quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

SAIA DE BARBANTE EURO BRILHO

 

SAIA DE BARBANTE EURO BRILHO




SAIA DE BARBANTE EURO BRILHO - GRAFICO

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

RELEMBRANDO O GASOGÊNIO

 RELEMBRANDO O GASOGÊNIO

Além da imensa perda de vidas inocentes e desastres indescritíveis, a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ainda trouxe outros problemas para os países do nosso planeta. Um dos principais foi a escassez de combustíveis fósseis, o que obrigou nações com menos disponibilidade desse recurso, a adotar práticas diferenciadas para manter suas frotas e serviços funcionando. Uma dessas alternativas, muito utilizada no Brasil e em outros lugares, ficou por conta do gasogênio, uma mistura de gases, produzida a partir de processos de combustão incompleta que “quebrava um galho” para manter veículos funcionando.
Para quem é um pouco mais velhos, as fotos dos carros com equipamentos acoplados na traseira dos veículos, não é tão incomum. Mas para os mais novos, trata-se de um equipamento de outro mundo. Os motores dos automóveis eram adaptados para funcionar com a queima de carvão ou lenha, gerando gases como nitrogênio, hidrogênio, monóxido de carbono e metano. E tinha mais um detalhe: o movimento dos veículos não era automático, sendo que era preciso esperar de 5 a 10 minutos para que o gás, formado no interior dos geradores, tivesse força o suficiente para mover o motor.
No Brasil o gasogênio passou a ser utilizado em 1941, quando Getúlio Vargas ainda estava à frente do nosso país, se bem que alguns veículos já usavam um pouco antes.
Foi ele o grande incentivador do uso desse combustível para evitar que os transportes ficassem debilitados. Durante algum tempo, essa alternativa foi chamada de “gás pobre”, tendo em vista que os donos dos automóveis não gostavam de utilizar essa tecnologia, afinal, os motores perdiam potência e rendimento.
Visando convencer a população de que era melhor utilizar esse gás do que não ter a possibilidade de deslocamento, o governo encomendou um filme chamado “Nosso amigo, o Gasogênio”.
Como é possível analisar, tratava-se de um equipamento bastante caro e, com o passar do tempo, a situação causada pela guerra ficou ainda pior, quando os ânimos se acirraram ainda mais e a chegada de combustíveis fósseis ficou ainda mais difícil ao Brasil. A situação ficou tão grave que o governo baixou um decreto limitando a distribuição do combustível líquido, racionando suas quantidades e praticamente “obrigando” a instalação do gasogênio em ônibus, caminhões, etc.
Se por um lado era comum ver grandes tambores na traseira dos veículos, por outro várias pessoas passaram a deixar seus carros em casa, tendo em vista o alto preço para a instalação dos kits. Algumas empresas brasileiras, vislumbrando uma boa oportunidade de negócio, chegaram a copiar os kits estrangeiros para produzir similares por aqui e, assim, baratear o custo de sua instalação. Esses novos kits foram vendidos até em lojas famosas, como a Mesbla Veículos.
Por fim vale ressaltar que esse sistema não era bom. Estima-se que os motores dos veículos perdiam em torno de 35% de potência.
Uma carga “completa” de carvão rendia entre 100 e 200 quilômetros de autonomia.
A demora para o carro funcionar também era bastante chata, levando de 5 a 10 minutos para que o veículo pudesse funcionar e, dependendo do kit instalado, esse tempo poderia ser ainda maior. Essa época também foi marcada por curiosos hábitos dos motoristas, como o de andar com facões/machados nos carros para, em caso de falta de carvão ou lenha, cortar qualquer madeira que estivesse a mão para reabastecer o veículo.
Com o fim do período de guerra, o petróleo voltou a circular pelo país e o gasogênio passou a ocupar um espaço na prateleira da história do nosso país e das nossa cidades.
(Extraído e adaptado de: saopauloinfoco.com.br / fotos: internet)
Paulo Grani

























Cartão Postal de Curitiba, editado no início da década de 1890, circulado em 27/12/1892, apresenta o então "Palacio do Governo - Curityba", construído na então Rua da Liberdade, atual Rua Barão do Rio Branco.

