fotos fatos e curiosidades antigamente O passado, o legado de um homem pode até ser momentaneamente esquecido, nunca apagado
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
RELEMBRANDO O GASOGÊNIO
RELEMBRANDO O GASOGÊNIO
Cartão Postal de Curitiba, editado no início da década de 1890, circulado em 27/12/1892, apresenta o então "Palacio do Governo - Curityba", construído na então Rua da Liberdade, atual Rua Barão do Rio Branco.
Cartão Postal de Curitiba, editado no início da década de 1890, circulado em 27/12/1892, apresenta o então "Palacio do Governo - Curityba", construído na então Rua da Liberdade, atual Rua Barão do Rio Branco.
Construído na década de 1870, pelo engenheiro italiano Ernesto Gaita para ser
residência do seu colega Leopoldo Ignácio Weiss, foi concluída nos anos 1880.
Em 1890, a residência de Ignácio Weiss foi comprada pelo recém governo republicano brasileiro transformando-a no Palácio da Liberdade, sede do Governo Estadual e residência para o presidente do estado. Em pouco tempo, o imóvel passou a ser propriedade definitiva do Estado do Paraná e até 1937 foi sua sede.
Nas décadas seguintes, o palácio abrigou vários departamentos públicos, como a Secretaria do Interior e Justiça, a COSIPE, a Secretaria de Obras Públicas e em 1989 foi transformado em sede do Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR).
Em 20 de junho de 1977, o Palácio da Liberdade foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Paraná, como edifício de referência histórica do século 19, para a cultura local e estadual.
O imóvel, além de apresentar suas linhas arquitetônicas de época, possui um grande vitral, no centro do prédio, e um mural de artista Poty Lazzarotto, localizado no pátio externo.
(Adaptado da Wikipédia / Foto: Arquivo Público do Paraná)
Paulo Grani
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
Igreja Santa Terezinha: O Santuário que Nunca Foi — Um Sonho Arquitetônico Interrompido em Curitiba
Denominação inicial: Mitra do Arcebispado de Curitiba
Denominação atual: Igreja Santa Terezinha
Categoria (Uso): Instituição Religiosa
Subcategoria:
Endereço: Avenida Visconde de Guarapuava esquina com Rua Padre Ildefonso
Número de pavimentos: 1
Área do pavimento:
Área Total:
Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos
Data do Projeto Arquitetônico: 23/07/1937
Alvará de Construção: N° 2779/1937
Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de uma Igreja e Alvará de Construção.
Situação em 2012: Não construída
Imagens
1 – Desenho da fachada principal da Igreja.
2 – Planta com Corte A-B da igreja.
3 – Planta com Corte C-D da igreja.
4 – Projeto com a planta baixa da igreja.
5 – Área de instalação da igreja.
6 – Alvará de Construção.
Referências:
1, 2, 3, 4 e 5 - CHAVES, Eduardo Fernando. Igreja Santa Therezinha. Avenida Visconde de Guarapuava. Batel – Curitiba. Fachada principal; fachada lateral; cortes A-B e C-D; planta do pavimento térreo, perfil do terreno; implantação, representados em seis pranchas. Microfilme digitalizado.
6 - Alvará nº 2779
Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba.
Igreja Santa Terezinha: O Santuário que Permaneceu no Papel — Um Projeto de Fé em Curitiba
“Algumas igrejas são feitas de tijolos. Outras, apenas de intenção. Ambas pertencem a Deus.”
Na esquina da Avenida Visconde de Guarapuava com a Rua Padre Ildefonso, no bairro do Batel — hoje pulsante centro urbano de Curitiba —, um templo dedicado a Santa Teresinha do Menino Jesus esteve prestes a nascer.
