão, calças riscadas e um cobertor.
Era comum essa descrição mais ou menos detalhada. Na falta de fotos, ela garantia a identificação do escravo fugitivo. A gratificação para quem apreendesse João Congo era de 40 mil réis.  Para se ter uma ideia, um escravo custava nesta época cerca de 320 mil reis.
Em novembro de 1854 o cidadão capelista Antônio José Alves publica um anúncio no Dezenove de Dezembro (ver aqui) avisando da fuga de seu escravo Antônio. Segundo o anuncio, Antônio tinha cor parda e estatura ordinária, olhos pequenos, corpo reforçado, cabelo corredio, pernas grossas e um tanto zaimbras (o que seria isso?). Tinha ainda os pés esparramados. Quando fugiu vestia camisa e calça de algodão grosso, e um embrulho com mais alguma roupa. O senhor ainda prometia recompensa para quem lhe devolvesse Antônio, além de uma “gratidão eterna”. Ainda segundo o anúncio, Antônio tinha como profissão oficial de pedreiro.
Uma fonte de renda muito comum nesta época era o aluguel de escravos como Antônio para atividades diversas, como pedreiros, carpinteiros, etc. Eram os chamados “pretos de ganho”. Num processo de 1859 descrito por Silvia Correia de Freitas (ver aqui) descreve um caso de violência envolvendo um “preto de ganho”.
O preto Simão, que trabalhava alugado  como padeiro, foi castigado por  Luís Manoel da Cunha, dono de uma Padaria na Deitada-a-beira-do-mar. Ao ser acordado de madrugada para trabalhar na massadeira de pães, Simão argumentou que não era seu serviço e foi por isso castigado com bofetadas e golpes de cabo de vassoura. Simão então levantou-se e foi para a casa de seu senhor, pois este havia lhe garantido que “não aguentasse desaforo”.
O castigo físico dos escravos era uma constante. Entretanto havia na sociedade uma ideia de que este castigo deveria ser “justo”. Em junho de 1859 foi aberto em Antonina um processo do escravo Diogo, que estava na cadeia para se avaliar seu estado. Diogo dizia estar com a costela fraturada e um braço bastante machucado.
Os presos da cadeia diziam que Diogo estava vazando sangue pelo nariz e pela boca. Não conseguia se mover e estava prestes a morrer. No entanto, todos os testemunhos, a maior parte negociantes e lavradores da cidade diziam que o escravo apanhara de seu senhor por motivo justo.
Diogo não foi interrogado no inquérito. Francisco Ferreira Correa, promotor de justiça em Paranaguá, faz um arrazoado sobre as reclamações do escravo Diogo. Diz o promotor que o senhor tinha direito a castigar seu escravo, e que o espancamento não tinha sido brutal.

A prova é que o exame de delito, efetuado cinco dias depois da queixa, mostra que o escravo não teve nenhum osso quebrado. Segundo o nobre promotor, “o corretivo consistiu em um castigo moderado, o que é permitido no parágrafo 26° do artigo 16 do Código Criminal”.

O promotor Corrêa acrescenta que o réu, o Senhor Correa, não deveria ir à julgamento. A surra em Diogo não configurara um castigo severo. Além disso, a punição de um senhor que castiga seus escravos, argumenta o promotor, “ficaria com um precedente que acarretaria consequências de desrespeito e insubordinação dos escravos para com seus senhores” (aqui).

Estas são histórias pouco edificantes da bela Antonina. Muitas outras histórias de brutalidade e desrespeito poderiam ser contadas. Essas poucas historias, terríveis, nos remetem diretamente para nosso tempo.

Apesar de já não termos escravos, quantas vezes atos semelhantes não se repetem? Quantas vezes nos calamos vendo a brutalidade ocorrer na nossa frente? Quantas vezes ainda vamos tolerar a morte banal de pessoas simples e humildes somente pelo fato de serem humildes? Como um branco (e filho de desembargadora!) sai inocente após ser preso com drogas e armas, enquanto o negro Rafael Braga continua preso por porte de Pinho Sol?