 Cartão Postal de Curitiba, editado no início da década de 1890, circulado em 27/12/1892, apresenta o então "Palacio do Governo - Curityba", construído na então Rua da Liberdade, atual Rua Barão do Rio Branco.




Construído na década de 1870, pelo engenheiro italiano Ernesto Gaita para ser
residência do seu colega Leopoldo Ignácio Weiss, foi concluída nos anos 1880.

Em 1890, a residência de Ignácio Weiss foi comprada pelo recém governo republicano brasileiro transformando-a no Palácio da Liberdade, sede do Governo Estadual e residência para o presidente do estado. Em pouco tempo, o imóvel passou a ser propriedade definitiva do Estado do Paraná e até 1937 foi sua sede.

Nas décadas seguintes, o palácio abrigou vários departamentos públicos, como a Secretaria do Interior e Justiça, a COSIPE, a Secretaria de Obras Públicas e em 1989 foi transformado em sede do Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR).

Em 20 de junho de 1977, o Palácio da Liberdade foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Paraná, como edifício de referência histórica do século 19, para a cultura local e estadual.

O imóvel, além de apresentar suas linhas arquitetônicas de época, possui um grande vitral, no centro do prédio, e um mural de artista Poty Lazzarotto, localizado no pátio externo.

(Adaptado da Wikipédia / Foto: Arquivo Público do Paraná)

Paulo Grani 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Igreja Santa Terezinha: O Santuário que Nunca Foi — Um Sonho Arquitetônico Interrompido em Curitiba

  Denominação inicial: Mitra do Arcebispado de Curitiba

Denominação atual: Igreja Santa Terezinha

Categoria (Uso): Instituição Religiosa
Subcategoria:

Endereço: Avenida Visconde de Guarapuava esquina com Rua Padre Ildefonso

Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 
Área Total: 

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 23/07/1937

Alvará de Construção: N° 2779/1937

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de uma Igreja e Alvará de Construção.

Situação em 2012: Não construída


Imagens

1 – Desenho da fachada principal da Igreja.
2 – Planta com Corte A-B da igreja.
3 – Planta com Corte C-D da igreja.
4 – Projeto com a planta baixa da igreja.
5 – Área de instalação da igreja.
6 – Alvará de Construção.

Referências: 

1, 2, 3, 4 e 5 - CHAVES, Eduardo Fernando. Igreja Santa Therezinha. Avenida Visconde de Guarapuava. Batel – Curitiba. Fachada principal; fachada lateral; cortes A-B e C-D; planta do pavimento térreo, perfil do terreno; implantação, representados em seis pranchas. Microfilme digitalizado.
6 - Alvará nº 2779

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Prefeitura Municipal de Curitiba.

Igreja Santa Terezinha: O Santuário que Permaneceu no Papel — Um Projeto de Fé em Curitiba

“Algumas igrejas são feitas de tijolos. Outras, apenas de intenção. Ambas pertencem a Deus.”

Na esquina da Avenida Visconde de Guarapuava com a Rua Padre Ildefonso, no bairro do Batel — hoje pulsante centro urbano de Curitiba —, um templo dedicado a Santa Teresinha do Menino Jesus esteve prestes a nascer.

Projetada pelo arquiteto Eduardo Fernando Chaves em 23 de julho de 1937, a Igreja Santa Terezinha, vinculada à Mitra do Arcebispado de Curitiba, foi devidamente autorizada pelo alvará de construção nº 2779/1937 e detalhada em um conjunto completo de pranchas arquitetônicas. Contudo, apesar de todos os preparativos, a construção não chegou a ser realizada. Em 2012, mais de setenta e cinco anos após seu projeto, confirmava-se que o templo permanecera no plano do desenho, sem erguer suas paredes no mundo físico.