Projetada pelo arquiteto Eduardo Fernando Chaves em 23 de julho de 1937, a Igreja Santa Terezinha, vinculada à Mitra do Arcebispado de Curitiba, foi devidamente autorizada pelo alvará de construção nº 2779/1937 e detalhada em um conjunto completo de pranchas arquitetônicas. Contudo, apesar de todos os preparativos, a construção não chegou a ser realizada. Em 2012, mais de setenta e cinco anos após seu projeto, confirmava-se que o templo permanecera no plano do desenho, sem erguer suas paredes no mundo físico.
Mesmo assim, sua existência documental é rica, simbólica e profundamente reveladora da fé, do urbanismo e das esperanças pastorais de uma época.
Um Projeto Impregnado de Devoção
O projeto arquitetônico de Chaves para a Igreja Santa Terezinha refletia a linguagem sóbria, funcional e espiritualmente orientada que marcava suas obras religiosas. Em seis pranchas meticulosamente elaboradas — hoje preservadas em microfilme digitalizado —, o arquiteto delineou:
- A fachada principal, com traços equilibrados, portal central e proporções que evocavam acolhimento;
- Cortes estruturais (A-B e C-D) que revelavam um espaço interno único, voltado para a celebração comunitária;
- A planta baixa, pensada para fluidez litúrgica e acessibilidade;
- A implantação no terreno, cuidadosamente ajustada à geometria da esquina entre a Visconde de Guarapuava e a Rua Padre Ildefonso;
- O perfil do terreno, demonstrando atenção às condições reais do lote urbano.
Prevista para ser construída em alvenaria de tijolos — técnica comum e confiável na época —, a igreja seria modesta em escala, mas rica em simbolismo. A escolha de Santa Teresinha, a “pequena flor do Carmelo”, como padroeira, revela a intenção de criar um espaço de espiritualidade íntima, acessível e profundamente humana, em sintonia com as aspirações de uma comunidade urbana em formação.
O Silêncio da Obra Não Iniciada
Embora o projeto tenha avançado até a fase de licenciamento oficial, a construção nunca foi iniciada. Os motivos exatos permanecem no campo das hipóteses, mas é plausível considerar:
- Limitações orçamentárias da Mitra Arquidiocesana naquele período;
- Mudanças nas prioridades pastorais, com foco em regiões mais periféricas ou carentes;
- A rápida valorização imobiliária do entorno do Batel, que pode ter tornado inviável a destinação do terreno para fins religiosos;
- Ou mesmo a ausência de um movimento comunitário sólido capaz de impulsionar a obra por meio de doações e mutirões — prática comum na época.
O fato é que, enquanto outras igrejas do mesmo arquiteto foram erguidas e se tornaram marcos de bairros inteiros, a de Santa Terezinha permaneceu um desenho de esperança, guardado em arquivos, mas nunca traduzido em pedra e cal.
Um Legado que Habita os Arquivos
A ausência física da Igreja Santa Terezinha não diminui sua importância histórica. Pelo contrário: seu projeto é um testemunho precioso da forma como a Igreja Católica, em meados do século XX, pensava sua presença na cidade em expansão. Revela também a sensibilidade de Eduardo Fernando Chaves ao traduzir a liturgia em arquitetura, mesmo quando o templo não chegava a ser construído.
Mais do que um “sonho interrompido”, o projeto representa uma intenção concreta de santificar o espaço urbano — uma tentativa de semear fé no coração de um bairro que, décadas depois, se tornaria um dos mais dinâmicos de Curitiba.
Epílogo: A Memória que Ora
Hoje, onde deveria estar o sino de Santa Terezinha, ouvem-se os sons do trânsito, do comércio, da vida moderna. Nenhum altar, nenhuma nave, nenhuma vela marcam o lugar. Mas nos arquivos da cidade, nas linhas traçadas à tinta por Chaves, e na memória dos que estudam a história urbana de Curitiba, o projeto permanece vivo — não como ruína, mas como oração em forma de plano.
Que este templo de papel continue a nos lembrar de que nem toda construção precisa tocar o céu com torres para tocar o coração de Deus.
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