Mesmo assim, sua existência documental é rica, simbólica e profundamente reveladora da fé, do urbanismo e das esperanças pastorais de uma época.


Um Projeto Impregnado de Devoção

O projeto arquitetônico de Chaves para a Igreja Santa Terezinha refletia a linguagem sóbria, funcional e espiritualmente orientada que marcava suas obras religiosas. Em seis pranchas meticulosamente elaboradas — hoje preservadas em microfilme digitalizado —, o arquiteto delineou:

  • A fachada principal, com traços equilibrados, portal central e proporções que evocavam acolhimento;
  • Cortes estruturais (A-B e C-D) que revelavam um espaço interno único, voltado para a celebração comunitária;
  • A planta baixa, pensada para fluidez litúrgica e acessibilidade;
  • A implantação no terreno, cuidadosamente ajustada à geometria da esquina entre a Visconde de Guarapuava e a Rua Padre Ildefonso;
  • O perfil do terreno, demonstrando atenção às condições reais do lote urbano.

Prevista para ser construída em alvenaria de tijolos — técnica comum e confiável na época —, a igreja seria modesta em escala, mas rica em simbolismo. A escolha de Santa Teresinha, a “pequena flor do Carmelo”, como padroeira, revela a intenção de criar um espaço de espiritualidade íntima, acessível e profundamente humana, em sintonia com as aspirações de uma comunidade urbana em formação.


O Silêncio da Obra Não Iniciada

Embora o projeto tenha avançado até a fase de licenciamento oficial, a construção nunca foi iniciada. Os motivos exatos permanecem no campo das hipóteses, mas é plausível considerar:

  • Limitações orçamentárias da Mitra Arquidiocesana naquele período;
  • Mudanças nas prioridades pastorais, com foco em regiões mais periféricas ou carentes;
  • A rápida valorização imobiliária do entorno do Batel, que pode ter tornado inviável a destinação do terreno para fins religiosos;
  • Ou mesmo a ausência de um movimento comunitário sólido capaz de impulsionar a obra por meio de doações e mutirões — prática comum na época.

O fato é que, enquanto outras igrejas do mesmo arquiteto foram erguidas e se tornaram marcos de bairros inteiros, a de Santa Terezinha permaneceu um desenho de esperança, guardado em arquivos, mas nunca traduzido em pedra e cal.


Um Legado que Habita os Arquivos

A ausência física da Igreja Santa Terezinha não diminui sua importância histórica. Pelo contrário: seu projeto é um testemunho precioso da forma como a Igreja Católica, em meados do século XX, pensava sua presença na cidade em expansão. Revela também a sensibilidade de Eduardo Fernando Chaves ao traduzir a liturgia em arquitetura, mesmo quando o templo não chegava a ser construído.

Mais do que um “sonho interrompido”, o projeto representa uma intenção concreta de santificar o espaço urbano — uma tentativa de semear fé no coração de um bairro que, décadas depois, se tornaria um dos mais dinâmicos de Curitiba.


Epílogo: A Memória que Ora

Hoje, onde deveria estar o sino de Santa Terezinha, ouvem-se os sons do trânsito, do comércio, da vida moderna. Nenhum altar, nenhuma nave, nenhuma vela marcam o lugar. Mas nos arquivos da cidade, nas linhas traçadas à tinta por Chaves, e na memória dos que estudam a história urbana de Curitiba, o projeto permanece vivo — não como ruína, mas como oração em forma de plano.

Que este templo de papel continue a nos lembrar de que nem toda construção precisa tocar o céu com torres para tocar o coração de Deus.

#IgrejaSantaTerezinha #ProjetosArquitetônicos #EduardoFernandoChaves #PatrimônioReligioso #CuritibaHistórica #MitraArcebispado #ArquiteturaSagrada #MemóriaUrbana